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Brasileirão, ato 3: primeiros clássicos estaduais e tabus em jogo
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A terceira rodada do Brasileiro começa neste sábado com os primeiros clássicos estaduais e acaba na segunda-feira da mesma maneira. No sábado, Vasco e Fluminense fazem, às 16h, o primeiro duelo entre cariocas. Logo depois, às 19h, tem São Paulo x Palmeiras no Morumbi. A rodada acaba com o duelo entre os catarinenses, Chapecoense x Avaí.

São muitos tabus em jogo. O Fluminense, um dos líderes do campeonato, não vence o Vasco em São Januário há 44 anos. Foram apenas dez jogos entre eles depois disso, mas o fato é que é uma vantagem considerável para o Vasco jogar em seu campo. O Flu já venceu Santos e Atlético Mineiro e pode começar a sonhar alto se ganhar mais uma.

No Morumbi, o São Paulo não perde do Palmeiras desde 2002 – aquele jogo do golaço de Alex sobre Rogério Ceni. Talvez nunca o Palmeiras tenha tido uma perspectiva tão grande de quebrar o tabu. Mas o São Paulo teve descanso e treino durante a semana, enquanto seu rival jogou pela Libertadores e precisa pensar no jogo de quarta contra o Inter, pela Copa do Brasil. A necessidade da vitória está muito mais do lado do São Paulo.

Outro duelo de tabu relevante é o de domingo, entre Atlético-PR e Flamengo. Será o terceiro confronto entre eles este ano e a estreia de Eduardo Baptista no comando do Furacão. O Flamengo nunca venceu e perdeu 11 dos 15 jogos que fez na Arena da Baixada em Brasileiros.

Aqui vão os prognósticos da terceira rodada.

SÁBADO

16h Vasco 2 x 2 Fluminense
Depois de vencer no Independência, o Flu garante não se assustar com São Januário. Sornoza é desfalque, mas Scarpa volta ao time titular. O Vasco terá a estreia de Breno na zaga, e Nenê continua no banco. Último clássico entre eles em São Januário foi em 2005, decidido por Romário. Em seu estádio, o Vasco não perde do Flu desde 1973 (dez jogos). Jogo promete ser animado e cheio de alternativas.

19h São Paulo 1 x 1 Palmeiras
É um dos tabus mais conhecidos do futebol brasileiro. O São Paulo não perde do Palmeiras no Morumbi desde 2002 (14 vitórias e 9 empates desde então). Depois da suada vitória sobre o Avaí, o São Paulo teve uma semana mais tranquila de trabalho, mas perdeu Thiago Mendes, lesionado. O Palmeiras avançou na Libertadores, mas mostrou vulnerabilidade contra o Tucumán e pode poupar alguns veteranos de olho na Copa do Brasil. Bom lembrar que é jogo de torcida única.

21h Vitória 1 x 1 Coritiba
Duelo direto entre times que jogam para permanecer na elite. O Vitória apresentou Neílton, que ainda não pode jogar, mas terá Kieza de volta ao ataque – boa notícia para um time que fez só um gol em seus últimos cinco jogos. Em momento mais tranquilo, o Coritiba tem uma boa chance de beliscar um bom resultado na Fonte Nova.

DOMINGO

11h Atlético-MG 3 x 1 Ponte Preta
Depois de duas derrotas seguidas, para Fluminense e Paraná (pela Copa do Brasil), o Atlético entra em campo pressionado. Time que quer ser campeão não pode perder pontos em casa contra uma Ponte Preta reformulada em relação ao Paulista e que ainda não pode escalar vários dos seus reforços. O favoritismo do Galo é total.

16h Santos 1 x 1 Cruzeiro
O Cruzeiro é um dos poucos times do Brasil que tem bom retrospecto na Vila Belmiro, onde o Santos perde pouco. Mano Menezes vai para buscar o empate, e pode muito bem conseguir diante de um Santos seguro na Libertadores, mas que penou para vencer o Coritiba pelo Brasileiro e que não terá Lucas Lima.

16h Atlético-GO 0 x 2 Corinthians
O Dragão perdeu do Flamengo no meio de semana e foi eliminado da Copa do Brasil, mesmo com o Fla fazendo jogo horroroso. O time goianiense é candidatíssimo ao rebaixamento, enquanto o Corinthians é forte fora de casa.

16h Atlético-PR 2 x 1 Flamengo
O Atlético promoveu Autuori a diretor e tem a estreia de Eduardo Baptista no comando técnico. Na Arena da Baixada, o Flamengo é freguês histórico do Furacão. Só venceu lá uma vez, em 2011, pela Sul-Americana. Em Brasileiros, 15 jogos, com 11 derrotas e 4 empates. Uma das derrotas foi um mês atrás, na fase de grupos da Libertadores. O Atlético perdeu as duas no Brasileiro, mas recupera lesionados pouco a pouco, enquanto o Flamengo jogou muito mal em Goiânia no meio de semana.

18h Sport 1 x 1 Grêmio (*atualização de palpite sábado, 10h45)
Depois de perder a final da Copa do Nordeste para o Bahia, o Sport mandou Ney Franco embora e será comandado pelo interino Daniel Paulista – que havia começado o ano como técnico, mas deixou o cargo há dois meses para assumir coordenação da base. O time se desgastou mais na final de Salvador, jogando com 10, do que o Grêmio, que passeou contra o Zamora na Libertadores. Grêmio mandará a campo time reserva.

19h Botafogo 2 x 0 Bahia
O Botafogo perdeu para o Estudiantes na Argentina, mas ainda assim passou em primeiro em seu grupo na Libertadores. Já o Bahia ainda comemora o título da Copa do Nordeste. Nenhum dos dois dias teve tempo de treinar para o jogo.

SEGUNDA

20h Chapecoense 1 x 1 Avaí
Os times acabam de se enfrentar na final do Catarinense, com uma vitória para cada lado (ambas fora de casa) e título para a Chape.


Brasileirão, ato 2: Flamengo tem obrigação de vitória. Veja os prognósticos
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É sempre assim. O campeonato mal começou e técnicos balançam, torcedores que, um dia estavam no aeroporto para fazer selfies, no outro estão para jogar pedras. Às vezes não são nem os resultados no próprio campeonato que geram tal pressão.

É o caso do Flamengo. Estava tudo lindo, maravilhoso. De repente, um gol nos acréscimos, derrota para o San Lorenzo, eliminação precoce na Libertadores e muita, muita pressão. A moda vai ser dizer que “ganhar o Brasileiro é obrigação”. Como se fosse um campeonato fácil de ser vencido.

Mas o fato é que o Flamengo entra na segunda rodada contra a parede. Tem time para vencer o Brasileiro, mas precisa reagir já, imediatamente. Tem um jogo em um estádio em que terá maioria de torcedores, ainda que atue fora de casa, e contra um Atlético-GO com toda a pinta de que subiu para já cair. Se quiser ser campeão, não pode perder pontos em jogos assim.

O São Paulo é outro grande contra a parede. Após as seguidas eliminações em tudo o que disputava, só sobrou o Brasileiro. Na segunda-feira, fechando a rodada, precisa dar uma resposta vencendo o Avaí e tranquilizando um pouco as coisas.

Começamos nossa série de palpites com um acerto em cheio e sete acertos de vitória ou empate na rodada 1. Nesta segunda rodada, a previsão é de que os times da casa não prevaleçam tanto como na inaugural. Será? Palpite você também! É de graça :-)

SÁBADO

16h Santos 3 x 1 Coritiba
O Peixe vem de um enorme esforço físico na Bolívia e já joga de novo pela Libertadores na terça, então vai poupar alguns jogadores. Mas o Coritiba também tem desfalques, principalmente no meio de campo.

19h Chapecoense 1 x 1 Palmeiras
A Chape conseguiu vitória heróica na Argentina, mas pode ficar fora da Libertadores por ter escalado um jogador irregular. Nunca perdeu em casa para o Palmeiras, que vai com time misto (ou mesmo só de reservas) após a vitória sobre o Inter e com jogo pela Libertadores na quarta-feira.

19h Atlético-GO 0 x 2 Flamengo
Os times se enfrentarão duas vezes seguidas, na quarta tem jogo pela Copa do Brasil (0 a 0 na ida). O Atlético troca goleiro após as falhas de Kléver na estreia e o Flamengo chega após eliminação traumática na Libertadores. Mas jogar no Serra Dourada é quase sempre jogar em casa para o Mengo. E agora todo jogo é uma final no Brasileiro.

DOMINGO

11h Vasco 1 x 1 Bahia
Pode ser duro para o torcedor ouvir isso, mas esse é um jogo entre dois times que jogam para ficar na Série A – para onde acabam de voltar. O Bahia não leva Régis ao Rio e vai buscar o empate. O Vasco pode ter Nenê relegado ao banco após o sacode na estreia. O histórico do Bahia no Rio é muito bom contra o Vasco, mais venceu do que perdeu. Não perde lá desde o ano 2000.

16h Atlético-MG 3 x 1 Fluminense
No ano passado, o Flu quebrou um jejum de seis anos sem vencer o Galo no Brasileiro. São raras as vitórias tricolores em BH. Com o trabalho feito na Libertadores, o Atlético pode voltar as atenções ao Brasileiro e não vai poupar titulares. No Horto, são 11 vitórias em 11 jogos neste ano.

16h Vitória 0 x 1 Corinthians
Jogo será na Fonte Nova, não no Barradão. O Vitória quebrou um jejum de 20 anos sem bater o Corinthians ano passado, existe uma freguesia aqui. O time baiano tem muitos desfalques, enquanto o Corinthians teve semana livre para treinar. É o favorito.

16h Atlético-PR 1 x 1 Grêmio
O Atlético chega ao jogo embalado pela heróica classificação na Libertadores. O Grêmio também se deu bem no meio de semana, venceu o Flu pela Copa do Brasil. Jogo promete ser truncado e com pouco espaço.

18h Botafogo 0 x 0 Ponte Preta
Já classificado na Libertadores, mas ainda com chances de ganhar seu grupo (joga na Argentina quinta), o Botafogo pode poupar algum jogador que esteja desgastado. É um jogo perigoso, contra um adversário chato, que não dará o espaço que o Botafogo gosta e que historicamente arranca pontos no Rio.

19h Sport 0 x 2 Cruzeiro
O Sport não vem jogando bem, Ney Franco sofre críticas e tem final da Copa do Nordeste na quarta, portanto alguns jogadores podem ficar fora dessa partida. Já sabemos como são os times de Mano Menezes em pontos corridos, pragmáticos e pescadores de pontos.

SEGUNDA

20h São Paulo 4 x 1 Avaí
Se não ganhar esse jogo, vai ganhar de quem? É a hora para o time de Rogério Ceni afastar a crise e respirar uma semana um pouco mais tranquila.


Botafogo faz um favor a todos os brasileiros na Libertadores
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juliogomes

Está cada vez mais difícil imaginar que time pode tirar o título da Libertadores da América de um brasileiro. O Botafogo fez um favor a si mesmo e aos outros “patrícios” ao vencer por 1 a 0 e eliminar o Atlético Nacional de Medellín, nesta quinta à noite.

Atual campeão e melhor time da América do Sul no ano passado, o Nacional perdeu muitas peças, mas ainda é um time muito forte e que, se tivesse passado para as oitavas, seria candidato natural ao bi. É o líder disparado na Colômbia, com recorde de pontos. Mas pagou o preço ao começar a Libertadores com três derrotas seguidas.

Quando se ajustou no ano, já era tarde. E, no Engenhão, apesar da maior posse de bola, parou em uma muralha defensiva do Botafogo. O time da casa cedeu pouquíssimas chances reais de gol aos colombianos.

Um time de dedicação louvável, com todos os jogadores trabalhando muito na defesa, fechando espaços e criando ajudas. E saindo de forma extremamente rápida no contra ataque. O Botafogo fez o que o Flamengo, por exemplo, não fez contra o San Lorenzo: nunca abdicou do jogo. Sim, se defendeu, mas contra atacou com dois, três, quatro jogadores. Fez um gol e poderia ter feito mais.

Botafogo, Santos, Atlético-MG e Atlético-PR já estão nas oitavas de final. Grêmio, Palmeiras e Chapecoense têm a faca e o queijo na mão – só ficam fora por catástrofe. Apenas o Flamengo vai sobrar mesmo, o que faz da semana ainda mais perfeita para o botafoguense.

Quem pode tirar o título de um brasileiro?

O torneio avança pelo ano todo. Mas, no momento, parece que só o River Plate e o San Lorenzo teriam condições de fazê-lo. Talvez o Santa Fé, se conseguir vencer o Strongest e se classificar.

O Santa Fé vai ser aquele segundo colocado que ninguém vai querer enfrentar nas oitavas. O Atlético-PR, claro, é também um rival indigesto. O Botafogo precisa brigar para ser primeiro de seu grupo e, para isso, talvez nem precise vencer o Estudiantes na Argentina – duvido muito que o Barcelona não saia derrotado de Medellín na última rodada.

Botafogo e Barcelona têm 10 pontos, mesmo saldo, mas o time carioca fez um gol a menos. O Atlético Nacional ainda pode ir à Sul-Americana se vencer o Barcelona. Um empate pode servir para o Botafogo ser primeiro e para o Estudiantes ser terceiro.

Se for primeiro, o Botafogo evita possíveis confrontos nas oitavas contra Santos, Palmeiras, Galo, Grêmio, San Lorenzo, River…

Deste time, o exterminador de campeões da Libertadores, convém não duvidar.


Brasileiro já começa com uma ‘final’ entre dois favoritos
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juliogomes

Fazer prognósticos no Brasileirão é sempre um grande desafio. Se não é lá grandes coisas tática e tecnicamente, o campeonato pode presumir de ser o mais imprevisível e equilibrado do mundo. Qualquer um pode ganhar de qualquer um, são muitos times de tradição, muitas camisas pesadas. E, ao longo do ano, muitas trocas de técnicos e jogadores.

Esta é a grande maravilha do Brasileirão. O equilíbrio.

A priori, este blog considera Flamengo, Atlético Mineiro e Palmeiras, nesta ordem, os três candidatos principais ao título. E o primeiro jogo do campeonato é logo entre Fla e Galo! Lá na frente, poderemos olhar para ele com lupa quando os times estiverem disputando a ponta – ou não.

Porque, afinal, o Corinthians vem forte. O Cruzeiro, apesar do momento turbulento, tem um técnico para lá de provado nos pontos corridos. O Santos, atual vice-campeão, não pode ser descartado se mantiver o elenco intacto. Tem Grêmio, tem Botafogo…

Aqui no blog faremos os prognósticos de todos os jogos do campeonato. Vamos ver no que vai dar!

SÁBADO

16h Flamengo 1 x 1 Atlético-MG
O Flamengo tem um jogo duro na Argentina pela Libertadores, quarta-feira, e pode preservar algum jogador que esteja no limite físico. O Atlético tem dois desfalques na defesa (Marcos Rocha e Léo Silva), mas o técnico Roger reforçará o meio com três volantes. O Atlético vai ao Rio para buscar um empate.

19h Corinthians 1 x 0 Chapecoense
O Corinthians vem embalado pelo título paulista e a classificação na Sul-Americana. O time está funcionando, e Rodriguinho vive grande fase. Já a Chapecoense, apesar do título catarinense, ganhou só um de seus últimos sete jogos. Levou 4 na Colômbia no meio de semana. Já conseguiu empatar nas duas visitas que fez a Itaquera, mas desta vez será difícil evitar a derrota.

DOMINGO

11h Fluminense 1 x 2 Santos
Apenas um empate nos últimos 17 duelos entre eles, e o Santos costuma beliscar vitórias no Rio. O jovem time do Flu começou bem a temporada, mas sente a falta de Scarpa e, no meio de semana, sofreu para sair do Uruguai classificado na Sul-Americana. Já o Santos foi a Belém e venceu bem o Paysandu pela Copa do Brasil, o time evoluiu desde o início da temporada. Está embalando, jogando melhor. Se não perder seus melhores jogadores, é candidato a título.

16h Palmeiras 2 x 2 Vasco
A última vez que o Palmeiras venceu o Vasco como mandante foi em 2008. No único jogo entre eles no Alliaz Parque, em 2015, deu Vasco. O time cruzmaltino melhorou com o técnico Milton Mendes, e o Palmeiras tem a reestreia de Cuca em busca do bicampeonato. Algo me diz que vai dar zebra.

16h Cruzeiro 2 x 1 São Paulo
O jogo da depressão. O Cruzeiro, derrotado no Mineiro, caiu também na Sul-Americana. O São Paulo, depois de 18 dias de treinos, apresentou futebol pobre e também foi eliminado da Sul-Americana, pelo minúsculo Defensa y Justicia da Argentina. Crise dos dois lados. Recentemente, o Cruzeiro eliminou o São Paulo da Copa do Brasil, mas perdeu o jogo do Mineirão. A experiência de Mano Menezes e um time melhor que o do adversário farão a diferença na estreia, ainda que o São Paulo tenha ótimo retrospecto histórico contra o Cruzeiro em BH.

16h Bahia 1 x 0 Atlético-PR
O Atlético chega ao jogo com cinco desfalques e uma série de quatro jogos sem vitórias – perdeu em casa e está por um fio na Libertadores e perdeu o Paranaense para o Coritiba.

16h Ponte Preta 2 x 0 Sport
Após a linda campanha no Paulista, a Ponte perdeu seu artilheiro, Pottker. O Sport tem oito desfalques, vem de uma classificação dramática e emocionalmente cansativa na Sul-Americana no Uruguai (perdeu por 3 a 0 do Danubio e avançou nos pênaltis) e ainda joga pela Copa do Nordeste na outra semana. A Ponte é favorita.

16h Avaí 1 x 1 Vitória
O Avaí volta à primeira divisão com a intenção de permanecer. O Vitória estreia o técnico Petkovic e tem desfalques.

19h Grêmio 2 x 1 Botafogo
Mais um clássico. Nos últimos 20 anos, o Grêmio ganhou dez e perdeu só duas vezes do Botafogo em Porto Alegre – a última, ano passado. São dois times em posição confortável na Libertadores, mas que não triunfaram nos Estaduais. Equilíbrio. Fator casa pode fazer a diferença.

SEGUNDA

20h Coritiba 1 x 0 Atlético-GO
O Coxa vem embalado pelo título estadual. O Atlético conseguiu um bom empate com o Flamengo pela Copa do Brasil e mostrou-se um time arrumado defensivamente.


Obrigado, Seedorf! Que o Brasil saiba aproveitar seu legado
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juliogomes

Não há muito mais a dizer a este senhor Clarence Seedorf. “OBRIGADO”. Creio que o agradecimento em letras garrafais diz tudo.

Mas a coisa não acaba por aqui. O Brasil deve dizer um enorme obrigado a Seedorf. Mas deve, também, absorver o que ele deixou por aqui.

Seedorf não precisava, mas apoiou e participou do Bom Senso F.C., a melhor coisa que surgiu no futebol brasileiro na última década, pelo menos. Gastou seu tempo para ajudar os jogadores a melhorarem o nosso produto.

Seedorf não precisava, mas polemizou ao dar pitos e conclamar a torcida botafoguense a ir ao estádio. Sair de casa. Apoiar o time de verdade. No campo. Recado que serve para todos.

Seedorf não precisava, mas foi sempre o primeiro a chegar e o último a sair dos treinos. Deu exemplo. Mostrou a jovens, com muito ou nenhum futuro, que ser um profissional de futebol é outra coisa. Que profissionalismo nesta profissão é muito mais do que cumprir horários e jogar bola. Foi um espelho.

seedorf-adeus-brasilSeedorf deixa um legado. Muito mais, logicamente, dentro do Botafogo. Mas precisamos extrapolar para todo o país. Precisamos ter a humildade de pegar tudo o que ele falou, especialmente nas várias entrevistas de final de ano, com calma e tranquilidade, e pensar. E aplicar. Pensar, assimilar, aplicar.

Nosso futebol será melhor, nossa sociedade será melhor, conforme tenhamos mais Seedorfs. Profissionalismo, trabalho, dedicação, seriedade, honestidade. Como eu amo o intercâmbio.

Tenho certeza que Seedorf veio ao Brasil, também, para aprender. Não para ganhar dinheiro e tomar caipirinhas. Mas para assimilar coisas diferentes, já pensando em sua carreira como técnico de futebol. Assim como Guardiola, em fim de carreira, passou pelo pequeno Brescia, pelo Oriente Médio, foi buscar conhecimento no México e na Argentina. Seedorf escolheu outro país, mas com um plano parecido.

“Vim com a intenção de ver. Mas também não aceitar tudo. Tentar mudar algumas coisas. Aprendi”. Palavras de Seedorf em sua coletiva de despedida.

Seedorf acrescenteu a seu portfolio futebolístico muito do que viu aqui no Brasil. Em campo e fora dele. Começa um desafio e tanto, em um gigante adormecido e empobrecido, que é o Milan. Em que há muito o que fazer.

Poucos homens do mundo saberiam o que fazer no comando técnico deste Milan atual. Seedorf, tenho certeza, é um deles.

Boa sorte, Clarence. E obrigado por tudo.

 


Quem fez mais e quem fez menos do que o esperado no Brasileiro
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O Brasileiro acabou e é hora de avaliar. Quem foi bem? Quem foi mal? Abaixo, as avaliações deste blog.

 

DESTAQUES QUE FIZERAM O ESPERADO:

Cruzeiro, Grêmio e Botafogo – Três clubes que eram apontados como candidatos à Libertadores da América. Eu não acreditava no Cruzeiro, achava que faria um campeonato tipo “pasmaceira” e já admiti este erro algumas vezes nos últimos meses. Para mim, o Mineiro não era parâmetro. Julguei mal. As contratações vieram e o Cruzeiro aproveitou bem o ano patético dos clubes mais ricos do país, que dominaram nos últimos anos (Corinthians, Fluminense-Unimed e São Paulo).

Credito o título à coragem de Marcelo Oliveira, que o tempo inteiro priorizou o ataque, mesmo em momentos do campeonato em que administrar vantagem seria o caminho natural. Cair cedo na Copa do Brasil também foi ótimo nesse sentido. Foi campeão com sobras.

O Grêmio era um dos meus favoritos e acabou com o vice-campeonato. E o Botafogo, campeão carioca com antecipação, era candidatíssimo à Libertadores. Acabou em quarto lugar, um resultado gigantesco dadas as perdas ao longo do campeonato. Agora é esperar pela Ponte Preta para confirmar a vaga na maior competição continental.

 

DESTAQUES QUE FIZERAM MAIS DO QUE ESPERADO:

Atlético-PR, Vitória e Goiás – No Brasileiro dos pontos corridos e distribuição absolutamente injusta do dinheiro da TV, clubes como estes três entram para não cair. Entram para ficar na primeira divisão, onde não estavam no ano passado. Portanto, acabar entre os seis primeiros é um resultado para lá de espetacular.

O Atlético deu o pulo do gato ao fazer uma gigante pré-temporada, abrindo mão do Campeonato Paranaense – não tenho dúvidas de que fará escola no ano que vem. Não era time para acabar o Brasileiro em terceiro lugar, mas foi o time que mais voou fisicamente ao longo do ano e acumulou pontos no momento em que todos os outros ficaram de língua de fora.

O Vitória acumulou gordura no início do campeonato e, assim como o Bahia, caminhava para onde se esperava, a briga lá na rabeira. Mas aí a diretoria mandou Caio Júnior embora, o que me pareceu bastante injusto. Só que a chegada de Ney Franco não só tirou o Vitória da rota decadente como fez do time o baiano o melhor do segundo turno, junto com o Cruzeiro. É raro, mas às vezes a troca de técnico dá certo mesmo, e foi o caso do Vitória.

 

A PASMACEIRA VÁLIDA:

Santos, Atlético-MG e Flamengo – O Santos fez o campeonato que eu esperava, sem brigar em cima nem em baixo. Sem Neymar, poderia ter sido muito pior. Para mim, a diretoria do Santos erra feio ao dispensar Claudinei Oliveira. Por que não investir? Por que não mandá-lo para um belo aprendizado de um mês na Europa? Por que gastar os tubos com um técnico “medalhão” quando se tem um ótimo achado dentro de casa, um técnico bom e barato?

O Atlético era time para disputar título e o faria se tivesse sido eliminado da Libertadores, por exemplo, naquelas quartas de final contra o Tijuana. O pênalti defendido por Victor valeria o título lá na frente e valeu um Brasileirão tranquilo para o Cruzeiro, porque o Galo estaria na briga. No fim, foi um Brasileiro honesto, sem sustos, com alguns bons jogos. Tem que tomar cuidado para não cair na armadilha de Fluminense e Corinthians no ano que vem, pensar em renovar elenco e trazer peças novas e motivadas.

O Flamengo era outro que tinha a pasmaceira prevista. Sempre acreditei em um campeonato de meio de tabela e foi lá que o Flamengo ficou o tempo todo. Teve margem para priorizar a Copa do Brasil e saiu com uma vaga na Libertadores que ninguém acreditava. Ano para comemorar.

 

FAVORITOS QUE FORAM AS GRANDES DECEPÇÕES:

Fluminense, Corinthians, São Paulo e Internacional – Antes do início do campeonato, Fluminense e Corinthians estavam na minha lista de favoritos ao título, junto com Atlético-MG e Grêmio. São Paulo e Internacional estavam na minha lista dos que iriam brigar por Libertadores, junto com os quatro citados mais o Botafogo. Falar o que dessa turma??

O Fluminense conseguiu dar um vexame ainda maior do que o Corinthians, porque acabou rebaixado. O Corinthians era, por investimento, estabilidade, elenco, o favorito maior ao título. Errei feio ao prever que ele não só viria, mas viria com facilidade. O Corinthians fez míseros oito gols no segundo turno inteiro, sofreu com um jogo taticamente manjado, defensivo demais, e a saída de Paulinho e lesões de Guerrero e Renato Augusto não ajudaram. Se tivesse mandado Tite embora, talvez tivesse até brigado no rebaixamento, como o Fluminense.

O São Paulo foi o quarto melhor do segundo turno. Clube rico é assim. Se as coisas dão errado, se a instabilidade política e a guerra de egos causam tropeços dentro de campo, você vai lá, abre o talão de cheques e traz o Muricy Ramalho para resolver a parada. Resolveu. É o poder do dinheiro, é a razão pela qual, com o São Paulo afundado no Z-4, eu apostei meu dedo que não cairia. Era elenco para disputar a Libertadores, acabou se livrando do sofrimento e olhe lá.

O Internacional, nem isso. Ainda precisou de um pontinho na última rodada para se livrar do rebaixamento. Uma temporada ridícula do Inter que ou não deveria ter contratado Dunga (se seu perfil não agrada, dava para saber disso antes) ou não deveria tê-lo demitido. Que deixassem trabalhar em um prazo longo, de dois a três anos. Outro clube que tem de repensar muita coisa após montar um elenco caro como esse e fazer uma campanha patética – de novo.

 

GANHARAM A BRIGA DELES, CONTRA A DEGOLA:

Portuguesa, Bahia, Coritiba e Criciúma – Assim como Atlético-PR, Vitória e Goiás, eram quatro clubes que entravam com o único objetivo de não cair. Os três citados fizeram mais do que o esperado e brigaram lá em cima. Já Lusa, Bahia, Coritiba e Criciúma ficaram lá na parte baixa mesmo, mas conseguiram cumprir e são times de primeira divisão. Portuguesa, Bahia e Criciúma eram, ao lado do Náutico, os quatro mais fortes candidatos ao rebaixamento na minha avaliação em maio.

O Coritiba poderia ter feito um campeonato mais “pasmaceira”, era o que eu esperava. Na minha opinião, os pontos acumulados no início serviriam para que este fosse um Brasileiro tranquilo, de meio de tabela. E seria, não tivesse a diretoria tomado a estúpida decisão de mandar embora Marquinhos Santos, que é bom treinador. A queda de rendimento devia-se às lesões e ao campeonato estilo maratona. Mas a diretoria agiu com o fígado, diante do bom momento do rival Atlético, e fez uma bobagem atrás da outra. No fim, ainda deu para se salvar do pior.

O Criciúma também usou e abusou dos erros e trocas de treinadores. Possivelmente teria caído, não fosse o “derretimento” do Fluminense na reta final e aquelas vitórias em Curitiba e contra um São Paulo mortinho, mortinho. A Portuguesa jogou o primeiro quarto de campeonato sem técnico, tirou a sorte grande ao encontrar este ótimo Guto Ferreira e os gols de Gilberto. Abrir mão da Sul-Americana foi um acerto. A Lusa fez 4 (de 36) pontos contra os seis primeiros do campeonato, mas fez 20 (de 30) contra os cinco últimos. Ou seja, perdeu dos bons, ganhou dos ruins, não teve boa gestão, estádio cheio, sorte e nem ponto de graça da arbitragem, mas conseguiu se manter de novo. Um milagre.

Já o Bahia acertou ao manter Cristóvão Borges, também muito bom técnico, mesmo quando a água começou a bater no traseiro. Decisão corajosa e acertada. Cristóvão pegou um clube morto após o Estadual e fez um campeonato para lá de digno.

 

PERDERAM A BRIGA QUE ERA DELES DESDE O INÍCIO:

Vasco, Ponte Preta e Náutico – O Vasco era o único grande (dos 12 de SP, RJ, MG e RS) que eu considerava, desde o começo, candidato forte ao rebaixamento. E não deu outra. Não tem muito o que falar. O Vasco é uma instituição quebrada, mal administrada e que precisaria fazer tudo direitinho ao longo do campeonato. Demitir técnicos não é exatamente o caminho adequado. era time para cair e caiu mesmo. Não acredito em uma Série B tão amena e em comunhão com a torcida, como foi em 2009. O Vasco tem de sacudir a poeira e entrar em uma nova era. Sem Eurico, pelo amor de Deus.

A Ponte poderia até ter se livrado, como fizeram os times do grupo acima, mas errou ao mandar Guto Ferreira embora muito cedo e se complicou fisicamente com a linda aventura na Sul-Americana. Venha ou não venha o título, valeu à pena. Cair e subir fará parte da vida da Ponte ao longo dos anos, mas o que o torcedor viveu e ainda está vivendo, não tem preço. O Náutico entrou rebaixado e caiu no meio do campeonato. Foi mais um que fez o que dele se esperava.

 

2014:

Cruzeiro, Atlético-MG e Grêmio são, a priori, times brasileiros com mais chances na Libertadores do que Flamengo, Atlético-PR e Botafogo ou Ponte. É um torneio de mata-mata, onde tudo pode acontecer, e todos sabemos que o sucesso nesta competição traz consequências ao Brasileirão.

O Corinthians, com Mano, e o São Paulo, com Muricy, serão candidatos ao título nacional. Santos e Palmeiras prometem ficar ali na pasmaceira o ano todo.

Dos que não fazem parte do G12, que será G10 na primeira divisão, o negócio é não cair. Quem souber dar o pulo do gato físico, como fez o Atlético-PR, e controlar os instintos de sair mandando técnico embora, pode fazer um campeonato estável e até sonhar com alguma coisa melhor. Quem cometer os velhos erros e for enganado (para bem ou mal) pelos Estaduais, estará na zona do perrengue sempre.

Vasco e Fluminense, assim como o Palmeiras, têm mais dinheiro da TV do que os outros 18 clubes da Série B juntos. Têm a obrigação de subir e provavelmente o farão. Mas, antes disso, viverão um aninho no inferno. Aqui se faz, aqui se paga.

 


Com Flamengo campeão, briga por Libertadores aperta no Brasileiro
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juliogomes

O título do Flamengo foi importante para definir que o Brasileiro terá mesmo um G-4 em relação às vagas para a Copa Libertadores 2014. Um G-4 que pode até ser um G-3, caso a Ponte Preta seja campeã da Sul-Americana.

O segundo colocado vai direto para a Libertadores, junto com Cruzeiro, Flamengo e Atlético Mineiro. O terceiro colocado e, talvez, o quarto, vão para a Pré-Libertadores.

Só haverá um duelo direto, que é o deste fim de semana, entre Grêmio e Goiás. Grêmio e Atlético-PR podem até se garantir já entre os três primeiros, se vencerem seus jogos e o Botafogo não ganhar do Coritiba. Nesse caso, a briga única seria pelo quarto lugar. Uma briga que pode valer muito ou pode não valer nada, dependendo do que fizer a Ponte Preta.

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  • true
  • http://esporte.uol.com.br/enquetes/2013/11/28/quem-vai-se-classificar-para-a-libertadores-pelo-brasileirao.js

Abaixo, um raio-X e a chave para cada um:

SITUAÇÃO CLUBE A CLUBE

– Atlético-PR (61 pontos, 17 vitórias, saldo de +13)
Santos (f)
Vasco (c)
Pontos dos adversários: 92
Chave: Se vencer o Santos, já desinteressado, praticamente se garante no G-3. O último jogo é mais difícil, apesar de ser em casa, porque o Vasco estará jogando a vida. A chave mesmo é esquecer a Copa do Brasil, o Atlético tem tudo para ganhar os dois jogos e ser vice-campeão.

– Grêmio (61 pontos, 17 vitórias, saldo de +6)
Goiás (c)
Portuguesa (f)
Pontos dos adversários: 103
Chave: O jogo direto contra o Goiás, em casa, é a chave. Ganhar é quase garantia de G-3, perder é um tropeço praticamente definitivo. Depois, pode pegar uma Portuguesa já salva – ou não. E definitivamente mordida pelo jogo do primeiro turno. O melhor cenário para o Grêmio é garantir tudo em casa na próxima rodada.

– Goiás (59 pontos, 16 vitórias, saldo de +8)
Grêmio (f)
Santos (c)
Pontos dos adversários: 112
Chave: O campeonato brilhante vai superar qualquer expectativa em caso de vitória nos dois jogos. Se ganhar as duas, está na Libertadores. Se não ganhar do Grêmio, dificilmente acabará entre os quatro.

– Botafogo (58 pontos, 16 vitórias, saldo de +12)
Coritiba (f)
Criciúma (c)
Pontos dos adversários: 85
Chave: Dois rivais desesperados, a famosa faca de dois gumes. O quarto lugar parece o objetivo mais realista para o Botafogo. Não há possibilidade de G-3 sem vencer as duas partidas.

– Vitória (55 pontos, 15 vitórias, saldo de +4)
Flamengo (c)
Atlético-MG (f)
Pontos dos adversários: 103
Chave: É quem tem os dois jogos mais fáceis, contra times que não jogam por nada. Mas precisará que Goiás e Botafogo não vençam nenhuma. Missão quase impossível para o Vitória, outro que fez campanha muito acima do esperado.

 


Estudo mostra que clubes cariocas queimaram mais de R$ 1 bilhão em 6 anos
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juliogomes

Se algum dia o futebol brasileiro mudar de verdade, alguns “obrigados” precisarão ser ditos à Plury Consultoria. Uma empresa muito séria, atuante em negócios do esporte e inteligência de mercado e que vem, seguidamente, mostrando resultados e pesquisas que jogam luz à situação atual do esporte predileto em nosso país.

Sabe aquela coisa que todo mundo sabe, mas falta alguém provar? Pois elas estão sendo mostradas sistematicamente e eu vou reproduzir uma delas aqui no blog.

O mais novo estudo avaliou os balanços dos 23 clubes de maior faturamento no Brasil. E alguns resultados são impressionantes: foi acumulado um prejuízo de R$ 1,8 bilhão nos últimos seis anos (de 2007 a 2012).

Vou repetir: os clubes tiveram, somados, prejuízos de quase DOIS BILHÕES DE REAIS.

Enquanto o Governo Federal celebra o leilão de Libra e os 15 bilhões de investimentos que entrarão com a assinatura do contrato, os clubes brasileiros gastam aos “bilhões”. E devem. Acumulam dívidas. Dívidas com o governo federal, receita, comigo e contigo. É isso aí. Você adora ver seu time ganhar jogo, né? Mas ele deve dinheiro para o teu governo, ou seja, para você mesmo. Vale à pena?

Impressiona que a lista tenha os quatro grandes cariocas nas últimas quatro posições. O Vasco, com mais de 300 milhões de reais de prejuízo acumulado. O Fluminense, 285 milhões. O Botafogo, 268 milhões. O Flamengo, 188 milhões. Não é à toa que o Vasco não levanta do buraco e está prestes a voltar à segunda divisão. Não é à toa que o Fluminense, agora que a Unimed fechou a torneira, esteja em um lugar oposto ao topo que ocupou nos últimos anos. Não é à toa que o Botafogo tem problemas para pagar salários e, também por isso, saiu da disputa pelo título no meio do campeonato. Não é à toa que o Flamengo, clube mais popular do Brasil, não consiga estar consistentemente lá em cima.

Os quatro clubes cariocas têm perdas acumuladas de R$ 1,04 bilhão, mais da metade do valor total do prejuízo. No período de seis anos, 92% dos seus balanços tiveram perdas, são 22 prejuízos contra apenas 2 balanços no azul. Os seis clubes paulistas aparecem na sequência, com R$ 363 milhões de prejuízo e capitaneados pelos Palmeiras. O Palmeiras é o quinto com maior prejuízo, são 179 milhões.

E o Atlético Mineiro vem a seguir, com quase 177 milhões de reais. “Mas ganhou a Libertadores”, dirá o torcedor atleticano. É, ganhou. Mas a que preço? “Todo mundo está devendo, uai, pelo menos ganhamos o título da América”. E assim seguimos nesse ciclo vicioso de “todo mundo faz errado, então eu também faço e pelo menos sou campeão aqui e ali”.

Não é à toa que Alexandre Kalil seja uma das vozes mais fortes pelo refinanciamento das dívidas dos clubes, uma mudança na política fiscal, etc.

E aí eu pergunto. Onde fica o outro Atlético, o Paranaense? Nestes seis anos analisados pela Plury, o Atlético-PR é o clube que acumula maior LUCRO: R$ 118 milhões. O segundo colocado, o Corinthians, fica muito longe, com 10 milhões de lucro. O São Paulo é o terceiro, com 8 milhões e o “título” de ser o único que não fechou no vermelho nenhum dos últimos seis anos.

Aí o Atlético-PR, que trabalhou de forma séria, que deixou de contratar jogadores para não se endividar… como fica se todo mundo for “perdoado”. Seria justo??

A resposta é simples e direta: NÃO.

O Bom Senso F.C., a melhor coisa que aconteceu no futebol brasileiro nos últimos anos, coloca, entre suas reivindicações, o tal fair play financeiro. Mas atenção para o que diz a Plury:

“Os resultados (do estudo) mostram o total descaso com a boa gestão financeira e evidenciam que qualquer tentativa séria de Fair Play financeiro deve não apenas garantir o pagamento de salários e impostos, mas também limitar os prejuízos crônicos dos clubes, causa principal do enorme endividamento. Caso contrário, teremos um Fair Play financeiro à Brasileira.”

O que o Bom Senso pede é um primeiro passo, muito importante. Garantir que os clubes que não paguem salários e impostos em dia sejam punidos esportivamente (com perda de pontos, etc). Mas a coisa precisa avançar, precisa ir além. Dirigentes e maus gestores precisam pagar pelo que fazem, se responsabilizar pela situação em que os clubes ficaram. E, estes, precisam se virar para pagar o que devem.

Que fiquem anos sem contratar jogadores, que fiquem anos sem títulos. O torcedor precisa aprender que ser cidadão e zelar pela coisa pública vêm antes, mas MUITO antes, do que ganhar um jogo ou um campeonato.

O estudo completo da Plury está nesse link. Clique aqui para ver. Abaixo, a tabela somente com o lucro ou prejuízo acumulado entre 2007 e 2012:

LUCRO (em R$ milhões entre 2007 e 2012):

1 Atlético-PR – 118,3
2 Corinthians – 10,0
3 São Paulo – 8,0
4 Vitória – 7,7
5 Sport – 7,3

PREJUÍZO (em R$ milhões entre 2007 e 2012):

Internacional -1,7
Avaí -11,4
Náutico -13,2
Figueirense -26,8
Grêmio -27,3
Portuguesa -27,6
Bahia -46,5
Coritiba -54,2
Goiás -58,8
Ponte Preta -81,9
Cruzeiro -87,7
Santos -93,0
Atlético-MG -176,6
Palmeiras -179,0
Flamengo -188,2
Botafogo -268,0
Fluminense -285,3
Vasco -301,2

 


A matemática que pode definir título do Cruzeiro nos dois próximos jogos
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juliogomes

Antes de mais nada, quero reiterar o mea culpa e avisar que não mais o farei. Errei completamente minha estimativa do que o Cruzeiro poderia fazer nesse campeonato. Me parecia um time mediano, de meio de tabela, talvez podendo sonhar com Libertadores. Errei feio. Sempre me esqueço que o Brasileirão é mediano na sua essência. Então um time médio, se bem treinado, contando com alguns fatores de apoio (torcida, sorte, estabilidade) pode virar um time muito bom. Campeão, enfim.

O Cruzeiro, logicamente, gastou mais do que devia/podia. Assim como o Atlético. Talvez até por causa do Atlético. Mas é assim que a banda toca no Brasil… torcedor de futebol não está preocupado com a saúde econômica de seu clube, está preocupado em ganhar campeonato. Esse é outro tema, outro debate. Não o deste post.

Em um campeonato de pontos corridos, reviravoltas são possíveis. Mas não são comuns. Nos 10 anos de pontos corridos no Brasil, 7 vezes o campeão do turno manteve o posto até o fim. 70%. É um altíssimo percentual. E isso em um futebol mais equilibrado do que o de outros países. É importante falar isso, porque o discurso mais comum e fácil é o do “tudo pode acontecer”.

Comentarista que fala sempre que “tudo pode acontecer” está verdadeiramente protegido, não é verdade? Eu, vocês já perceberam, gosto de arriscar. Gosto de tentar antever as possibilidades e o que vai acontecer. Às vezes o futebol me surpreende, mas na maioria das vezes é possível analisar, com baixa taxa de risco, o que é mais provável.

Quem joga poker, sabe. Joga-se com probabilidades. O melhor jogador não é exatamente aquele que acha que “tudo pode acontecer”.

Pois bem. Cruzeiro 3, Botafogo 0. E agora são 7 pontos de diferença para o Botafogo, 11 para o Grêmio. Para o Atlético-PR, são 14 que podem virar 11. Para o Internacional, são 15 que podem virar 12. Grêmio, Atlético-PR e Inter só podem ser campeões se acontecer um desastre com o Cruzeiro: oito jogos sem ganhar, seis derrotas consecutivas, algo assim. Vocês consegue ver algo assim acontecendo? Não? Nem eu.

Quanto ao Botafogo, resolvi separar os 16 jogos restantes em três blocos. 5, 6 e 5. Os cinco finais são aqueles em que times disputando o título raramente perdem pontos. Então quem chegar 3, 4, 5 pontos na frente na reta final, não perde mais. Os próximos 5 jogos são os que eu considero cruciais. Ou o Botafogo alcança AGORA ou já era.

O Cruzeiro pega Corinthians e Inter fora, Portuguesa em casa, Náutico fora e São Paulo em casa. O Botafogo tem quatro jogos seguidos no Rio, contra Bahia, Ponte Preta, Fluminense e Grêmio, depois pega o Náutico fora.

Considero que o Botafogo precisa tirar seis pontos nas duas próximas rodadas, quando ele pega duas babas em casa, e o Cruzeiro, ao menos em teoria, pega dois rivais difíceis fora. Vamos imaginar que o Botafogo faça os seus 15 pontos, o que é uma hipótese improvável, mas possível. Se o Cruzeiro perder as próximas duas e ganhar as três seguintes, fará 9 pontos. Ainda estará dois na frente, mas eles chegarão à reta final do campeonato separados por uma diferença mínima. E aí, vamos que vamos.

Repito. O Botafogo tem que tirar, nos próximos cinco jogos, seis ou mais pontos do Cruzeiro para se manter vivo na competição. É o único trecho da tabela em que ele tem vantagem, pela qualidade dos rivais e pela ausência de viagens, o que ajuda muito.

Se o Botafogo fizer 13 pontos, uma hipótese bem mais provável. E o Cruzeiro ganhar um desses jogos “pedreira” ou empatar os dois… fizer 10 ou 11 pontos, digamos, nesta série de 5 jogos. Ele ainda estará 4 ou 5 pontos na frente na reta final, o que parece pouco, mas é muito. Porque a sequência de jogos é muito mais amigável ao time azul. E não se esqueçam que, no meio de tudo isso aí, o Botafogo fará dois clássicos desgastantes contra o Flamengo pelas quartas de final da Copa do Brasil, enquanto o Cruzeiro tem a dádiva de estar fora da competição concentrado, focado e com as pernas firmes no Brasileiro.

O bloco de seis jogos “do meio” deles, antes da reta final: Botafogo faz dois clássicos, contra Vasco e Flamengo, recebe o Atlético-MG e faz três jogos bem chatos fora de casa, contra Vitória, Goiás e Internacional. Já o Cruzeiro, nos seus seis jogos seguintes, tem o clássico contra o Galo, três jogos no Mineirão, contra Fluminense, Criciúma e Grêmio, e sai de casa para pegar Coritiba e Santos. Indiscutivelmente, a tabela destes seis jogos seguintes é melhor para o Cruzeiro do que para o Botafogo.

Então, amigos, o campeonato se decide (ou não) nas próximas rodadas.

Se o Botafogo ganhar de Ponte e Bahia e o Cruzeiro perder de Corinthians e Inter, a coisa se reabre. Se o Cruzeiro ganhar um desses jogos ou mesmo empatar os dois… na minha matemática, tudo estará decidido.

 


Saída de Vitinho é ducha de água fria e praticamente tira Botafogo da briga
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juliogomes

O Botafogo faz uma temporada heroica. Sem a Unimed, sem a grana que o Flamengo recebe da TV, sem encher estádios, agora sem o Engenhão… Ganhou o Campeonato Carioca sem precisar de final, está a ponto de eliminar o campeão da América da Copa do Brasil e está a dois pontos da liderança do Campeonato Brasileiro. Os caras não recebem salários há dois meses. Dívidas fiscais representam o bloqueio das receitas – o que deveria acontecer com todos os clubes que têm dívidas.

Resumindo. É uma situação péssima extra-campo, que teria tudo para representar fracasso dentro de campo.

Mas não. Pelo contrário. Com muito profissionalismo, bons jogadores e um ótimo treinador, o Botafogo consegue resultados que simplesmente não combinam com o que normalmente estaria acontecendo. Claro, sem nunca esquecer o fator Seedorf. Um veterano que fala o idioma, já viveu tudo no futebol, é um gênio do esporte e está ensinando muitas coisas a todos dentro do clube.

E aí, com as saídas de Andrezinho e Fellype Gabriel, aparece Vitinho. E agora, vai-se Vitinho. 19 anos, revelação, ótimo jogador, evoluindo claramente a cada rodada, xodó de Seedorf.

Um jogador fundamental no Botafogo atual. Velocidade no meio de campo, drible, finalização de fora da área. Não, não é o novo Neymar. Não é Vitinho e mais dez. Mas o garoto está fazendo muita diferença para o time, suas características o fazem muito menos substituível do que a maioria dos outros companheiros.

O CSKA vai pagar a multa, o Botafogo não tem nada o que fazer. E possivelmente nem verá os 60%a que teria direito. Não adianta o torcedor quebrar tudo, xingar todo mundo… certamente o clube não queria que ele fosse embora. E só temos a lamentar que vá embora Vitinho, um menino símbolo do lixo social em que vivemos, diretamente do mundo de violência que assolou por anos o Complexo do Alemão para a titularidade, a fama, a chance de ganhar um dinheiro que nunca viu. Mais do que dinheiro, imagino o que ele não ganhou de “amigos” nos últimos meses…

Esportistas como esse garoto não têm estrutura alguma para recusar tudo isso. É difícil fazê-lo entender que ficar no Botafogo representaria tanta coisa que, daqui a dois anos, todos daríamos risada da proposta do CSKA. E tem pressão de empresário, família, etc. Vai para uma cidade linda e gigante, ameaçadora e fria, cheia de pecados, pouco futebol, idioma para lá de estranho. Espero que seu entorno e o novo clube ajudem muito para que essa promissora carreira não se perca por aí. Que apareça outro Seedorf para adotá-lo no caminho.

E o Botafogo?

Bom, para mim é mais do que a saída de um jogador importante. É simbólico.

Do que mais os funcionários, jogadores e treinador precisam para baixar a cabeça? Mais dramático que isso, só se Seedorf fosse embora ou se lesionasse. Ducha de água fria. É um movimento emblemático que deve tirar o Botafogo da briga pelo título. Título que já seria quase um milagre, dada a situação geral, a característica maratônica do campeonato e a concorrência endinheirada por perto. É lutar para ficar no G-4, o que já seria um feito e tanto para o Botafogo.

O futebol brasileiro continua andando para trás. A saída de mais esta promessa é uma grande pena. Seja feliz, Vitinho! Estou na torcida para que a vida seja melhor daqui para frente do que foi até pouco tempo atrás.

Na virada da noite, surgiu a notícia de que o Porto poderia atravessar o negócio, e Vitinho sairia no fim do ano. Seria uma graaaande notícia para todas as partes. Para o Botafogo, teria efeito reverso ao que seria o da saída. Para ele, ir para o Porto significaria ir a um clube maior da Europa e para um país de mesmo idioma, com adaptação muito mais fácil. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.