Blog do Júlio Gomes

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Barcelona tem calendário melhor que o do Real Madrid na busca pelo título
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A vitória do Barcelona sobre o Real em Madri, no domingo, escancarou a disputa pelo título do Campeonato Espanhol. Com o show de Messi, que fez o gol decisivo nos acréscimos, o Barça chegou aos mesmos 75 pontos do Real Madrid e ganhou a vantagem no confronto direto – este é o primeiro critério de desempate na Espanha, ou seja, o Barcelona ficará com o título caso acabe com a mesma pontuação do rival.

Nos últimos oito campeonatos, o Barça ganhou seis e o Real foi campeão apenas uma vez. Apesar de a Liga dos Campeões da Europa ser a competição predileta para os madridistas, os dois títulos continentais nos últimos três anos mataram a sede e é a liga doméstica que virou questão de honra na temporada atual – até porque o Real liderou o campeonato e esteve no comando praticamente desde o início.

Apesar de a liderança ter passado para as mãos do Barça, é o Real que só depende de si, pois tem um jogo a fazer contra o Celta, em Vigo. Uma partida adiada em fevereiro por questões climáticas e que, por causa do calendário, será realizada entre a penúltima e última rodadas.

Calendário. Aqui está a grande vantagem do Barça. Eliminado da Champions, o time catalão tem pela frente somente os cinco jogos finais do Espanhol, sem nada no meio. Depois da rodada desta quarta-feira, serão quatro jogos em fins de semana, com semanas inteiras de descanso entre eles. Três jogos em casa e dois fora. Encerrada a Liga, o Barça voltará a campo para a final da Copa do Rei no fim de maio.

Já o Real Madrid não tem mais semana alguma de descanso daqui até o final da disputa. Nos meios de semana entre as quatro rodadas derradeiras, o Real fará dois dérbis contra o Atlético de Madri pelas semifinais da Champions e jogará a partida atrasada contra o Celta. Sem viagens longas, mas com muitos minutos, muita pressão psicológica e física para cima dos jogadores.

São quatro jogos fora de casa e dois no Bernabéu – justamente contra Sevilla e Valencia, os dois únicos times que haviam vencido o Real Madrid no campeonato até Messi fazer o estrago de ontem.

Zidane já usou times mistos em três partidas nas últimas semanas, antes dos jogos contra Napoli e Bayern de Munique pela Champions. Conseguiu vitórias importantes nos campos do Eibar, Leganés e Sporting Gijón. Terá coragem de voltar a usar tantos reservas agora?

Se levarmos em conta os jogos do turno em que Barcelona e Real Madrid enfrentaram os mesmos adversários que enfrentarão daqui até o fim, o Barça somou 13 pontos de 15 possíveis, enquanto o Real somou 12 de 18.

Repassamos o calendário daqui até o final da Liga, começando pelos jogos do meio desta semana.

RODADA 34
Quarta, 26 de abril
14h30 Barcelona x Osasuna (turno 0-3 Barça)
16h30 La Coruña x Real Madrid (turno Real 3-2)

O Barça recebe o lanterna do campeonato. O Osasuna perdeu só um de seus últimos quatro jogos, mas já é tarde para reagir. Está a nove pontos da salvação com mais 15 para jogar – ou seja, o rebaixamento é apenas questão de tempo. O Barça ganhou os últimos seis jogos que fez no Camp Nou contra o Osasuna, com 28 gols marcados (teve 7 a 0 e 8 a 0). O Real vai a um estádio em que ficou 18 anos sem ganhar – Zidane, por exemplo, nunca venceu uma no Riazor como atleta. Mas, uma vez quebrado o jejum, em 2010, o Real Madrid transformou o La Coruña em saco de pancadas. Nos últimos oito anos, são 11 vitórias do Real e um empate – são três vitórias seguidas no Riazor, com direito a um 8 a 2 em 2014. O La Coruña vive péssimo momento na temporada, mas as chances de cair são pequenas e o time ganhou do Barcelona e empatou com o Atlético em seu estádio.

RODADA 35
Sábado, 29 de abril
11h15 Real Madrid x Valencia (turno Val 2-1 Real)
15h45 Espanyol x Barcelona (turno Barça 4-1)

A rodada do fim de semana que vem é perigosa para ambos. O Real Madrid faz um clássico e, apesar de o Valencia não ser o mesmo de outros anos, venceu o jogo do turno e arrancou empates em quatro de suas últimas cinco visitas ao Bernabéu. O jogo será apenas três dias antes do primeiro dérbi entre Real e Atlético pela Champions, então é capaz que Zidane arrisque e deixe alguns titulares de fora. Em casa, o Real tinha 12 vitórias e 3 empates em 15 jogos na Liga, até ceder o empate ao Atlético e perder do Barça.  O dérbi catalão marcará a volta de Neymar ao Barça. O Espanyol não vence um jogo contra o Barça desde 2009 – desde então, 14 vitórias culés e três empates. É um time reforçado nesta temporada e que ocupa a metade de cima da tabela, no entanto, e sempre está louco para estragar as chances do Barcelona. Rodada chave para a definição do título.

RODADA 36
Sábado, 6 de maio
13h30 Barcelona x Villarreal (turno 1-1)
15h45 Granada x Real Madrid (turno Real 5-0)

Se tiver vencido o Osasuna na rodada 34, o Barcelona chegará a esse jogo com 10 vitórias seguidas em casa. Mas é bom lembrar que o time só não está em vantagem na tabela porque desperdiçou muitos pontos no Camp Nou em 2016: empates com Real, Atlético e Málaga, derrota para o Alavés. O Villarreal, fora de casa, arrancou empates contra o Real Madrid e o Sevilla. Em casa, ganhou do Atlético, empatou com o próprio Barça (gol de falta de Messi no último minuto) e só perdeu do Real porque levou uma virada no fim com influência de arbitragem. É um time perigoso, que sabe jogar contra os grandes e que chegará à partida disputando postos em competições europeias.

Já o Real Madrid viajará a Granada no jogo ensanduichado entre os dérbis de Champions contra o Atlético. É um jogo-armadilha, pois possivelmente Zidane poupará jogadores mais desgastados. O Granada é, hoje, o penúltimo, a sete pontos da salvação e com sete derrotas nos últimos oito jogos. Ou chegará a esta partida em recuperação e sonhando ou chegará praticamente rebaixado, que é o mais provável. O Real ganhou 10 de 11 jogos contra o Granada desde o acesso da equipe andaluza à elite.

RODADA 37
Domingo, 14 de maio, sem horários
Real Madrid x Sevilla (turno Sev 2-1 Real)
Las Palmas x Barcelona (turno Barça 5-0)

Depois de novo dérbi contra o Atlético, o Real Madrid chegará à penúltima rodada ou classificado para mais uma final ou eliminado da Champions League – o que significaria peso extra para ganhar a Liga. O Sevilla, hoje, está em quarto na tabela, a três pontos do Atlético de Madri em busca da classificação direta para a próxima Liga dos Campeões. Se ele ainda estará ou não nesta briga na penúltima rodada é uma das chaves para este duelo. Em seu estádio, o Sevilla ganhou do Real na atual e na temporada passada. Mas, em Madri, perdeu os últimos 11 jogos que fez por todas as competições. Não sai do Bernabéu com um pontinho sequer desde 2008. O Barcelona vai às Ilhas Canárias enfrentar o Las Palmas, um time que foi capaz de altos e baixos ao longo do ano e que empatou os dois jogos contra o Real Madrid. Quem sair dependendo apenas de si desta rodada possivelmente ficará com o título.

JOGO ATRASADO
Quarta, 17 de maio, ainda sem confirmação oficial
Celta x Real Madrid (turno Real 2-1)

O jogo que seria disputado em fevereiro vai ficar para o meio da semana que antecede a rodada final. Isso porque o Real Madrid foi avançando na Champions e o Celta, de forma surpreendente, chegou às semifinais da Europa League, onde enfrentará o Manchester United em busca da glória europeia. As atenções em Vigo estão todas na competição continental, mas muita água terá rolado por baixo das pontes quando este jogo for disputado. O Celta já ganhou do Real em Madri na temporada, empatando depois em casa e eliminando o todo poderoso oponente da Copa do Rei – ambos os jogos em janeiro.

ÚLTIMA RODADA
Domingo, 21 de maio, sem horários
Barcelona x Eibar (turno Eib 0-4 Barça)
Málaga x Real Madrid (turno Real 2-1)

Quem chegar à última rodada na liderança dificilmente deixará o título escapar. O Eibar faz um campeonato digno, mas é muito mais perigoso em seu estádio. O Málaga tirou cinco pontos do Barcelona, mas fez uma temporada instável e não costuma atrapalhar a vida do Real Madrid.

 


Messi, monstruoso, coloca o clássico no bolso
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Real Madrid e Barcelona fizeram um superclássico digno do apelido que recebe. Um jogo de futebol enorme, com muitas alternativas, muitas jogadas de gol, muitos milagres e um nome próprio: Lionel Messi.

Nitidamente cabisbaixo e desanimado em muitos momentos da temporada, incluindo os últimos jogos, Messi entrou em campo neste domingo para resolver tudo. Para mostrar o gênio que é em um palco onde já brilhou tantas vezes, o estádio do maior inimigo. Agora são 23 gols em 34 jogos na carreira contra o Real, sendo 14 deles no Bernabéu.

Jogou com um papel na boca para estancar o sangue após uma cotovelada involuntária de Marcelo no primeiro tempo. Fez um golaço para empatar a partida. E virou o jogo aos 47min do segundo tempo.

Com a vitória por 3 a 2, a sexta do Barcelona nos últimos nove jogos no Santiago Bernabéu, o time catalão assume a liderança do campeonato. São os mesmos 75 pontos do Real Madrid, mas o Barça tem a vantagem no critério de desempate (que é o confronto direto). Só que o Barça só tem mais cinco jogos a fazer, enquanto o Real jogará mais seis vezes.

Agora a pressão está toda do lado do Real Madrid, que só ganhou uma das últimas oito Ligas domésticas e não é campeão desde 2012, com Mourinho. O Barcelona, que já morreu e renasceu umas três vezes na temporada, tem tudo para ganhar os cinco jogos que restam. O Real, envolvido com semifinal de Champions League, que se vire para fazer mais nos jogos que tem.

Os primeiros 10 minutos do jogo foram todos do Real Madrid. Mas o Barcelona equilibrou quando Messi começou a aparecer. Luís Enrique armou o time em um 4-4-2, com Iniesta ao lado de Busquets no meio e Alcácer, o substituto de Neymar, fechando pela esquerda. Messi e Suárez ficaram livres na frente.

Saiu o gol do Real Madrid, de Casemiro, e logo Messi fez um golaço para empatar. Ter Stegen já fez no primeiro tempo uma defesa fantástica em chute de Cristiano Ronaldo.

E fez outra espetacular em um cabeceio a queima roupa de Benzema no início do segundo tempo, quando o Real Madrid dominava novamente.

Mas, de novo a partir dos 10min, o Barcelona acertou a saída de bola, abriu o campo com as subidas de Sergi Roberto e Alba e voltou a ameaçar. Começou o show de Navas, com grandes defesas, especialmente um chute de Suárez na pequena área e um cabeceio firme de Piqué.

Navas só não alcançou o chute fantástico de Rakitic, sumido na temporada inteira e que apareceu na melhor hora possível para o Barcelona.

Logo depois, Sergio Ramos foi expulso (falarei mais de arbitragem abaixo) e o jogo ficou nas mãos do Barcelona, que passou a ter contra ataques com superioridade numérica. Piqué, o grande inimigo público do Real Madrid, teve uma chance de ouro e voltou a parar em Navas.

Do outro lado, mesmo com um homem a menos, o Real Madrid chegou ao empate em uma bela jogada de Marcelo, o deslocamento e o gol de James Rodríguez, que ia se transformando em herói improvável do campeonato.

Mas Marcelo falhou. O Real Madrid acreditou na virada que daria o título, foi para cima e esqueceu que tinha um a menos em campo. Sergi Roberto recuperou uma bola na defesa e arrancou. Modric tentou parar o jogo com falta, mas não conseguiu. Marcelo nem tentou. Sergi avançou, passou para André Gomes, Alba deu um passe muito bom para Messi, e o argentino colocou no cantinho impossível para Navas.

Isso tudo aos 47 minutos do segundo tempo.

Foi o melhor jogo de futebol do ano e colocou fogo no Campeonato Espanhol.

Por melhores que tenham sido os duelos de mata-mata da Liga dos Campeões até agora, todos os grandes duelos foram marcados por erros importantes de arbitragem.

O superclássico teve algumas polêmicas. Mas, no meu ponto de vista, o trio de arbitragem acertou nos lances capitais.

Ao dar não pênalti em Cristiano Ronaldo no primeiro minuto, em um lance em que o português é acertado por Umtiti, ou melhor, encostado. Acertou ao não considerar que Marcelo agrediu Messi, em um acidente de trabalho em que o cotovelo do brasileiro acabou fazendo o argentino sangrar.

Acertou o bandeira ao não dar impedimento no gol do Real Madrid, em um lance muito difícil, em que um jogador do Barcelona, lá no alto, habilita um mundo de jogadores madridistas na área.

O juiz acertou também ao não expulsar Casemiro ainda no primeiro tempo, em um lance em que o brasileiro fez uma falta em Messi que poderia ser de amarelo – como poderia não ser, prefiro quando árbitros não comprometem tanto o jogo com expulsões tão cedo. Assim como achava que Vidal não deveria ter sido expulso no jogo entre Bayern e Real na terça-feira (vermelho tão pedido pelo madridismo), interpreto a não expulsão de Casemiro da mesma maneira.

E, finalmente, o árbitro acertou ao expulsar Sergio Ramos de forma direta a 15 minutos do final do jogo, quando o capitão do Real deu uma voadora para derrubar Messi. Não acertou o argentino (ainda bem!). Não precisa acertar para ficar configurada a agressão.

Foi um jogo difícil para a arbitragem que, creio, não comprometeu o resultado final. Difícil também será encontrar um jogo melhor que esse.

Talvez o resultado mais justo pelo que fizeram times e goleiros fosse mesmo o 2 a 2.

Mas Messi tem sua própria justiça.


Juventus faz o que quer contra o Barcelona. Quem segura?
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A Juventus fez o que quis no jogo contra o Barcelona, no Camp Nou. O empate sem gols estava totalmente no script, ainda que o 1 a 1 fosse o resultado mais provável na cabeça do técnico Allegri.

A Juve cedeu chances ao Barça, era óbvio que isso aconteceria. Messi teve uma clara no primeiro tempo, algumas bolas cruzaram a área perigosamente, mas Buffon, de fato, teve pouco trabalho. Do outro lado, também dentro do script, a Juve teve contra ataques que poderia ter aproveitado no segundo tempo.

No fim das contas, foi uma eliminatória fácil para a Juventus, contra um Barcelona que vai acabando de forma deprimente uma temporada ruim. Se perder do Real Madrid, domingo, a Liga espanhola também terá ido para o espaço.

A Juve tem uma chance mais clara de vencer a Liga dos Campeões agora do que em 2015, quando chegou às semifinais após bons sorteios anteriores e tinha uma nítida inferioridade contra aquele Barcelona na decisão.

É um time com a mesma defesa de sempre, boa individualmente, boa coletivamente, boa por baixo, pelo alto, boa marcando atrás, boa marcando na frente. E com ótimos valores individuais na frente. Tem um homem gol em Higuaín, velocidade com Cuadrado, esforço e altura com Mandzukic, drible e gol com Dybala, criação e trabalho com Pjanic e Khedira.

Quem pode parar a Juventus? Será que chegou a hora de levantar a orelhuda pela primeira vez desde 1996?

Um confronto contra o Monaco seria o ideal. O Monaco é um time perigoso, com ótimos valores e um técnico inteligente. Mas está muito envolvido com uma forte disputa pelo título francês contra o PSG, um campeonato que não ganha há tempos. Irá se desgastar e possivelmente irá ser amarrado taticamente em hipotéticos duelos contra a Juve.

O Atlético de Madri é um confronto perigosíssimo. Outro time mordido, tentando a terceira final em quatro anos, que, assim como a Juventus, é capaz de encontrar vários métodos para ganhar uma partida. É o duelo menos interessante para a Juventus.

E contra o Real Madrid seria um superclássico, sem favoritos e, possivelmente, sem tanta influência de arbitragens – muito pelo contrário, a Uefa deve estar envergonhada por ver o Real na semi após o que aconteceu contra o Bayern.

Se em 1998 o Real Madrid quebrou um jejum de mais de três décadas sem título máximo europeu ao vencer a Juve por 1 a 0 na final, depois disso os italianos se deram bem nos três confrontos de mata-mata entre eles. Semifinal em 2003, oitavas em 2005, semifinal de novo em 2015, a única vez que um time conseguiu superar o Real Madrid na Champions nas últimas quatro temporadas (contando a atual).

Não há, portanto, qualquer bloqueio mental para a Juventus enfrentar o Real Madrid. Há respeito mútuo e a certeza de que os dois podem vencer. A Juve, convenhamos, tem mais capacidade de anular a bola aérea, principal fonte de gols do Real de Zidane ao longo da temporada.

O sorteio será sexta-feira, e a certeza é uma só: ninguém quer enfrentar a Juventus.

 


Barcelona não mostra bola para novo milagre na Champions
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E lá vai o Barcelona atrás de um novo milagre. Depois dos 4 a 0 sofridos em Paris e a surreal reviravolta com os 6 a 1 no Camp Nou, agora o time de Messi, Neymar e Suárez precisará reverter um 3 a 0 sofrido em Turim, diante da Juventus.

Três semanas se passaram entre as goleadas sofrida e imposta nas oitavas de final. Tempo suficiente para fazer time, torcida e o mundo inteiro, até o adversário, se convencerem de que “se há um time capaz de virar essa eliminatória é o Barcelona”.

Agora, só uma semana separa a ida da volta nas quartas de final da Liga dos Campeões. Será tempo suficiente para convencer que um milagre é possível, de novo, só que contra a Juventus?

Não precisamos de muitos minutos para pensar logo em outra frase pronta: “Uma coisa é reverter contra o PSG, outra história é a Juventus”.

E a frase é muito verdadeira. O PSG é um time que gosta de jogar com a bola, dominar o adversário, tem problemas sérios para jogar se defendendo. Já a Juventus sente-se muito confortável defendendo e o faz como poucos times no mundo. Domina espaços, fecha, se tranca e adora decidir jogos com poucas bolas.

Além de tudo, tem uma camisa pesada o suficiente para não ser destruída pela arbitragem, como foi o PSG em Barcelona. Nem interessa à Uefa outro escândalo.

Somando a atual temporada e a passada, a Juventus fez 97 jogos oficiais. Em nenhum destes 97 jogos sofreu uma derrota que seria capaz de eliminá-la no Camp Nou no tempo normal. Levou um 3 a 0 da Inter de Milão em fevereiro do ano passado, pela semifinal da Copa da Itália – havia vencido por 3 a 0 na ida e avançou nos pênaltis.

A Juventus parece um time pronto para o próximo passo na Europa. Atropela qualquer um em seu estádio (são 48 jogos de invencibilidade), tem um sistema defensivo sólido, jogadores que atuam juntos há muito tempo, e criou uma equipe consistente, criativa e goleadora na frente.

Gente como Buffon, Chiellini e Bonucci tem malícia suficiente para não deixar o time assistir ao Barça, como o Paris fez.

Já o Barcelona segue com seus problemas de fluxo de jogo. A saída de Daniel Alves foi muito mais sentida do que se pensava e, quando finalmente Luís Enrique achou uma alternativa, perdeu Rafinha por lesão.

Em Turim, voltou ao 4-3-3 e sofreu dois gols. Teve posse de bola, mas não criou nem finalizou na etapa inicial – só teve uma jogada de perigo, grande defesa de Buffon no um contra um diante de Iniesta. Luís Enrique mexeu e voltou ao 3-3-Messi-3 no segundo tempo, com Rakitic aberto pela direita. O time até pressionou e poderia ter feito um gol no segundo tempo, mas a vaca já tinha ido para o brejo.

Neymar sumiu na marcação, Suárez voltou a perder uma grande chance (já havia feito um jogo ruim em Málaga) e Messi voltou a ser uma andorinha que não faz verão. É um time com sérios problemas defensivos e de criação contra times bem postados.

Justa vitória da Juventus. E um milagre muito mais difícil de ser alcançado pelo Barcelona.


Como Juventus e Barcelona mudaram e ficaram nivelados desde a final de 2015
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O Barça é quase o mesmo, a Juve é outra. Como os times mudaram dois anos após a final da Champions (se enfrentam na terça à tarde pelas quartas de final)

Juventus x Barcelona. As quartas de final da Liga dos Campeões da Europa começam com um dos grandes clássicos do futebol mundial. Camisas que entortam o varal, entidades globalizadas e multimilionárias, jogadores quase todos de seleção, celebridades, estrelas mundiais. Os dois gigantes disputaram, até hoje, oito finais cada um da máxima competição europeia. Mais que eles, só Real Madrid, Milan e Bayern de Munique.

E foi dois anos atrás, em 2015, que Juve e Barça se enfrentam na única final entre eles, em Berlim. O Barcelona venceu por 3 a 1, conquistando seu quinto título europeu – a Juventus tem dois, o último conquistado em 1996.

De dois anos para cá, poucos nomes mudaram no Barcelona – mas a produtividade caiu. Já a Juventus é um time muito parecido na defesa, mas completamente diferente do meio para frente.

A Juve, que já era treinada por Allegri, mantém a sólida base defensiva com Buffon, Lichtsteiner, Barzagli, Bonucci, Chiellini. Aquele time de 2015 tinha, então, um meio de campo com Pirlo, Pogba e Vidal. Os atacantes eram Morata e Tévez.

Pirlo e Tévez foram ganhar dinheiro nos EUA e na China, respectivamente. Pogba foi a peso de ouro para o Manchester United, Vidal é titular do Bayern, Morata voltou ao Real Madrid para esquentar banco.

Hoje, a Juve tem um time com nomes de menos peso, mas que jogam de forma mais solta e agressiva no ataque. Pjanic e Khedira são volantes de muita chegada. Cuadrado é uma opção para espalhar o campo. O croata Mandzukic, centroavantão de toda a vida, se descobriu atuando pelo lado esquerdo e complementando muito bem as movimentações de Dybala e Higuaín, a dupla goleadora argentina.

Um parágrafo à parte para Daniel Alves. Talvez não seja ele, individualmente, a grande diferença entre os times de 2015 e 2017. Mas o fato é que o jogador brasileiro se encaixou na Juventus como poucos esperavam. Talvez joga de lateral, talvez mais avançado, talvez até comece no banco. Mas trouxe experiência, mentalidade ganhadora e, certamente, suas informações sobre o Barcelona não serão desprezadas.

Se para a Juventus Daniel Alves é importante, para o Barcelona a falta que ele fez e faz é vital.

O Barça que entrou em campo na final de 2015 tinha Ter Stegen; Daniel Alves, Piqué, Mascherano e Alba; Busquets, Rakitić e Iniesta, Messi, Suárez e Neymar. Para se ter uma ideia, nove destes jogadores começaram a partida histórica dos 6 a 1 contra o PSG, que colocaram o Barcelona nas quartas.

Estamos falando essencialmente do mesmo time. Só que Daniel Alves nunca foi apenas um lateral direito no clube catalão, com quem quer que fosse o técnico da vez. Ele sempre foi muito mais um atacante pela direita, um jogador essencial para o fluxo de jogo do time, fazendo associações com Xavi, depois Rakitic, sempre com Messi.

A queda de rendimento do Barcelona nesta temporada passa muito por essa perda. A produção de Rakitic despencou, por exemplo, a ponto de passar muitos jogos relegado ao banco de reservas. Foi somente entre os dois jogos contra o PSG, no auge da crise, que o técnico Luis Enrique encontrou uma solução. Linha com três zagueiros atrás e Rafinha atuando aberto pela direita, como fazia Daniel Alves, e espalhando totalmente o campo – já que Neymar abre pela esquerda.

Só que 1) Rafinha se lesionou e está fora da temporada; 2) Sergi Roberto, que deverá ser o substituto e foi o herói anotando o sexto gol no PSG, não tem a mesma qualidade ofensiva; 3) agora todo mundo já conhece o sistema tático que fez o jogo virar.

Contra o Málaga, no fim de semana, o Barcelona voltou a apresentar seus problemas defensivos e de criação de jogo. Voltou a atuar de forma medíocre, o típico jogo que dependia do trio MSN resolvendo tudo na frente. Só que, desta vez, dois dos três deixaram o time na mão: Neymar com uma expulsão infantil, Suárez com uma de suas piores partidas, perdendo gols e tomando decisões equivocadas.

Iniesta está dois anos mais velho e longe da melhor forma, Rakitic sumiu sem Alves, Busquets é um carregador de piano de cauda, Piqué mais tuita do que joga. Aliás, Busquets é desfalque para a partida de ida, e Neymar, Piqué e Rakitic estão pendurados para a volta. Dois anos atrás, Luís Enrique tinha gente como Xavi e Pedro no banco de reservas. Hoje, tem André Gomes e Alcácer. Um oceano.

É claro que não convém duvidar do Barcelona – o PSG que o diga. Mas o fato é que a super “remontada” (com uma ajudaça da arbitragem, sempre é bom lembrar) e o crescimento de Neymar em março mascararam uma temporada para lá de opaca.

É um Barça defensivamente frágil, que tem problemas para criar jogo, sem grandes opções de banco e ultradependente das individualidades na frente.

Já a Juventus, apesar de não ter Pirlo, Pogba ou Tévez, como em 2015, é um time experiente, coeso, rápido, goleador e forte nos bastidores. Um time que em casa não perde há 21 jogos europeus (quatro anos). Contra espanhóis, só perdeu 2 de 23 jogos em casa na história das competições europeias. Uma Juve que não precisará jogar todas as fichas em um jogo só, pois desta vez o duelo é em ida e volta.

Se o Barça levar um ferro daqueles no Juventus Stadium, uma nova remontada seria muito mais complicada contra um time cascudo como este da Juve. O duelo de 2017 não tem pinta de revanche, até pelas grandes diferenças que citei na Juve.

Mas tem pinta, sim, de um confronto entre times muito mais nivelados agora do que eram antes.

 


Ligas europeias entram na reta final com mês recheado de clássicos
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Passada a última pausa da temporada europeia para jogos de seleções, o “vírus Fifa” deixou os grandes clubes em paz desta vez. Chegamos à reta final dos campeonatos e o mês de abril reservas grandes clássicos em todas as ligas.

Já neste fim de semana, PSG e Monaco decidem a Copa da Liga da França (sábado 15h45). Benfica e Porto se enfrentam pela liderança (e, possivelmente, o título) em Portugal (sábado 16h30). Schalke 04 e Borussia Dortmund fazem o clássico do Vale do Ruhr, nesta que é considerada a maior rivalidade da Alemanha (sábado 10h30). Na Itália, em outro clássico de grande rivalidade, o Napoli recebe a Juventus no domingo (15h45). E a rodada da Premier League tem clássico de Liverpool no sábado (8h30) e o confronto entre os criticados Wenger e Guardiola no domingo (12h).

A Champions League tem quartas de final em 11/12 e 18/19 de abril, com Bayern-Real Madrid, Juventus-Barcelona, Dortmund-Monaco e Atlético de Madri-Leicester.

Veja o que ainda está em jogo nos principais países:

INGLATERRA

O Chelsea chega às 10 rodadas finais com uma enorme vantagem de pontos. São 69 contra 59 do Tottenham, 57 do Manchester City, 56 do Liverpool, 52 do Manchester United, 50 de Arsenal e Everton. O título vai ficar com os “blues”, mas a disputa pelas vagas na próxima Liga dos Campeões promete.

Já neste sábado, tem o “Merseyside Derby”, o clássico de Liverpool. Jogando em seu estádio, o Liverpool não perde para o Everton desde 1999. Depois disso, no entanto, o Liverpool, assim como o Tottenham, tem uma tabela mais tranquila.

Após a decepcionante eliminação nas oitavas de final da Champions, o Manchester City, de Guardiola, vai a Londres enfrentar o Arsenal, domingo, e o Chelsea, na próxima quarta. O Chelsea ainda joga o clássico contra o United, em Manchester, no dia 16. Aliás, o United, de Mourinho, que já ganhou a Copa da Liga Inglesa, ainda está vivo na Liga Europa, onde enfrenta o Anderlecht nas quartas de final e é o grande favorito ao título.

Principais jogos de abril:
1/4 Liverpool-Everton
2/4 Arsenal-Man City
5/4 Chelsea-Man City
16/4 Man United-Chelsea (Mou vs Conte)
22/4 Chelsea-Tottenham (semi Copa da Inglaterra)
23/4 Arsenal-Man City (semi Copa da Inglaterra)
27/4 Man City-Man United (Mou vs Pep)
30/4 Tottenham-Arsenal, Everton-Chelsea

ESPANHA

O Real Madrid tem o controle da Liga, pois soma dois pontos a mais que o Barcelona (65 a 63), tem ainda um jogo a menos e joga o clássico do returno no Santiago Bernabéu. Mas os dois gigantes têm duelos complicadíssimos na Liga dos Campeões logo antes do superclássico e o Campeonato Espanhol está mais equilibrado. Os gigantes já tropeçaram e ainda podem tropeçar mais vezes.

O Atlético de Madri, em quarto, com 55 pontos, está mais focado na Champions, mas adoraria fazer um grande dérbi contra o Real antes dos duelos contra o Leicester. O Sevilla, com 57, tentará se manter entre os quatro e não perder Jorge Sampaoli para a seleção argentina.

Principais jogos de abril:
5/4 Barcelona x Sevilla
8/4 Real Madrid-Atlético de Madri
(11/4 Juventus-Barça, 12/4 Bayern-Real, Atlético-Leicester na Champions)
(18/4 Real-Bayern e Leicester-Atlético, 19/4 Barça-Juventus na Champions)
23/4 Real Madrid-Barcelona
29 ou 30/4 Real Madrid-Valencia, Espanyol-Barcelona

ALEMANHA

O Bayern de Munique conquistará o inédito pentacampeonato, disso ninguém duvida. Tem folga na Bundesliga e poderá até poupar jogadores nos jogos próximos ao duelo contra o Real Madrid pela Liga dos Campeões – ainda que sejam jogos complicados. São 62 pontos na tabela, 13 a mais que o surpreendente RB Leipzig e 16 a mais que o Borussia Dortmund.

Depois de perder o clássico para o Borussia em Dortmund, em novembro, o Bayern engatou 12 vitórias e 2 empates no Alemão. Somando todas as competições, são 19 jogos e quatro meses sem perder. Em abril, o Bayern terá duas oportunidades de se vingar (ou não) de seu maior rival doméstico, que também está vivo na Champions.

Principais jogos de abril:
1/4 Schalke 04-Dortmund
8/4 Bayern-Dortmund
(11/4 Dortmund-Monaco, 12/4 Bayern-Real na Champions, 13/4 Ajax-Schalke na Europa League)
15/4 Bayer Leverkusen-Bayern
(18/4 Real-Bayern, 19/4 Monaco-Dortmund na Champions, 20/4 Schalke-Ajax na Europa League)
26/4 Bayern-Dortmund (semifinal da Copa da Alemanha, jogo único)

ITÁLIA

Assim como Chelsea e Bayern de Munique, a Juventus tem folga na liderança. Será o sexto Scudetto consecutivo, um feito inédito e histórico. Faltando nove rodadas para o final, a Juve lidera com 73 pontos, são 8 a mais que a Roma e 10 a mais que o Napoli. Foram 24 vitórias em 29 jogos até agora.

O mês de abril começa com dois duelos contra o Napoli, um pelo campeonato, outro pela Copa. São jogos de muita rivalidade e tensão entre times e torcidas. É o sul contra o norte, um duelo de muito simbolismo.

Jogando em seu estádio pelo Campeonato Italiano, a Juventus soma 31 vitórias consecutivas, juntando a atual com a temporada passada. Não empata desde um 1 a 1 com o Frosinone, em setembro de 2015. Não perde desde o primeiro jogo da temporada 15/16, 0-1 para a Udinese, em agosto de 2015. Somando todas as competições, são 46 jogos de invencibilidade no Juventus Stadium. Impressionante.

Lazio, com 57, Inter e Atalanta, com 55, e Milan, com 53 pontos, ainda tentam alcançar Roma (65) e Napoli (63) pelas vagas na próxima Champions.

Principais jogos de abril:
2/4 Napoli-Juventus
4/4 Roma-Lazio (semi Coppa Itália, Lazio fez 2-0 na ida)
5/4 Napoli-Juventus (semi Coppa Itália, Juve fez 3-1 na ida)
9/4 Lazio-Napoli
(11/4 Juventus-Barça na Champions)
15/4 Internazionale-Milan
(19/4 Barça-Juventus na Champions)
29 ou 30/4 Roma-Lazio, Internazionale-Napoli

FRANÇA

Depois da virada sofrida na Liga dos Campeões para o Barcelona, restam ao Paris Saint-Germain as competições domésticas. A parada está dura na Ligue 1. Em busca do pentacampeonato, o PSG, com 68 pontos, está 3 atrás do Monaco – dono do melhor ataque da Europa na temporada.

O Monaco, que superou o City de Guardiola e está nas quartas de final da Champions, fez 129 gols em 48 partidas oficias, média de 2,7. É um time super agradável de ver jogar e que vai vender caro o título francês, que não conquista desde o ano 2000.

Logo de cara, neste sábado, PSG e Monaco se enfrentam em Lyon pelo título da Copa da Liga da França. É a competição menos importante da temporada, mas que ganhou peso justamente pelo confronto direto entre as duas forças do país. Nos dois jogos entre eles pela Ligue 1, o Monaco fez 3 a 1 em casa e empatou por 1 a 1 em Paris (com gol nos acréscimos).

Eles também estão vivos na Copa da França e tem jogos relativamente fáceis no meio da semana que vem. Podem se enfrentar nas semifinais ou em uma eventual nova decisão.

O Nice, de Balotelli, ficou para trás na tabela e soma 64 pontos, sete a menos que o Monaco. Mas deve conseguir vaga na Champions, pois tem 14 a mais do que o Lyon, o quarto colocado. O Lyon ainda está vivo na Europa League e enfrenta nos dias 13 e 20 de abril o Besiktas, líder do Campeonato Turco, por uma vaga nas semifinais.

PORTUGAL

Também neste sábado, Benfica e Porto fazem o superclássico em Lisboa. O Benfica lidera o campeonato com 64 pontos, apenas 1 a mais que o Porto – ambos foram eliminados nas oitavas de final da Liga dos Campeões.

Depois do clássico, faltarão sete rodadas para o fim do campeonato. Como Benfica e Porto costumam ganhar praticamente todos os seus jogos em Portugal, o duelo direto é uma verdadeira decisão. Ainda em abril, no dia 22, o Benfica faz o dérbi de Lisboa contra o terceiro colocado, no estádio do Sporting.


Sorteio da Champions: dois superclássicos e 40 finais frente a frente
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juliogomes

Bayern de Munique x Real Madrid e Juventus x Barcelona. As bolinhas do sorteio deixaram as quatro camisas mais pesadas frente a frente nas quartas de final da Liga dos Campeões da Europa.

São dois superclássicos, com 40 finais europeias somados os quatro clubes. São quatro dos cinco que mais chegaram a decisões na história.

O Real Madrid já chegou a 14 finais, com 11 títulos. O Milan, ausente da competição, é o segundo colocado na lista, com 11 finais e 7 títulos. O Bayern de Munique chegou a 10 decisões, com 5 títulos. Mesmos títulos do Barcelona, mas em 8 finais. A Juventus também chegou a 8 decisões, mas com aproveitamento menor de conquistas: 2.

Neste momento da temporada, Bayern de Munique e Juventus são dois times mais equilibrados e consistentes do que Real Madrid e Barcelona. São quatro timaços e quatro camisas pesadas, é impossível apontar qualquer favorito.

A última vez que nem Barcelona nem Real Madrid apareceram nas semifinais da Champions: temporada 2006/2007. A chance disso acontecer de novo dez anos depois é real.

O Barça venceu a Juventus na final de dois anos atrás, em 2015, primeira das três temporadas de Luís Enrique. O time do Barcelona é muito parecido com aquele, o trio Messi-Suárez-Neymar estava em seu primeiro ano junto. Porém, há uma diferença: Daniel Alves, tão importante no sistema tático do Barça ao longo de anos, agora está do outro lado. Veste a camisa da Juve.

Em relação a 2015, a Juventus, que já era treinada por Allegri, tem o mesmo sistema defensivo. Os mesmos nomes, a mesma solidez. Mas, do meio para frente, mudou tudo: saíram Pogba, Pirlo, Vidal, Morata e Tévez. Hoje, a Juve é o time de Dybala, Higuaín e Mandzukic.

Na teoria, são dois times menos fortes hoje do que eram dois anos atrás.

Mas como duvidar do Barcelona depois da virada épica para cima do PSG nas oitavas de final? E como colocar qualquer interrogação na Juventus, invicta há 47 partidas? São 21 jogos de invencibilidade em competições europeias.

Importante: para um time como a Juve, é muito melhor enfrentar o Barcelona em dois jogos do que em um só. Possivelmente adotará um plano de jogo de não sofrer gols em casa. E certamente jogará com muito mais intensidade e inteligência do que o PSG fez no Camp Nou.

O Real Madrid tenta quebrar a escrita de nunca um time ter vencido duas Champions League seguidas. Para isso, o desequilibrado time de Zidane, que sofre muito mais do que deveria nos jogos do Espanhol em 2017 e sobrevive das bolas aéreas e os milagres de Sergio Ramos, enfrenta o elenco mais poderoso e completo da Europa.

O Bayern de Munique é forte demais em todas as linhas e é treinado por Carlo Ancelotti, que foi inexplicavelmente mandado embora pelo Real Madrid ao final da temporada 2014/2015. Ancelotti foi o mentor de Zidane e era o técnico da Décima, quebrando o jejum do Real de 12 anos sem títulos europeus.

Ancelotti conhece de trás para frente as qualidades e defeitos do Real Madrid. Ao contrário do que fez Guardiola com o Bayern na semifinal entre eles, em 2014, não ficará tolamente exposto ao rápido contra ataque madridista.

Se excluirmos os clássicos regionais e nacionais, talvez o duelo Bayern-Real seja o maior da Europa (e do mundo). São duas instituições gigantes, antagônicas e que já se enfrentaram zilhões de vezes em competições europeias.

Eu sempre digo que a grande marca do Real Madrid é acreditar, a autoconfiança monstra, sempre achar que vai ganhar porque é maior que seu rival do outro lado. Só tem um clube europeu que o Real Madrid teme de verdade: o Bayern. O torcedor do Real odeia enfrentar o Bayern e tem motivos para isso.

O Bayern de hoje é mais sólido defensivamente do que nos anos de Guardiola. E o Real Madrid é um time, hoje, que joga pior e mostra menos alternativas de jogo, além de sofrer muitos gols.

Nos outros dois duelos, há dois favoritos claros.

O Atlético de Madri é o grande sortudo ao ficar frente a frente com o Leicester City. Sim, tem o conto de fadas, etc, etc, etc. Mas a diferença entre os times é brutal. E o Leicester é bastante previsível, só tem um jeito de jogar, confia nas bolas aéreas e contra ataques.

Um técnico como Simeone saberá tranquilamente anular as poucas armas do Leicester. Se tem um time que sabe neutralizar bolas aéreas e não fica exposto a contra ataques, porque tem uma incrível sincronia defensiva e joga de forma muito compacta, este é o Atlético de Madri, finalista de duas das últimas três Champions.

E o Monaco também é favorito contra o Borussia Dortmund, em um duelo de times ofensivos e que promete muitos gols. O Monaco é o melhor ataque da Europa, lidera na França e deu uma incrível demonstração de força e personalidade ao reverter a eliminatória contra o Manchester City. O Dortmund é um time instável. Tem tradição, tem um dos estádios mais quentes da Europa, mas terá de decidir a vida fora de casa. Não tem a solidez defensiva para segurar o Monaco, na minha visão.

Meus palpites: passam Bayern, Juventus, Atlético e Monaco. Mas até abril os momentos podem mudar, soluções podem ser encontradas, jogadores podem se machucar. Agora é esperar!


Neymar e Barcelona sobem a novo patamar após virada histórica
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juliogomes

O Barcelona virou um clube multicampeão nos últimos 14 anos. Antes, era uma força local. Depois da chegada de Cruyff, no banco e no campo, e contratações de impacto, um antagonista de verdade surgiu ao Real Madrid.

Em 20 temporadas, o Real ganhou cinco Champions, o Barça, quatro. O Real ganhou cinco Ligas espanholas, o Barça ganhou o dobro. Em Copas do Rei, cinco a dois para o Barça. Em Mundiais/Intercontinentais, quatro a três para o Real.

Mas faltava uma coisa ao Barcelona nesses anos todos: uma “remontada”. Adoro a palavra. É como eles se referem, na Espanha, a uma grande virada.

Nos dias anteriores aos 6 a 1 do Barcelona sobre o PSG, vários ex-madridistas diziam que “remontar” era coisa do Real. Os gols no fim, viradas impossíveis, o “hasta el final” do cântico que ecoa no Bernabéu. Remontar é uma marca registrada do Madrid.

Mas, a partir de agora, não mais exclusiva. Faltava uma virada como essa nestes anos de sucesso do Barça. A maior havia ocorrido em 2013, na Champions – derrota por 2 a 0 para o Milan na Itália, vitória por 4 a 0 no Camp Nou. Convenhamos, não chegou nem perto da histórica contra o PSG. O torcedor culé já pode bater no peito, o Barça também tem a coragem necessária para concluir missões impossíveis.

Além do Barcelona, Neymar também mudou de patamar.

Finalmente, o papo tão falado há anos, de ser um candidato a melhor do mundo, ganhou corpo e a semente começou a se espalhar pelo planeta. Neymar oficializou seu posto de próximo jogador dominante, quando acabar a hegemonia de Messi e Cristiano Ronaldo. É o herdeiro.

Neymar foi o grande beneficiado pela mudança tática promovida por Luís Enrique após os 4 a 0 de Paris. Com Rafinha aberto pela direita neste 3-3-3-1, Messi flutua para o meio e atrai marcadores, além de estar mais próximo para se associar com Neymar. As dobras não ocorrem mais 100% das vezes quando Neymar recebe pela esquerda.

Por isso, e também por viver boa fase técnica (após, vamos lembrar, ele quebrar em janeiro um jejum de três meses sem gols pelo Barça), Neymar já havia sido destaque nas goleadas sobre Gijón e Celta, pelo Espanhol.

Ele passou a ter à disposição situações de um contra um e, assim, infernizou o lateral Meunier no jogo de volta com o PSG. Como o Barça espalhou o campo e acrescentou um homem no meio, os volantes parisienses não conseguiram ajudar muito a neutralizar Neymar.

Agora. Sejamos sinceros. Se o jogo tivesse acabado, digamos, 3 a 1. Estaríamos falando tanto de Neymar?

Não, não estaríamos. Não foi, até os 44min do segundo tempo, um jogo inesquecível dele. Não havia feito gols ou passes de gols, ameaçado Trapp, nada disso. Percebia-se que estava a fim de jogo. E havia tentado cavar dois pênaltis para cima de Meunier – um deles com sucesso. Dois minutos após o gol de Cavani, no momento de frustração e com a eliminatória com pinta de acabada, Neymar ainda deu um chute por trás, sem bola, em Marquinhos.

O árbitro mostrou amarelo, mas podia ter sido vermelho. O que estaríamos falando de Neymar se o juiz tivesse mostrado o vermelho pela agressão? Estava longe de ser o melhor jogo de sua carreira, como ele decretaria ao final da virada épica.

Aí, claro, a partir da falta sofrida e convertida de forma genial por Neymar mesmo, tudo mudou. Pegou a bola e chamou a responsabilidade ao bater o pênalti do quinto gol. E teve a frieza para picar a bola na área e dar o passe a Sergi Roberto para o sexto.

Neymar carregou o Barça não só à maior virada da história do futebol europeu, mas também à maior vitória do Barcelona em 10 anos sem participação fundamental de Messi. E esse simbolismo é muito relevante. Quando o bastão for definitivamente passado – e será -, lembraremos deste jogo como o marco zero.

Foram exatos 9 minutos entre a falta do quarto gol e o toque para a glória do sexto.

Em 9 minutos, Neymar ganhou, no mundo inteiro, o status que tanta gente já dava a ele aqui no Brasil. É na bola, e não no grito, que essas coisas acontecem. Não adianta falar tanto em prêmios. Tem que mostrar. E Neymar mostrou.

Talvez ele esteja exagerando ao considerar o “melhor” jogo de sua vida. Mas, certamente, foi o “maior” jogo de sua vida. O jogo que eleva seu nome a outra dimensão. A uma prateleira em que muita gente no Brasil achava que ele já estava. Mas não, não estava.

Em três anos e meio de Europa, o futebol de Neymar está evoluindo muito e ajuda o fato de, na seleção brasileira, deixar de ter a responsabilidade de resolver tudo sozinho – que lhe era injustamente imputada ou erroneamente assumida por ele ou as duas coisas juntas.

O futebol brasileiro é calcado no individualismo, e basta ouvir Neymar pai falar por 5 minutos para perceber como esta foi a educação futebolística dada ao filho. No futebol europeu e com Tite, Neymar vai se transformando em um jogador mais solidário. Não à toa, o número de assistências foi aumentando ano após ano. A tomada de decisões correta e que leva em conta o melhor para o time.

Neymar é nitidamente um profissional dedicado e de QI futebolístico elevado. É inteligente e obediente taticamente. Não é desagregador no vestiário, parece tratar seus colegas de profissão com afeto, sem esnobar. No campo, acredito que a tendência seja jogar cada vez mais com liberdade e perto do gol. Seu grande forte, eu sempre disse, não é driblar. É finalizar. Faz gols de todos os jeitos, como poucos no mundo.

Para mim, somente dois problemas de atitude persistem.

Dentro de campo, Neymar irrita seus adversários por se jogar muito e tentar ludibriar constantemente os árbitros e por sua atitude de deboche em muitos momentos. Neymar humilha, não só com dribles, mas com falas e gestos. Por isso, apanha muito mais do que outros craques. Ninguém gosta de se sentir humilhado. Isso só lhe fará mal. E árbitros marcam jogadores como ele e deixam de marcar faltas “verdadeiras”.

Neymar (e outros) falam que gostam de críticas construtivas, e não destrutivas. No meu ponto de vista, ele (e outros) se irritam com qualquer tipo de crítica. E isso gera o segundo problema que persiste. Querer o tempo todo responder a todo mundo. É o pedir silêncio nas redes sociais, é a greve com a imprensa que cobre a seleção brasileira, é a resposta a Rabiot.

Não sei se é dele ou se é a pilha de seu entorno. Mas é incrível como Neymar parece se importar demais. Mania de perseguição.

Ele é uma figura pública, um famoso. Jogadores de futebol são celebridades. As pessoas têm direito de criticar a transação picareta, fraudulenta e secreta do Santos ao Barcelona. Alguns vão gostar do apoio a Aécio Neves na campanha eleitoral, outros vão criticar. Alguns vão gostar da tatuagem X, outros não. Alguns vão achar a amizade com Hamilton e Thiaguinho o máximo, outros vão achar motivo para piada. Alguns vão amar o namoro com Marquezine, outros vão invejar.

Me parece um desgaste tremendo se importar com tanta gente, ainda mais na era das redes sociais.

E parece um despropósito colocar nessa mesma caixinha, que ele considera a “de invejosos que querem vê-lo fracassar”, jornalistas que criticam este ou aquele elemento de seu jogo.

Minha crítica, Neymar e fãs, não é nem construtiva nem destrutiva. Ela não tem a pretensão de querer fazer mudar algo na sua vida, “construir” um jeito novo de ser ou jogar bola. E muito menos, mas muuuuito menos, o objetivo de “destruir” algo. No caso, imagino, destruir sua imagem.

Minha crítica é apenas uma crítica de quem vive do e para o futebol. Mais do que crítica, são observações, análises, com o simples objetivo de compartilhar conhecimento e informar quem lê o tanto de linhas que eu escrevo.

Raros, raríssimos, foram os craques perfeitos. Eu, na vida, só vi Messi mesmo. Todos têm um defeitinho aqui ou ali, dentro ou fora de campo.

Considero Neymar um craque, um verdadeiro gênio. Depois de Pelé e companhia, Zico e companhia, Romário e companhia, Ronaldo e companhia, Ronaldinho, Kaká, hoje vivemos os tempos de Neymar e companhia. Já é um dos grandes jogadores brasileiros da história. Logo logo só estará atrás de Pelé na artilharia da seleção.

E, agora, depois de 9 minutos como estes da quarta-feira, começa a se transformar também em um dos craques mundiais. Conhecido e admirado não só por quem já acompanha futebol, mas também por aquelas pessoas que veem o esporte esporadicamente. Este é o efeito de Copas do Mundo e jogos grandiosos de Champions League, como este.

São os grandes acontecimentos de audiência global que criam uma imagem (para bem ou para mal) que depois é difícil de mudar.

Não são críticas ou elogios, e muito menos a resposta a eles, que construirão a imagem de Neymar no mundo. São os 9 minutos.

Neymar saltou para um seleto grupo em que muitos achavam que ele já estava. Mas que só adentrou agora.


Por que o Barcelona é tão ajudado pelos árbitros? Relembre os escândalos
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juliogomes

Quando cheguei à Espanha, onde vivi por mais de cinco anos, notei que havia um cântico de arquibancada sempre repetido nos jogos do Real Madrid. Não demorei muito para decifrá-lo. “Así, así, así gana el Madrid”. Todos mostram as mãos abertas enquanto cantam. “Assim ganha o Madrid”. Na mão grande. Institucionalizou-se, na Espanha, que o Real Madrid só era o maior dos campeões, seja no futebol ou no basquete, porque era ajudado.

Minha teoria é muito simples. Árbitros têm medo de errar contra os times grandes, mais populares, de mais mídia e poder. Suas carreiras são prejudicadas se eles erram contra os grandões. Na dúvida, melhor apitar a favor do que contra. As reclamações por toda a Espanha sobre o Real Madrid eram historicamente procedentes. Mas já está na hora de inventarem uma musiquinha para o Barcelona também, não está não?

O Barcelona virou um clube verdadeiramente global e campeão nos últimos 14 anos. O pontapé inicial foi a chegada de Ronaldinho. De lá para cá, foram quatro Copas da Europa (só uma antes de 2003), três Mundiais (zero antes), três Supercopas da Europa (duas antes), sete Supercopas da Espanha (cinco antes), oito títulos espanhóis (16 antes) e ainda mais quatro Copas do Rei (eram 24 antes, nisso sim eles já eram ótimos).

O Barça sempre foi grande, o representante de uma região, conhecido, especialmente após a chegada de Cruyff. Mas, multicampeão mesmo… isso é coisa recente. Virou grandão. E, como grandão que é, passou a ser muito ajudado pelas arbitragens.

O que aconteceu no Camp Nou na quarta-feira foi épico. Os 6 a 1 sobre o PSG, após o 0-4 da ida, são simplesmente históricos. Mas foi a enésima vez nestes últimos anos que o Barcelona foi altamente beneficiado por arbitragens. Ou a Uefa ama o Barça. Ou é tudo uma grande coincidência.

Quando José Mourinho listou nomes de árbitros naquela entrevista coletiva de 2011 – em que ele perguntava “por quê?”, “por quê?”, “por quê?”…. por que sempre pró-Barça? -, eu confesso que saí indignado da sala de imprensa. O cara estava colocando na conta da arbitragem, de forma simplista, todas as conquistas recentes do clube. Sigo discordando de como Mourinho colocou a coisa. Mas o homem tinha um ponto. Senão vejamos.

Destas quatro Champions League vencidas pelo Barça recentemente, em três delas houve lances para lá de polêmicos nas semifinais.

Clique nos links abaixo e abra em outra janela para assistir aos lances.

2006. Barcelona 0 x 0 Milan

O Barça havia vencido o jogo de ida, em Milão, por 1 a 0. Na volta, em Barcelona, Shevchenko marcou um gol limpo de cabeça na metade do segundo tempo, o que igualaria a eliminatória. O árbitro alemão Markus Merk apitou uma falta em Puyol que só ele viu.

2009. Chelsea 1 x 1 Barcelona

Um escândalo em Stamford Bridge. Após empate por 0 a 0 em Barcelona, o time de Guardiola perdia por 1 a 0 em Londres e tinha dificuldades para chegar ao ataque. O árbitro norueguês Tom Henning Ovrebo deixou de dar alguns pênaltis para o Chelsea. Alguns falam em quatro lances claros, outros em cinco, outros em seis. Nos acréscimos, Iniesta acertou uma pintura, um golaço, e classificou o Barça para a final. O segundo e o terceiro pênaltis, em Drogba, são realmente inacreditáveis. O braço de Eto’o nos acréscimos, bloqueando o chute de Ballack, também.

2011. Real Madrid 0 x 2 Barcelona

Era o jogo de ida das semifinais. A expulsão direta de Pepe por uma solada em Daniel Alves condiciona a partida, que estava empatada. Um amarelo cairia bem para a jogada, mas o árbitro alemão Wolfgang Stark preferiu o vermelho direto. O Barça ganharia por 2 a 0 no Bernabéu. Na partida de volta, 1 a 1 no Camp Nou, Higuaín teve um gol mal anulado pelo belga Frank de Bleeckere.

Bom lembrar que antes de chegar àquela semifinal, contra o Real, o Barça havia passado pelo Arsenal nas oitavas. Perdeu o jogo de ida, em Londres, por 2 a 1. Na volta, no Camp Nou, o jogo estava empatado por 1 a 1 quando o árbitro suíço Massimo Bussaca resolveu expulsar Van Persie, então melhor jogador do Arsenal, porque ele tocou para o gol em um lance em que havia impedimento.

Decisão duríssima e para lá de polêmica. Entre o apito e o toque de Van Persie se passou apenas um segundo, foi uma jogada muito rápida. O Barça venceria o jogo com um homem a mais e conseguiria a vaga.

No meio dos dois títulos europeus de 2009 e 2011, o Barcelona de Guardiola ficou pelo caminho na semifinal da Champions League de 2010, contra a Inter de Milão de Mourinho.

A Inter venceu o primeiro jogo por 3 a 1. No jogo de volta, no Camp Nou, o Barcelona voltou a se beneficiar de uma expulsão para lá de polêmica. Thiago Motta foi expulso aos 27min de jogo por um suposto cotovelaço no rosto de Busquets. Na verdade foi apenas uma proteção, Motta toca no rosto de Busquets com a mão. Nunca deveria ter sido mostrado o vermelhor por De Bleeckere. Atenção para o teatro de Busquets no chão e a olhadinha para ver se o juiz cairia na dele.

Nas oitavas de final da Champions 2013/2014, o Barcelona empatava por 0 a 0 contra o City, em Manchester. O árbitro sueco Jonas Eriksson dá pênalti de Demichelis sobre Messi. O detalhe: a falta foi fora da área.

No ano passado, tivemos a absurda expulsão de Fernando Torres pelo alemão Felix Brych ainda no primeiro tempo do jogo do Camp Nou, quando o Atlético vencia por 1 a 0 – acabaria levando a virada, com Luís Suárez tendo vários vermelhos perdoados e dois gols feitos. O Atlético acabaria conseguindo a classificação em Madri.

E, agora, a escandalosa arbitragem do alemão Deniz Aytekin contra o PSG. A classificação do Barcelona foi épica e histórica, mas simplesmente não dá para ignorar o fato de o árbitro ter marcado dois pênaltis inexistentes para o Barça em momentos cruciais do jogo. E não ter marcado dois pênaltis para o PSG – um deles admitido pelo próprio Mascherano, com 40min do segundo tempo, com o placar em 3 a 1.

Sim, a virada foi magnífica, Neymar jogou muito, o PSG deu sopa para o azar. Tudo isso é verdade. Mas não haveria virada sem as decisões lamentáveis do árbitro.

Podemos ver, pelas nacionalidades acima, que alemães entendem muito de quase tudo. Menos de apito.

Sem dúvida, ao longo desses anos todos o Barcelona chegou a ser prejudicado por arbitragens aqui e ali. Recentemente, teve um gol legítimo não anotado contra o Bétis, pela Liga espanhola.

Mas, em jogos de Champions League, em jogos verdadeiramente grandes e decisivos, fiquei horas tentando puxar na memória algum jogo em que o Barça tenha sido escandalosamente prejudicado. Simplesmente não consegui encontrar.

O amigo e colega Mauro Cézar Pereira fez um levantamento interessante. Aytekin havia apitado dois pênaltis em 18 jogos na temporada toda. Não é exatamente um soprador costumaz. Mas foi contra o PSG.

Merk. Ovrebo. Stark. De Bleeckere. Bussaca. Brych. Aytekin. A lista aumenta.

Agora você deve estar esperando que eu dê a resposta ao título deste post. Eu não tenho essa resposta. Tenho apenas uma pergunta.

Por quê?

 


Apito amigo leva Barcelona ao milagre na Champions
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juliogomes

E o Barcelona conseguiu o milagre. De forma inédita, um time reverteu o 0-4 da ida e se classificou em uma competição europeia. Foi épico, foi fantástico, foi inesquecível. E foi um roubo.

O juiz alemão Deniz Aytekin roubou do Paris Saint-Germain a chance de se classificar para as quartas de final da Liga dos Campeões. Simples assim.

Com 1 a 0 para o Barça,  não deu pênalti de Mascherano, que saltou para bloquear um cruzamento de braços abertos. Correu o risco ao dar o carrinho, expandiu sua área de bloqueio. Pênalti não dado que já teria mudado completamente a cara da eliminatória.

É verdade que o PSG contribuiu com erros individuais. Os zagueiros praticamente deram os dois gols ao Barça no primeiro tempo. Thiago Silva perdidaço no lance do primeiro, Marquinhos passivo no segundo – permitiu a Iniesta brigar na jogada, cruzar de calcanhar e forçar o gol contra de Kurzawa.

Taticamente, o PSG fez o jogo que podia. Marcou bem, fechou espaços, obrigou o Barça a chutar de fora da área e deu algumas espetadas no contra ataque. O primeiro tempo acabou 2 a 0 para o Barça, mas não era um placar condizente com o volume de jogo em campo.

Depois, com 2 a 0, o árbitro Aytekin inventou um pênalti absurdo cavado por Neymar no início do segundo tempo. O jogador do PSG se desequilibra, cai no chão e Neymar é quem busca o contato e cai – sua enésima queda na área.

O script era o dos sonhos de Luís Enrique, dos torcedores e jogadores: 3 a 0 logo no início do segundo tempo. Mas o gol de Cavani, aos 17min do segundo tempo, “matou” a eliminatória para o PSG.

Depois dos 4 a 0 de Paris, o PSG sabia que para avançar no Camp nou bastaria isso: um gol. No início, no meio ou no fim, não importa. Com 0 a 0 ou 3 a 0 contra. Um gol mataria o Barcelona. E foi o que aconteceu (só que não).

Dos 17min aos 43min do segundo tempo, o Barcelona nada fez. A torcida se calou, Luís Enrique tirou Iniesta de campo (já pensando no futuro na Liga espanhola). O PSG teve dois contra ataques que seriam a pá de cal. Cavani perde um gol cara a cara com Ter Stegen, Di María perde o outro – fiquei em dúvida se houve pênalti de Mascherano no lance, mas infelizmente a geração de imagens da Uefa não mostrou o replay desta jogada uma vez sequer.

(atualização: rara honestidade no futebol, o próprio Mascherano admitiu que fez pênalti em Di María. O segundo, portanto, não dado para o PSG).

Aos 43min, Neymar faz um golaço de falta. Uma cobrança magistral. 4 a 1. Ainda faltavam dois gols para a classificação.

E aí o árbitro, aquele mesmo que não tinha dado um pênalti para o PSG no primeiro tempo e outro no segundo, inventou um segundo pênalti para o Barcelona. Marquinhos encosta em Luís Suárez, que desaba na área. Uma cavada de livro. Uma vergonha. Eram 46min do segundo tempo.

Neymar bateu o pênalti, 5 a 1. Aí virou aquele pega para capar, bola na área e, em uma delas, aos 50min, Sergi Roberto, vilão em Paris, virou o herói no Camp Nou. Fez o sexto gol.

Não acho que o PSG mereça ser tão criticado assim. Foi a Barcelona para conseguir a classificação. E estava conseguindo o objetivo até o derretimento dos minutos finais. É muito difícil jogar contra um Barça ligado na tomada e uma arbitragem tão nefasta.

O Barcelona mostrou raça, coragem e fé. Não desistiu até levar o gol. Com 3 a 1 no placar, todos já haviam desistido. Mas aí Neymar e o juiz resolveram dar outro destino à eliminatória.