Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Bayern de Munique

Real Madrid, Juventus e Monaco têm ótimo fim de semana antes das semis
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juliogomes

A semana será de semifinais de Liga dos Campeões, com o dérbi entre Real Madrid e Atlético de Madri, na terça, e Monaco x Juventus, na quarta. Mesmo sem entrar em campo neste domingo, Juventus e Monaco viraram virtuais campeões da Itália e da França.

A Juve tenta ser a primeira equipe a ganhar seis vezes seguidas o Italiano. O Monaco, por sua vez, tenta o oitavo título nacional, o primeiro desde o ano 2000. E ficou muito, muito perto com a derrota do Paris Saint-Germain neste domingo.

A temporada europeia vai chegando ao fim, e começam a aparecer os primeiros campeões das grandes ligas. O Bayern de Munique, após as decepcionantes eliminações na Liga dos Campeões da Europa e na Copa da Alemanha, garantiu matematicamente o pentacampeonato alemão ao desencantar e vencer o Wolfsburg por 6 a 0, fora de casa, no sábado.

Com Heynckes, o Bayern da tríplice coroa, em 2013, foi campeão com seis rodadas de antecipação. Com Guardiola, bateu o recorde em 2014 (sete rodadas, título em março). Em 2015, o tri veio com quatro rodadas de antecedência. O tetra, ano passado, na penúltima rodada. Agora, no primeiro ano de Carlo Ancelotti, é campeão com três rodadas para o fim da Bundesliga. Nunca, na história do futebol alemão, um time havia conseguido cinco títulos seguidos.

Na Inglaterra, o Chelsea deu um passo gigantesco rumo ao título ao vencer o Everton, fora de casa, por 3 a 0. É verdade que o Tottenham ganhou o dérbi de Londres contra o Arsenal, e a diferença entre eles segue em quatro pontos. Mas este era o último jogo realmente complicado para o Chelsea na tabela – dos quatro restantes, três são em casa e contra times da parte baixa da tabela.

A briga boa na Inglaterra é mesmo pelas duas vagas restantes no G4, as vagas para a próxima Liga dos Campeões. Liverpool e Manchester City tem os mesmos 66 pontos e os mesmos 28 gols de saldo (primeiro critério de desempate). O Manchester United tem 65 pontos, e o Arsenal tem 60, mas um jogo a menos.

Por falar em Liga dos Campeões, dos quatro semifinalistas, três brigam para serem campeões nacionais. E os três tiveram um fim de semana para sorrir.

O Real Madrid ainda tem os mesmos pontos que o Barcelona na ponta da Espanha, mas conseguiu uma vitória muito mais dramática. Pela enésima vez no campeonato, conseguiu pontos decisivos nos momentos finais. Marcelo foi o herói da vitória sobre o Valencia no sábado, marcando aos 41min do segundo tempo. O Valencia havia arrancado empates em Madri nas quatro das últimas cinco visitas e havia vencido o Real no jogo do turno.

Uma rodada a menos, e o Real Madrid ainda tem direito a empatar um dos quatro jogos restantes. Ao Barça, não basta vencer seus três jogos a fazer.

A Juventus empatou com a Atalanta na sexta-feira, mas depois viu de camarote a Roma perder o dérbi da capital por 3 a 1 para a Lazio, neste domingo de manhã. A vantagem na liderança, que poderia cair, subiu para nove pontos faltando quatro rodadas. A Juventus pode ser campeã na próxima rodada: faz em seu estádio o dérbi contra o Torino no sábado, enquanto a Roma tem um duro clássico contra o Milan, fora de casa, no domingo.

E o grande felizardo do dia foi o Monaco, que viu o PSG perder para o Nice por 3 a 1. Desde os 6 a 1 para o Barcelona, na Champions, o PSG havia vencido todas as nove partidas que havia disputado. Colocou pressão no Monaco, que busca seu primeiro título francês desde o ano 2000. Mas, apesar da maratona e de algumas partidas dramáticas, o time do Principado segurou as pontas.

No sábado, venceu o Toulouse precisando de uma virada no segundo tempo. Com a derrota do PSG em Nice, agora o Monaco tem três pontos de vantagem, muito mais saldo de gols (20 gols a mais), que é o primeiro critério de desempate, e ainda um jogo a menos.

Basta ao Monaco, portanto, ganhar dois dos quatro jogos restantes para ser campeão – pode perder duas vezes que ainda assim levará o caneco, mesmo que o PSG vença seus três jogos restantes. Essa margem de erro, que era pequena e ficou grande, dá um baita respiro para o Monaco focar nos duelos contra a Juventus pela Liga dos Campeões.

Em tempo: o Atlético de Madri, o último semifinalista da Champions, está fora da disputa pelo título espanhol, mas também sorriu. No sábado, meteu 5 a 0 no Las Palmas e recuperou a confiança em Gameiro. O problema é que perdeu Gimenez, machucado, e está sem lateral direito para enfrentar o Real Madrid – um tal Cristiano Ronaldo é quem joga por ali…


E, no fim, o Bayern conseguiu menos com Ancelotti que com Guardiola
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juliogomes

A Bundesliga cresce, cresce, cresce. É a segunda liga doméstica mais valiosa do mundo, já passou há um tempo a espanhola de Real Madrid e Barcelona. É a liga dos ingressos baratos, estádios lotados, clubes ricos, saudáveis financeiramente, com bases sólidas e que não podem ser vendidos para russos ou príncipes árabes.

Ainda assim, falta algo. O equilíbrio que marca praticamente todos os jogos e que faz com que as posições na tabela sejam tão brigadas (literalmente qualquer um pode ir para a Champions, qualquer um pode cair) não atinge o Bayern de Munique.

É tudo muito disputado. Menos o título.

Mas o mata-mata é algo muito especial. E se nos pontos corridos o poderio financeiro e a camisa do Bayern fazem toda a diferença, em jogos eliminatórios a história é outra. O Bayern completou nesta quarta-feira cinco jogos sem vencer e, depois da eliminação para o Real Madrid, caiu em casa para o Borussia Dortmund, na Copa da Alemanha.

Como a maioria das pessoas olha só para o resultado, não para desempenho e como ele é atingido, acostumou-se a achar que bastava ao Bayern de Munique entrar em campo para ganhar jogos. Mas não é moleza jogar na Alemanha.

Depois do bicampeonato do Borussia Dortmund, em 2011 e 2012, o Bayern tirou alguns dos melhores jogadores do próprio Dortmund. Ganhou as últimas quatro Bundesligas, as últimas três com Pep Guardiola e com direito a recordes.

Guardiola ganhou também duas Copas da Alemanha, mas parou três vezes seguidas nas semifinais da Liga dos Campeões. A última delas, no ano passado, de forma dramática diante do Atlético de Madri, com pênalti perdido por Muller na hora H.

Convencionou-se, então, dizer que Guardiola não fizera nada mais que a obrigação. O Bayern havia conseguido nove “dobletes” na história. Com o catalão, ganhou dois em três anos.

Chegou Carlo Ancelotti, o homem que entende muito de futebol e de gestão de egos. Um técnico que os jogadores adoram. Que nunca foi midiático como Mourinho, criativo como Guardiola, mas que ganhou Champions com o Milan e com o Real Madrid, foi campeão também no PSG e no Chelsea. Um treinador especialista em pegar bons times, não estressar jogadores e caminhar junto com eles para os títulos.

Eu era um dos que acreditavam que o Bayern de Munique seria campeão europeu neste ano. Pelo técnico e pelo elenco que tem.

Mas o Bayern caiu diante do Real Madrid e perdeu em casa o jogo único contra o Borussia Dortmund por 3 a 2, sendo eliminado nas semifinais da Copa da Alemanha. O Bayern vencia por 2 a 1, levou a virada no segundo tempo.

O Borussia Dortmund, também eliminado nas quartas de final da Champions, não conseguiu fazer frente ao Bayern na atual Bundesliga – ainda que tenha vencido o clássico do turno, em Dortmund. Mas chega à quarta final consecutiva na Copa da Alemanha e é favorito contra o Eintracht Frankfurt.

O primeiro ano de Ancelotti terá título alemão. Sem doblete, sem chegar entre os quatro da Europa, sem os recordes de Guardiola.

No fim das contas, fácil mesmo é achar que tudo é fácil no futebol.


Como o apito amigo ajudou o Real e o recurso de vídeo mudaria tudo
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juliogomes

Sobre os erros na eliminatória em que o Real Madrid eliminou o Bayern de Munique (e como uma possível ajuda do vídeo poderia ter interferido):

 

– é verdade que o Bayern ganha um pênalti no jogo de ida, mas Vidal chuta para fora e anula o erro. Se tivesse feito o gol, tudo ficaria condicionado ao erro, mas não foi o caso. Se houvesse vídeo, não acredito que o pênalti tivesse sido anulado, foi um lance de interpretação em que a bola, de fato, toca no braço de Carvajal;

– naquele mesmo jogo, Thomas Muller ficaria na cara do gol (estava 1 a 1, 11 contra 11) e há um impedimento mal marcado. No Bernabéu, Lewandowski também ficaria na cara do gol com 0 a 0 e há impedimento mal marcado. Ambos os lances poderiam ter tido sequência (e se saíssem gols?) e o recurso do vídeo, mais tarde, os validaria;

– eu não expulsaria Vidal no início do segundo tempo no jogo do Bernabéu. É uma falta de jogo sobre Casemiro. Não seria absurdo mostrar o segundo amarelo ao chileno, mas não era um lance tão claro de cartão e a expulsão ali condicionaria a eliminatória. De qualquer forma, o juiz compensa cinco minutos depois não expulsando Casemiro no lance do pênalti sobre Robben. Ficou elas por elas, nestes dois lances Viktor Kassai optou por não estragar a eliminatória e foi bem. Nenhum destes lances poderia ser revertido por vídeo, foram interpretações do árbitro no momento;
– não vejo impedimento de Lewandowski no lance do 1-2, gol contra de Sergio Ramos. Está na mesma linha da bola quando ela sai do peito de Muller e era simplesmente impossível o bandeirinha ter visão. Se houvesse o recurso do vídeo, esse gol seria anulado? Não. Não está nem um pouco claro um impedimento ali;
(O diário espanhol Marca revisita todos os lances deste post. E usa uma imagem congelada do segundo gol do Bayern em que a bola já havia saído do peito de Muller. Não há imagem definitiva sobre o lance, pois o jogador está encobrindo a bola)

– Casemiro faz outra falta para amarelo em Robben aos 35min do segundo tempo, logo após o 2 a 1 do Bayern, quando o Real Madrid estava contra as cordas. A expulsão ali definiria o jogo, possivelmente. Não haveria como o vídeo ajudar, foi interpretação de Kassai novamente;

– logo depois há a expulsão bizarra de Vidal, que dá um carrinho limpo. Quando o Bayern estava a ponto de matar a eliminatória, o juiz coloca o Real Madrid no comando com um homem a mais. Neste caso, creio que o vídeo faria Kassai rever o amarelo a Vidal, pois o chileno pega só a bola e nem encosta no jogador do Real;

– já na prorrogação, Casemiro, de novo, tenta induzir o árbitro ao marcar um pênalti. Se atira descaradamente antes de haver qualquer contato com Boateng. Kassai, bem posicionado, de frente para o lance, a dois metros, não marca a penalidade. E, pela terceira vez, perdoa o que seria o segundo amarelo a Casemiro. Naquele momento, a eliminatória estava empatada e ficariam em 10 contra 10. Outro lance em que o vídeo seria inútil, foi uma interpretação do árbitro no momento;

– logo depois, no tempo extra, Cristiano Ronaldo faz o gol decisivo em impedimento de 1 metro. E ainda estava um pouco à frente no gol do 3 a 2. Mas bem pouco, neste caso já estava tudo acabado. O primeiro gol certamente seria anulado com o recurso do vídeo, um lance capital. Abaixo, a ironia postada por Ribery no Instagram.

Se excluirmos os lances de cartão, que dependem de interpretação do árbitro, estamos falando de dois impedimentos mal marcados que poderiam acabar em gols do Bayern em distintos momentos e dois impedimentos não marcados que deram a vitória ao Real Madrid na prorrogação.

Não foi um roubo a mão armada, como o que deu a classificação ao Barcelona sobre o PSG. Talvez, mesmo sem a expulsão de Vidal, o Real Madrid tivesse se saído com a classificação. O jogo estava 2 a 1 para o Bayern, se encaminhando para meia hora de prorrogação. Nunca saberemos o que teria acontecido.
Mas o fato é que o húngaro Kassai decidiu a eliminatória, tão equilibrada e tão bela que não merecia algo assim.

O recurso de vídeo PRECISA fazer parte do futebol. Para a linha de gol, já está acontecendo. Ele é urgente para impedimentos e erros bizarros (confusão de jogadores, como vimos no dérbi centenário entre Corinthians e Palmeiras no Paulistão, ou mesmo expulsões bizarras, como a de Vidal no Bernabéu).


Árbitro define classificação do Real Madrid sobre o Bayern
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juliogomes

Não dá para entender o que está acontecendo com a Uefa. Mas a atual vai se transformando na edição mais manchada da história da Liga dos Campeões da Europa.

Depois da absurda arbitragem que determinou a virada épica que classificou o Barcelona contra o PSG, depois de erros cruciais em Turim (gol mal anulado da Juventus na ida contra o mesmo Barça), em Dortmund (pênalti não marcado e gol em impedimento do Monaco na ida), e em Madri (pênalti mal marcado e outro claro não marcado para o Atlético no jogo de ida com o Leicester), o homem do apito voltou a ser decisivo. Voltou a ser definitivo.

O Real Madrid foi extremamente beneficiado pela arbitragem do húngaro Viktor Kassai para vencer o Bayern de Munique por 4 a 2, na prorrogação, e se classificar para as semifinais da Champions.

O árbitro expulsou absurdamente Vidal no fim do tempo regulamentar. Teve três oportunidades de expulsar Casemiro, que já estava amarelado e deveria ter visto o vermelho. E deu o gol de Cristiano Ronaldo que decretou o empate por 2 a 2, já na prorrogação, quando o português estava um metro em impedimento.

Não estamos falando de mimimi. Estamos falando de lances capitais, que determinam o placar final do jogo.

O Barcelona não teria chance de se classificar contra o PSG se não fosse a arbitragem. O Real Madrid poderia ter se classificado mesmo sem a arbitragem. Mas, com ela, a coisa foi definida.

O Bayern começou melhor o jogo e teve o domínio nos 20 primeiros minutos. Mas o Real Madrid melhorou e criou as melhores chances. Gols perdidos que lembraram as chances desperdiçadas em Munique.

Em Munique, é bom lembrar, o Bayern desperdiçou um pênalti mal marcado a seu favor. Mas, no segundo tempo, com 1 a 1, foi marcado um impedimento em lance que deixaria Thomas Müller de cara para o gol. Teve Javi Martínez corretamente expulso.

E, com um a mais, o Real venceu por 2 a 1, mas poderia ter vencido por mais. Como poderia ter feito algum gol no primeiro tempo no Bernabéu.

Mas o segundo tempo foi inteirinho do Bayern de Munique. Jogou melhor que o Real Madrid, fez Zidane realizar alterações precipitadas, calou o estádio e foi empurrando.

Com 0 a 0 no marcador, Vidal fez uma falta que poderia ter sido para segundo amarelo. Poderia. Eu não daria. Falta normal, de jogo, em que não se pode expulsar um jogo e comprometer a partida. Lance fora da área, sem perigo de gol e sem violência excessiva. Não acho um absurdo que se defenda um amarelo no lance, mas eu não daria.

Minuto seguinte, Casemiro derruba Robben na área. Lance em que foi marcado pênalti e Lewandowski fez 1 a 0. Uma jogada de gol, dentro da área e em que Casemiro poderia ter visto o segundo amarelo. Talvez com o lance de Vidal na cabeça, talvez sem convicção da falta, Kassai não expulsou o brasileiro.

Com 1 a 0, o Bayern tomou conta do jogo. Mas Cristiano Ronaldo, após ótimo cruzamento de Casemiro, empatou a partida. Ainda assim, o Bayern continuou em cima e fez 2 a 1 meio que sem querer, em um infeliz gol contra de Sergio Ramos. No lance, não há impedimento de Lewandowski, que estava na mesma linha da bola no passe de Müller. Passe que foi cortado por Nacho e colocado para dentro do gol por Ramos.

Com 2 a 1, o Bayern acreditou que poderia se classificar e o Real Madrid nitidamente sentiu a pressão. Em um lance de ataque de Robben, Casemiro fez outra falta para amarelo. Mas novamente deixou de ser expulso.

Pouco depois, Vidal deu um carrinho limpo, na bola, em lance que nem duvidoso foi. E acabou expulso por Kassai. Ali, o juiz praticamente determinava o destino do jogo. Justo quando o Bayern parecia perto de matar a partida, com um Real Madrid com medo em campo, o árbitro inverte a lógica da partida.

Mas ainda tinha mais. Na prorrogação, Casemiro simula um pênalti na cara do juiz e novamente deixa de receber o segundo amarelo. E logo depois Cristiano Ronaldo faz o 2 a 2 recebendo cruzamento em posição de muuuuito impedimento.

Com um a mais em campo, o placar e os espaços, o Real Madrid chegou ao 4 a 2.

Dois grandes jogos de futebol. E, novamente, atuação decisiva da arbitragem.

Assim como o Barcelona, o Real Madrid não pode falar de árbitros.


Cristiano Ronaldo faz o Bayern pagar pelos erros de Vidal e Ancelotti
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juliogomes

Não é a primeira nem a última vez que um jogador vai de herói a vilão em poucos minutos. Depois de um belo gol de cabeça, Vidal perdeu um pênalti no primeiro tempo. Chutou na lua, no último minuto, o que seria o 2 a 0 para o Bayern de Munique contra o Real Madrid. Obrigaria o Real a sair e deixar espaços no segundo tempo. Resultado final: virada, 2 a 1 para o Real Madrid. E foi pouco.

O favoritismo do Bayern foi pelos ares a partir do momento em que Vidal perde o pênalti, Javi Martínez é expulso e Carlo Ancelotti toma várias decisões erradas em sequência no segundo tempo. Cristiano Ronaldo fez o técnico italiano pagar por todas elas. E Neuer evitou que o prejuízo fosse ainda maior.

A lesão de Lewandowski foi mais sentida do que o mais pessimista torcedor do Bayern poderia imaginar. O polonês é o cobrador oficial de pênalti, e Vidal nunca teria tido a chance de chutar o segundo gol lá em Santiago. E, o principal, o Bayern não teria em campo por 80 minutos um Thomas Müller irreconhecível.

Müller errou simplesmente tudo. Nenhuma bola parou em seus pés. Não fez pivô, não ajudou o time, não ameaçou a defesa, não finalizou. Foi um peso morto no ataque do Bayern, dando sequência à temporada horrorosa que faz. Fica até difícil imaginar se Müller teria feito o gol cara a cara com Navas, com 1 a 1 no placar e um impedimento mal marcado, que prejudicou o Bayern no segundo tempo.

Mal marcado também havia sido o pênalti desperdiçado por Vidal, diga-se. Somados erros graves nos jogos de Dortmund e Madri, entre Atlético e Leicester, tivemos uma quarta-feira inacreditável da arbitragem europeia. Mais uma.

Mas, voltando ao jogo e Müller. Aí entra o primeiro grande erro de Ancelotti, uma insistência inexplicável. Por mais que não tivesse outro centroavante de ofício no banco, o italiano poderia e deveria ter pensado em outra opção e sacado Müller logo no intervalo. Demorou 35 minutos para fazê-lo. Guardiola, creio, nem mesmo teria escalado Müller, dada a fase horrorosa do alemão.

Com o gol de Cristiano Ronaldo logo no início do segundo tempo, o Bayern adiantou suas linhas. E até jogava bem, mas Javi Martínez precisou matar um contra ataque e foi corretamente expulso.

A partir daí, outro grande erro de Ancelotti. Tirou de campo Xabi Alonso, um dos xerifes do time e que seguraria tranquilamente as pontas ali na zaga. Mexeu em duas posições, pois trouxe Alaba para a zaga e colocou Bernat na lateral. Ainda tirou Ribery para colocar Douglas Costa, o que tampouco teve efeito.

O jogo se transformou em ataque contra defesa. O Real Madrid viu aberta a possibilidade de matar a eliminatória, e aí Neuer passou a fazer seguidos milagres. Teria sido uma das melhores atuações de um goleiro na história da Champions League, não fosse o segundo gol do Real, uma bola defensável que passou entre as pernas do goleiro. Cortesia de Cristiano Ronaldo.

Não se enganem. Até que se prove o contrário, o melhor do mundo é um só. São 100 gols em competições europeias. Tenho pena de quem acha que Cristiano Ronaldo não passe de um jogador “bem dotado fisicamente”.

Neuer, com seus milagres, fez com que os erros de Vidal e Ancelotti não terminassem em eliminatória já decidida.

É claro que a vaga fica nas mãos do Real Madrid. Em dez duelos de mata-mata entre os dois gigantes, três vezes o time da casa não venceu o jogo de ida. Nas três, acabou eliminado. O Bayern vai precisar quebrar um tabu para passar.

São dois times ótimos, camisas pesadas, qualquer erro grave do Real Madrid pode trazer o Bayern de volta para a eliminatória. A virada, sem dúvida, passa por Lewandowski. Sem ele, o Bayern tem poucas chances.

Juventus, Real Madrid, Monaco e Atlético de Madri estão com um pé nas semifinais.


Cinco razões pelas quais o Bayern é favorito a vencer o Real Madrid
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juliogomes

Bayern de Munique e Real Madrid fazem o maior clássico da Europa. É isso mesmo que você leu. Não há jogo maior no mundo envolvendo times de países diferentes. Muito se deve ao fato de ambos serem os maiores campeões de seus países e dois dos maiores do continente. Mas o grande fator que faz esse jogo tão grande é o fato de terem se enfrentado tantas vezes em horas tão importantes.

Bayern e Real farão nesta quarta o 23o jogo entre eles – um recorde entre clubes em competições europeias. Até hoje, foram dez duelos de mata-mata, com cinco classificações para cada um. Só falta mesmo uma grande final, que nunca ocorreu (foram seis semifinais).

Junto com o Barcelona, os dois têm dominado o futebol europeu recentemente. São os três times apontados como favoritos desde o início da Liga dos Campeões. No entanto, este blog considera o Bayern bastante favorito para o jogo contra o Real, e o time alemão tem a chance de deixar a eliminatória encaminhada. Aqui estão as cinco razões.

1- Técnico

É o típico confronto entre mestre e pupilo, com a diferença que o aprendiz não parece nem um pouco perto de superar o professor. Zidane foi auxiliar de Ancelotti quando o italiano passou pelo Real Madrid. O próprio Zidane credita muito de seu estilo como técnico ao que aprendeu neste período.

Por mais que tenha conquistado a Champions League no ano passado, no entanto, Zidane ainda tem muito para provar. Seu time joga o arroz com feijão e é ultradependente das bolas aéreas. Com o que tem em mãos, poderia fazer muito mais. Sem dúvidas, Zidane fala a linguagem da boleirada, entende o Real Madrid, o torcedor, as necessidades. São fatores que não tiro da lista de méritos dele. Por outro lado, é nítida a dificuldade para ler partidas durante os 90 minutos e fazer alterações que melhorem o time. É quase sempre o seis por meia dúzia, tudo muito previsível.

Já Ancelotti, um mestre da arte, conhece o elenco do Real Madrid de trás para frente e sabe como explorar os pontos fracos. Tampouco se notabilizou na carreira pela criatividade, mas é bastante mais refinado que Zidane na leitura de jogo.

2- História

O passado pode não servir para garantir o futuro, mas certamente nos indica tendências. E, nos confrontos entre Bayern e Real, historicamente quem joga em casa se dá bem. O Bayern recebeu o rival espanhol 11 vezes em Munique: ganhou nove, empatou uma e perdeu só uma, a última, aqueles 4 a 0 de 2014 que levaram o Real à decisão. É bom lembrar que aquele era um jogo de volta – após o Real vencer na ida – e que Guardiola escancarou o Bayern para os contra ataques madridistas.

Das cinco vezes em que o jogo de ida de um mata-mata entre eles ocorreu em Munique, o Bayern venceu quatro.

O Real Madrid é um clube que se considera o maior do mundo. Os torcedores dizem não ter medo de nada nem ninguém, o clube já se mostrou capaz de tudo – e acreditar nisso certamente ajuda. Mas é inegável que o Bayern é o clube mais temido pelo Real, talvez o único. Não à toa, há faixas, camisetas e cachecóis em Munique com os dizeres “La bestia negra”. Eles adoram o apelido dado pelos próprios madrilenhos.

3- Defesa desfalcada

O Real Madrid já não tinha Varane e perdeu Pepe para o jogo e para a temporada, com duas costelas quebradas. Nacho atuará na zaga ao lado do Sergio Ramos, uma considerável queda de qualidade. Nacho entrou no dérbi, sábado, e logo teve posicionamento falho que permitiu a Griezmann empatar o jogo para o Atlético de Madri.

Na imprensa de Madri, Nacho é muito elogiado. Natural, é o único jogador do elenco que subiu da base para o time principal sem passar por outros clubes – a prata da casa é sempre valorizada e precisa ter a confiança do torcedor. Pelas muitas lesões dos outros, foi titular em 25 dos 47 jogos. Não é um completo novato, mas não tem a bagagem de um Pepe. Além do mais, Sergio Ramos jogará a ida pendurado, o que limita muito sua atuação em Munique. É um Real sem reservas para a zaga, no limite da improvisação.

4- BBC? Ou RLR?

Eu ODEIO essa sopa de letrinhas que inventaram na Espanha. BBC, MSN, PQP. Seria ridículo apelidar o ataque do Bayern de RLR, não é mesmo? O que não é ridículo é o futebol que estão mostrando Robben, Lewandowski e Ribèry.

Robben e Ribèry juntos e saudáveis, uma raridade. O Bayern sofreu demais sem os dois em boa forma na hora H das últimas três temporadas. Agora, não só estão bem como têm entre eles o que talvez seja o melhor camisa 9 do mundo hoje: Lewandowski. Até gol de falta ele anda fazendo, um atacante completo e que já destruiu o Real Madrid quando jogava no Dortmund.

A fase do ataque é tão boa (39 gols nos últimos 11 jogos) que mal nos lembramos que o Bayern tem um certo Thomas Mueller no elenco – em má temporada, é verdade, mas um jogador que já mostrou muito valor em partidas enormes.

Atualização: Algumas horas antes do jogo, o Diário Marca noticia que Lewandovski não jogará, por problemas no ombro. Mueller em seu lugar. Sensível baixa técnica para o ataque do Bayern, mas um substituto de peso.

O contraponto é o trio do Real Madrid. Cristiano Ronaldo não consegue fazer a mesma temporada de outros anos, e Bale não entrou nos eixos após a lesão que lhe deixou três meses sem jogar. Tanto não funciona como em outros anos que o principal “atacante” do Real Madrid, nos momentos mais agudos, foi Sergio Ramos. Morata pede passagem ou até mesmo uma formação diferente, mas Zidane insiste com o BBC.

5- Jogo coletivo

O Real tem problemas defensivos (só deixou de sofrer gols em 3 dos últimos 21 jogos) e de construção. É nítido que o time sofre demais quando Kroos e Modric são bem marcados. A bola não chega no trio de ataque e, por isso, o Real tem dependido tanto da bola parada para ganhar jogos. Sim, são 52 jogos seguidos fazendo gols, um mérito inegável. Mas quantos deles tiveram a ver com o “jogo jogado”?

Na temporada, o Real Madrid fez 132 gols e levou 56 em 47 partidas. O Bayern fez 109 gols e levou 24 em 41 jogos. Tem números ofensivos parecidos, mas sofre muito menos gols.

É um jogo coletivo mais fluido, com um meio de campo formado por jogadores capazes de tudo: destruir, cobrir laterais, construir com passes curtos ou longos, chegar à frente e marcar gols. Xabi Alonso, Vidal e Thiago são completos e vivem grande momento de forma.

O alicerce de qualquer time é o meio de campo. O do Bayern está melhor conectado com as linhas de trás e de frente do que o (também ótimo) meio de campo do Real Madrid.

 


Ligas europeias entram na reta final com mês recheado de clássicos
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juliogomes

Passada a última pausa da temporada europeia para jogos de seleções, o “vírus Fifa” deixou os grandes clubes em paz desta vez. Chegamos à reta final dos campeonatos e o mês de abril reservas grandes clássicos em todas as ligas.

Já neste fim de semana, PSG e Monaco decidem a Copa da Liga da França (sábado 15h45). Benfica e Porto se enfrentam pela liderança (e, possivelmente, o título) em Portugal (sábado 16h30). Schalke 04 e Borussia Dortmund fazem o clássico do Vale do Ruhr, nesta que é considerada a maior rivalidade da Alemanha (sábado 10h30). Na Itália, em outro clássico de grande rivalidade, o Napoli recebe a Juventus no domingo (15h45). E a rodada da Premier League tem clássico de Liverpool no sábado (8h30) e o confronto entre os criticados Wenger e Guardiola no domingo (12h).

A Champions League tem quartas de final em 11/12 e 18/19 de abril, com Bayern-Real Madrid, Juventus-Barcelona, Dortmund-Monaco e Atlético de Madri-Leicester.

Veja o que ainda está em jogo nos principais países:

INGLATERRA

O Chelsea chega às 10 rodadas finais com uma enorme vantagem de pontos. São 69 contra 59 do Tottenham, 57 do Manchester City, 56 do Liverpool, 52 do Manchester United, 50 de Arsenal e Everton. O título vai ficar com os “blues”, mas a disputa pelas vagas na próxima Liga dos Campeões promete.

Já neste sábado, tem o “Merseyside Derby”, o clássico de Liverpool. Jogando em seu estádio, o Liverpool não perde para o Everton desde 1999. Depois disso, no entanto, o Liverpool, assim como o Tottenham, tem uma tabela mais tranquila.

Após a decepcionante eliminação nas oitavas de final da Champions, o Manchester City, de Guardiola, vai a Londres enfrentar o Arsenal, domingo, e o Chelsea, na próxima quarta. O Chelsea ainda joga o clássico contra o United, em Manchester, no dia 16. Aliás, o United, de Mourinho, que já ganhou a Copa da Liga Inglesa, ainda está vivo na Liga Europa, onde enfrenta o Anderlecht nas quartas de final e é o grande favorito ao título.

Principais jogos de abril:
1/4 Liverpool-Everton
2/4 Arsenal-Man City
5/4 Chelsea-Man City
16/4 Man United-Chelsea (Mou vs Conte)
22/4 Chelsea-Tottenham (semi Copa da Inglaterra)
23/4 Arsenal-Man City (semi Copa da Inglaterra)
27/4 Man City-Man United (Mou vs Pep)
30/4 Tottenham-Arsenal, Everton-Chelsea

ESPANHA

O Real Madrid tem o controle da Liga, pois soma dois pontos a mais que o Barcelona (65 a 63), tem ainda um jogo a menos e joga o clássico do returno no Santiago Bernabéu. Mas os dois gigantes têm duelos complicadíssimos na Liga dos Campeões logo antes do superclássico e o Campeonato Espanhol está mais equilibrado. Os gigantes já tropeçaram e ainda podem tropeçar mais vezes.

O Atlético de Madri, em quarto, com 55 pontos, está mais focado na Champions, mas adoraria fazer um grande dérbi contra o Real antes dos duelos contra o Leicester. O Sevilla, com 57, tentará se manter entre os quatro e não perder Jorge Sampaoli para a seleção argentina.

Principais jogos de abril:
5/4 Barcelona x Sevilla
8/4 Real Madrid-Atlético de Madri
(11/4 Juventus-Barça, 12/4 Bayern-Real, Atlético-Leicester na Champions)
(18/4 Real-Bayern e Leicester-Atlético, 19/4 Barça-Juventus na Champions)
23/4 Real Madrid-Barcelona
29 ou 30/4 Real Madrid-Valencia, Espanyol-Barcelona

ALEMANHA

O Bayern de Munique conquistará o inédito pentacampeonato, disso ninguém duvida. Tem folga na Bundesliga e poderá até poupar jogadores nos jogos próximos ao duelo contra o Real Madrid pela Liga dos Campeões – ainda que sejam jogos complicados. São 62 pontos na tabela, 13 a mais que o surpreendente RB Leipzig e 16 a mais que o Borussia Dortmund.

Depois de perder o clássico para o Borussia em Dortmund, em novembro, o Bayern engatou 12 vitórias e 2 empates no Alemão. Somando todas as competições, são 19 jogos e quatro meses sem perder. Em abril, o Bayern terá duas oportunidades de se vingar (ou não) de seu maior rival doméstico, que também está vivo na Champions.

Principais jogos de abril:
1/4 Schalke 04-Dortmund
8/4 Bayern-Dortmund
(11/4 Dortmund-Monaco, 12/4 Bayern-Real na Champions, 13/4 Ajax-Schalke na Europa League)
15/4 Bayer Leverkusen-Bayern
(18/4 Real-Bayern, 19/4 Monaco-Dortmund na Champions, 20/4 Schalke-Ajax na Europa League)
26/4 Bayern-Dortmund (semifinal da Copa da Alemanha, jogo único)

ITÁLIA

Assim como Chelsea e Bayern de Munique, a Juventus tem folga na liderança. Será o sexto Scudetto consecutivo, um feito inédito e histórico. Faltando nove rodadas para o final, a Juve lidera com 73 pontos, são 8 a mais que a Roma e 10 a mais que o Napoli. Foram 24 vitórias em 29 jogos até agora.

O mês de abril começa com dois duelos contra o Napoli, um pelo campeonato, outro pela Copa. São jogos de muita rivalidade e tensão entre times e torcidas. É o sul contra o norte, um duelo de muito simbolismo.

Jogando em seu estádio pelo Campeonato Italiano, a Juventus soma 31 vitórias consecutivas, juntando a atual com a temporada passada. Não empata desde um 1 a 1 com o Frosinone, em setembro de 2015. Não perde desde o primeiro jogo da temporada 15/16, 0-1 para a Udinese, em agosto de 2015. Somando todas as competições, são 46 jogos de invencibilidade no Juventus Stadium. Impressionante.

Lazio, com 57, Inter e Atalanta, com 55, e Milan, com 53 pontos, ainda tentam alcançar Roma (65) e Napoli (63) pelas vagas na próxima Champions.

Principais jogos de abril:
2/4 Napoli-Juventus
4/4 Roma-Lazio (semi Coppa Itália, Lazio fez 2-0 na ida)
5/4 Napoli-Juventus (semi Coppa Itália, Juve fez 3-1 na ida)
9/4 Lazio-Napoli
(11/4 Juventus-Barça na Champions)
15/4 Internazionale-Milan
(19/4 Barça-Juventus na Champions)
29 ou 30/4 Roma-Lazio, Internazionale-Napoli

FRANÇA

Depois da virada sofrida na Liga dos Campeões para o Barcelona, restam ao Paris Saint-Germain as competições domésticas. A parada está dura na Ligue 1. Em busca do pentacampeonato, o PSG, com 68 pontos, está 3 atrás do Monaco – dono do melhor ataque da Europa na temporada.

O Monaco, que superou o City de Guardiola e está nas quartas de final da Champions, fez 129 gols em 48 partidas oficias, média de 2,7. É um time super agradável de ver jogar e que vai vender caro o título francês, que não conquista desde o ano 2000.

Logo de cara, neste sábado, PSG e Monaco se enfrentam em Lyon pelo título da Copa da Liga da França. É a competição menos importante da temporada, mas que ganhou peso justamente pelo confronto direto entre as duas forças do país. Nos dois jogos entre eles pela Ligue 1, o Monaco fez 3 a 1 em casa e empatou por 1 a 1 em Paris (com gol nos acréscimos).

Eles também estão vivos na Copa da França e tem jogos relativamente fáceis no meio da semana que vem. Podem se enfrentar nas semifinais ou em uma eventual nova decisão.

O Nice, de Balotelli, ficou para trás na tabela e soma 64 pontos, sete a menos que o Monaco. Mas deve conseguir vaga na Champions, pois tem 14 a mais do que o Lyon, o quarto colocado. O Lyon ainda está vivo na Europa League e enfrenta nos dias 13 e 20 de abril o Besiktas, líder do Campeonato Turco, por uma vaga nas semifinais.

PORTUGAL

Também neste sábado, Benfica e Porto fazem o superclássico em Lisboa. O Benfica lidera o campeonato com 64 pontos, apenas 1 a mais que o Porto – ambos foram eliminados nas oitavas de final da Liga dos Campeões.

Depois do clássico, faltarão sete rodadas para o fim do campeonato. Como Benfica e Porto costumam ganhar praticamente todos os seus jogos em Portugal, o duelo direto é uma verdadeira decisão. Ainda em abril, no dia 22, o Benfica faz o dérbi de Lisboa contra o terceiro colocado, no estádio do Sporting.


Sorteio da Champions: dois superclássicos e 40 finais frente a frente
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juliogomes

Bayern de Munique x Real Madrid e Juventus x Barcelona. As bolinhas do sorteio deixaram as quatro camisas mais pesadas frente a frente nas quartas de final da Liga dos Campeões da Europa.

São dois superclássicos, com 40 finais europeias somados os quatro clubes. São quatro dos cinco que mais chegaram a decisões na história.

O Real Madrid já chegou a 14 finais, com 11 títulos. O Milan, ausente da competição, é o segundo colocado na lista, com 11 finais e 7 títulos. O Bayern de Munique chegou a 10 decisões, com 5 títulos. Mesmos títulos do Barcelona, mas em 8 finais. A Juventus também chegou a 8 decisões, mas com aproveitamento menor de conquistas: 2.

Neste momento da temporada, Bayern de Munique e Juventus são dois times mais equilibrados e consistentes do que Real Madrid e Barcelona. São quatro timaços e quatro camisas pesadas, é impossível apontar qualquer favorito.

A última vez que nem Barcelona nem Real Madrid apareceram nas semifinais da Champions: temporada 2006/2007. A chance disso acontecer de novo dez anos depois é real.

O Barça venceu a Juventus na final de dois anos atrás, em 2015, primeira das três temporadas de Luís Enrique. O time do Barcelona é muito parecido com aquele, o trio Messi-Suárez-Neymar estava em seu primeiro ano junto. Porém, há uma diferença: Daniel Alves, tão importante no sistema tático do Barça ao longo de anos, agora está do outro lado. Veste a camisa da Juve.

Em relação a 2015, a Juventus, que já era treinada por Allegri, tem o mesmo sistema defensivo. Os mesmos nomes, a mesma solidez. Mas, do meio para frente, mudou tudo: saíram Pogba, Pirlo, Vidal, Morata e Tévez. Hoje, a Juve é o time de Dybala, Higuaín e Mandzukic.

Na teoria, são dois times menos fortes hoje do que eram dois anos atrás.

Mas como duvidar do Barcelona depois da virada épica para cima do PSG nas oitavas de final? E como colocar qualquer interrogação na Juventus, invicta há 47 partidas? São 21 jogos de invencibilidade em competições europeias.

Importante: para um time como a Juve, é muito melhor enfrentar o Barcelona em dois jogos do que em um só. Possivelmente adotará um plano de jogo de não sofrer gols em casa. E certamente jogará com muito mais intensidade e inteligência do que o PSG fez no Camp Nou.

O Real Madrid tenta quebrar a escrita de nunca um time ter vencido duas Champions League seguidas. Para isso, o desequilibrado time de Zidane, que sofre muito mais do que deveria nos jogos do Espanhol em 2017 e sobrevive das bolas aéreas e os milagres de Sergio Ramos, enfrenta o elenco mais poderoso e completo da Europa.

O Bayern de Munique é forte demais em todas as linhas e é treinado por Carlo Ancelotti, que foi inexplicavelmente mandado embora pelo Real Madrid ao final da temporada 2014/2015. Ancelotti foi o mentor de Zidane e era o técnico da Décima, quebrando o jejum do Real de 12 anos sem títulos europeus.

Ancelotti conhece de trás para frente as qualidades e defeitos do Real Madrid. Ao contrário do que fez Guardiola com o Bayern na semifinal entre eles, em 2014, não ficará tolamente exposto ao rápido contra ataque madridista.

Se excluirmos os clássicos regionais e nacionais, talvez o duelo Bayern-Real seja o maior da Europa (e do mundo). São duas instituições gigantes, antagônicas e que já se enfrentaram zilhões de vezes em competições europeias.

Eu sempre digo que a grande marca do Real Madrid é acreditar, a autoconfiança monstra, sempre achar que vai ganhar porque é maior que seu rival do outro lado. Só tem um clube europeu que o Real Madrid teme de verdade: o Bayern. O torcedor do Real odeia enfrentar o Bayern e tem motivos para isso.

O Bayern de hoje é mais sólido defensivamente do que nos anos de Guardiola. E o Real Madrid é um time, hoje, que joga pior e mostra menos alternativas de jogo, além de sofrer muitos gols.

Nos outros dois duelos, há dois favoritos claros.

O Atlético de Madri é o grande sortudo ao ficar frente a frente com o Leicester City. Sim, tem o conto de fadas, etc, etc, etc. Mas a diferença entre os times é brutal. E o Leicester é bastante previsível, só tem um jeito de jogar, confia nas bolas aéreas e contra ataques.

Um técnico como Simeone saberá tranquilamente anular as poucas armas do Leicester. Se tem um time que sabe neutralizar bolas aéreas e não fica exposto a contra ataques, porque tem uma incrível sincronia defensiva e joga de forma muito compacta, este é o Atlético de Madri, finalista de duas das últimas três Champions.

E o Monaco também é favorito contra o Borussia Dortmund, em um duelo de times ofensivos e que promete muitos gols. O Monaco é o melhor ataque da Europa, lidera na França e deu uma incrível demonstração de força e personalidade ao reverter a eliminatória contra o Manchester City. O Dortmund é um time instável. Tem tradição, tem um dos estádios mais quentes da Europa, mas terá de decidir a vida fora de casa. Não tem a solidez defensiva para segurar o Monaco, na minha visão.

Meus palpites: passam Bayern, Juventus, Atlético e Monaco. Mas até abril os momentos podem mudar, soluções podem ser encontradas, jogadores podem se machucar. Agora é esperar!


Bola aérea, de novo, salva o Real Madrid. É o Zidanebol
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juliogomes

A coisa estava feia para o Real Madrid em Nápoles. O Napoli não só vencia ao final do primeiro tempo, mas havia perdido gols e dominava totalmente a partida. O Real estava sonolento, descompactado e distante.

Com os 3 a 1 do Real na ida, bastava ao Napoli ganhar por 2 a 0 para operar o milagre. Era meio caminho andado.

Mas aí veio o segundo tempo, vieram os escanteios, vieram os gols de Sergio Ramos. Assim como na final da Champions-2014, assim como no clássico do Camp Nou no fim do ano passado, assim como em tantas outras ocasiões.

A bola alçada na área virou a maior arma do Real Madrid de Zidane. O amigo Vítor Birner, também blogueiro aqui do UOL, apelidou de “Zidanebol”. E está difícil discordar.

Não sou aqui um saudosista daqueles que ficam clamando pelo “jogo bonito”. Apenas considero que um time como o Real Madrid precisa ter mais repertório. Um time que passa tão perto do desastre, como em Villarreal, como contra o Las Palmas, como em Nápoles, uma hora se encontra com ele.

Faltam opções, falta futebol. Os meio campistas estão distantes entre eles e também dos atacantes. Cristiano Ronaldo recebe bolas de menos para alguém importante demais. Em Nápoles, Sergio Ramos salvou de novo. Não sei se o bi da Champions virá com uma forma tão unidimensional de conseguir vitórias.

Real Madrid e Bayern de Munique são os “nomões” vivos na Champions, se considerarmos que o Barcelona dificilmente passará do PSG. Mas como colocar na mesma prateleira Real e Bayern neste exato momento?

O Bayern, depois dos dois 5 a 1 sobre o Arsenal e das goleadas na Alemanha entrou em uma fase sublime. É um time que tem craques em todas as linhas, um craque no banco (Ancelotti), todas as armas necessárias para voltar a ser campeão europeu.

E o Arsenal?

Até fez um primeiro tempo digno. Depois, com a expulsão e o empate, sucumbiu. Os primeiros 10 anos de Wenger mudaram o patamar do clube. Hoje, o Arsenal não mete medo em ninguém. São sete eliminações seguidas em oitavas de final, nenhuma mais humilhante do que esta. Já deu para o francês.

 


Vitórias no sábado fazem Barça e Napoli sonharem com milagre europeu
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juliogomes

Terça-feira, Napoli x Real Madrid e Arsenal x Bayern de Munique. Quarta-feira, Barcelona x PSG e Borussia Dortmund x Benfica. Esta é a agenda da semana na Liga dos Campeões da Europa, que vai definir os quatro primeiros classificados para as quartas de final. E os jogos de ontem, pelas ligas domésticas, nos dão algumas pistas do que vêm pela frente. Sete dos oito envolvidos venceram.

O Barcelona e o Arsenal são os que têm aquela que é considerada por quase todos uma missão impossível. O Barça levou 4 a 0 do PSG em Paris, enquanto o Arsenal foi atropelado pelo Bayern em Munique, 5 a 1. De três semanas para cá, a esperança de  em um confronto, aumentou em outro.

Da goleada de Paris para cá, muita coisa aconteceu pelos lados do Barcelona. Luís Enrique anunciou que não será mais técnico do clube na próxima temporada e aproveitou para mudar o sistema de jogo, alterado para uma espécie de 3-1-5-1 que fez o time criar mais volume de jogo – mas que ainda não foi verdadeiramente testado atrás.

O fato é que o Barcelona ganhou quatro jogos seguidos e assumiu a liderança na Espanha – apesar de ainda ter um jogo a mais que o Real Madrid. De alguma forma, o Barça faz parecer que a virada na Champions é possível.

O PSG, por sua vez, tropeçou em casa contra o Toulouse e sofreu para avançar na Copa da França e para ganhar, ontem, do modesto Nancy – precisou de um gol de pênalti no final. Mas, no meio de tudo isso, meteu 5 a 1 no Olympique, em Marselha.

Como o Barça não está mais animicamente destroçado e o novo sistema parece ter feito o time melhor, é plausível considerar que a diferença exposta em Paris não exista no Camp Nou.

O mesmo não se pode dizer do duelo entre Arsenal e Bayern. Não parece haver a menor chance de reversão de placar neste duelo.

No sábado, o Arsenal levou 3 a 1 do Liverpool, após um primeiro tempo patético e com o time pessimamente escalado por Arsène Wenger, que deixou Alexis Sánchez no banco. O Arsenal só ganhou um jogo grande na temporada, no primeiro turno do Inglês contra o Chelsea. Fora isso, foi só desastre.

Já o Bayern, que chegou a dar algumas derrapadas no começo da temporada e era mais econômico com Ancelotti do que foi com Guardiola, de repente engatou uma quinta marcha impressionante. Empatou com o Hertha, em Berlim, e depois ganhou três jogos seguidos fazendo 14 gols e sofrendo nenhum – ontem, foram 3 a 0 no Colônia, fora de casa, sem maiores problemas.

Parece mais provável uma nova goleada do Bayern em Londres do que qualquer tipo de drama.

Drama é o que podemos ver em Nápoles. O Real Madrid venceu a partida de ida por 3 a 1. Naquele momento, já começava a receber críticas por seu jogo, mas deu um murro na mesa fazendo uma boa apresentação contra o Napoli.

Depois disso, perdeu para o Valencia um jogo atrasado pelo Espanhol. Ganhou do Villarreal virando o jogo com dois gols nos minutos finais – um deles com um pênalti bisonhamente marcado – e, por fim, arrancou um empate em casa com o Las Palmas também com dois gols no fim. Perdeu a liderança do campeonato e passou a gerar mais dúvidas que certezas.

Ontem, com um time misto, sem Cristiano Ronaldo, Bale, Kroos, Marcelo, Carvajal e Varane, respondeu fazendo 4 a 1 no Eibar, em um campo difícil, fora de casa. Mas o time que jogou era bem diferente do que entrará em campo no quentíssimo estádio San Paolo terça-feira.

O Napoli é um time goleador. Foi corajoso no Bernabéu, conseguiu o gol que queria e por pouco não saiu com uma derrota por 3 a 2. Depois daquela partida, perdeu para a Juventus por 3 a 1 na Copa da Itália, em um jogo com polêmicas de arbitragem, perdeu em casa para a Atalanta no Italiano e parecia rumar ladeira abaixo.

Mas a vitória de sábado sobre a Roma, em pleno estádio Olímpico, enche a torcida de esperanças. Foi um jogaço do Napoli, completo e contra um rival direto pelo vice-campeonato. Jogo para mostrar que há vida, que o time tem bola, que o ataque de baixinhos (Mertens, Insigne e Callejón) segue funcionando. É um franco atirador.

O Real Madrid de Zidane não joga bem há tempos, a bola não para no meio de campo e a defesa sofre. A correria napolitana, se resultar em algum gol logo no início, pode fazer a eliminatória ferver.

Por fim, Borussia Dortmund e Benfica, um duelo que teve vitória portuguesa por 1 a 0 na ida, com trocentos gols feitos e um pênalti perdidos pelos alemães.

Desde o jogo de ida, o Borussia espantou a má fase, ganhou três seguidas na Bundesliga, fazendo 12 gols nestes jogos. Ontem, meteu 6 a 2 no Bayer Leverkusen. É um claro favorito contra o Benfica, que lidera em Portugal, mas com vitórias apertadas – ontem, ganhou do Feirense por apenas 1 a 0.

Dos oito times que entram em campo pela Champions, portanto, sete venceram no sábado – sendo cinco delas vitórias maiúsculas. Só o Arsenal perdeu. A semana promete.