Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Atlético de Madrid

Nas casas de apostas, Juventus é tão favorita ao título quanto o Real
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O sorteio das semifinais da Champions League, na manhã desta sexta-feira, colocou a Juventus em uma posição de tão favorita quanto o Real Madrid para ser a campeã europeia. Pelo menos é o que dizem as casas de apostas.

Os “odds” são o retorno oferecido para uma certa aposta, calculados (por computador) em função da probabilidade de certo evento ocorrer. Os odds calculados para título da Juventus caíram após o sorteio, ou seja, a aposta em título da equipe italiana passou a pagar menos do que pagava antes.

No maior site de apostas do mundo (Bet365), o título da Juventus dá um retorno de 2,62 para 1, idêntico ao do Real Madrid. Antes do sorteio, o título da Juve pagava 3 para 1. O mesmo ocorreu em outras casas importantes de apostas.

Na semifinal, a Juventus enfrentará o Monaco, considerado o “azarão” entre os quatro times vivos na competição. Dono de um dos ataques mais positivos da temporada europeia, o Monaco aposta em um futebol ofensivo e revelou neste ano o jovem Mbappé, de 18 anos de idade, que está fazendo uma dupla de ataque mortal com o colombiano Falcao García.

Mas a Juve levou só dois gols em dez jogos na Champions, é um time mais equilibrado nas duas fases e acaba de eliminar o Barcelona sem sofrer um gol sequer. Ainda por cima, a Juventus decide o duelo contra o Monaco em casa, no Juventus Stadium, onde está invicta há um ano e meio (são quatro anos em competições europeias).

O título do Monaco, que antes pagava 7,50 para 1, agora paga 9 paga 1. Ou seja, o time monegasco é considerado mais azarão ainda hoje do que ontem.

Lembrando que o Monaco está em uma disputa ponto a ponto com o PSG pelo título francês, que não conquista desde o ano 2000, e o técnico português Leonardo Jardim já disse que este é o grande objetivo da temporada.

Uma eventual conquista do Atlético de Madri dá um retorno de 5 para 1 para quem quiser apostar nos colchoneros. Eram 4,50 para 1 antes de ser definida a semifinal contra o Real Madrid.

Os odds para título do Real Madrid (2,62 para 1) são os únicos que ficaram iguais após o sorteio. Se o Real for campeão, será o primeiro clube da história a ganhar duas Champions Leagues seguidas (desde que a Copa dos Campeões foi ampliada e ganhou esse nome), nos anos 90.

Real e Atlético se enfrentaram nas últimas três edições da Champions, sempre com vantagem para o primo rico da capital. O Real Madrid venceu o rival nas finais de 2014 (na prorrogação) e 2016 (nos pênaltis) e nas quartas de final de 2015 (empate por 0 a 0 no campo do Atlético, vitória do Real por 1 a 0 em casa). Desta vez, o jogo de volta será no estádio Vicente Calderón, que será desativado ao final da temporada.

Para saber mais sobre o histórico das duas semifinais, leia aqui:

Semis da Champions opões melhores ataques contra as melhores defesas


Semis da Champions opões melhores ataques contra as melhores defesas
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O sorteio desta sexta-feira definiu os dois duelos de semifinais da Liga dos Campeões da Europa. O Real Madrid recebe o Atlético de Madri em mais um grande dérbi, o quarto consecutivo na Europa, com a definição no estádio Vicente Calderón. Na outra semi, Monaco e Juventus, com segundo jogo da Itália.

Os dois duelos opõem dois dos ataques mais positivos da temporada europeia (Real Madrid e Monaco) contra os dois times de melhor defesa, os mais bem organizados e capazes de machucar o adversário de várias formas diferentes (Atlético e Juventus).

A Juventus é clara favorita contra o Monaco. Se por um lado o time francês tem a grande sensação da temporada europeia, o francês Mbappé, de 18 anos, a Juve tem apenas dois gols sofridos em dez partidas na competição. É um muro a ser derrubado – até agora, ninguém conseguiu.

O Monaco está em uma luta acirrada contra o PSG pelo título francês, que não conquista desde o ano 2000, e tem um duelo direto contra o mesmo rival no meio da semana que vem pela semifinal da Copa da França. É uma maratona de jogos pesados, e maratonas costumam deixar “vítimas” pelo caminho (lesionados, jogadores esgotados).

Já a Juventus está com o inédito hexacampeonato italiano em mãos (oito pontos de vantagem para a Roma), e a final da Copa da Itália, contra a Lazio, será só em junho. Pode tranquilamente administrar jogadores e focar totalmente na Champions – o segundo e último título máximo europeu da Juve foi conquistado em 1996, com quatro finais perdidas desde então.

O histórico entre os times tem dois confrontos em mata-mata. A Juventus superou o Monaco nas semifinais de 98 e nas quartas de final de 2015, vencendo em casa e administrando na volta – perderia as duas decisões posteriormente para Real Madrid e Barcelona.

Na temporada inteira, a Juventus tomou 30 gols em 47 jogos oficiais. Com Buffon, Chiellini e Bonucci, tem uma defesa sólida, experiente e entrosada. No ataque, a sensação argentina Dybala e o goleador Higuaín. É um timaço.

O Monaco, por sua vez, sofre muitos gols. Mas marcou 141 em 54 jogos oficiais. Só nas oitavas e quartas da Champions, contra Manchester City e Dortmund, foram 12 gols marcados em 4 jogos (e 9 sofridos). É um time que joga e deixa jogar, completamente diferente da equipe italiana.

A Juventus fará um plano de jogo para conter a agressividade do Monaco e se aproveitar das falhas defensivas. Ela é capaz de fazer isso? Bem, ficou dois jogos sem tomar um gol sequer do Barcelona de Messi, Suárez e Neymar. É plausível acreditar que conseguirá repetir a dose e chegar a mais uma final europeia.

O Real Madrid fez os mesmos 141 gols que o Monaco na temporada, mas em 50 jogos – anotou pelo menos um gol em todos os jogos que fez. O Barcelona fez 143 gols oficiais, 2 a mais que Real e Monaco, mas alternou goleadas com jogos em branco, foi um ataque menos consistente ao longo da temporada.

Curiosamente, o Real Madrid sofreu os mesmos 61 gols que o Monaco – é bastante vazado. Já o Atlético de Madri tem um perfil de gols parecido com o a Juventus, tendo sofrido 38 em 50 jogos.

O Atlético sempre foi o saco de pancadas do Real Madrid. Quando Zidane, hoje técnico, jogava, os dérbis eram favas contadas. Mas tudo mudou com a chegada de Simeone ao Atlético, no final de 2011.

Nos 21 dérbis anteriores a Simeone, foram 16 vitórias do Real e 5 empates. Desde que o argentino assumiu o Atlético, foram 22 dérbis: 8 vitórias do Real, 7 do Atlético e 7 empates. Uma história completamente diferente. No Santiago Bernabéu, onde será o primeiro jogo, Simeone ganhou quatro vezes e perdeu três em dez partidas.

Mas, é bom ressaltar, foi o Real Madrid quem riu por últimos nas últimas três Ligas dos Campeões da Europa. Sempre com equilíbrio e sofrimento.

Na final de 2014, em Lisboa, o Atlético vencia sua primeira Champions até os acréscimos do segundo tempo, quando Sergio Ramos empatou o jogo de cabeça. Na prorrogação, mais inteiro, o Real passou o carro (4 a 1) e conquistou “La Décima”. No ano seguinte, duelo de quartas de final, com 0 a 0 no Calderón e vitória do Real por 1 a 0 no Bernabéu, gol do mexicano Chicharito Hernández aos 43min do segundo tempo. E, no ano passado, final novamente, empate por 1 a 1 e título do Real nos pênaltis.

Cicatrizes são importantes no futebol. As derrotas costumam trazer mais lições do que as vitórias. O Atlético de Madri está babando por este duelo contra o Real Madrid. Não há favorito neste confronto, é 50 a 50.

O Atlético vai precisar conter as bolas aéreas do Real, grande arma do time de Zidane ao longo da temporada. E o Real Madrid vai precisar superar uma eliminatória em que terá a bola e fatalmente ficará exposto em alguns momentos. Os dérbis têm sido encardidos para o Real porque Simeone sabe explorar bem o desconforto do adversário para jogar assim.

O último deles foi pouco tempo atrás, 1 a 1 pela Liga espanhola. E foi isso aqui o que escrevi no blog sobre o jogo.

 


Real Madrid deixa interrogações, Atlético deixa certezas
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O jogo do Real Madrid era para lá de completo. O time tinha uma grande atuação contra um grande adversário. Mas o recuo exagerado nos 15 minutos finais foi punido. O Atlético de Madri buscou o empate, e o dérbi madrilenho acabou em 1 a 1.

O Real Madrid chega a 72 pontos. E a grande sorte que teve no dia veio mais tarde, já que o Barcelona perdeu por 2 a 0 do Málaga e ficou três pontos atrás. O Real ainda tem um jogo a menos, então segue com gordura antes do superclássico do dia 23.

O grande problema para o time de Zidane são as dúvidas que ele deixa no ar. É um time capaz de empurrar, dominar, criar. Mas passa a impressão de só fazer gols de bola parada. E de não ter a mesma intensidade o tempo todo, como fazem times como o Atlético. Zidane não consegue fugir do arroz com feijão nas substituições.

Bale era o pior jogador do time durante toda a partida. Mas o francês tirou Kroos para colocar Isco. A substituição certa era tirar Bale e reforçar um meio de campo que estava sendo atropelado pela intensidade atlética.

O Real, previsível, tem agora dois confrontos “só” contra o Bayern de Munique. Haverá momentos para um lado e para o outro nos dois duelos. Mas será que o Real conseguirá derrubar o mais completo elenco da Europa só com bolas paradas?

O número de gols de bola parada que o Real Madrid fez na temporada é brutal. O amigo Vítor Birner, companheiro blogueiro aqui no UOL, criou um apelido: Zidanebol.

De fato, em muitos jogos da temporada o Real Madrid não fez absolutamente nada e encontrou a vitória depois de uma falta ou escanteio levantados na área. Foi deste jeito que o Real achou o gol no dérbi deste sábado. Para não ser injusto, Zidanebol seria se o Real Madrid fizesse apenas isso. Se levantar bolas na área fosse o recurso único. Não foi o caso contra o Atlético. Ainda assim, foi só desse jeito que saiu o gol.

O Atlético de Madri é um baita time de futebol. Se o Real sai do dérbi com interrogações, o Atlético sai com certezas. Vive seu melhor momento na temporada e tem tudo para passar o carro em cima do Leicester e chegar a mais uma semifinal europeia.

Não dá chutão. Não adianta ser tão bom defensivamente, recuperar bolas e dar uma bicuda para ver o que acontece. Era assim três, quatro anos atrás, ainda com Diego Costa. Ao longo das últimas temporadas, o Atlético foi desenvolvendo esse jogo de bola no chão, passes curtos, saída rápida e com qualidade.

Alterna marcação alta com marcação mais recuada, sempre com incrível sincronia. Sabe sair trocando passes de trás, sabe alongar para a velocidade nas costas dos laterais. O Atlético sabe, enfim, levar partidas de futebol de muitos modos diferentes. É mais imprevisível. Tem mais recursos táticos do que o Real Madrid sob Zidane.

O primeiro tempo neste sábado foi um grandíssimo jogo de futebol, apesar do 0 a 0. O Atlético fechou as linhas de passe para Modric e Kroos, deixando a bola sobrar para Casemiro e os zagueiros. Mesmo assim, o Real Madrid conseguiu mandar no duelo. E foi pelo meio, primeiro após uma tabela, depois com bola roubada por Modric, que o Real quase chegou ao gol. Benzela obrigou Oblak a fazer uma defesaça, e Cristiano Ronaldo teve gol certo salvo em cima da linha por Savic.

Ao Atlético, faltava a conexão final com Griezmann e Torres. O time marcava bem, saía bem da marcação do Real, mas não conseguia conectar com os homens de frente – até porque Saúl fazia péssima partida, errático nos passes, e Carrasco estava muito afastado do campo de ataque.

Ainda assim, Griezmann chegou a obrigar Navas a fazer ótima defesa e algumas bolas paradas levaram perigo.

O segundo tempo começa com mais uma defesaça de Oblak contra Benzema. E, aos 7min, vem a falta infantil de Saúl, colocando a mão na bola em um lance bobo na intermediária. Quem dá bolas paradas de graça para o Real Madrid paga o preço. O cruzamento de Kroos foi na medida para o gol de Pepe.

Neste momento, o Real tinha o jogo a seu dispor. Mas o Atlético é um time tão bom e experiente que não caiu na armadilha. Não foi desesperado para frente, dando o contra ataque que o Real tanto ama.

Numa enfiada pelo meio, Torres ficou cara a cara, e Navas fez ótima defesa. Saíram Saúl e Torres, os piores do Atlético. A entrada de Correa deu mais do que certo. O argentino e Thomas conseguiram trabalhar entre as linhas do Real, sobrecarregando Casemiro. Zidane perdeu Pepe, que levou uma joelhada de Kroos, e tirou o próprio alemão.

O Real Madrid recuou demais na expectativa de contra atacar. Não agrediu. Quis segurar o 1 a 0. E aí o Atlético, que sabe jogar também com a bola nos pés, tomou conta do jogo. Em uma enfiada de Correa, Griezmann, um dos atacantes mais quentes do momento, empatou. Nacho, que entrou no lugar de Pepe, não parece ter a capacidade de ser o zagueiro titular ao lado de Ramos. Mas com Varane e, pelo jeito, Pepe fora de combate, é o que Zidane tem para hoje.

O Real Madrid quis fazer o que não sabe. Não é um time que domina todas as facetas do jogo, como seu rival de hoje.

O Atlético dominou os minutos finais, contra um Real Madrid aturdido em campo. É intensidade demais para um jogo só.

Desde que Simeone chegou ao Atlético, no fim de 2011, foram 22 dérbis: 8 vitórias do Real, 7 do Atlético, 7 empate. São três vitórias atléticas e um empate nos últimos quatro jogos entre eles pela Liga espanhola no Bernabéu.

O Atlético era freguês de carteirinha do maior rival. Hoje, é uma pedra de sapato quase que intransponível.


Pedra no sapato, Atlético é barreira para o Real voltar a ganhar a Liga
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juliogomes

Muitos se espantam e demoram para assimilar esta informação: o Real Madrid ganhou somente uma das últimas oito ligas espanholas.

Precisaríamos voltar à década de 40, no período pós-Guerra Civil espanhola, para encontrar uma seca de títulos domésticos comparável. É por isso que, apesar de o Real Madrid ser o rei da Europa, com 11 títulos máximos continentais, e amar de paixão a Champions League, nesta temporada especificamente muitos considerem mais importante ganhar a Liga.

Para isso, o time de Zidane chega neste fim de semana a um duelo crucial: o dérbi contra o Atlético de Madri (sábado, 11h15 de Brasília). O dérbi eram favas contadas quando Zidane jogava pelo Real. Mas as coisas mudaram um pouquinho depois da chegada de um certo argentino.

O Real tem 71 pontos na tabela, 2 a mais que o Barcelona e com um jogo a menos. Ou seja, está no comando. Mas um tropeço no dérbi deixaria o time sem margem de erros antes do superclássico do dia 23, contra o Barça, em Madri.

O Barcelona vive seu melhor momento na temporada após a virada sobre o PSG e com o crescimento fenomenal de Neymar em março. O Atlético de Madri também vive seu melhor momento na temporada, com cinco vitórias consecutivas no campeonato e o reencontro com a solidez defensiva que marca o time desde a chegada de Simeone, no fim de 2011.

Já o Real Madrid, apesar de também vir de cinco vitórias seguidas e de ter feito gols nos últimos 51 jogos oficiais que realizou, ainda deixa dúvidas. Sofre muitos gols (só deixou de ser vazado em 3 dos últimos 20 jogos) e depende demais da bola cruzada na área para conseguir vitórias na marra. Chega uma hora em que ímpeto e confiança não são suficientes para compensar a falta de volume de jogo, de criação, de alternativas ofensivas.

Zidane, campeão europeu, foi inteligente ao apostar no arroz com feijão. Foi depois da derrota no dérbi para o Atlético, no Bernabéu, em fevereiro de 2016, que ele voltou a colocar Casemiro no time. O problema é que muito arroz com feijão enjoa. E o francês vai cada vez mais dando argumentos aos que desconfiam de sua capacidade de mudar jogos e criar alternativas táticas.

Do outro lado, está “El Cholo” Simeone. Muito já se falou disso, mas é impossível deixar de lembrar. Há um antes e depois de Simeone na história recente dos dérbis madrilenhos.

No início do século, o Atlético vivia o fundo do poço, amargurou dois anos da segunda divisão. Voltou à elite na temporada 2002/2003 e, se fizermos o recorte aqui, veja que dado interessante encontramos.

Nos 21 dérbis após a volta do Atlético, o Real Madrid ganhou 16 e empatou 5 – por todas as competições. Eram sete vitórias consecutivas do Real quando Simeone chegou ao banco do Atlético. Desde então, foram disputados outros 21 dérbis por todas as competições: 7 vitórias do Atlético, 8 do Real e 6 empates.

O aproveitamento de pontos do Atlético nos dérbis subiu de 8% a 43% com Simeone. Alguma coisa, não é mesmo?

É claro que a memória recente das duas finais de Champions League vão nos remeter à imagem dos jogadores do Real Madrid com a “orelhuda” em mãos. Mas o fato é que o Atlético passou a jogar os dérbis de igual para igual, passou a ser uma pedra no sapato do primo rico da cidade.

O Atlético passou a ser um time com escalação conhecida por qualquer pessoa mais atenta. Tem uma espinha dorsal formada por jogadores que não pretendem “subir um degrau”, trocando o Atlético por um clube maior na Europa. Jogadores, muitos deles, campeões da Espanha três anos atrás, finalistas de Champions, que sentem a camisa do clube e que se sentem capazes de tudo. Confiam cegamente no treinador e realizam todas (e mais algumas) tarefas requisitadas.

Juanfran, Godín, Gabi e Koke jogaram, juntos, em 18 dos 21 dérbis sob Simeone. Filipe Luís compôs a linha defensiva em 9 destes 18 jogos (passou uma temporada fora). Atrás, o time é o mesmo há anos. Tem um goleiraço, Oblak, e muita sincronia defensiva. Entrosamento a toda prova.

Na frente, sim, o time foi mudando. Para melhor. Ganhou qualidade, acrescentou jogadores técnicos como Carrasco e Griezmann. No meio, apareceu o ótimo Saúl. Na frente, o resgate de Torres, a chegada de Gameiro. É um Atlético que já há tempos não vive só de se defender, como gostam de falar os críticos de Simeone. Um time sem medo algum de ter a bola, que se adapta e joga o jogo de várias formas diferentes ao longo de 90 minutos.

Simeone comandou o Atlético nove vezes no Bernabéu, ganhou quatro e perdeu três. Os colchoneros ganharam no estádio rival nos últimos três campeonatos, coisa que clube algum havia conseguido na história do futebol espanhol.

 

O Real Madrid sabe que ganhar a Liga passa por quebrar essa pequena escrita e ganhar o dérbi.


Ligas europeias entram na reta final com mês recheado de clássicos
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Passada a última pausa da temporada europeia para jogos de seleções, o “vírus Fifa” deixou os grandes clubes em paz desta vez. Chegamos à reta final dos campeonatos e o mês de abril reservas grandes clássicos em todas as ligas.

Já neste fim de semana, PSG e Monaco decidem a Copa da Liga da França (sábado 15h45). Benfica e Porto se enfrentam pela liderança (e, possivelmente, o título) em Portugal (sábado 16h30). Schalke 04 e Borussia Dortmund fazem o clássico do Vale do Ruhr, nesta que é considerada a maior rivalidade da Alemanha (sábado 10h30). Na Itália, em outro clássico de grande rivalidade, o Napoli recebe a Juventus no domingo (15h45). E a rodada da Premier League tem clássico de Liverpool no sábado (8h30) e o confronto entre os criticados Wenger e Guardiola no domingo (12h).

A Champions League tem quartas de final em 11/12 e 18/19 de abril, com Bayern-Real Madrid, Juventus-Barcelona, Dortmund-Monaco e Atlético de Madri-Leicester.

Veja o que ainda está em jogo nos principais países:

INGLATERRA

O Chelsea chega às 10 rodadas finais com uma enorme vantagem de pontos. São 69 contra 59 do Tottenham, 57 do Manchester City, 56 do Liverpool, 52 do Manchester United, 50 de Arsenal e Everton. O título vai ficar com os “blues”, mas a disputa pelas vagas na próxima Liga dos Campeões promete.

Já neste sábado, tem o “Merseyside Derby”, o clássico de Liverpool. Jogando em seu estádio, o Liverpool não perde para o Everton desde 1999. Depois disso, no entanto, o Liverpool, assim como o Tottenham, tem uma tabela mais tranquila.

Após a decepcionante eliminação nas oitavas de final da Champions, o Manchester City, de Guardiola, vai a Londres enfrentar o Arsenal, domingo, e o Chelsea, na próxima quarta. O Chelsea ainda joga o clássico contra o United, em Manchester, no dia 16. Aliás, o United, de Mourinho, que já ganhou a Copa da Liga Inglesa, ainda está vivo na Liga Europa, onde enfrenta o Anderlecht nas quartas de final e é o grande favorito ao título.

Principais jogos de abril:
1/4 Liverpool-Everton
2/4 Arsenal-Man City
5/4 Chelsea-Man City
16/4 Man United-Chelsea (Mou vs Conte)
22/4 Chelsea-Tottenham (semi Copa da Inglaterra)
23/4 Arsenal-Man City (semi Copa da Inglaterra)
27/4 Man City-Man United (Mou vs Pep)
30/4 Tottenham-Arsenal, Everton-Chelsea

ESPANHA

O Real Madrid tem o controle da Liga, pois soma dois pontos a mais que o Barcelona (65 a 63), tem ainda um jogo a menos e joga o clássico do returno no Santiago Bernabéu. Mas os dois gigantes têm duelos complicadíssimos na Liga dos Campeões logo antes do superclássico e o Campeonato Espanhol está mais equilibrado. Os gigantes já tropeçaram e ainda podem tropeçar mais vezes.

O Atlético de Madri, em quarto, com 55 pontos, está mais focado na Champions, mas adoraria fazer um grande dérbi contra o Real antes dos duelos contra o Leicester. O Sevilla, com 57, tentará se manter entre os quatro e não perder Jorge Sampaoli para a seleção argentina.

Principais jogos de abril:
5/4 Barcelona x Sevilla
8/4 Real Madrid-Atlético de Madri
(11/4 Juventus-Barça, 12/4 Bayern-Real, Atlético-Leicester na Champions)
(18/4 Real-Bayern e Leicester-Atlético, 19/4 Barça-Juventus na Champions)
23/4 Real Madrid-Barcelona
29 ou 30/4 Real Madrid-Valencia, Espanyol-Barcelona

ALEMANHA

O Bayern de Munique conquistará o inédito pentacampeonato, disso ninguém duvida. Tem folga na Bundesliga e poderá até poupar jogadores nos jogos próximos ao duelo contra o Real Madrid pela Liga dos Campeões – ainda que sejam jogos complicados. São 62 pontos na tabela, 13 a mais que o surpreendente RB Leipzig e 16 a mais que o Borussia Dortmund.

Depois de perder o clássico para o Borussia em Dortmund, em novembro, o Bayern engatou 12 vitórias e 2 empates no Alemão. Somando todas as competições, são 19 jogos e quatro meses sem perder. Em abril, o Bayern terá duas oportunidades de se vingar (ou não) de seu maior rival doméstico, que também está vivo na Champions.

Principais jogos de abril:
1/4 Schalke 04-Dortmund
8/4 Bayern-Dortmund
(11/4 Dortmund-Monaco, 12/4 Bayern-Real na Champions, 13/4 Ajax-Schalke na Europa League)
15/4 Bayer Leverkusen-Bayern
(18/4 Real-Bayern, 19/4 Monaco-Dortmund na Champions, 20/4 Schalke-Ajax na Europa League)
26/4 Bayern-Dortmund (semifinal da Copa da Alemanha, jogo único)

ITÁLIA

Assim como Chelsea e Bayern de Munique, a Juventus tem folga na liderança. Será o sexto Scudetto consecutivo, um feito inédito e histórico. Faltando nove rodadas para o final, a Juve lidera com 73 pontos, são 8 a mais que a Roma e 10 a mais que o Napoli. Foram 24 vitórias em 29 jogos até agora.

O mês de abril começa com dois duelos contra o Napoli, um pelo campeonato, outro pela Copa. São jogos de muita rivalidade e tensão entre times e torcidas. É o sul contra o norte, um duelo de muito simbolismo.

Jogando em seu estádio pelo Campeonato Italiano, a Juventus soma 31 vitórias consecutivas, juntando a atual com a temporada passada. Não empata desde um 1 a 1 com o Frosinone, em setembro de 2015. Não perde desde o primeiro jogo da temporada 15/16, 0-1 para a Udinese, em agosto de 2015. Somando todas as competições, são 46 jogos de invencibilidade no Juventus Stadium. Impressionante.

Lazio, com 57, Inter e Atalanta, com 55, e Milan, com 53 pontos, ainda tentam alcançar Roma (65) e Napoli (63) pelas vagas na próxima Champions.

Principais jogos de abril:
2/4 Napoli-Juventus
4/4 Roma-Lazio (semi Coppa Itália, Lazio fez 2-0 na ida)
5/4 Napoli-Juventus (semi Coppa Itália, Juve fez 3-1 na ida)
9/4 Lazio-Napoli
(11/4 Juventus-Barça na Champions)
15/4 Internazionale-Milan
(19/4 Barça-Juventus na Champions)
29 ou 30/4 Roma-Lazio, Internazionale-Napoli

FRANÇA

Depois da virada sofrida na Liga dos Campeões para o Barcelona, restam ao Paris Saint-Germain as competições domésticas. A parada está dura na Ligue 1. Em busca do pentacampeonato, o PSG, com 68 pontos, está 3 atrás do Monaco – dono do melhor ataque da Europa na temporada.

O Monaco, que superou o City de Guardiola e está nas quartas de final da Champions, fez 129 gols em 48 partidas oficias, média de 2,7. É um time super agradável de ver jogar e que vai vender caro o título francês, que não conquista desde o ano 2000.

Logo de cara, neste sábado, PSG e Monaco se enfrentam em Lyon pelo título da Copa da Liga da França. É a competição menos importante da temporada, mas que ganhou peso justamente pelo confronto direto entre as duas forças do país. Nos dois jogos entre eles pela Ligue 1, o Monaco fez 3 a 1 em casa e empatou por 1 a 1 em Paris (com gol nos acréscimos).

Eles também estão vivos na Copa da França e tem jogos relativamente fáceis no meio da semana que vem. Podem se enfrentar nas semifinais ou em uma eventual nova decisão.

O Nice, de Balotelli, ficou para trás na tabela e soma 64 pontos, sete a menos que o Monaco. Mas deve conseguir vaga na Champions, pois tem 14 a mais do que o Lyon, o quarto colocado. O Lyon ainda está vivo na Europa League e enfrenta nos dias 13 e 20 de abril o Besiktas, líder do Campeonato Turco, por uma vaga nas semifinais.

PORTUGAL

Também neste sábado, Benfica e Porto fazem o superclássico em Lisboa. O Benfica lidera o campeonato com 64 pontos, apenas 1 a mais que o Porto – ambos foram eliminados nas oitavas de final da Liga dos Campeões.

Depois do clássico, faltarão sete rodadas para o fim do campeonato. Como Benfica e Porto costumam ganhar praticamente todos os seus jogos em Portugal, o duelo direto é uma verdadeira decisão. Ainda em abril, no dia 22, o Benfica faz o dérbi de Lisboa contra o terceiro colocado, no estádio do Sporting.


Sorteio da Champions: dois superclássicos e 40 finais frente a frente
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Bayern de Munique x Real Madrid e Juventus x Barcelona. As bolinhas do sorteio deixaram as quatro camisas mais pesadas frente a frente nas quartas de final da Liga dos Campeões da Europa.

São dois superclássicos, com 40 finais europeias somados os quatro clubes. São quatro dos cinco que mais chegaram a decisões na história.

O Real Madrid já chegou a 14 finais, com 11 títulos. O Milan, ausente da competição, é o segundo colocado na lista, com 11 finais e 7 títulos. O Bayern de Munique chegou a 10 decisões, com 5 títulos. Mesmos títulos do Barcelona, mas em 8 finais. A Juventus também chegou a 8 decisões, mas com aproveitamento menor de conquistas: 2.

Neste momento da temporada, Bayern de Munique e Juventus são dois times mais equilibrados e consistentes do que Real Madrid e Barcelona. São quatro timaços e quatro camisas pesadas, é impossível apontar qualquer favorito.

A última vez que nem Barcelona nem Real Madrid apareceram nas semifinais da Champions: temporada 2006/2007. A chance disso acontecer de novo dez anos depois é real.

O Barça venceu a Juventus na final de dois anos atrás, em 2015, primeira das três temporadas de Luís Enrique. O time do Barcelona é muito parecido com aquele, o trio Messi-Suárez-Neymar estava em seu primeiro ano junto. Porém, há uma diferença: Daniel Alves, tão importante no sistema tático do Barça ao longo de anos, agora está do outro lado. Veste a camisa da Juve.

Em relação a 2015, a Juventus, que já era treinada por Allegri, tem o mesmo sistema defensivo. Os mesmos nomes, a mesma solidez. Mas, do meio para frente, mudou tudo: saíram Pogba, Pirlo, Vidal, Morata e Tévez. Hoje, a Juve é o time de Dybala, Higuaín e Mandzukic.

Na teoria, são dois times menos fortes hoje do que eram dois anos atrás.

Mas como duvidar do Barcelona depois da virada épica para cima do PSG nas oitavas de final? E como colocar qualquer interrogação na Juventus, invicta há 47 partidas? São 21 jogos de invencibilidade em competições europeias.

Importante: para um time como a Juve, é muito melhor enfrentar o Barcelona em dois jogos do que em um só. Possivelmente adotará um plano de jogo de não sofrer gols em casa. E certamente jogará com muito mais intensidade e inteligência do que o PSG fez no Camp Nou.

O Real Madrid tenta quebrar a escrita de nunca um time ter vencido duas Champions League seguidas. Para isso, o desequilibrado time de Zidane, que sofre muito mais do que deveria nos jogos do Espanhol em 2017 e sobrevive das bolas aéreas e os milagres de Sergio Ramos, enfrenta o elenco mais poderoso e completo da Europa.

O Bayern de Munique é forte demais em todas as linhas e é treinado por Carlo Ancelotti, que foi inexplicavelmente mandado embora pelo Real Madrid ao final da temporada 2014/2015. Ancelotti foi o mentor de Zidane e era o técnico da Décima, quebrando o jejum do Real de 12 anos sem títulos europeus.

Ancelotti conhece de trás para frente as qualidades e defeitos do Real Madrid. Ao contrário do que fez Guardiola com o Bayern na semifinal entre eles, em 2014, não ficará tolamente exposto ao rápido contra ataque madridista.

Se excluirmos os clássicos regionais e nacionais, talvez o duelo Bayern-Real seja o maior da Europa (e do mundo). São duas instituições gigantes, antagônicas e que já se enfrentaram zilhões de vezes em competições europeias.

Eu sempre digo que a grande marca do Real Madrid é acreditar, a autoconfiança monstra, sempre achar que vai ganhar porque é maior que seu rival do outro lado. Só tem um clube europeu que o Real Madrid teme de verdade: o Bayern. O torcedor do Real odeia enfrentar o Bayern e tem motivos para isso.

O Bayern de hoje é mais sólido defensivamente do que nos anos de Guardiola. E o Real Madrid é um time, hoje, que joga pior e mostra menos alternativas de jogo, além de sofrer muitos gols.

Nos outros dois duelos, há dois favoritos claros.

O Atlético de Madri é o grande sortudo ao ficar frente a frente com o Leicester City. Sim, tem o conto de fadas, etc, etc, etc. Mas a diferença entre os times é brutal. E o Leicester é bastante previsível, só tem um jeito de jogar, confia nas bolas aéreas e contra ataques.

Um técnico como Simeone saberá tranquilamente anular as poucas armas do Leicester. Se tem um time que sabe neutralizar bolas aéreas e não fica exposto a contra ataques, porque tem uma incrível sincronia defensiva e joga de forma muito compacta, este é o Atlético de Madri, finalista de duas das últimas três Champions.

E o Monaco também é favorito contra o Borussia Dortmund, em um duelo de times ofensivos e que promete muitos gols. O Monaco é o melhor ataque da Europa, lidera na França e deu uma incrível demonstração de força e personalidade ao reverter a eliminatória contra o Manchester City. O Dortmund é um time instável. Tem tradição, tem um dos estádios mais quentes da Europa, mas terá de decidir a vida fora de casa. Não tem a solidez defensiva para segurar o Monaco, na minha visão.

Meus palpites: passam Bayern, Juventus, Atlético e Monaco. Mas até abril os momentos podem mudar, soluções podem ser encontradas, jogadores podem se machucar. Agora é esperar!


Messi resolve contra a vítima predileta, e Barça renasce
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juliogomes

Após dias para lá de tumultados, o Barcelona renasceu na temporada com uma importante vitória por 2 a 1 sobre o Atlético de Madri, em pleno estádio Vicente Calderón.

O Barcelona segue um ponto atrás do Real Madrid na tabela, já que o Real virou em Villarreal após estar perdendo por 2 a 0 – haverá muita polêmica na semana, o gol de empate do time madridista saiu de um pênalti absurdamente marcado. A virada veio logo depois.

O futebol do Barça mostrou poucos sinais de melhora. No primeiro tempo, o Atlético dominou completamente a partida, foi muito superior contra um rival apático em campo. As chances do Barcelona vieram em dois contra ataques e uma falta cobrada por Messi.

O goleiro Ter Stegen era o melhor em campo. Com mais vontade nas divididas, mais volume de jogo no meio de campo, mais bola, de fato, o Atlético mandava.

No segundo tempo, o Barcelona melhorou. E chegou ao gol com Rafinha, o filho mais novo de Mazinho, titular no meio de campo e que tentou fazer as vezes de Daniel Alves, jogando bem aberto pela direita – foi a mudança tática do pressionado técnico Luís Enrique para tentar resolver o fluxo de jogo. Rafinha aproveitou um bate rebate na área, com duas bolas espirradas seguidas, para tocar com oportunismo.

O Atlético seguiu melhor, empatou em uma bola parada (Godín, de cabeça) e quase virou. Mas, no finalzinho, Messi definiu. Um Messi sumido em campo. Mas Messi é Messi.

Foi o último jogo entre Atlético e Barça no Calderón, pois o Atlético terá estádio novo na temporada que vem. E Messi fez 13 gols nesse estádio, o lugar onde mais fez gols (fora o Camp Nou, logicamente). Já são 27 gols em 34 partidas contra o Atlético, a vítima preferida do argentino.

Em jogos exclusivamente da Liga espanhola, são 22 gols em 22 partidas contra o Atlético, que se despede do Calderón com um incômodo jejum. Ganhou pela última vez do Barça ali em jogos da Liga em 2010 – logicamente, houve vitórias por outros torneios, como a Liga dos Campeões do ano passado. Mas, pelo Campeonato Espanhol, Simeone segue sem ter vencido o Barcelona.

Para o Atlético, a derrota significa pouco. Jogou muito bem, acabou perdendo, mas já não tinha chances reais de ser campeão espanhol. O negócio para o Atlético é a Champions, com vaga quase certa nas quartas de final e em busca da terceira final em quatro anos.

Para o Barcelona, a vitória pode ser um renascimento. Já que a Inês é morta na Champions, é importantíssimo vencer em um estádio como este e mostrar ao Real Madrid que está vivo e forte na briga pelo título.

O jogo do time continua dependendo de estocadas dos três atacantes. O meio de campo segue inoperante. Mas Messi segue aí. Enquanto há Messi, há vida.

 


Jogo épico expõe ataques maravilhosos e defesas pífias de City e Monaco
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juliogomes

Sim, épico é um adjetivo justo. Manchester City e Monaco fizeram o melhor jogo da temporada europeia até agora, em um 5 a 3 inesquecível.

Um jogo em que ficaram claros os atributos ofensivos brilhantes dos dois times, mas também ficou clara a falta de consistência defensiva de ambos. Já sabem, para ser campeão de um torneio como a Champions League, equilíbrio é a palavra chave. Portanto, quem passar daí para as quartas de final terá de fazer ajustes.

Enquanto isso, podemos nos divertir falando do jogo de ida e aguardando o da volta.

O Monaco tem 76 gols em 26 jogos no Campeonato Francês. É o melhor ataque da Europa e mostrou toda essa vocação agredindo o City durante 90 minutos, mesmo fora de casa. Em nenhum momento recuou suas linhas. Mostrou coragem, alternativas de jogo e um atacante em momento especial. Radamel Falcao tem 15 gols nos últimos 15 jogos oficiais. Sua carreira em competições europeias aponta o estratosférico número de 44 gols em 48 partidas.

Durante todo o jogo, City e Monaco marcaram pressão e conseguiram sair facilmente da pressão rival. Isso fez com o que o jogo tivesse ritmo alucinante, com pouco meio de campo e muitas chegadas de perigo ao ataque. Defensivamente, ambos fizeram um péssimo trabalho.

O City saiu ganhando em um lindo lance de Sané, concluído por Sterling. Na primeira saída de bola errada de Caballero, o Monaco empatou em lindo cruzamento de Fabinho e cabeceio mais lindo ainda de Falcao.

Aí, houve o lance de pênalti sobre Aguero. Para muitos, não foi. Para mim, foi claríssimo. Ato seguido, o Monaco fez 2 a 1 em uma cobrança de falta para Mbappe, com falha clamorosa da estática dupla de zaga.

O Monaco começa o segundo tempo em cima, apertando, empurrando, com muita coragem. E aí ocorre o segundo pênalti decisivo do jogo. Desta vez marcado pelo árbitro e perdido por Falcao. Caballero começava a se redimir.

Do outro lado, Subasic tomou um frangaço no chute de Aguero – o melhor em campo, mostrando que ficou mordido com a reserva e fazendo a torcida esquecer Gabriel Jesus, pelo menos por enquanto.

Quando parecia que o City iria crescer, bola esticada, Falcao ganha de Stones como quer e dá uma cavadinha. Uma pintura. O Monaco, naquele momento, tinha a classificação nas mãos.

Aí começa o vendaval do City. Foi para o tudo ou nada. Foi tudo. Aguero, Stones e Sané (após assistência de Aguero) viram o jogo para 5 a 3 contra um Monaco atônito.

A eliminatória está para lá de aberta. O Monaco já fez 4 ou mais gols 11 vezes na temporada. Se tem um ataque hoje capaz de furar a defesa (fraca) do City, é a do Monaco. Por isso, acredito que Guardiola montará um meio de campo mais firme e consistente para a volta.

No outro jogo da terça, em Leverkusen, o Atlético de Madri fez 4 a 2 no Bayer. É um time que sofre mais gols na temporada, mas mostra muita criatividade, muito volume, muita capacidade ofensiva. O Atlético é candidatíssimo a chegar à sua terceira final em quatro anos.


Gol sofrido no fim mais ajuda que atrapalha o Real Madrid
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juliogomes

O Real Madrid levou um gol de Reus aos 43 do segundo tempo, empatou por 2 a 2 com o Borussia Dortmund e acabou ficando em segundo no grupo F da Champions League.

Má notícia? Na minha visão, longe disso. O Real atinge 34 jogos de invencibilidade com Zidane no comando, igualando uma marca história estabelecida em 1988-89, e deve superar o recorde no fim de semana, em casa, contra o La Coruña.

De quebra, ao ser segundo, diminui as chances de enfrentar uma “pedreira” nas oitavas de final. É verdade que decidirá fora de casa a vaga nas quartas, mas isso é muito relativo. Se fizer um bom resultado na ida, no Bernabéu, decidir fora nem é mau negócio.

Sendo segundo colocado no grupo, o Real Madrid será sorteado contra um dos primeiros colocados – não pode, no entanto, enfrentar times do mesmo país ou do mesmo grupo em que jogou a fase inicial.

Portanto, o Real enfrentará nas oitavas um destes cinco times: Arsenal, Juventus, Napoli, Monaco ou Leicester. Se colocarmos Arsenal e Juve na lista de favoritos ao título, o Real tem 40% de chances de pegar uma pedreira, contra 60% de chances de pegar um rival mais fraco. Não digo que Napoli, Monaco e Leicester sejam galinhas mortas, mas é difícil imaginar um destes três eliminando o Real de Zidane na Champions.

Se não tivesse levado o gol do Dortmund no fim, o Real enfrentaria um destes seis: Bayern de Munique, Manchester City, PSG, Benfica, Porto ou Bayer Leverkusen. Ou seja, 50% de chances de enfrentar um favorito ao título. E Bayern, City e PSG, creio, são mais fortes que Arsenal e Juventus.

Não acredito que levar um gol no fim tenha sido estratégia – não foi o que o jogo nos contou, e o Real colocou os titulares em campo. Apenas que há males que vêm para bem.

Como não houve nenhuma grande zebra na fase de grupos, não há nenhuma “baba” nas oitavas. Os segundos colocados como Porto, Benfica, Sevilla ou Napoli são clubes que, se não têm o mesmo orçamento dos gigantes e não devem brigar por título, têm camisa, bons jogadores e podem fazer alguma graça no mata-mata contra algum desavisado.

O Barcelona pode enfrentar Bayern, PSG, Porto, Benfica ou Bayer Leverkusen.

sorteio_champions

Vamos agora aos classificados para as oitavas na Champions e quais os possíveis adversários que podem sair do sorteio de segunda-feira:

Grupo A
Arsenal – Benfica, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Porto, Sevilla
PSG – Napoli, Barcelona, Atlético de Madri, Borussia Dortmund, Leicester, Juventus
*Ludogorets na Liga Europa

Grupo B
Napoli – PSG, Manchester City, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Porto, Sevilla
Benfica – Arsenal, Barcelona, Atlético de Madri, Monaco, Borussia Dortmund, Leicester, Juventus
*Besiktas na Liga Europa

Grupo C
Barcelona – PSG, Benfica, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Porto
Manchester City – Napoli, Atlético de Madri, Monaco, Borussia Dortmund, Juventus
*Borussia Moenchengladbach na Liga Europa

Grupo D
Atlético de Madri – PSG, Benfica, Manchester City, Bayer Leverkusen, Porto
Bayern de Munique – Arsenal, Napoli, Barcelona, Monaco, Leicester, Juventus
*Rostov na Liga Europa

Grupo E
Monaco – Benfica, Manchester City, Bayern de Munique, Real Madrid, Porto, Sevilla
Bayer Leverkusen – Arsenal, Napoli, Barcelona, Atlético de Madri, Leicester, Juventus
*Tottenham na Liga Europa

Grupo F
Borussia Dortmund – PSG, Benfica, Manchester City, Porto, Sevilla
Real Madrid – Arsenal, Napoli, Monaco, Leicester, Juventus
*Legia Varsóvia na Liga Europa

Grupo G
Leicester – PSG, Benfica, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Sevilla
Porto – Arsenal, Napoli, Barcelona, Atlético de Madri, Monaco, Borussia Dortmund, Juventus
*Copenhagen na Liga Europa

Grupo H
Juventus – PSG, Benfica, Manchester City, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Porto
Sevilla – Arsenal, Napoli, Monaco, Borussia Dortmund, Leicester
*Lyon na Liga Europa


Última rodada da Champions: pouco em jogo e Real atrás de marca histórica
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juliogomes

A Uefa Champions League chega à última rodada da fase de grupos com poucos jogos realmente importantes. Nenhum dos favoritos ao título está contra a parede – pelo contrário, estão todos já classificados para as oitavas de final antecipadamente.

Barcelona e Atlético de Madri (um time finalista de duas das últimas três edições precisa entrar na lista de favoritos) garantiram a primeira posição de seus grupos. Paris Saint-Germain e Juventus precisam apenas de vitórias que devem acontecer sem problemas, sobre Ludogorets (Bulgária) e Dínamo de Zagreb (Croácia), respectivamente.

O Real Madrid é quem ainda depende de uma vitória sobre o bom time do Borussia Dortmund para se garantir em primeiro.

O Manchester City ficou em segundo no grupo do Barça. O Bayern de Munique ficou em segundo no grupo do Atlético. E, se tudo ocorrer normalmente, o Arsenal será o segundo do grupo do PSG.

Para o Real Madrid, portanto, ser primeiro significa uma chance grande de pegar um destes três logo nas oitavas. Já se ficar em segundo, o Real pode pegar Juve ou PSG, é verdade, mas pode também enfrentar Monaco ou Leicester ou o primeiro do grupo de Benfica e Napoli.

Além de decidir o mata-mata das oitavas em casa, ser primeiro muitas vezes é a garantia de fugir de uma pedreira logo na primeira fase eliminatória. Desta vez, não é o caso. Isso se deu pela formatação dos grupos, muitos com duas forças.

Com isso, não quero dizer que o Real poupará jogadores ou atuará com o freio de mão puxado. A história madridista não permite isso. Por falar em história, o Real está a um jogo de chegar a 34 partidas de invencibilidade, igualando a maior marca já estabelecida pelo clube, em 1988-89 (geração de Butragueño e companhia, a “Quinta del Buitre”).

Se não perder na Champions, o Real Madrid terá outro jogo no Santiago Bernabéu, no fim de semana, contra o La Coruña, para chegar a 35 jogos invicto e quebrar o recorde. Este é o assunto principal para a imprensa de Madri nos últimos dias, mais do que a chance de ser primeiro ou segundo no grupo.

Depois do empate na bacia das almas em Barcelona, o Real vive em um mar de rosas. Recupera machucados e Zidane pode ser, em menos de um ano como técnico, campeão europeu e dono de uma marca histórica como esta. Não é qualquer coisa.

Veja o que será jogado em cada grupo da rodada final. Os grupo A, B, C e D têm jogos na terça-feira. Os outros, na quarta.

Grupo A

PSG e Arsenal empatam em pontos, mas o PSG tem a vantagem no critério de desempate (nos confrontos diretos entre eles, fez mais gols fora). Por isso, basta uma vitória sobre os búlgaros. O Arsenal joga na Basileia, e o Basel deve conseguir, com um empate, vaga na Europa League.

Grupo B

Este está embolado. Benfica e Napoli têm 8 pontos, o Besiktas tem 7 e o Dynamo Kiev está eliminado. O Besiktas precisa vencer em Kiev para se classificar. Neste caso, Benfica e Napoli jogam pela vaga em Lisboa – o empate é do Napoli. Quem ganhar, logicamente, fica em primeiro. Empate classifica os dois caso o Besiktas não ganhe. Caso perca ou empate, o Benfica ainda entra se o Besiktas não ganhar. Já o Napoli, se perder, só entra se os turcos também perderem.

Grupo C

Tudo já definido. Barcelona em primeiro, Manchester City em segundo e Borussia Moenchengladbach em terceiro (Europa League). Barça e City (contra o Celtic), em casa, devem ganhar – e também poupar jogadores.

Grupo D

Bayern de Munique x Atlético de Madri, a semifinal do ano passado, tinha tudo para ser um jogaço – só que ele não decide absolutamente nada. O Atlético, mal na Liga espanhola, já garantiu o primeiro lugar do grupo porque ganhou o duelo entre eles em Madri e viu o Bayern tropeçar contra o Rostov, na Rússia. O Bayern de Ancelotti não é firme como o de Guardiola, ainda que o potencial esteja lá. Ganhar é importante para elevar o espírito do clube, dar confiança. PSV Eindhoven e Rostov se enfrentam na Holanda, e os russos jogam pelo empate para ir à Europa League.

Grupo E

Bayer Leverkusen e Monaco se enfrentam na Alemanha, mas já sabemos que o Bayer será segundo e o bom time de Mônaco, o primeiro. O Tottenham, uma decepção desta fase de grupos, recebe o CSKA Moscou e joga pelo empate para pelo menos ir à Europa League – não que clubes ingleses liguem muito para isso.

Grupo F

Real Madrid e Borussia Dortmund, classificados, decidem o primeiro lugar no Bernabéu – o empate é dos alemães. O Sporting de Lisboa precisa de um empate contra o Legia, em Varsóvia, para jogar a Europa League.

Grupo G

O Leicester, mal na Premier, já garantiu o primeiro lugar. O Porto recebe o Leicester precisando ganhar para entrar em segundo. Se não vencer, o Porto será eliminado caso o Copenhagen ganhe do Brugge (que perdeu todas), na Bélgica.

Grupo H

A Juventus depende só de uma vitória contra o eliminado Dínamo de Zagreb para ser primeira. Lyon e Sevilla jogam na França, e o Lyon precisa vencer por dois gols para avançar. Para o Sevilla, voltar para a Europa League não tem muita graça. Seria uma grande decepção ser eliminado pelo Lyon. Se passar, no entanto, é um time que ninguém vai querer enfrentar nas oitavas.