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Sorteio da Champions: dois superclássicos e 40 finais frente a frente
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Bayern de Munique x Real Madrid e Juventus x Barcelona. As bolinhas do sorteio deixaram as quatro camisas mais pesadas frente a frente nas quartas de final da Liga dos Campeões da Europa.

São dois superclássicos, com 40 finais europeias somados os quatro clubes. São quatro dos cinco que mais chegaram a decisões na história.

O Real Madrid já chegou a 14 finais, com 11 títulos. O Milan, ausente da competição, é o segundo colocado na lista, com 11 finais e 7 títulos. O Bayern de Munique chegou a 10 decisões, com 5 títulos. Mesmos títulos do Barcelona, mas em 8 finais. A Juventus também chegou a 8 decisões, mas com aproveitamento menor de conquistas: 2.

Neste momento da temporada, Bayern de Munique e Juventus são dois times mais equilibrados e consistentes do que Real Madrid e Barcelona. São quatro timaços e quatro camisas pesadas, é impossível apontar qualquer favorito.

A última vez que nem Barcelona nem Real Madrid apareceram nas semifinais da Champions: temporada 2006/2007. A chance disso acontecer de novo dez anos depois é real.

O Barça venceu a Juventus na final de dois anos atrás, em 2015, primeira das três temporadas de Luís Enrique. O time do Barcelona é muito parecido com aquele, o trio Messi-Suárez-Neymar estava em seu primeiro ano junto. Porém, há uma diferença: Daniel Alves, tão importante no sistema tático do Barça ao longo de anos, agora está do outro lado. Veste a camisa da Juve.

Em relação a 2015, a Juventus, que já era treinada por Allegri, tem o mesmo sistema defensivo. Os mesmos nomes, a mesma solidez. Mas, do meio para frente, mudou tudo: saíram Pogba, Pirlo, Vidal, Morata e Tévez. Hoje, a Juve é o time de Dybala, Higuaín e Mandzukic.

Na teoria, são dois times menos fortes hoje do que eram dois anos atrás.

Mas como duvidar do Barcelona depois da virada épica para cima do PSG nas oitavas de final? E como colocar qualquer interrogação na Juventus, invicta há 47 partidas? São 21 jogos de invencibilidade em competições europeias.

Importante: para um time como a Juve, é muito melhor enfrentar o Barcelona em dois jogos do que em um só. Possivelmente adotará um plano de jogo de não sofrer gols em casa. E certamente jogará com muito mais intensidade e inteligência do que o PSG fez no Camp Nou.

O Real Madrid tenta quebrar a escrita de nunca um time ter vencido duas Champions League seguidas. Para isso, o desequilibrado time de Zidane, que sofre muito mais do que deveria nos jogos do Espanhol em 2017 e sobrevive das bolas aéreas e os milagres de Sergio Ramos, enfrenta o elenco mais poderoso e completo da Europa.

O Bayern de Munique é forte demais em todas as linhas e é treinado por Carlo Ancelotti, que foi inexplicavelmente mandado embora pelo Real Madrid ao final da temporada 2014/2015. Ancelotti foi o mentor de Zidane e era o técnico da Décima, quebrando o jejum do Real de 12 anos sem títulos europeus.

Ancelotti conhece de trás para frente as qualidades e defeitos do Real Madrid. Ao contrário do que fez Guardiola com o Bayern na semifinal entre eles, em 2014, não ficará tolamente exposto ao rápido contra ataque madridista.

Se excluirmos os clássicos regionais e nacionais, talvez o duelo Bayern-Real seja o maior da Europa (e do mundo). São duas instituições gigantes, antagônicas e que já se enfrentaram zilhões de vezes em competições europeias.

Eu sempre digo que a grande marca do Real Madrid é acreditar, a autoconfiança monstra, sempre achar que vai ganhar porque é maior que seu rival do outro lado. Só tem um clube europeu que o Real Madrid teme de verdade: o Bayern. O torcedor do Real odeia enfrentar o Bayern e tem motivos para isso.

O Bayern de hoje é mais sólido defensivamente do que nos anos de Guardiola. E o Real Madrid é um time, hoje, que joga pior e mostra menos alternativas de jogo, além de sofrer muitos gols.

Nos outros dois duelos, há dois favoritos claros.

O Atlético de Madri é o grande sortudo ao ficar frente a frente com o Leicester City. Sim, tem o conto de fadas, etc, etc, etc. Mas a diferença entre os times é brutal. E o Leicester é bastante previsível, só tem um jeito de jogar, confia nas bolas aéreas e contra ataques.

Um técnico como Simeone saberá tranquilamente anular as poucas armas do Leicester. Se tem um time que sabe neutralizar bolas aéreas e não fica exposto a contra ataques, porque tem uma incrível sincronia defensiva e joga de forma muito compacta, este é o Atlético de Madri, finalista de duas das últimas três Champions.

E o Monaco também é favorito contra o Borussia Dortmund, em um duelo de times ofensivos e que promete muitos gols. O Monaco é o melhor ataque da Europa, lidera na França e deu uma incrível demonstração de força e personalidade ao reverter a eliminatória contra o Manchester City. O Dortmund é um time instável. Tem tradição, tem um dos estádios mais quentes da Europa, mas terá de decidir a vida fora de casa. Não tem a solidez defensiva para segurar o Monaco, na minha visão.

Meus palpites: passam Bayern, Juventus, Atlético e Monaco. Mas até abril os momentos podem mudar, soluções podem ser encontradas, jogadores podem se machucar. Agora é esperar!


Neymar e Barcelona sobem a novo patamar após virada histórica
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O Barcelona virou um clube multicampeão nos últimos 14 anos. Antes, era uma força local. Depois da chegada de Cruyff, no banco e no campo, e contratações de impacto, um antagonista de verdade surgiu ao Real Madrid.

Em 20 temporadas, o Real ganhou cinco Champions, o Barça, quatro. O Real ganhou cinco Ligas espanholas, o Barça ganhou o dobro. Em Copas do Rei, cinco a dois para o Barça. Em Mundiais/Intercontinentais, quatro a três para o Real.

Mas faltava uma coisa ao Barcelona nesses anos todos: uma “remontada”. Adoro a palavra. É como eles se referem, na Espanha, a uma grande virada.

Nos dias anteriores aos 6 a 1 do Barcelona sobre o PSG, vários ex-madridistas diziam que “remontar” era coisa do Real. Os gols no fim, viradas impossíveis, o “hasta el final” do cântico que ecoa no Bernabéu. Remontar é uma marca registrada do Madrid.

Mas, a partir de agora, não mais exclusiva. Faltava uma virada como essa nestes anos de sucesso do Barça. A maior havia ocorrido em 2013, na Champions – derrota por 2 a 0 para o Milan na Itália, vitória por 4 a 0 no Camp Nou. Convenhamos, não chegou nem perto da histórica contra o PSG. O torcedor culé já pode bater no peito, o Barça também tem a coragem necessária para concluir missões impossíveis.

Além do Barcelona, Neymar também mudou de patamar.

Finalmente, o papo tão falado há anos, de ser um candidato a melhor do mundo, ganhou corpo e a semente começou a se espalhar pelo planeta. Neymar oficializou seu posto de próximo jogador dominante, quando acabar a hegemonia de Messi e Cristiano Ronaldo. É o herdeiro.

Neymar foi o grande beneficiado pela mudança tática promovida por Luís Enrique após os 4 a 0 de Paris. Com Rafinha aberto pela direita neste 3-3-3-1, Messi flutua para o meio e atrai marcadores, além de estar mais próximo para se associar com Neymar. As dobras não ocorrem mais 100% das vezes quando Neymar recebe pela esquerda.

Por isso, e também por viver boa fase técnica (após, vamos lembrar, ele quebrar em janeiro um jejum de três meses sem gols pelo Barça), Neymar já havia sido destaque nas goleadas sobre Gijón e Celta, pelo Espanhol.

Ele passou a ter à disposição situações de um contra um e, assim, infernizou o lateral Meunier no jogo de volta com o PSG. Como o Barça espalhou o campo e acrescentou um homem no meio, os volantes parisienses não conseguiram ajudar muito a neutralizar Neymar.

Agora. Sejamos sinceros. Se o jogo tivesse acabado, digamos, 3 a 1. Estaríamos falando tanto de Neymar?

Não, não estaríamos. Não foi, até os 44min do segundo tempo, um jogo inesquecível dele. Não havia feito gols ou passes de gols, ameaçado Trapp, nada disso. Percebia-se que estava a fim de jogo. E havia tentado cavar dois pênaltis para cima de Meunier – um deles com sucesso. Dois minutos após o gol de Cavani, no momento de frustração e com a eliminatória com pinta de acabada, Neymar ainda deu um chute por trás, sem bola, em Marquinhos.

O árbitro mostrou amarelo, mas podia ter sido vermelho. O que estaríamos falando de Neymar se o juiz tivesse mostrado o vermelho pela agressão? Estava longe de ser o melhor jogo de sua carreira, como ele decretaria ao final da virada épica.

Aí, claro, a partir da falta sofrida e convertida de forma genial por Neymar mesmo, tudo mudou. Pegou a bola e chamou a responsabilidade ao bater o pênalti do quinto gol. E teve a frieza para picar a bola na área e dar o passe a Sergi Roberto para o sexto.

Neymar carregou o Barça não só à maior virada da história do futebol europeu, mas também à maior vitória do Barcelona em 10 anos sem participação fundamental de Messi. E esse simbolismo é muito relevante. Quando o bastão for definitivamente passado – e será -, lembraremos deste jogo como o marco zero.

Foram exatos 9 minutos entre a falta do quarto gol e o toque para a glória do sexto.

Em 9 minutos, Neymar ganhou, no mundo inteiro, o status que tanta gente já dava a ele aqui no Brasil. É na bola, e não no grito, que essas coisas acontecem. Não adianta falar tanto em prêmios. Tem que mostrar. E Neymar mostrou.

Talvez ele esteja exagerando ao considerar o “melhor” jogo de sua vida. Mas, certamente, foi o “maior” jogo de sua vida. O jogo que eleva seu nome a outra dimensão. A uma prateleira em que muita gente no Brasil achava que ele já estava. Mas não, não estava.

Em três anos e meio de Europa, o futebol de Neymar está evoluindo muito e ajuda o fato de, na seleção brasileira, deixar de ter a responsabilidade de resolver tudo sozinho – que lhe era injustamente imputada ou erroneamente assumida por ele ou as duas coisas juntas.

O futebol brasileiro é calcado no individualismo, e basta ouvir Neymar pai falar por 5 minutos para perceber como esta foi a educação futebolística dada ao filho. No futebol europeu e com Tite, Neymar vai se transformando em um jogador mais solidário. Não à toa, o número de assistências foi aumentando ano após ano. A tomada de decisões correta e que leva em conta o melhor para o time.

Neymar é nitidamente um profissional dedicado e de QI futebolístico elevado. É inteligente e obediente taticamente. Não é desagregador no vestiário, parece tratar seus colegas de profissão com afeto, sem esnobar. No campo, acredito que a tendência seja jogar cada vez mais com liberdade e perto do gol. Seu grande forte, eu sempre disse, não é driblar. É finalizar. Faz gols de todos os jeitos, como poucos no mundo.

Para mim, somente dois problemas de atitude persistem.

Dentro de campo, Neymar irrita seus adversários por se jogar muito e tentar ludibriar constantemente os árbitros e por sua atitude de deboche em muitos momentos. Neymar humilha, não só com dribles, mas com falas e gestos. Por isso, apanha muito mais do que outros craques. Ninguém gosta de se sentir humilhado. Isso só lhe fará mal. E árbitros marcam jogadores como ele e deixam de marcar faltas “verdadeiras”.

Neymar (e outros) falam que gostam de críticas construtivas, e não destrutivas. No meu ponto de vista, ele (e outros) se irritam com qualquer tipo de crítica. E isso gera o segundo problema que persiste. Querer o tempo todo responder a todo mundo. É o pedir silêncio nas redes sociais, é a greve com a imprensa que cobre a seleção brasileira, é a resposta a Rabiot.

Não sei se é dele ou se é a pilha de seu entorno. Mas é incrível como Neymar parece se importar demais. Mania de perseguição.

Ele é uma figura pública, um famoso. Jogadores de futebol são celebridades. As pessoas têm direito de criticar a transação picareta, fraudulenta e secreta do Santos ao Barcelona. Alguns vão gostar do apoio a Aécio Neves na campanha eleitoral, outros vão criticar. Alguns vão gostar da tatuagem X, outros não. Alguns vão achar a amizade com Hamilton e Thiaguinho o máximo, outros vão achar motivo para piada. Alguns vão amar o namoro com Marquezine, outros vão invejar.

Me parece um desgaste tremendo se importar com tanta gente, ainda mais na era das redes sociais.

E parece um despropósito colocar nessa mesma caixinha, que ele considera a “de invejosos que querem vê-lo fracassar”, jornalistas que criticam este ou aquele elemento de seu jogo.

Minha crítica, Neymar e fãs, não é nem construtiva nem destrutiva. Ela não tem a pretensão de querer fazer mudar algo na sua vida, “construir” um jeito novo de ser ou jogar bola. E muito menos, mas muuuuito menos, o objetivo de “destruir” algo. No caso, imagino, destruir sua imagem.

Minha crítica é apenas uma crítica de quem vive do e para o futebol. Mais do que crítica, são observações, análises, com o simples objetivo de compartilhar conhecimento e informar quem lê o tanto de linhas que eu escrevo.

Raros, raríssimos, foram os craques perfeitos. Eu, na vida, só vi Messi mesmo. Todos têm um defeitinho aqui ou ali, dentro ou fora de campo.

Considero Neymar um craque, um verdadeiro gênio. Depois de Pelé e companhia, Zico e companhia, Romário e companhia, Ronaldo e companhia, Ronaldinho, Kaká, hoje vivemos os tempos de Neymar e companhia. Já é um dos grandes jogadores brasileiros da história. Logo logo só estará atrás de Pelé na artilharia da seleção.

E, agora, depois de 9 minutos como estes da quarta-feira, começa a se transformar também em um dos craques mundiais. Conhecido e admirado não só por quem já acompanha futebol, mas também por aquelas pessoas que veem o esporte esporadicamente. Este é o efeito de Copas do Mundo e jogos grandiosos de Champions League, como este.

São os grandes acontecimentos de audiência global que criam uma imagem (para bem ou para mal) que depois é difícil de mudar.

Não são críticas ou elogios, e muito menos a resposta a eles, que construirão a imagem de Neymar no mundo. São os 9 minutos.

Neymar saltou para um seleto grupo em que muitos achavam que ele já estava. Mas que só adentrou agora.


Por que o Barcelona é tão ajudado pelos árbitros? Relembre os escândalos
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juliogomes

Quando cheguei à Espanha, onde vivi por mais de cinco anos, notei que havia um cântico de arquibancada sempre repetido nos jogos do Real Madrid. Não demorei muito para decifrá-lo. “Así, así, así gana el Madrid”. Todos mostram as mãos abertas enquanto cantam. “Assim ganha o Madrid”. Na mão grande. Institucionalizou-se, na Espanha, que o Real Madrid só era o maior dos campeões, seja no futebol ou no basquete, porque era ajudado.

Minha teoria é muito simples. Árbitros têm medo de errar contra os times grandes, mais populares, de mais mídia e poder. Suas carreiras são prejudicadas se eles erram contra os grandões. Na dúvida, melhor apitar a favor do que contra. As reclamações por toda a Espanha sobre o Real Madrid eram historicamente procedentes. Mas já está na hora de inventarem uma musiquinha para o Barcelona também, não está não?

O Barcelona virou um clube verdadeiramente global e campeão nos últimos 14 anos. O pontapé inicial foi a chegada de Ronaldinho. De lá para cá, foram quatro Copas da Europa (só uma antes de 2003), três Mundiais (zero antes), três Supercopas da Europa (duas antes), sete Supercopas da Espanha (cinco antes), oito títulos espanhóis (16 antes) e ainda mais quatro Copas do Rei (eram 24 antes, nisso sim eles já eram ótimos).

O Barça sempre foi grande, o representante de uma região, conhecido, especialmente após a chegada de Cruyff. Mas, multicampeão mesmo… isso é coisa recente. Virou grandão. E, como grandão que é, passou a ser muito ajudado pelas arbitragens.

O que aconteceu no Camp Nou na quarta-feira foi épico. Os 6 a 1 sobre o PSG, após o 0-4 da ida, são simplesmente históricos. Mas foi a enésima vez nestes últimos anos que o Barcelona foi altamente beneficiado por arbitragens. Ou a Uefa ama o Barça. Ou é tudo uma grande coincidência.

Quando José Mourinho listou nomes de árbitros naquela entrevista coletiva de 2011 – em que ele perguntava “por quê?”, “por quê?”, “por quê?”…. por que sempre pró-Barça? -, eu confesso que saí indignado da sala de imprensa. O cara estava colocando na conta da arbitragem, de forma simplista, todas as conquistas recentes do clube. Sigo discordando de como Mourinho colocou a coisa. Mas o homem tinha um ponto. Senão vejamos.

Destas quatro Champions League vencidas pelo Barça recentemente, em três delas houve lances para lá de polêmicos nas semifinais.

Clique nos links abaixo e abra em outra janela para assistir aos lances.

2006. Barcelona 0 x 0 Milan

O Barça havia vencido o jogo de ida, em Milão, por 1 a 0. Na volta, em Barcelona, Shevchenko marcou um gol limpo de cabeça na metade do segundo tempo, o que igualaria a eliminatória. O árbitro alemão Markus Merk apitou uma falta em Puyol que só ele viu.

2009. Chelsea 1 x 1 Barcelona

Um escândalo em Stamford Bridge. Após empate por 0 a 0 em Barcelona, o time de Guardiola perdia por 1 a 0 em Londres e tinha dificuldades para chegar ao ataque. O árbitro norueguês Tom Henning Ovrebo deixou de dar alguns pênaltis para o Chelsea. Alguns falam em quatro lances claros, outros em cinco, outros em seis. Nos acréscimos, Iniesta acertou uma pintura, um golaço, e classificou o Barça para a final. O segundo e o terceiro pênaltis, em Drogba, são realmente inacreditáveis. O braço de Eto’o nos acréscimos, bloqueando o chute de Ballack, também.

2011. Real Madrid 0 x 2 Barcelona

Era o jogo de ida das semifinais. A expulsão direta de Pepe por uma solada em Daniel Alves condiciona a partida, que estava empatada. Um amarelo cairia bem para a jogada, mas o árbitro alemão Wolfgang Stark preferiu o vermelho direto. O Barça ganharia por 2 a 0 no Bernabéu. Na partida de volta, 1 a 1 no Camp Nou, Higuaín teve um gol mal anulado pelo belga Frank de Bleeckere.

Bom lembrar que antes de chegar àquela semifinal, contra o Real, o Barça havia passado pelo Arsenal nas oitavas. Perdeu o jogo de ida, em Londres, por 2 a 1. Na volta, no Camp Nou, o jogo estava empatado por 1 a 1 quando o árbitro suíço Massimo Bussaca resolveu expulsar Van Persie, então melhor jogador do Arsenal, porque ele tocou para o gol em um lance em que havia impedimento.

Decisão duríssima e para lá de polêmica. Entre o apito e o toque de Van Persie se passou apenas um segundo, foi uma jogada muito rápida. O Barça venceria o jogo com um homem a mais e conseguiria a vaga.

No meio dos dois títulos europeus de 2009 e 2011, o Barcelona de Guardiola ficou pelo caminho na semifinal da Champions League de 2010, contra a Inter de Milão de Mourinho.

A Inter venceu o primeiro jogo por 3 a 1. No jogo de volta, no Camp Nou, o Barcelona voltou a se beneficiar de uma expulsão para lá de polêmica. Thiago Motta foi expulso aos 27min de jogo por um suposto cotovelaço no rosto de Busquets. Na verdade foi apenas uma proteção, Motta toca no rosto de Busquets com a mão. Nunca deveria ter sido mostrado o vermelhor por De Bleeckere. Atenção para o teatro de Busquets no chão e a olhadinha para ver se o juiz cairia na dele.

Nas oitavas de final da Champions 2013/2014, o Barcelona empatava por 0 a 0 contra o City, em Manchester. O árbitro sueco Jonas Eriksson dá pênalti de Demichelis sobre Messi. O detalhe: a falta foi fora da área.

No ano passado, tivemos a absurda expulsão de Fernando Torres pelo alemão Felix Brych ainda no primeiro tempo do jogo do Camp Nou, quando o Atlético vencia por 1 a 0 – acabaria levando a virada, com Luís Suárez tendo vários vermelhos perdoados e dois gols feitos. O Atlético acabaria conseguindo a classificação em Madri.

E, agora, a escandalosa arbitragem do alemão Deniz Aytekin contra o PSG. A classificação do Barcelona foi épica e histórica, mas simplesmente não dá para ignorar o fato de o árbitro ter marcado dois pênaltis inexistentes para o Barça em momentos cruciais do jogo. E não ter marcado dois pênaltis para o PSG – um deles admitido pelo próprio Mascherano, com 40min do segundo tempo, com o placar em 3 a 1.

Sim, a virada foi magnífica, Neymar jogou muito, o PSG deu sopa para o azar. Tudo isso é verdade. Mas não haveria virada sem as decisões lamentáveis do árbitro.

Podemos ver, pelas nacionalidades acima, que alemães entendem muito de quase tudo. Menos de apito.

Sem dúvida, ao longo desses anos todos o Barcelona chegou a ser prejudicado por arbitragens aqui e ali. Recentemente, teve um gol legítimo não anotado contra o Bétis, pela Liga espanhola.

Mas, em jogos de Champions League, em jogos verdadeiramente grandes e decisivos, fiquei horas tentando puxar na memória algum jogo em que o Barça tenha sido escandalosamente prejudicado. Simplesmente não consegui encontrar.

O amigo e colega Mauro Cézar Pereira fez um levantamento interessante. Aytekin havia apitado dois pênaltis em 18 jogos na temporada toda. Não é exatamente um soprador costumaz. Mas foi contra o PSG.

Merk. Ovrebo. Stark. De Bleeckere. Bussaca. Brych. Aytekin. A lista aumenta.

Agora você deve estar esperando que eu dê a resposta ao título deste post. Eu não tenho essa resposta. Tenho apenas uma pergunta.

Por quê?

 


Apito amigo leva Barcelona ao milagre na Champions
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juliogomes

E o Barcelona conseguiu o milagre. De forma inédita, um time reverteu o 0-4 da ida e se classificou em uma competição europeia. Foi épico, foi fantástico, foi inesquecível. E foi um roubo.

O juiz alemão Deniz Aytekin roubou do Paris Saint-Germain a chance de se classificar para as quartas de final da Liga dos Campeões. Simples assim.

Com 1 a 0 para o Barça,  não deu pênalti de Mascherano, que saltou para bloquear um cruzamento de braços abertos. Correu o risco ao dar o carrinho, expandiu sua área de bloqueio. Pênalti não dado que já teria mudado completamente a cara da eliminatória.

É verdade que o PSG contribuiu com erros individuais. Os zagueiros praticamente deram os dois gols ao Barça no primeiro tempo. Thiago Silva perdidaço no lance do primeiro, Marquinhos passivo no segundo – permitiu a Iniesta brigar na jogada, cruzar de calcanhar e forçar o gol contra de Kurzawa.

Taticamente, o PSG fez o jogo que podia. Marcou bem, fechou espaços, obrigou o Barça a chutar de fora da área e deu algumas espetadas no contra ataque. O primeiro tempo acabou 2 a 0 para o Barça, mas não era um placar condizente com o volume de jogo em campo.

Depois, com 2 a 0, o árbitro Aytekin inventou um pênalti absurdo cavado por Neymar no início do segundo tempo. O jogador do PSG se desequilibra, cai no chão e Neymar é quem busca o contato e cai – sua enésima queda na área.

O script era o dos sonhos de Luís Enrique, dos torcedores e jogadores: 3 a 0 logo no início do segundo tempo. Mas o gol de Cavani, aos 17min do segundo tempo, “matou” a eliminatória para o PSG.

Depois dos 4 a 0 de Paris, o PSG sabia que para avançar no Camp nou bastaria isso: um gol. No início, no meio ou no fim, não importa. Com 0 a 0 ou 3 a 0 contra. Um gol mataria o Barcelona. E foi o que aconteceu (só que não).

Dos 17min aos 43min do segundo tempo, o Barcelona nada fez. A torcida se calou, Luís Enrique tirou Iniesta de campo (já pensando no futuro na Liga espanhola). O PSG teve dois contra ataques que seriam a pá de cal. Cavani perde um gol cara a cara com Ter Stegen, Di María perde o outro – fiquei em dúvida se houve pênalti de Mascherano no lance, mas infelizmente a geração de imagens da Uefa não mostrou o replay desta jogada uma vez sequer.

(atualização: rara honestidade no futebol, o próprio Mascherano admitiu que fez pênalti em Di María. O segundo, portanto, não dado para o PSG).

Aos 43min, Neymar faz um golaço de falta. Uma cobrança magistral. 4 a 1. Ainda faltavam dois gols para a classificação.

E aí o árbitro, aquele mesmo que não tinha dado um pênalti para o PSG no primeiro tempo e outro no segundo, inventou um segundo pênalti para o Barcelona. Marquinhos encosta em Luís Suárez, que desaba na área. Uma cavada de livro. Uma vergonha. Eram 46min do segundo tempo.

Neymar bateu o pênalti, 5 a 1. Aí virou aquele pega para capar, bola na área e, em uma delas, aos 50min, Sergi Roberto, vilão em Paris, virou o herói no Camp Nou. Fez o sexto gol.

Não acho que o PSG mereça ser tão criticado assim. Foi a Barcelona para conseguir a classificação. E estava conseguindo o objetivo até o derretimento dos minutos finais. É muito difícil jogar contra um Barça ligado na tomada e uma arbitragem tão nefasta.

O Barcelona mostrou raça, coragem e fé. Não desistiu até levar o gol. Com 3 a 1 no placar, todos já haviam desistido. Mas aí Neymar e o juiz resolveram dar outro destino à eliminatória.


Vitórias no sábado fazem Barça e Napoli sonharem com milagre europeu
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juliogomes

Terça-feira, Napoli x Real Madrid e Arsenal x Bayern de Munique. Quarta-feira, Barcelona x PSG e Borussia Dortmund x Benfica. Esta é a agenda da semana na Liga dos Campeões da Europa, que vai definir os quatro primeiros classificados para as quartas de final. E os jogos de ontem, pelas ligas domésticas, nos dão algumas pistas do que vêm pela frente. Sete dos oito envolvidos venceram.

O Barcelona e o Arsenal são os que têm aquela que é considerada por quase todos uma missão impossível. O Barça levou 4 a 0 do PSG em Paris, enquanto o Arsenal foi atropelado pelo Bayern em Munique, 5 a 1. De três semanas para cá, a esperança de  em um confronto, aumentou em outro.

Da goleada de Paris para cá, muita coisa aconteceu pelos lados do Barcelona. Luís Enrique anunciou que não será mais técnico do clube na próxima temporada e aproveitou para mudar o sistema de jogo, alterado para uma espécie de 3-1-5-1 que fez o time criar mais volume de jogo – mas que ainda não foi verdadeiramente testado atrás.

O fato é que o Barcelona ganhou quatro jogos seguidos e assumiu a liderança na Espanha – apesar de ainda ter um jogo a mais que o Real Madrid. De alguma forma, o Barça faz parecer que a virada na Champions é possível.

O PSG, por sua vez, tropeçou em casa contra o Toulouse e sofreu para avançar na Copa da França e para ganhar, ontem, do modesto Nancy – precisou de um gol de pênalti no final. Mas, no meio de tudo isso, meteu 5 a 1 no Olympique, em Marselha.

Como o Barça não está mais animicamente destroçado e o novo sistema parece ter feito o time melhor, é plausível considerar que a diferença exposta em Paris não exista no Camp Nou.

O mesmo não se pode dizer do duelo entre Arsenal e Bayern. Não parece haver a menor chance de reversão de placar neste duelo.

No sábado, o Arsenal levou 3 a 1 do Liverpool, após um primeiro tempo patético e com o time pessimamente escalado por Arsène Wenger, que deixou Alexis Sánchez no banco. O Arsenal só ganhou um jogo grande na temporada, no primeiro turno do Inglês contra o Chelsea. Fora isso, foi só desastre.

Já o Bayern, que chegou a dar algumas derrapadas no começo da temporada e era mais econômico com Ancelotti do que foi com Guardiola, de repente engatou uma quinta marcha impressionante. Empatou com o Hertha, em Berlim, e depois ganhou três jogos seguidos fazendo 14 gols e sofrendo nenhum – ontem, foram 3 a 0 no Colônia, fora de casa, sem maiores problemas.

Parece mais provável uma nova goleada do Bayern em Londres do que qualquer tipo de drama.

Drama é o que podemos ver em Nápoles. O Real Madrid venceu a partida de ida por 3 a 1. Naquele momento, já começava a receber críticas por seu jogo, mas deu um murro na mesa fazendo uma boa apresentação contra o Napoli.

Depois disso, perdeu para o Valencia um jogo atrasado pelo Espanhol. Ganhou do Villarreal virando o jogo com dois gols nos minutos finais – um deles com um pênalti bisonhamente marcado – e, por fim, arrancou um empate em casa com o Las Palmas também com dois gols no fim. Perdeu a liderança do campeonato e passou a gerar mais dúvidas que certezas.

Ontem, com um time misto, sem Cristiano Ronaldo, Bale, Kroos, Marcelo, Carvajal e Varane, respondeu fazendo 4 a 1 no Eibar, em um campo difícil, fora de casa. Mas o time que jogou era bem diferente do que entrará em campo no quentíssimo estádio San Paolo terça-feira.

O Napoli é um time goleador. Foi corajoso no Bernabéu, conseguiu o gol que queria e por pouco não saiu com uma derrota por 3 a 2. Depois daquela partida, perdeu para a Juventus por 3 a 1 na Copa da Itália, em um jogo com polêmicas de arbitragem, perdeu em casa para a Atalanta no Italiano e parecia rumar ladeira abaixo.

Mas a vitória de sábado sobre a Roma, em pleno estádio Olímpico, enche a torcida de esperanças. Foi um jogaço do Napoli, completo e contra um rival direto pelo vice-campeonato. Jogo para mostrar que há vida, que o time tem bola, que o ataque de baixinhos (Mertens, Insigne e Callejón) segue funcionando. É um franco atirador.

O Real Madrid de Zidane não joga bem há tempos, a bola não para no meio de campo e a defesa sofre. A correria napolitana, se resultar em algum gol logo no início, pode fazer a eliminatória ferver.

Por fim, Borussia Dortmund e Benfica, um duelo que teve vitória portuguesa por 1 a 0 na ida, com trocentos gols feitos e um pênalti perdidos pelos alemães.

Desde o jogo de ida, o Borussia espantou a má fase, ganhou três seguidas na Bundesliga, fazendo 12 gols nestes jogos. Ontem, meteu 6 a 2 no Bayer Leverkusen. É um claro favorito contra o Benfica, que lidera em Portugal, mas com vitórias apertadas – ontem, ganhou do Feirense por apenas 1 a 0.

Dos oito times que entram em campo pela Champions, portanto, sete venceram no sábado – sendo cinco delas vitórias maiúsculas. Só o Arsenal perdeu. A semana promete.


Barcelona muda e atropela. Conseguirá operar o milagre europeu?
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juliogomes

O Barcelona fez um de seus melhores jogos na temporada neste sábado, no Camp Nou. Goleou o bom time do Celta de Vigo por 5 a 0, sem tomar conhecimento do adversário, e chega embalado e empolgado para o duelo de oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa, quarta-feira, contra o Paris Saint-Germain.

Sempre é bom lembrar, no jogo de ida, em Paris, o Barça levou um sonoro 4 a 0. Nunca, na história das competições europeias, um 4 a 0 foi revertido na partida de volta.

Contra o Celta, o Barcelona mostrou sua melhor versão. Messi está voando, Neymar fez uma grande partida.

No auge da crise, o técnico Luís Enrique mudou a formação tática do time. Com a bola, Rafinha abre o campo pela direita, assim como Neymar faz pela esquerda. É uma tentativa de espalhar a defesa adversária e dar espaço a Messi, assim como era feito nos anos de sucesso com Daniel Alves no time.

Sergi Roberto afunila para formar um trio no meio com Busquets e Rakitic, e os dois zagueiros formam uma linha de três junto com o lateral Alba atrás. Sem a bola, Rafinha recompõe pelo meio e Sergi Roberto vira lateral direito, tendo menos terreno para recuperar. Assim, o time deixa de oferecer o corredor que ofereceu ao PSG na ida.

Depois da humilhação de Paris, o Barça quase tropeçou em casa contra o fraco Leganés – Messi salvou no último suspiro. Era o auge da crise, das críticas a Luís Enrique, à falta de criação do time, absolutamente dependente das genialidades do trio de frente.

No fim de semana passado, a nova forma de jogar foi colocada em prática. A vitória suada – e até mesmo pouco merecida – contra o Atlético de Madri foi um divisor de águas. Depois disso, o técnico anunciou que não renovará o contrato ao final de temporada, o que eliminou uma nuvem que pairava no noticiário do clube.

Luís Enrique não vai mais ficar. Então, não é necessário mais ficar falando dele, seja para massacrá-lo ou defendê-lo. O cara ganhou oito de dez títulos possíveis em duas temporadas. Na Catalunha, decidiu-se: vamos deixá-lo trabalhar nesses meses finais.

Em campo, o time fez 6 a 1 no Sporting Gijón e, hoje, 5 a 0 no Celta. Adversários fracos? Bem, o Celta havia vencido o Barça por 4 a 3 em Vigo, no jogo do turno, e eliminou o Real Madrid da Copa do Rei, com direito a vitória no Bernabéu, em janeiro.

Em nenhum momento da temporada atual o Barcelona havia feito 11 gols em dois jogos seguidos da Liga espanhola – no campeonato passado, só aconteceu uma vez. Fazer 11 gols em dois jogos é um feito raro até mesmo para o Barça de Messi, Suárez e Neymar.

Logicamente, os “vilões” de sempre seriam os únicos candidatos capazes de reverter um 4 a 0. Real Madrid, Bayern de Munique e Barcelona.

O PSG sabe disso. Desde os 4 a 0, baixou um pouco o ritmo, mas continuou ganhando jogos na França. É um time que segue embalado e que fará um plano de jogo para conseguir um gol no contra ataque e obrigar o Barcelona a fazer seis.

É muito diferente acontecer um 4 a 0 e “ter de” acontecer um 4 a 0. Um time que pode perder por até três gols não tem necessidade de buscar resultado, se abrir, ficar exposto. E o PSG tem um técnico, Unai Emery, que perdeu todas as vezes que foi ao Camp Nou. Mas que, de bobo, não tem nada.

A história do jogo sonhada pelo torcedor do Barcelona é aquele massacre inicial, um gol no começo, um segundo gol antes do intervalo, um terceiro em qualquer momento do segundo tempo e pandemônio final em busca do quarto. A história do jogo sonhada pelo PSG é acertar um contra ataque mortal com 0 a 0 ou mesmo 1 a 0 ou 2 a 0 contra. Seria uma ducha de água fria, fim de papo.

Em 2013, o Barcelona levou 2 a 0 do Milan nas oitavas de final. Na volta, ganhou por 4 a 0. Mesmo naquele jogo, contra um Milan que já não era grandes coisas, o time italiano perdeu um gol feito quando o jogo estava 1 a 0 para o Barça. Poderia ter sido mortal.

É difícil imaginar que o PSG, com jogadores como Di María, Draexler e Cavani, não encaixe um contra ataque bem encaixado. Ao Barcelona, mais do que fazer gols, será necessário ter muita sorte. Enquanto há vida, há esperança. E a esperança foi reforçada com as três vitórias dos últimos sete dias.

Na história europeia, houve três casos de times que reverteram em casa derrotas por quatro gols de diferença. O último foi o Real Madrid das grandes remontadas, em 1986. Levou 5 a 1 do Borussia Moenchengladbach na Alemanha, fez 4 a 0 no Bernabéu e avançou na extinta Copa da Uefa.

A virada sensacional mais recente foi a do La Coruña, nas quartas de final da Champions de 2004. Levou 4 a 1 do todo poderoso Milan, que era detentor do título europeu. Fez 4 a 0 na volta, em Coruña – para depois ser eliminado pelo Porto de Mourinho na semifinal.

 


Encontrar logo novo técnico é chave para renovação de Messi
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juliogomes

O anúncio da saída de Luís Enrique do comando técnico do Barcelona ao final da temporada foi surpreendente pela forma e pelo momento, logo após uma goleada e logo antes de tentar a difícil tarefa de sobreviver na Liga dos Campeões da Europa. Mas não foi surpreendente pela saída em si.

O clima estava ficando cada vez mais pesado, com críticas dos jogadores nas entrelinhas às formações táticas, entrevistas coletivas curtas e pouco amigáveis, imprensa catalã detonando o treinador. Era difícil imaginar que Luís Enrique renovasse.

Como o próprio presidente Josep Maria Bartomeu disse, a notícia acaba com as especulações sobre “se renova ou não”. E ajuda o time a estar totalmente focado, sem distrações, no campeonato.

Agora resta a imprensa e torcedores especularem quem será o novo técnico. De cara, dois nomes parecem ter mais força: Jorge Sampaoli, atualmente no Sevilla, e Ernesto Valverde, no Athletic Bilbao. Mas esse debate, a priori, não invadirá nem atrapalhará o vestiário.

Exceto para um tal Messi.

O gênio argentino tem contrato com o Barcelona até o meio de 2018 e ainda não assinou a renovação. Segundo a imprensa local, Messi aguarda para saber qual será o projeto esportivo do Barça a partir do ano que vem – leia-se, influenciar ou decidir.

Só que, a cada dia que passa, ele se aproxima do fim do contrato atual. Imaginem Messi livre para negociar com outro clube. Saindo de graça!

Pensando na temporada atual, não haveria razão para pressa na escolha de um novo técnico. Mas, pensando na renovação de Messi, essa escolha é para ontem. Ele quer saber como serão os próximos anos antes de assinar um novo contrato.

A atual diretoria do Barça já se mostrou pouco competente para contratar jogadores. Vamos aguardar para saber se acertará a mão na hora de trazer um novo técnico, que saiba não só explorar o magnífico trio de frente, mas construir uma equipe equilibrada em todas as linhas.

Messi também está esperando. O relógio é o inimigo.

 


Real arruma mais um ponto milagroso; Barça arruma tranquilidade
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juliogomes

O Campeonato Espanhol ferve. Depois de um fim de semana em que o Barcelona ganhou sabe-se lá como do Atlético de Madri e o Real Madrid precisou de uma ajudaça da arbitragem para virar um jogo em Villarreal, a rodada de meio de semana acabou representando mais gasolina na fogueira.

Em um espaço de poucos minutos, Luís Enrique anunciou que não será mais técnico do Barcelona ao final da temporada. Bale foi expulso por perder a cabeça. O Real Madrid perdia em pleno Santiago Bernabéu para o modestíssimo Las Palmas. E arrumou mais um empate com DOIS GOLS nos minutos finais.

É incrível como é difícil ganhar do Real Madrid. Não existe clube no mundo com um espírito tão competitivo. Para jogar no Real Madrid, a primeira credencial de qualquer atleta é nunca achar que não dá. Para o Real Madrid, sempre dá.

Com 0-2 em Villarreal, um pênalti bizarro significou o 2-2, logo depois veio o 3-2. Com 1-3 contra o Las Palmas, mais um pênalti bem duvidoso representou o segundo gol – para ser justo com o juiz, pênalti tão duvidoso quanto o dado para o Las Palmas fazer o segundo dele. Eu daria ambos.

O Las Palmas é um time de meio de tabela, que vinha de quatro derrotas seguidas, em seu pior momento. Havia visitado o Bernabéu 32 vezes na história do campeonato, tinha ido embora 28 vezes derrotado e outras 4 com um empate. Perde a chance de ouro de ganhar lá pela primeira vez.

No Bernabéu, o Real não perde um jogo de Liga espanhola há exatamente um ano – o 1 a 0 para o Atlético de Madri que colocou interrogações no trabalho de Zidane – interrogações que pairam como nunca. Foram 15 vitórias e 3 empates no período.

Todos esses dados apenas nos fazem ver o quão improvável seria uma vitória do Las Palmas em Madri nesta quarta-feira.

E servem para expor também um Real Madrid que não consegue mais resultados sem criar jogo. É um time que depende demais de chuveirinhos, que alterna boas partidas com outras horrorosas. Os dois gols do empate milagroso saíram de cruzamentos na área. Um resultou em pênalti, o outro, de um escanteio também duvidoso, acabou em gol de cabeça de Cristiano Ronaldo.

Um Real que passou a temporada inteira tomando gols demais – primeiro, colocavam a culpa nos desfalques defensivos. Agora, difícil não apontar o dedo para Zidane. Casemiro não jogou contra o Las Palmas. Não é possível um time como o Real Madrid depender tanto de Casemiro para ter algum equilíbrio defensivo. Com todo respeito ao ótimo volante, estamos falando do clube mais vencedor e mais rico da Europa.

Por outro lado, o Barcelona vai conseguindo afastar seus fantasmas.

Depois da debacle europeia em Paris e as fortes críticas a Luís Enrique, tanto por seu trabalho e a falta de jogo do time quanto por sua má educação no trato com a imprensa, o Barça reencontrou um caminho.

A vitória sobre o Atlético em Madri e a goleada tranquila sobre o Sporting Gijón, nesta quarta, mostram que o time encontrou certa tranquilidade no campo. A construção de jogo é problemática, mas, com Messi, Suárez e Neymar, é possível imaginar que o Barcelona fará muitos gols e terá raros tropeços na Liga.

O anúncio da saída de Luís Enrique também ajuda. É melhor a imprensa passar semanas especulando quem será o próximo técnico do que ficar debatendo se Luís Enrique fica ou não fica.

Já falou, vai sair, acabou a novela.

De alguma forma, dentro da bomba que é o anúncio de Luís Enrique, o Barcelona ganha certa paz para a reta final da Liga. O técnico sai dos holofotes.

Quer queira quer não, o Barça é o líder, um ponto na frente do Real Madrid. É verdade que o Real ainda tem um jogo a menos. Mas, no atual momento, não dá mais para garantir que o Real ganhe jogo algum.


Messi resolve contra a vítima predileta, e Barça renasce
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juliogomes

Após dias para lá de tumultados, o Barcelona renasceu na temporada com uma importante vitória por 2 a 1 sobre o Atlético de Madri, em pleno estádio Vicente Calderón.

O Barcelona segue um ponto atrás do Real Madrid na tabela, já que o Real virou em Villarreal após estar perdendo por 2 a 0 – haverá muita polêmica na semana, o gol de empate do time madridista saiu de um pênalti absurdamente marcado. A virada veio logo depois.

O futebol do Barça mostrou poucos sinais de melhora. No primeiro tempo, o Atlético dominou completamente a partida, foi muito superior contra um rival apático em campo. As chances do Barcelona vieram em dois contra ataques e uma falta cobrada por Messi.

O goleiro Ter Stegen era o melhor em campo. Com mais vontade nas divididas, mais volume de jogo no meio de campo, mais bola, de fato, o Atlético mandava.

No segundo tempo, o Barcelona melhorou. E chegou ao gol com Rafinha, o filho mais novo de Mazinho, titular no meio de campo e que tentou fazer as vezes de Daniel Alves, jogando bem aberto pela direita – foi a mudança tática do pressionado técnico Luís Enrique para tentar resolver o fluxo de jogo. Rafinha aproveitou um bate rebate na área, com duas bolas espirradas seguidas, para tocar com oportunismo.

O Atlético seguiu melhor, empatou em uma bola parada (Godín, de cabeça) e quase virou. Mas, no finalzinho, Messi definiu. Um Messi sumido em campo. Mas Messi é Messi.

Foi o último jogo entre Atlético e Barça no Calderón, pois o Atlético terá estádio novo na temporada que vem. E Messi fez 13 gols nesse estádio, o lugar onde mais fez gols (fora o Camp Nou, logicamente). Já são 27 gols em 34 partidas contra o Atlético, a vítima preferida do argentino.

Em jogos exclusivamente da Liga espanhola, são 22 gols em 22 partidas contra o Atlético, que se despede do Calderón com um incômodo jejum. Ganhou pela última vez do Barça ali em jogos da Liga em 2010 – logicamente, houve vitórias por outros torneios, como a Liga dos Campeões do ano passado. Mas, pelo Campeonato Espanhol, Simeone segue sem ter vencido o Barcelona.

Para o Atlético, a derrota significa pouco. Jogou muito bem, acabou perdendo, mas já não tinha chances reais de ser campeão espanhol. O negócio para o Atlético é a Champions, com vaga quase certa nas quartas de final e em busca da terceira final em quatro anos.

Para o Barcelona, a vitória pode ser um renascimento. Já que a Inês é morta na Champions, é importantíssimo vencer em um estádio como este e mostrar ao Real Madrid que está vivo e forte na briga pelo título.

O jogo do time continua dependendo de estocadas dos três atacantes. O meio de campo segue inoperante. Mas Messi segue aí. Enquanto há Messi, há vida.

 


Chegou a hora de o Barcelona vender Messi?
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juliogomes

Foi um tablóide inglês, em novembro, que “noticiou” que o Manchester City estaria disposto a pagar 100 milhões de libras ao Barcelona por Messi – mais ou menos 385 milhões de reais. Este, por sua vez, receberia um salário de 100 milhões de reais por cada uma das quatro temporadas de contrato.

Messi passaria a ter um salário parecido com o de Tevez, que foi para a China ganhar um pouco mais de 100 milhões por duas temporadas e ser o jogador mais bem pago do mundo.

Eu usei aspas ali acima no primeiro parágrafo porque esse tipo de notícia sempre aparece em tempos de renovação de contrato. Empresários passam para frente o que quiserem e jornais publicam sem checar. É o jeito de pressionar, através, da mídia, para conseguir melhores contratos. É o jeito também de mandar recados.

O contrato de Messi com o Barcelona acaba no meio de 2018, ao final da próxima temporada. No fim de 2017, qualquer clube pode negociar com Messi sem nem perguntar ao Barça. Imaginem o maior jogador da história do clube, talvez de todos os clubes, saindo de graça? Ou seja, já passou da hora de renovar, o risco aumenta a cada dia.

Mas será que este é o movimento correto para o clube?

Ou será que chegou a hora de vender Messi?

O Barcelona vive uma crise esportiva importante. Aposentadorias (como a de Xavi), saídas (como a de Daniel Alves), lesões (como a de Mascherano), envelhecimento (como o de Iniesta), más contratações (como a de André Gomes). Vários fatores fizeram com que, de repente, o time se visse com o melhor ataque do mundo e… nada mais.

Em seu primeiro ano como técnico do Barcelona, Luís Enrique ganhou tudo – Champions League, Mundial, Liga, Copa do Rei. No segundo ano, doblete com a Liga e a Copa. Mas a eliminação para o Atlético de Madri na Champions 15/16 e o derretimento na reta final que quase jogou no lixo o título espanhol geraram interrogações. Tudo isso ocorreu de um ano para cá.

Vieram, então, as más contratações. Muito dinheiro gasto em jogadores de nível médio. E uma terceira temporada em que o Barcelona não consegue jogar bem. Ainda está na disputa pelo título espanhol e na final de outra Copa do Rei, mas os humilhantes 4 a 0 sofridos diante do PSG não só devem significar a eliminação na Champions, mas também um marco.

Luís Enrique só tem contrato até o fim da atual temporada e cada vez fica mais difícil imaginar a continuidade do treinador. Explosivo, está em litígio com parte da imprensa catalã. E, o principal, não encontra soluções para os problemas do time.

O Barcelona não cria nada, sofre na defesa e só ganha jogos porque Messi, Suárez e Neymar, alternadamente e não necessariamente nesta ordem, têm conseguido resolver algumas coisas. É um Barça sem identidade, dependendo de contra ataques e genialidades.

Enquanto não é definida a situação de Luís Enrique, Messi não acerta a renovação. Ele não vai assinar enquanto o projeto esportivo do clube para os próximos anos não estiver claro. Enquanto isso não acontece, fica mais perto do fim do contrato e o mundo do futebol fica mais e mais ouriçado.

Quem teria bala para contratar Messi? Possivelmente, apenas Real Madrid, Manchester City, Manchester United, Chelsea, Bayern de Munique e PSG. Quem, realisticamente, pagaria mais de 100 milhões de euros por Messi: City e PSG seriam os candidatos únicos.

Neymar e Suárez já renovaram até 2021. O Barça tem problemas em todos os setores, exceto o ataque. Nas laterais, na zaga, no meio de campo, no banco de reservas.

E se vender Messi significasse conseguir um time novo?

Será que o City e Guardiola não aceitariam colocar na mesa nomes de jovens como De Bruyne, Sané, Gabriel Jesus…? Será que o PSG não aceitaria colocar na mesa nomes como Thiago Silva, Marquinhos, Verratti…?

Além, logicamente, de muita grana, que poderia ser bem usada nas mãos de alguém que saiba mais de mercado do que Luís Enrique e os diretores atuais.

Messi é o maior jogador da história do Barcelona. Pegou o bastão de Ronaldinho e entrou para o olimpo do esporte. É um cara de 500 gols com a camisa do clube, quatro Champions, três Mundiais, oito Ligas, cinco prêmios de melhor do mundo.

Mas é inegável que o auge já passou. Messi já está em declínio. Já faz jogos ruins com alguma frequência, como foi no 4 a 0 de Paris. Já mostra, às vezes, falta de ambição em campo. Já deixou de ser decisivo em todos os jogos grandes da temporada.

Na atual, por exemplo, os poucos jogos em que passou em branco foram justamente os mais importantes: o de Paris, o clássico contra o Real, duelos contra o Atlético…

Claro, estamos falando de um dos três maiores da história, senão o maior. O declínio dele significa 34 gols em 34 jogos na temporada atual. Mas quem viu Messi na plenitude, entre 2008 e 2015, consegue notar que ele não é o mesmo. Quanto tempo vai demorar para aparecerem lesões que o afastem por mais tempo? Quantos anos mais Messi manterá uma média de um gol por jogo? Dois? Será?

Por outro lado, Messi não parece respeitar as regras “naturais” escritas ao longo de décadas. É capaz que se motive com novos desafios, que fique aí mais cinco anos em nível estratosférico, que leve o Barça a muitos mais títulos. Vai saber.

Por mais que o futebol seja cada vez mais um negócio, existe um componente intangível. O significado de Messi para o clube, para os torcedores, para a cidade, para a região. Isso não se mede em dinheiro. O coração de todas as pessoas envolvidas dirá: que se dane se Messi cair de produção nos próximos anos. Que se dane o resto do time. Esse cara não pode vestir outra camisa na vida.

Mas, racionalmente, será que tem sentido renovar seu contrato e gastar milhões em vez de ganhar milhões e construir um novo time, agora com Neymar e Suárez como protagonistas?

Aliás, quanto tempo mais Neymar aguentará ser coadjuvante? Não estaria o clube correndo o risco de perder os dois ao mesmo tempo? Neymar, que é cinco anos mais jovem, para algum rival. Messi, para o tempo.

O tempo chega para todos.

Eu duvido que algum dirigente tenha coragem de tomar essa atitude. Duvido que algum cartola tope vender Messi e assuma a bronca. Na prática, creio que isso só acontecerá se ele, Messi, quiser sair. Talvez nunca exista a hora para vender Messi.

Mas e0 você? Teria coragem? O que acha que o Barcelona deveria fazer? Renovar ou vender?