Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Borussia Dortmund

E, no fim, o Bayern conseguiu menos com Ancelotti que com Guardiola
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A Bundesliga cresce, cresce, cresce. É a segunda liga doméstica mais valiosa do mundo, já passou há um tempo a espanhola de Real Madrid e Barcelona. É a liga dos ingressos baratos, estádios lotados, clubes ricos, saudáveis financeiramente, com bases sólidas e que não podem ser vendidos para russos ou príncipes árabes.

Ainda assim, falta algo. O equilíbrio que marca praticamente todos os jogos e que faz com que as posições na tabela sejam tão brigadas (literalmente qualquer um pode ir para a Champions, qualquer um pode cair) não atinge o Bayern de Munique.

É tudo muito disputado. Menos o título.

Mas o mata-mata é algo muito especial. E se nos pontos corridos o poderio financeiro e a camisa do Bayern fazem toda a diferença, em jogos eliminatórios a história é outra. O Bayern completou nesta quarta-feira cinco jogos sem vencer e, depois da eliminação para o Real Madrid, caiu em casa para o Borussia Dortmund, na Copa da Alemanha.

Como a maioria das pessoas olha só para o resultado, não para desempenho e como ele é atingido, acostumou-se a achar que bastava ao Bayern de Munique entrar em campo para ganhar jogos. Mas não é moleza jogar na Alemanha.

Depois do bicampeonato do Borussia Dortmund, em 2011 e 2012, o Bayern tirou alguns dos melhores jogadores do próprio Dortmund. Ganhou as últimas quatro Bundesligas, as últimas três com Pep Guardiola e com direito a recordes.

Guardiola ganhou também duas Copas da Alemanha, mas parou três vezes seguidas nas semifinais da Liga dos Campeões. A última delas, no ano passado, de forma dramática diante do Atlético de Madri, com pênalti perdido por Muller na hora H.

Convencionou-se, então, dizer que Guardiola não fizera nada mais que a obrigação. O Bayern havia conseguido nove “dobletes” na história. Com o catalão, ganhou dois em três anos.

Chegou Carlo Ancelotti, o homem que entende muito de futebol e de gestão de egos. Um técnico que os jogadores adoram. Que nunca foi midiático como Mourinho, criativo como Guardiola, mas que ganhou Champions com o Milan e com o Real Madrid, foi campeão também no PSG e no Chelsea. Um treinador especialista em pegar bons times, não estressar jogadores e caminhar junto com eles para os títulos.

Eu era um dos que acreditavam que o Bayern de Munique seria campeão europeu neste ano. Pelo técnico e pelo elenco que tem.

Mas o Bayern caiu diante do Real Madrid e perdeu em casa o jogo único contra o Borussia Dortmund por 3 a 2, sendo eliminado nas semifinais da Copa da Alemanha. O Bayern vencia por 2 a 1, levou a virada no segundo tempo.

O Borussia Dortmund, também eliminado nas quartas de final da Champions, não conseguiu fazer frente ao Bayern na atual Bundesliga – ainda que tenha vencido o clássico do turno, em Dortmund. Mas chega à quarta final consecutiva na Copa da Alemanha e é favorito contra o Eintracht Frankfurt.

O primeiro ano de Ancelotti terá título alemão. Sem doblete, sem chegar entre os quatro da Europa, sem os recordes de Guardiola.

No fim das contas, fácil mesmo é achar que tudo é fácil no futebol.


Ligas europeias entram na reta final com mês recheado de clássicos
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Passada a última pausa da temporada europeia para jogos de seleções, o “vírus Fifa” deixou os grandes clubes em paz desta vez. Chegamos à reta final dos campeonatos e o mês de abril reservas grandes clássicos em todas as ligas.

Já neste fim de semana, PSG e Monaco decidem a Copa da Liga da França (sábado 15h45). Benfica e Porto se enfrentam pela liderança (e, possivelmente, o título) em Portugal (sábado 16h30). Schalke 04 e Borussia Dortmund fazem o clássico do Vale do Ruhr, nesta que é considerada a maior rivalidade da Alemanha (sábado 10h30). Na Itália, em outro clássico de grande rivalidade, o Napoli recebe a Juventus no domingo (15h45). E a rodada da Premier League tem clássico de Liverpool no sábado (8h30) e o confronto entre os criticados Wenger e Guardiola no domingo (12h).

A Champions League tem quartas de final em 11/12 e 18/19 de abril, com Bayern-Real Madrid, Juventus-Barcelona, Dortmund-Monaco e Atlético de Madri-Leicester.

Veja o que ainda está em jogo nos principais países:

INGLATERRA

O Chelsea chega às 10 rodadas finais com uma enorme vantagem de pontos. São 69 contra 59 do Tottenham, 57 do Manchester City, 56 do Liverpool, 52 do Manchester United, 50 de Arsenal e Everton. O título vai ficar com os “blues”, mas a disputa pelas vagas na próxima Liga dos Campeões promete.

Já neste sábado, tem o “Merseyside Derby”, o clássico de Liverpool. Jogando em seu estádio, o Liverpool não perde para o Everton desde 1999. Depois disso, no entanto, o Liverpool, assim como o Tottenham, tem uma tabela mais tranquila.

Após a decepcionante eliminação nas oitavas de final da Champions, o Manchester City, de Guardiola, vai a Londres enfrentar o Arsenal, domingo, e o Chelsea, na próxima quarta. O Chelsea ainda joga o clássico contra o United, em Manchester, no dia 16. Aliás, o United, de Mourinho, que já ganhou a Copa da Liga Inglesa, ainda está vivo na Liga Europa, onde enfrenta o Anderlecht nas quartas de final e é o grande favorito ao título.

Principais jogos de abril:
1/4 Liverpool-Everton
2/4 Arsenal-Man City
5/4 Chelsea-Man City
16/4 Man United-Chelsea (Mou vs Conte)
22/4 Chelsea-Tottenham (semi Copa da Inglaterra)
23/4 Arsenal-Man City (semi Copa da Inglaterra)
27/4 Man City-Man United (Mou vs Pep)
30/4 Tottenham-Arsenal, Everton-Chelsea

ESPANHA

O Real Madrid tem o controle da Liga, pois soma dois pontos a mais que o Barcelona (65 a 63), tem ainda um jogo a menos e joga o clássico do returno no Santiago Bernabéu. Mas os dois gigantes têm duelos complicadíssimos na Liga dos Campeões logo antes do superclássico e o Campeonato Espanhol está mais equilibrado. Os gigantes já tropeçaram e ainda podem tropeçar mais vezes.

O Atlético de Madri, em quarto, com 55 pontos, está mais focado na Champions, mas adoraria fazer um grande dérbi contra o Real antes dos duelos contra o Leicester. O Sevilla, com 57, tentará se manter entre os quatro e não perder Jorge Sampaoli para a seleção argentina.

Principais jogos de abril:
5/4 Barcelona x Sevilla
8/4 Real Madrid-Atlético de Madri
(11/4 Juventus-Barça, 12/4 Bayern-Real, Atlético-Leicester na Champions)
(18/4 Real-Bayern e Leicester-Atlético, 19/4 Barça-Juventus na Champions)
23/4 Real Madrid-Barcelona
29 ou 30/4 Real Madrid-Valencia, Espanyol-Barcelona

ALEMANHA

O Bayern de Munique conquistará o inédito pentacampeonato, disso ninguém duvida. Tem folga na Bundesliga e poderá até poupar jogadores nos jogos próximos ao duelo contra o Real Madrid pela Liga dos Campeões – ainda que sejam jogos complicados. São 62 pontos na tabela, 13 a mais que o surpreendente RB Leipzig e 16 a mais que o Borussia Dortmund.

Depois de perder o clássico para o Borussia em Dortmund, em novembro, o Bayern engatou 12 vitórias e 2 empates no Alemão. Somando todas as competições, são 19 jogos e quatro meses sem perder. Em abril, o Bayern terá duas oportunidades de se vingar (ou não) de seu maior rival doméstico, que também está vivo na Champions.

Principais jogos de abril:
1/4 Schalke 04-Dortmund
8/4 Bayern-Dortmund
(11/4 Dortmund-Monaco, 12/4 Bayern-Real na Champions, 13/4 Ajax-Schalke na Europa League)
15/4 Bayer Leverkusen-Bayern
(18/4 Real-Bayern, 19/4 Monaco-Dortmund na Champions, 20/4 Schalke-Ajax na Europa League)
26/4 Bayern-Dortmund (semifinal da Copa da Alemanha, jogo único)

ITÁLIA

Assim como Chelsea e Bayern de Munique, a Juventus tem folga na liderança. Será o sexto Scudetto consecutivo, um feito inédito e histórico. Faltando nove rodadas para o final, a Juve lidera com 73 pontos, são 8 a mais que a Roma e 10 a mais que o Napoli. Foram 24 vitórias em 29 jogos até agora.

O mês de abril começa com dois duelos contra o Napoli, um pelo campeonato, outro pela Copa. São jogos de muita rivalidade e tensão entre times e torcidas. É o sul contra o norte, um duelo de muito simbolismo.

Jogando em seu estádio pelo Campeonato Italiano, a Juventus soma 31 vitórias consecutivas, juntando a atual com a temporada passada. Não empata desde um 1 a 1 com o Frosinone, em setembro de 2015. Não perde desde o primeiro jogo da temporada 15/16, 0-1 para a Udinese, em agosto de 2015. Somando todas as competições, são 46 jogos de invencibilidade no Juventus Stadium. Impressionante.

Lazio, com 57, Inter e Atalanta, com 55, e Milan, com 53 pontos, ainda tentam alcançar Roma (65) e Napoli (63) pelas vagas na próxima Champions.

Principais jogos de abril:
2/4 Napoli-Juventus
4/4 Roma-Lazio (semi Coppa Itália, Lazio fez 2-0 na ida)
5/4 Napoli-Juventus (semi Coppa Itália, Juve fez 3-1 na ida)
9/4 Lazio-Napoli
(11/4 Juventus-Barça na Champions)
15/4 Internazionale-Milan
(19/4 Barça-Juventus na Champions)
29 ou 30/4 Roma-Lazio, Internazionale-Napoli

FRANÇA

Depois da virada sofrida na Liga dos Campeões para o Barcelona, restam ao Paris Saint-Germain as competições domésticas. A parada está dura na Ligue 1. Em busca do pentacampeonato, o PSG, com 68 pontos, está 3 atrás do Monaco – dono do melhor ataque da Europa na temporada.

O Monaco, que superou o City de Guardiola e está nas quartas de final da Champions, fez 129 gols em 48 partidas oficias, média de 2,7. É um time super agradável de ver jogar e que vai vender caro o título francês, que não conquista desde o ano 2000.

Logo de cara, neste sábado, PSG e Monaco se enfrentam em Lyon pelo título da Copa da Liga da França. É a competição menos importante da temporada, mas que ganhou peso justamente pelo confronto direto entre as duas forças do país. Nos dois jogos entre eles pela Ligue 1, o Monaco fez 3 a 1 em casa e empatou por 1 a 1 em Paris (com gol nos acréscimos).

Eles também estão vivos na Copa da França e tem jogos relativamente fáceis no meio da semana que vem. Podem se enfrentar nas semifinais ou em uma eventual nova decisão.

O Nice, de Balotelli, ficou para trás na tabela e soma 64 pontos, sete a menos que o Monaco. Mas deve conseguir vaga na Champions, pois tem 14 a mais do que o Lyon, o quarto colocado. O Lyon ainda está vivo na Europa League e enfrenta nos dias 13 e 20 de abril o Besiktas, líder do Campeonato Turco, por uma vaga nas semifinais.

PORTUGAL

Também neste sábado, Benfica e Porto fazem o superclássico em Lisboa. O Benfica lidera o campeonato com 64 pontos, apenas 1 a mais que o Porto – ambos foram eliminados nas oitavas de final da Liga dos Campeões.

Depois do clássico, faltarão sete rodadas para o fim do campeonato. Como Benfica e Porto costumam ganhar praticamente todos os seus jogos em Portugal, o duelo direto é uma verdadeira decisão. Ainda em abril, no dia 22, o Benfica faz o dérbi de Lisboa contra o terceiro colocado, no estádio do Sporting.


Sorteio da Champions: dois superclássicos e 40 finais frente a frente
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Bayern de Munique x Real Madrid e Juventus x Barcelona. As bolinhas do sorteio deixaram as quatro camisas mais pesadas frente a frente nas quartas de final da Liga dos Campeões da Europa.

São dois superclássicos, com 40 finais europeias somados os quatro clubes. São quatro dos cinco que mais chegaram a decisões na história.

O Real Madrid já chegou a 14 finais, com 11 títulos. O Milan, ausente da competição, é o segundo colocado na lista, com 11 finais e 7 títulos. O Bayern de Munique chegou a 10 decisões, com 5 títulos. Mesmos títulos do Barcelona, mas em 8 finais. A Juventus também chegou a 8 decisões, mas com aproveitamento menor de conquistas: 2.

Neste momento da temporada, Bayern de Munique e Juventus são dois times mais equilibrados e consistentes do que Real Madrid e Barcelona. São quatro timaços e quatro camisas pesadas, é impossível apontar qualquer favorito.

A última vez que nem Barcelona nem Real Madrid apareceram nas semifinais da Champions: temporada 2006/2007. A chance disso acontecer de novo dez anos depois é real.

O Barça venceu a Juventus na final de dois anos atrás, em 2015, primeira das três temporadas de Luís Enrique. O time do Barcelona é muito parecido com aquele, o trio Messi-Suárez-Neymar estava em seu primeiro ano junto. Porém, há uma diferença: Daniel Alves, tão importante no sistema tático do Barça ao longo de anos, agora está do outro lado. Veste a camisa da Juve.

Em relação a 2015, a Juventus, que já era treinada por Allegri, tem o mesmo sistema defensivo. Os mesmos nomes, a mesma solidez. Mas, do meio para frente, mudou tudo: saíram Pogba, Pirlo, Vidal, Morata e Tévez. Hoje, a Juve é o time de Dybala, Higuaín e Mandzukic.

Na teoria, são dois times menos fortes hoje do que eram dois anos atrás.

Mas como duvidar do Barcelona depois da virada épica para cima do PSG nas oitavas de final? E como colocar qualquer interrogação na Juventus, invicta há 47 partidas? São 21 jogos de invencibilidade em competições europeias.

Importante: para um time como a Juve, é muito melhor enfrentar o Barcelona em dois jogos do que em um só. Possivelmente adotará um plano de jogo de não sofrer gols em casa. E certamente jogará com muito mais intensidade e inteligência do que o PSG fez no Camp Nou.

O Real Madrid tenta quebrar a escrita de nunca um time ter vencido duas Champions League seguidas. Para isso, o desequilibrado time de Zidane, que sofre muito mais do que deveria nos jogos do Espanhol em 2017 e sobrevive das bolas aéreas e os milagres de Sergio Ramos, enfrenta o elenco mais poderoso e completo da Europa.

O Bayern de Munique é forte demais em todas as linhas e é treinado por Carlo Ancelotti, que foi inexplicavelmente mandado embora pelo Real Madrid ao final da temporada 2014/2015. Ancelotti foi o mentor de Zidane e era o técnico da Décima, quebrando o jejum do Real de 12 anos sem títulos europeus.

Ancelotti conhece de trás para frente as qualidades e defeitos do Real Madrid. Ao contrário do que fez Guardiola com o Bayern na semifinal entre eles, em 2014, não ficará tolamente exposto ao rápido contra ataque madridista.

Se excluirmos os clássicos regionais e nacionais, talvez o duelo Bayern-Real seja o maior da Europa (e do mundo). São duas instituições gigantes, antagônicas e que já se enfrentaram zilhões de vezes em competições europeias.

Eu sempre digo que a grande marca do Real Madrid é acreditar, a autoconfiança monstra, sempre achar que vai ganhar porque é maior que seu rival do outro lado. Só tem um clube europeu que o Real Madrid teme de verdade: o Bayern. O torcedor do Real odeia enfrentar o Bayern e tem motivos para isso.

O Bayern de hoje é mais sólido defensivamente do que nos anos de Guardiola. E o Real Madrid é um time, hoje, que joga pior e mostra menos alternativas de jogo, além de sofrer muitos gols.

Nos outros dois duelos, há dois favoritos claros.

O Atlético de Madri é o grande sortudo ao ficar frente a frente com o Leicester City. Sim, tem o conto de fadas, etc, etc, etc. Mas a diferença entre os times é brutal. E o Leicester é bastante previsível, só tem um jeito de jogar, confia nas bolas aéreas e contra ataques.

Um técnico como Simeone saberá tranquilamente anular as poucas armas do Leicester. Se tem um time que sabe neutralizar bolas aéreas e não fica exposto a contra ataques, porque tem uma incrível sincronia defensiva e joga de forma muito compacta, este é o Atlético de Madri, finalista de duas das últimas três Champions.

E o Monaco também é favorito contra o Borussia Dortmund, em um duelo de times ofensivos e que promete muitos gols. O Monaco é o melhor ataque da Europa, lidera na França e deu uma incrível demonstração de força e personalidade ao reverter a eliminatória contra o Manchester City. O Dortmund é um time instável. Tem tradição, tem um dos estádios mais quentes da Europa, mas terá de decidir a vida fora de casa. Não tem a solidez defensiva para segurar o Monaco, na minha visão.

Meus palpites: passam Bayern, Juventus, Atlético e Monaco. Mas até abril os momentos podem mudar, soluções podem ser encontradas, jogadores podem se machucar. Agora é esperar!


Vitórias no sábado fazem Barça e Napoli sonharem com milagre europeu
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Terça-feira, Napoli x Real Madrid e Arsenal x Bayern de Munique. Quarta-feira, Barcelona x PSG e Borussia Dortmund x Benfica. Esta é a agenda da semana na Liga dos Campeões da Europa, que vai definir os quatro primeiros classificados para as quartas de final. E os jogos de ontem, pelas ligas domésticas, nos dão algumas pistas do que vêm pela frente. Sete dos oito envolvidos venceram.

O Barcelona e o Arsenal são os que têm aquela que é considerada por quase todos uma missão impossível. O Barça levou 4 a 0 do PSG em Paris, enquanto o Arsenal foi atropelado pelo Bayern em Munique, 5 a 1. De três semanas para cá, a esperança de  em um confronto, aumentou em outro.

Da goleada de Paris para cá, muita coisa aconteceu pelos lados do Barcelona. Luís Enrique anunciou que não será mais técnico do clube na próxima temporada e aproveitou para mudar o sistema de jogo, alterado para uma espécie de 3-1-5-1 que fez o time criar mais volume de jogo – mas que ainda não foi verdadeiramente testado atrás.

O fato é que o Barcelona ganhou quatro jogos seguidos e assumiu a liderança na Espanha – apesar de ainda ter um jogo a mais que o Real Madrid. De alguma forma, o Barça faz parecer que a virada na Champions é possível.

O PSG, por sua vez, tropeçou em casa contra o Toulouse e sofreu para avançar na Copa da França e para ganhar, ontem, do modesto Nancy – precisou de um gol de pênalti no final. Mas, no meio de tudo isso, meteu 5 a 1 no Olympique, em Marselha.

Como o Barça não está mais animicamente destroçado e o novo sistema parece ter feito o time melhor, é plausível considerar que a diferença exposta em Paris não exista no Camp Nou.

O mesmo não se pode dizer do duelo entre Arsenal e Bayern. Não parece haver a menor chance de reversão de placar neste duelo.

No sábado, o Arsenal levou 3 a 1 do Liverpool, após um primeiro tempo patético e com o time pessimamente escalado por Arsène Wenger, que deixou Alexis Sánchez no banco. O Arsenal só ganhou um jogo grande na temporada, no primeiro turno do Inglês contra o Chelsea. Fora isso, foi só desastre.

Já o Bayern, que chegou a dar algumas derrapadas no começo da temporada e era mais econômico com Ancelotti do que foi com Guardiola, de repente engatou uma quinta marcha impressionante. Empatou com o Hertha, em Berlim, e depois ganhou três jogos seguidos fazendo 14 gols e sofrendo nenhum – ontem, foram 3 a 0 no Colônia, fora de casa, sem maiores problemas.

Parece mais provável uma nova goleada do Bayern em Londres do que qualquer tipo de drama.

Drama é o que podemos ver em Nápoles. O Real Madrid venceu a partida de ida por 3 a 1. Naquele momento, já começava a receber críticas por seu jogo, mas deu um murro na mesa fazendo uma boa apresentação contra o Napoli.

Depois disso, perdeu para o Valencia um jogo atrasado pelo Espanhol. Ganhou do Villarreal virando o jogo com dois gols nos minutos finais – um deles com um pênalti bisonhamente marcado – e, por fim, arrancou um empate em casa com o Las Palmas também com dois gols no fim. Perdeu a liderança do campeonato e passou a gerar mais dúvidas que certezas.

Ontem, com um time misto, sem Cristiano Ronaldo, Bale, Kroos, Marcelo, Carvajal e Varane, respondeu fazendo 4 a 1 no Eibar, em um campo difícil, fora de casa. Mas o time que jogou era bem diferente do que entrará em campo no quentíssimo estádio San Paolo terça-feira.

O Napoli é um time goleador. Foi corajoso no Bernabéu, conseguiu o gol que queria e por pouco não saiu com uma derrota por 3 a 2. Depois daquela partida, perdeu para a Juventus por 3 a 1 na Copa da Itália, em um jogo com polêmicas de arbitragem, perdeu em casa para a Atalanta no Italiano e parecia rumar ladeira abaixo.

Mas a vitória de sábado sobre a Roma, em pleno estádio Olímpico, enche a torcida de esperanças. Foi um jogaço do Napoli, completo e contra um rival direto pelo vice-campeonato. Jogo para mostrar que há vida, que o time tem bola, que o ataque de baixinhos (Mertens, Insigne e Callejón) segue funcionando. É um franco atirador.

O Real Madrid de Zidane não joga bem há tempos, a bola não para no meio de campo e a defesa sofre. A correria napolitana, se resultar em algum gol logo no início, pode fazer a eliminatória ferver.

Por fim, Borussia Dortmund e Benfica, um duelo que teve vitória portuguesa por 1 a 0 na ida, com trocentos gols feitos e um pênalti perdidos pelos alemães.

Desde o jogo de ida, o Borussia espantou a má fase, ganhou três seguidas na Bundesliga, fazendo 12 gols nestes jogos. Ontem, meteu 6 a 2 no Bayer Leverkusen. É um claro favorito contra o Benfica, que lidera em Portugal, mas com vitórias apertadas – ontem, ganhou do Feirense por apenas 1 a 0.

Dos oito times que entram em campo pela Champions, portanto, sete venceram no sábado – sendo cinco delas vitórias maiúsculas. Só o Arsenal perdeu. A semana promete.


Gol sofrido no fim mais ajuda que atrapalha o Real Madrid
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O Real Madrid levou um gol de Reus aos 43 do segundo tempo, empatou por 2 a 2 com o Borussia Dortmund e acabou ficando em segundo no grupo F da Champions League.

Má notícia? Na minha visão, longe disso. O Real atinge 34 jogos de invencibilidade com Zidane no comando, igualando uma marca história estabelecida em 1988-89, e deve superar o recorde no fim de semana, em casa, contra o La Coruña.

De quebra, ao ser segundo, diminui as chances de enfrentar uma “pedreira” nas oitavas de final. É verdade que decidirá fora de casa a vaga nas quartas, mas isso é muito relativo. Se fizer um bom resultado na ida, no Bernabéu, decidir fora nem é mau negócio.

Sendo segundo colocado no grupo, o Real Madrid será sorteado contra um dos primeiros colocados – não pode, no entanto, enfrentar times do mesmo país ou do mesmo grupo em que jogou a fase inicial.

Portanto, o Real enfrentará nas oitavas um destes cinco times: Arsenal, Juventus, Napoli, Monaco ou Leicester. Se colocarmos Arsenal e Juve na lista de favoritos ao título, o Real tem 40% de chances de pegar uma pedreira, contra 60% de chances de pegar um rival mais fraco. Não digo que Napoli, Monaco e Leicester sejam galinhas mortas, mas é difícil imaginar um destes três eliminando o Real de Zidane na Champions.

Se não tivesse levado o gol do Dortmund no fim, o Real enfrentaria um destes seis: Bayern de Munique, Manchester City, PSG, Benfica, Porto ou Bayer Leverkusen. Ou seja, 50% de chances de enfrentar um favorito ao título. E Bayern, City e PSG, creio, são mais fortes que Arsenal e Juventus.

Não acredito que levar um gol no fim tenha sido estratégia – não foi o que o jogo nos contou, e o Real colocou os titulares em campo. Apenas que há males que vêm para bem.

Como não houve nenhuma grande zebra na fase de grupos, não há nenhuma “baba” nas oitavas. Os segundos colocados como Porto, Benfica, Sevilla ou Napoli são clubes que, se não têm o mesmo orçamento dos gigantes e não devem brigar por título, têm camisa, bons jogadores e podem fazer alguma graça no mata-mata contra algum desavisado.

O Barcelona pode enfrentar Bayern, PSG, Porto, Benfica ou Bayer Leverkusen.

sorteio_champions

Vamos agora aos classificados para as oitavas na Champions e quais os possíveis adversários que podem sair do sorteio de segunda-feira:

Grupo A
Arsenal – Benfica, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Porto, Sevilla
PSG – Napoli, Barcelona, Atlético de Madri, Borussia Dortmund, Leicester, Juventus
*Ludogorets na Liga Europa

Grupo B
Napoli – PSG, Manchester City, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Porto, Sevilla
Benfica – Arsenal, Barcelona, Atlético de Madri, Monaco, Borussia Dortmund, Leicester, Juventus
*Besiktas na Liga Europa

Grupo C
Barcelona – PSG, Benfica, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Porto
Manchester City – Napoli, Atlético de Madri, Monaco, Borussia Dortmund, Juventus
*Borussia Moenchengladbach na Liga Europa

Grupo D
Atlético de Madri – PSG, Benfica, Manchester City, Bayer Leverkusen, Porto
Bayern de Munique – Arsenal, Napoli, Barcelona, Monaco, Leicester, Juventus
*Rostov na Liga Europa

Grupo E
Monaco – Benfica, Manchester City, Bayern de Munique, Real Madrid, Porto, Sevilla
Bayer Leverkusen – Arsenal, Napoli, Barcelona, Atlético de Madri, Leicester, Juventus
*Tottenham na Liga Europa

Grupo F
Borussia Dortmund – PSG, Benfica, Manchester City, Porto, Sevilla
Real Madrid – Arsenal, Napoli, Monaco, Leicester, Juventus
*Legia Varsóvia na Liga Europa

Grupo G
Leicester – PSG, Benfica, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Sevilla
Porto – Arsenal, Napoli, Barcelona, Atlético de Madri, Monaco, Borussia Dortmund, Juventus
*Copenhagen na Liga Europa

Grupo H
Juventus – PSG, Benfica, Manchester City, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Porto
Sevilla – Arsenal, Napoli, Monaco, Borussia Dortmund, Leicester
*Lyon na Liga Europa


Última rodada da Champions: pouco em jogo e Real atrás de marca histórica
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juliogomes

A Uefa Champions League chega à última rodada da fase de grupos com poucos jogos realmente importantes. Nenhum dos favoritos ao título está contra a parede – pelo contrário, estão todos já classificados para as oitavas de final antecipadamente.

Barcelona e Atlético de Madri (um time finalista de duas das últimas três edições precisa entrar na lista de favoritos) garantiram a primeira posição de seus grupos. Paris Saint-Germain e Juventus precisam apenas de vitórias que devem acontecer sem problemas, sobre Ludogorets (Bulgária) e Dínamo de Zagreb (Croácia), respectivamente.

O Real Madrid é quem ainda depende de uma vitória sobre o bom time do Borussia Dortmund para se garantir em primeiro.

O Manchester City ficou em segundo no grupo do Barça. O Bayern de Munique ficou em segundo no grupo do Atlético. E, se tudo ocorrer normalmente, o Arsenal será o segundo do grupo do PSG.

Para o Real Madrid, portanto, ser primeiro significa uma chance grande de pegar um destes três logo nas oitavas. Já se ficar em segundo, o Real pode pegar Juve ou PSG, é verdade, mas pode também enfrentar Monaco ou Leicester ou o primeiro do grupo de Benfica e Napoli.

Além de decidir o mata-mata das oitavas em casa, ser primeiro muitas vezes é a garantia de fugir de uma pedreira logo na primeira fase eliminatória. Desta vez, não é o caso. Isso se deu pela formatação dos grupos, muitos com duas forças.

Com isso, não quero dizer que o Real poupará jogadores ou atuará com o freio de mão puxado. A história madridista não permite isso. Por falar em história, o Real está a um jogo de chegar a 34 partidas de invencibilidade, igualando a maior marca já estabelecida pelo clube, em 1988-89 (geração de Butragueño e companhia, a “Quinta del Buitre”).

Se não perder na Champions, o Real Madrid terá outro jogo no Santiago Bernabéu, no fim de semana, contra o La Coruña, para chegar a 35 jogos invicto e quebrar o recorde. Este é o assunto principal para a imprensa de Madri nos últimos dias, mais do que a chance de ser primeiro ou segundo no grupo.

Depois do empate na bacia das almas em Barcelona, o Real vive em um mar de rosas. Recupera machucados e Zidane pode ser, em menos de um ano como técnico, campeão europeu e dono de uma marca histórica como esta. Não é qualquer coisa.

Veja o que será jogado em cada grupo da rodada final. Os grupo A, B, C e D têm jogos na terça-feira. Os outros, na quarta.

Grupo A

PSG e Arsenal empatam em pontos, mas o PSG tem a vantagem no critério de desempate (nos confrontos diretos entre eles, fez mais gols fora). Por isso, basta uma vitória sobre os búlgaros. O Arsenal joga na Basileia, e o Basel deve conseguir, com um empate, vaga na Europa League.

Grupo B

Este está embolado. Benfica e Napoli têm 8 pontos, o Besiktas tem 7 e o Dynamo Kiev está eliminado. O Besiktas precisa vencer em Kiev para se classificar. Neste caso, Benfica e Napoli jogam pela vaga em Lisboa – o empate é do Napoli. Quem ganhar, logicamente, fica em primeiro. Empate classifica os dois caso o Besiktas não ganhe. Caso perca ou empate, o Benfica ainda entra se o Besiktas não ganhar. Já o Napoli, se perder, só entra se os turcos também perderem.

Grupo C

Tudo já definido. Barcelona em primeiro, Manchester City em segundo e Borussia Moenchengladbach em terceiro (Europa League). Barça e City (contra o Celtic), em casa, devem ganhar – e também poupar jogadores.

Grupo D

Bayern de Munique x Atlético de Madri, a semifinal do ano passado, tinha tudo para ser um jogaço – só que ele não decide absolutamente nada. O Atlético, mal na Liga espanhola, já garantiu o primeiro lugar do grupo porque ganhou o duelo entre eles em Madri e viu o Bayern tropeçar contra o Rostov, na Rússia. O Bayern de Ancelotti não é firme como o de Guardiola, ainda que o potencial esteja lá. Ganhar é importante para elevar o espírito do clube, dar confiança. PSV Eindhoven e Rostov se enfrentam na Holanda, e os russos jogam pelo empate para ir à Europa League.

Grupo E

Bayer Leverkusen e Monaco se enfrentam na Alemanha, mas já sabemos que o Bayer será segundo e o bom time de Mônaco, o primeiro. O Tottenham, uma decepção desta fase de grupos, recebe o CSKA Moscou e joga pelo empate para pelo menos ir à Europa League – não que clubes ingleses liguem muito para isso.

Grupo F

Real Madrid e Borussia Dortmund, classificados, decidem o primeiro lugar no Bernabéu – o empate é dos alemães. O Sporting de Lisboa precisa de um empate contra o Legia, em Varsóvia, para jogar a Europa League.

Grupo G

O Leicester, mal na Premier, já garantiu o primeiro lugar. O Porto recebe o Leicester precisando ganhar para entrar em segundo. Se não vencer, o Porto será eliminado caso o Copenhagen ganhe do Brugge (que perdeu todas), na Bélgica.

Grupo H

A Juventus depende só de uma vitória contra o eliminado Dínamo de Zagreb para ser primeira. Lyon e Sevilla jogam na França, e o Lyon precisa vencer por dois gols para avançar. Para o Sevilla, voltar para a Europa League não tem muita graça. Seria uma grande decepção ser eliminado pelo Lyon. Se passar, no entanto, é um time que ninguém vai querer enfrentar nas oitavas.

 

 


Janela europeia: ingleses no ataque, Real Madrid quietinho
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juliogomes

Foi-se a Olimpíada, voltamos ao futebol (não comemoro, acho uma pena, mas as coisas são como são). Um dos meus sonhos era ver o Brasileirão ser disputado de janeiro a agosto. Assim, as janelas europeias seriam muito menos dramáticas para nosso principal campeonato.

A de janeiro ainda pegaria o início de temporada. E a que se fecha em agosto pegaria o campeonato acabando. Mas, claro, os dirigentes que tomam conta disso devem estar preocupados com coisas muito mais importantes, não é mesmo?

Até que, no fim, a janela de verão europeu não foi assim tão destruidora para o futebol brasileiro. Sim, peças importantes saíram. O Santos perdeu Gabigol para a Inter de Milão, o Corinthians deu sequência ao desmanche perdendo Elias para o Sporting, o São Paulo já havia perdido Ganso para o Sevilla, o Grêmio havia cedido Giuliano ao Zenit, agora o Atlético Mineiro perde Douglas Santos para o Hamburgo.

 

O Palmeiras, líder do campeonato, consegue segurar Gabriel Jesus até o fim do ano. E, convenhamos, nenhuma das perdas fará um time deixar de ser campeão. Ninguém foi retalhado nos momentos derradeiros da janela de transferências.

E na Europa? O que vimos?

Barcelona e, principalmente, o Real Madrid estiveram tímidos no mercado. É fato que é difícil melhorar elencos como os dos dois superpoderosos, e o mesmo se aplica ao Bayern de Munique. São as três forças destacadas dos últimos anos e continuam sendo nesta temporada.

Me surpreendeu a calma do Real Madrid, dado que o clube ainda corre o risco de ser proibido pela Fifa de atuar nas duas próximas janelas. Trouxe Morata de volta, o que dá sangue novo para o ataque, competição para Benzema e opções de jogo. Recuperou o jovem meia Asensio, que estava emprestado. Mas acabou não monetizando com um (supostamente) insatisfeito James Rodríguez e não conseguiu trazer um meia defensivo para competir com Casemiro. O sonho era Pogba. Não rolou.

Por mais que tenha conquistado a Champions, não vejo o Real Madrid tão completo assim em todas as linhas. Vai ter de remar para recuperar a liga do Barcelona.

Barça, por sua vez, que engordou o elenco, coisa que estava havia tempos precisando fazer. Trouxe o atacante Alcácer e o meia André Gomes do Valencia, o bom volante Suárez, do Villarreal, o lateral Digne, do PSG, e o jovem zagueiro Umtiti, do Lyon. Perdeu Daniel Alves, a baixa mais relevante. Perdeu Bravo, mas confesso que sempre achei Ter Stegen, no mínimo, do mesmo nível do goleiro chileno. E ainda veio o arqueiro Cilesen, do Ajax.

Considerando ainda que Arda Turan estará em sua primeira temporada inteira com o clube e é quase um reforço, o Barça dá mais peso ao elenco para lidar com eventuais imprevistos.

O Atlético de Madri, que na temporada passada foi à final da Champions e deu calor nos grandões na Liga, é um ganhador da janela. Evitou o desmanche, convenceu Simeone a continuar e ainda trouxe o atacante francês Gameiro, uma garantia de gols que chega do Sevilla, o extremo argentino Gaitán, do Benfica, e o lateral croata Vrsaljko. Podemos todos colocar o Atlético como uma força em todas as competições – de novo.

Ainda na Espanha, o Sevilla, que está na Champions e trouxe Jorge Sampaoli, tem um time interessante. Perdeu Gameiro e os meias Banega, para a Inter, e Krychowiak, para o PSG, mas trouxe o francês Nasri por empréstimo do City, Ganso, os bons argentinos Vietto e Kranevitter do Atlético de Madri, entre outros nomes de menos expressão. O Sevilla sempre monta bons times, dentro do seu escopo.

Antes de falarmos dos ingleses, que foram os que mais atacaram o mercado, precisamos passar por três grandes clubes que devem ganhar suas ligas com tranquilidade e, assim, focar as atenções na Champions League.

Unai Emery, muito, muito, muito bom técnico, foi do Sevilla para o PSG. É uma grande notícia para o PSG, que teve, com Laurent Blanc, sucesso doméstico e decisões equivocadas na hora H do torneio continental. É verdade que Ibrahimovic foi embora. Mas o ataque tem gente como Di María, Cavani, Lucas, Pastore, Lavezzi…

O PSG não fez estragos na janela, mas trouxe reforços pontuais, jogadores da “classe média” e que podem ajudar a dar consistência ao elenco. O volante polonês Krychowiak, do Sevilla, o lateral belga Meunier, os atacantes Ben Arfa e Jesé, aquele mesmo do Real Madrid. O ótimo meia Lo Celso, do Rosario Central, chega no meio da temporada. É um PSG fortíssimo.

Como forte é o Bayern de Munique. Aliás, na opinião deste blog, o mais forte. O Bayern trouxe Hummels, um zagueiro espetacular, e Renato Sanches, a joia do Benfica que passou a valer bem mais que os 35 milhões de euros pagos pelo clube alemão depois da campanha vitoriosa de Portugal na Eurocopa. A perda de Gotze, que voltou a Dortmund, não é tão relevante.

Guardiola se foi. Mas chega Carlo Ancelotti, um homem que sabe como poucos conduzir elencos estrelados a títulos europeus. Além de ótimo treinador e gerenciador de pessoas, tem uma estrela de dar inveja. O Bayern fará estragos com Ancelotti e o elenco que tem.

Que o Borussia Dortmund ofereça competição na Bundesliga é algo que só ajudará o Bayern. Além de Gotze e Rode do próprio Bayern, chegaram Schurrle, o lateral português Guerreiro, o zagueiro ex-Barça Bartrá, o atacante Dembélé, do Rennes. Saíram Hummels, Gundogan e Mkhitaryan. Não é pouca coisa, mas será um Borussia forte mesmo assim.

A Juventus movimentou somas incríveis com a venda de Pogba ao Manchester United por 105 milhões de euros e a chegada de Higuaín por outros 90 milhões – as duas maiores transferências do ano. Higuaín substitui Morata à altura. Pjanic veio da Roma para reforçar o meio de campo. O colombiano Cuadrado segue no clube, o zagueiro Benatia chega do Bayern e Daniel Alves veio de graça do Barcelona. Reforço de peso. Se Allegri encaixar as novas peças e com a tranquilidade para ser hexa na Itália, a Juve é outra força europeia de relevância.

Por fim, chegamos aos ingleses. Na Premier League, estão os técnicos mais badalados. Mourinho no United, Guardiola no City, Antonio Conte chegando no Chelsea, além de Klopp, que já estava no Liverpool. Importante lembrar, no entanto, que destes todos somente o Manchester City está na Champions League – Leicester, Tottenham e Arsenal são os outros ingleses na principal competição europeia.

O United de Mou trouxe Pogba, Mkhitaryan, o zagueiro marfinense Bailly, do Villarreal, e, claro, Ibra. Não deve ser um time brilhante ao longo do ano, mas pragmático e vencedor, como sempre acontece quando Mourinho está no comando.

ibra_pogba

Guardiola experimenta vida nova em uma liga competitiva como ele nunca viveu. Já tem até polêmica, com a saída de Hart, goleiro histórico do clube, para o Torino por empréstimo. Para Guardiola, ele não sabe jogar com os pés. Veio Bravo, o chileno ex-Barça. Foi o clube que mais gastou. Chegam o zagueiro Stones, do Everton, por 56 milhões de euros, Gundogan e o extremo Sané do futebol alemão, o espanhol Nolito, que fez ótima temporada pelo Celta e foi titular na Eurocopa, além, claro, de Gabriel Jesus em janeiro.

O Chelsea de Conte fez a compra de maior impacto do último dia de janela, repatriando David Luiz. Tem coisas nessa vida que são difíceis de entender. Conseguiu arrancar Kanté, o motorzinho do meio de campo do campeão Leicester, trouxe o lateral espanhol Alonso, ex-Fiorentina, e ainda gastou para trazer o jovem atacante belga Batschuayi, do Olympique de Marselha. Não foi normal a temporada passada para o Chelsea, é time para brigar pelo título inglês.

Do time que fez uma das coisas mais incríveis que já vimos, o Leicester só perdeu Kanté de muito importante. Incorporou Mendy, do Lille, e dois atacantes interessantes: o nigeriano Musa, que era do CSKA, e o argelino Slimani, do Sporting. O Arsenal gastou muito para comprar o suíço Xhaka e o zagueiro alemão Mustafi. Não acredito que estes dois e o Tottenham, que fechou a janela trazendo o francês Sissoko, sejam capazes de interferir na briga pelo título, que ficará restrita a Chelsea e os times de Manchester.

Quem ganhou? Quem perdeu? Aí deixo para vocês opinarem aqui no blog.


Suárez e Leicester, os nomes de um ano estranho das ligas europeias
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juliogomes

E acabaram as grandes ligas europeias.

Nenhuma história, nem de perto, se compara à do Leicester – aliás, nenhuma história em 30 anos se compara à do Leicester. Não parecia possível que um clube minúsculo, que sempre jogou para não cair, pudesse ser campeão nos pontos corridos, ainda por cima em uma liga tão rica e competitiva como a inglesa.

É o conto de fadas. Acontece em Olimpíada, em mata-mata, mas não acontece nunca em competições estilo “maratona”. As estrelas se alinharam. Todos os grandes tiveram problemas profundos ao mesmo tempo, os que sobraram para concorrer com o Leicester, apesar das camisas históricas, parece que desaprenderam a ganhar (me refiro a Arsenal e Tottenham). As coisas foram se sucedendo e, quando viram, o impossível aconteceu.

Fora a já tão falada e maravilhosa história do Leicester, as outras ligas europeias não tiveram surpresa no resultado final, mas nenhuma delas transcorreu de forma, digamos, normal. Todas tiveram algo diferente neste ano.

Neste fim de semana, Barcelona e Benfica confirmaram as taças na Espanha e em Portugal. Até aí, tudo certo.

O Barça ganha o sexto título espanhol em oito anos, um domínio que o clube catalão nunca havia tido no país. São 8 títulos em 12 anos, se puxarmos desde o início da “era Ronaldinho”, passando então o bastão a Messi, a era Guardiola, etc.

Luis-Suarez

Mas é a primeira vez desde aquele primeiro título com Guardiola, em 2009, que o protagonista do campeonato não é Messi. Por sinal, foi o primeiro destes seis títulos do Barça em que a diferença final para o vice-campeão foi somente de um ponto, e o primeiro em que, se os catalães não ganhassem o jogo final, ficariam sem a taça – quatro dos troféus vieram por antecipação.

Não dá para tirar o peso de Messi na conquista consumada no sábado, na linda cidade de Granada. Mas tampouco é possível negar que Luis Suárez foi o nome do campeonato. O grande protagonista.

Na hora H do campeonato, quando o Barça fraquejou por três rodadas seguidas e reabriu a disputa, Suárez apareceu. Nas cinco rodadas derradeiras, fez 13 gols. Isso mesmo, 13 gols em cinco jogos. No total, foram 40 jogos em 35 partidas. Só dois caras na história haviam conseguido pelo menos 40 gols em uma mesma edição do Espanhol. Sim, você adivinhou: Messi e Cristiano Ronaldo. Não é pouca coisa.

Vamos lembrar que foi Neymar que apareceu ali ao lado dos dois mitos no pódio da Bola de Ouro. Hoje, Suárez já aparece não um, mas alguns degraus acima de Neymar.

Um título do Barça em que Messi foi o segundo melhor jogador do time. Coisa que nunca havíamos visto.

No final, foi um título justo para o melhor time. Mas se eu fosse apostar agora, antes de pré-temporada, contratações, etc, colocaria minhas fichas no Real Madrid para o próximo título espanhol. O Barça só ganhou três títulos seguidos uma vez (os três primeiros anos de Guardiola). E só ganhou quatro seguidas uma outra vez (a era de ouro de Cruyff, Romário, Stoichkov, Guardiola em campo, entre 91 e 94).

No ano da morte de Cruyff, menos mal que o Barcelona não tenha entregado a rapadura no final. Já bastavam a Holanda fora da Eurocopa e o papelão do Ajax.

Que o PSV Eindhoven tenha sido campeão holandês, nenhum mistério. Mas que o tenha sido porque o Ajax foi incapaz de vencer um time rebaixado na última rodada… é de entrar para a história.

Assim como na Espanha e na Holanda, o título ficou para a última rodada também em Portugal.

E foi para o Benfica, que precisou ganhar as últimas 12 partidas do campeonato para ficar na frente do Sporting – que ganhou as últimas 9. O problema para o Sporting, que não levanta o troféu desde 2002, é que seu último tropeço foi no duelo em casa contra o Benfica – derrota por 1 a 0.

O Sporting foi líder por boa parte do campeonato, deu umas bobeadas, mas só precisava de um empate no clássico, disputado em março, para não perder a ponta. Dominou o Benfica, foi superior o jogo inteiro. Mas como dizer que não merecia ser derrotado? Este gol perdido pelo costarriquenho Bryan Ruiz foi, além de bizarro, o que teve mais implicações na temporada europeia. Definiu o título.

Clique aqui para ver e segure o queixo, para ele não cair.

 

Na Alemanha e na Itália, títulos para Bayern de Munique e Juventus. Sem novidades. Mas sem tranquilidade.

O Borussia Dortmund vendeu caro para o Bayern de Guardiola, e o título só foi consumado na penúltima rodada. No ano passado, o título veio com quatro rodadas de antecedência. No retrasado, com sete – primeira vez na história que a Bundesliga acabara no mês de março. Por sinal, é a primeira vez na história que o Bayern ganha quatro títulos seguidos. A tendência é o domínio continuar com Carlo Ancelotti no comando, mas o Dortmund mostrou que não será galinha morta na era pós-Klopp.

A Juventus ganhou o quinto Italiano seguido. Mas foi o mais esquisito deles todos. Normal que, após ser finalista da Champions, mas perder Tevez, Pirlo e Vidal, o time sofresse uma queda. Anormal foi ganhar três, empatar três e perder quatro no primeiro quarto do campeonato. Após 10 rodadas, a Juve era a 12a colocada, com 12 pontos – 11 a menos que a Roma, 9 a menos que Napoli, Fiorentina e Inter.

Mais anormal ainda foi depois ganhar 26 dos 28 jogos restantes, só perdendo uma, com título garantido, para o lanterna e rebaixado Verona (aquele placar que cheira mal). No segundo turno, foram 17 vitórias, 1 empate e 1 derrota. Só isso.

Na França, mais um campeão “natural”. O PSG. Mas foi com oito rodadas de antecipação, quase invicto (se não tivesse desviado a atenção com a Champions, teria sido invicto). Foi quase um não-campeonato. O que não é normal.

Um ano em que coisas estranhas aconteceram em todas as grandes ligas. E a mais estranha de todas, logicamente, o conto de fadas do Leicester.

Agora restam as finais europeias e as finais das Copas nacionais. As europeias dispensam comentários por enquanto. As Copas têm finais bem bacanas.

Um “showdown” entre Bayern e Dortmund na Alemanha. Man United em busca de salvar o ano na FA Cup, Porto em busca do mesmo após um ano de papelões em Portugal. Juventus e PSG, favoritíssimos, mas diante de dois rivais históricos: Milan e Olympique. E um Barça-Sevilla interessante na Espanha.

Aqui vai o calendário das finais neste fim de temporada:

Quarta, 18 de maio

15h45 Liverpool x Sevilla (Europa League)

Sábado, 21 de maio

13h30 Crystal Palace x Manchester United

15h Bayern de Munique x Borussia Dortmund

15h45 Milan x Juventus

16h Olympique de Marselha x Paris Saint-Germain

Domingo, 22 de maio

13h15 Porto x Braga

16h30 Barcelona x Sevilla

Sábado, 28 de maio

15h45 Real Madrid x Atlético de Madri (Champions League)


City e PSG têm chance de revanche e dizer a que vieram na Champions
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juliogomes

Investimentos milionários, dinheiro a rodo, resgate do amor próprio. Manchester City e Paris Saint-Germain são os novos ricos do futebol europeu, mas que não conseguiram ainda dizer a todo continente (e ao mundo) a que vieram. Com todo esse monte de jogadores contratados a peso de ouro, seguem sem impacto algum na Champions League.

Curiosamente, ambos ganharam uma importante chance de revanche e afirmação. O Man City enfrenta nas oitavas de final o Barcelona, seu algoz na última edição do torneio e clube inspirador para o trabalho de formação de jogadores. Já o PSG pega o Chelsea, algoz nas quartas da última Champions.

São aqueles momentos de encruzilhada para dirigentes, técnicos e jogadores. Ou mostram que podem subir um degrau. Ou mostram, de novo, que daqui não passam. E precisam mudar. Seja a golpe de talão de cheque, seja com investimentos mais racionais e menos impulsivos.

Primeiro, falemos desse sorteio. Regras são regras. Cada um tem a sua e, creio, modelos não precisam ser copiados. Cada um faz do jeito que acha melhor, quando se trata de campeonato de futebol.

A Conmebol me passa uma impressão de ridículo máximo com esse recente sorteio da fase de grupos da Copa Libertadores 2015. Poucos times estavam definidos. Então fica aquela coisa de um grupo com Peru 1, Colômbia 3, Brasil 5 e Venezuela 2. Patético. O “debate”, uma das coisas mais legais do futebol, fica na hipótese. Se é que existe algum. Não dá para fazer muito mais para diminuir o próprio produto.

A Champions League, há alguns anos, transformou os sorteios em eventos. Aparecem dirigentes, ex-jogadores, jornalistas. Tem sorteio para as fases prévias. Tem sorteio para a fase de grupos. Para as oitavas de final. Para as quartas. Para as semifinais. Tem sorteio até do mando de campo da final. Televisionado, lógico. O que aconteceu nesta segunda (15), na Suíça, faz com que o mundo inteiro fique de olho. E, quando as pessoas ficam de olho, elas não veem só bolinhas e potes. Mas, também, patrocinadores. Business, amigos. Feito de um jeito profissional, não mambembe.

Mas, dito tudo isso, o fato é que o sistema da Libertadores para o emparelhamento das oitavas de final me parece mais interessante. Tem um componente esportivo que torna a última rodada da fase de grupos mais interessante que a da Champions.

Para quem não sabe. Na Libertadores, após a fase de grupos, o time de melhor campanha entre os oito primeiros colocados enfrenta o de pior campanha entre os oito segundos colocados e ainda ganha o direito de sempre decidir os duelos em casa, até a final. O segundo melhor líder de grupo enfrenta o segundo pior segundo colocado. E assim sucessivamente. Já na Champions, um sorteio emparelha os primeiros e os segundos. Ele é dirigido. Não podem se enfrentar times do mesmo país ou que estiveram no mesmo grupo na fase anterior. A partir das quartas de final, é sorteio puro e nada do que foi feito anteriormente dá vantagem esportiva a time algum.

Ambos têm seu charme. E cada um deve conviver com o que é melhor para cada um.

Nesta segunda, tivemos o sorteio das oitavas da Champions 2014/2015. Os duelos são: Real Madrid x Schalke 04, Bayern de Munique x Shakhtar Donetsk, Barcelona x Manchester City, Chelsea x PSG, Porto x Basel, Atlético de Madri x Bayer Leverkusen, Borussia Dortmund x Juventus e Monaco x Arsenal. Falarei deles mais abaixo.

Fiz um exercício, apenas por curiosidade, para ver como teriam ficado os duelos europeus caso a regra fosse a mesma da Libertadores. Ficariam assim: Real Madrid x Basel, Bayern de Munique x Schalke 04, Barcelona x Manchester City, Chelsea x Shakhtar, Porto x Juventus, Atlético de Madri x Bayer Leverkusen, Borussia Dortmund x PSG e Monaco x Arsenal.

Juventus e Leverkusen fizeram campanhas idênticas na fase de grupo, então um sorteio definiria quem pegaria Porto ou Atlético.

O fato é que pelo menos dois duelos seriam idênticos. Barcelona x Manchester City, que é uma repetição do duelo de oitavas de final do ano passado. E Monaco x Arsenal, um duelo curioso, já que Arsene Wenger treinou o clube monegasco por sete anos, entre 87 e 94, antes de uma rápida passagem pelo Japão e a chegada ao Arsenal, 18 anos atrás.

A última vez que o Arsenal chegou às quartas europeias foi em 2010. Depois disso, sempre dando pouca importância a ser primeiro na fase de grupos, foi eliminado nas oitavas em duelos contra Barcelona, Milan e Bayern de Munique (duas vezes). Finalmente, portanto, o sorteio sorriu para Wenger. O Arsenal é favorito absoluto no duelo contra o Monaco.

Assim como o Arsenal, Real Madrid e Bayern de Munique são favoritíssimos em seus duelos. Muitos consideram estes os dois times mais fortes da Europa.

Eu coloco o Chelsea no mesmo grupo dos dois. Um Chelsea com um técnico para lá de ganhador e competente e um elenco bastante mais forte que o da temporada passada.

O Chelsea, que teve o grupo mais fácil de todos na fase anterior, vai enfrentar agora o Paris Saint-Germain, possivelmente o segundo colocado mais forte, o que ninguém queria pegar. Na temporada passada, se enfrentaram nas quartas de final. O PSG ganhou por 3 a 1 na ida. Mas aí Blanc recuou o time na volta, Mourinho foi enchendo o campo de atacantes e Demba Ba, um herói improvável, fez o gol do 2 a 0 e a classificação em Londres.

A diferença entre os técnicos é brutal. O PSG não parece ser um time melhor do que era ano passado e “ganhou” David Luiz, um zagueiro que Mourinho via como “anárquico” demais. Com a dinheirama da venda, o Chelsea investiu em Fábregas, Diego Costa, Filipe Luís… enfim, é bastante mais forte hoje do que era em março passado. Sim, o PSG tem jogadores que podem fazer a diferença. Mas o principal deles, Slatan Ibrahimovic, é justamente criticado por nunca ter feito essa toda diferença em fases agudas da Champions.

Este é um duelo mais equilibrado no papel do que na prática. O mais provável é que o Chelsea não tenha problemas e faça companhia a Real, Bayern e Arsenal nas quartas de final.

O Porto, contra o Basel, e o Atlético de Madri, contra o Bayer Leverkusen, levam ligeiro favoritismo. Mas são duelos em que o jogo terá de ser jogado, sem dúvida. O Basel deixou o Liverpool fora na fase de grupo e está pronto para fazer história. O Bayer é o terceiro colocado na fortíssima Bundesliga, não é um time qualquer. O Atlético de Madri, lógico, não é tão forte quanto no ano passado, pois perdeu três de seus principais nomes para o Chelsea. Mas a mentalidade e a competitividade continuam lá. Se passar do Bayer e tiver um pouquinho de sorte, pode reaparecer nos estágios finais do torneio.

Juventus x Dortmund é um grande duelo, sem favoritos. A Juve está atropelando na Itália, enquanto o Borussia ocupa uma inacreditável antepenúltima posição na Alemanha. Mas, até fevereiro, tudo pode mudar. São dois times com bons jogadores, vocação ofensiva, goleiraços. Quem passar, será um rival ingrato mais à frente na competição.

E chegamos, afinal, ao jogo mais interessante. Aquele que foi o mesmo na temporada passada, que saiu no sorteio desta segunda e que teria acontecido mesmo se a Champions tivesse o sistema de oitavas da Libertadores. Era para ser! E será.

Já na temporada passada, eu considerava este um duelo 50-50. Nesta, a tônica é a mesma. O City reclamou muito (com razão) das arbitragens ao ser eliminado pelo Barcelona nas oitavas, em fevereiro. Jogou melhor e era um time mais forte que o Barça de Martino. Acabaria sendo campeão inglês, enquanto o Barça faria uma reta final apática, perdendo o título espanhol e sendo eliminado nas quartas da Champions para o Atlético de Madri, sem muita resistência.

O Barcelona de Luis Enrique não dá os mesmos sinais de apatia. Mas tampouco dá muitos sinais de bom futebol. Até fevereiro, muito pode mudar. Mas, por enquanto, é um time que tem como virtude a presença de três craques no ataque: Messi, Neymar e Suárez. Se algum ou alguns deles se machucarem, por exemplo, eu diria que as chances de classificação ficariam bastante reduzidas.

O City tampouco faz com que muita gente morra de amores. Fez uma fase de grupos lamentável e precisou de pequenos milagres para se classificar. Na Premier League, após um início instável, vai conseguindo se aproximar do Chelsea pouco a pouco.

Há muitos anos, a Europa espera que o Manchester City, um novo rico, faça o que o Chelsea fez na era Abramovich. Torne-se um time frequente nas fases agudas da Champions, temido, respeitado. Não foi o que aconteceu até hoje. O City ainda não conseguiu ser o que era para ser. O Barcelona, por outro lado, cada vez menos é aquilo que todos se acostumaram que ele fosse.

De novo, serão duelos equilibrados. E detalhes, como decisões dos árbitros, acertos e erros individuais, podem ter um peso maior do que teriam em outro cenário.

Meus palpites, sempre considerando que ainda faltam dois meses. Passam Real Madrid, Bayern de Munique, Chelsea, Atlético de Madri, Arsenal, Basel, Borussia Dortmund e… Manchester City. E os teus palpites, quais são?

 


Nas pesquisas da bola, só o Chelsea sobe sem parar
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juliogomes

Tempos de pesquisas, de eleições, do voto. É fato que o momento é de muito pensar para todos os brasileiros. Há coisas bastante, bastante mais importantes que o futebol. Seria bacana, por exemplo, que as pessoas se lembrassem em quem votaram para deputado quatro anos atrás, não necessariamente se lembrassem de quem fez o gol naquele jogo X quatro anos atrás.

Mas como este é um blog de futebol, não de política, as pesquisas da vez serão sobre a Champions League e o início de temporada europeia.

Quem está subindo? Quem está descendo? Quem está empacado?

Lá vai.

SOBE SEM PARAR

Chelsea. Quem vai parar o time de Mourinho? E a pergunta não serve somente para a temporada atual, isso é que assusta. As contratações foram certeiras, o Chelsea simplesmente parece não ter pontos fracos. O segundo melhor goleiro da Europa (atrás de Neuer), defesa segura e alta, esse Matic, que faz todo mundo poder jogar à vontade, o Cesc Fàbregas que o Barcelona não soube aproveitar, brasileiros jovens e que praticam o futebol moderno, o talento de Hazard e… a cereja do bolo. Como mete gol o tal Diego Costa! Que erro cometeu Luiz Felipe Scolari ao não levá-lo para a Copa das Confederações, mamma mia. Tem banco, tem técnico, sabe jogar na retranca ou no ataque, tem competitividade. O único resultado estranho foi o empate na estreia da Champions. Mas vai ganhar o grupo sem problemas e já é, entre todas as ligas europeias competitivas, o time que lidera com mais folga para os concorrentes diretos pelo título.

 

SOBEM, MAS DEVAGARINHO

Juventus e Roma. É verdade que o futebol italiano caiu, perdeu nível, dinheiro e espaço. Mas Juventus e Roma parecem ter competitividade suficiente para a Champions League e ganharam todos os jogos que fizeram no Italiano. Se enfrentam no domingo. Quem ganhar, claro, pode ameaçar uma arrancada. Mas a Roma conseguiu um empate gigantesco em Manchester na terça, colocando o City contra as cordas. É um time que não pode ser desprezado.

Bayern de Munique. Nas casas de apostas, divide o favoritismo da Champions League com o Real Madrid. Mas não engrenou ainda. Está conseguindo vitórias sem brilho, vai levando a Bundesliga pela enorme superioridade que tem. Está claro que a filosofia de Guardiola está ali, só que ainda não vejo com a mesma clareza a satisfação dos jogadores em aplicá-la. É o melhor elenco da Europa, ganha jogos, mas ainda deixa uma pulga atrás da orelha.

Paris-Saint Germain. Ganhar do Barcelona, sem Ibrahimovic e Thiago Silva e dominando todas as facetas do jogo… foi uma demonstração de poder que deve fazer toda a diferença para o PSG daqui para frente. No Campeonato Francês, ainda está cinco pontos atrás do Olympique de Marselha de Bielsa. Mas o que importa para os donos ricaços é a Champions, e nela o PSG subiu alguns pontos nas pesquisas de opinião. Pode ser campeão europeu no ano que vem? Pode. Não dá para negar.

 

ESTAGNADOS

Real Madrid e Atlético de Madri. O Real teve um começo irregular de temporada, ainda tentando escapar desse fantasma chamado Di María. Para ganhar do glorioso Ludogorets, da Bulgária, quarta, precisou de algumas ajudinhas precisas da péssima arbitragem. Mas é o time de Cristiano Ronaldo, oras bolas. Ninguém pode duvidar do campeão da Europa. E nem do vice. O Atlético está parado nas intençõs de voto, e não subindo, porque já tropeçou nas duas ligas. Tropeços que não ocorreram no ano passado, quando Diego Costa estava lá para resolver jogos. As vitórias contra Sevilla e Juventus, no entanto, credenciam o time de Simeone a tudo novamente. Os dois times de Madri devem voltar a subir, mas, por enquanto, as campanhas deixam mais interrogações que certezas.

Arsenal. Parabéns, muito parabéns ao clube pelos 18 anos sob o comando de Arsene Wenger, completados nesta semana. O francês fez de um clube medíocre um dos exemplos de bom futebol na Europa. Hoje, todo mundo joga futebol de passe e qualidade, mas até bem pouco tempo atrás não era assim, não. No campeonato mais forte do planeta e contra clubes de imenso poderio financeiro, consegue todos os anos acabar entre os quatro e ir à Champions League. Mais uma temporada que começa relativamente bem e que deve terminar, no entanto, de forma parecida.

 

CAINDO

Barcelona. Trocar de técnico não é moleza. Trocar de goleiro não é moleza. Seguir sem zagueiros de confiança não é moleza. Ter um lateral que foi um dos grandes nomes do time por anos e que agora já desencanou não é moleza. Perder Xavi não é moleza. Ver Messi, ainda craque, ainda gênio, mas não com a mesma vontade e comprometimento, não é moleza. Esperar por uma completa adaptação de Neymar não é moleza. Mais um mês sem Luis Suárez não é moleza. O Barça lidera na Espanha, mas ainda parece o mesmo time apático do ano passado, é como aquele candidato que está liderando no primeiro turno, mas você sabe que não leva no segundo. A expectativa por Suárez é parecida com a expectativa por aquela denúncia que muitos querem ver na revista de sábado para mudar a eleição. Talvez expectativa demais, com doses de utopia. Será que o Barça voltará a subir?

Manchester United. Não está na Champions mas, como um dos cinco maiores clubes da história do futebol europeu, tem de estar na lista. É aquele candidato tradicional. Começo de temporada típico dos esquadrões montados pela metade. Um time espetacular do meio para frente, que comete erros bisonhos na defesa e compromete, assim, vitórias, pontuação e a chance de brigar com o Chelsea na Premier.

Borussia Dortmund. Era para ser o anti-Bayern, mas os resultados são horrorosos neste início de Bundesliga. Sem Lewandowski, a vida fica mesmo muito difícil. Compensou na Europa ganhando do Arsenal e encaminhando classificação. Ao contrário dos dois acima, não tem muita pinta de reverter a tendência de queda ao longo da temporada.

 

DESIDRATANDO

Manchester City e Liverpool. Disputaram o título inglês até o fim na temporada passada, mas na atual parece que verão o Chelsea de binóculo. Nem no segundo turno eles têm pinta de chegar. O Liverpool, que já havia operado um desses milagres lindos do futebol, não terá em Balotelli um novo Suárez. Os níveis são simplesmente diferentes demais. O City tem um timaço. Mas com lapsos de concentração incríveis, tanto ofensiva quanto defensivamente. O empate com a Roma em casa, pela Champions, deixa o time azul de Manchester contra a parede logo cedo na Europa. Terá de conseguir resultados em Roma e contra o Bayern no returno e, se passar, possivelmente será segundo no grupo, pegando pedreira nas oitavas de final. Está despencando nas pesquisas mas, claro, ainda há tempo para se recuperar. Ao contrário do Liverpool.

Milan e Inter. Falar mais o quê da dupla? Má gestão, contratações ruins, medidas desesperadas, resultados vergonhosos. Não disputarão título na Itália e têm pinta de que ficarão por um bom tempo fora do cenário europeu.