Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Atlético de Madrid

Notórias despedidas na Europa: Calderón, Wenger, Xabi Alonso e Lahm
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O estádio Vicente Calderón já é história. E que história! À beira do rio Manzanares, com uma avenida passando por baixo das tribunas, com uma vista linda da cidade, com grande ambiente, de estádio de futebol de verdade.

O Atlético se despediu de seu estádio vencendo o Athletic Bilbao por 3 a 1. Dois gols de Fernando Torres, el niño, a grande esperança nos anos de vacas magras e que depois voltou em anos muito melhores – que só não foram perfeitos por causa das quatro derrotas seguidas para o Real Madrid em Champions League.

A festa foi maravilhosa. Com gols, aclamação aos velhos ídolos e ao time feminino, campeão nacional.

O Calderón era um estádio ruim para trabalhar, não vou negar. Chato para chegar. A zona mista, nos meus anos lá, pelo menos, era caótica. Ficar no campo era meio arriscado, já caiu radinho de pilha do meu lado. Na tribuna de imprensa, uma escadaria inacabável, chuva no computador… mas a vista da catedral de Almudena e do Palácio Real compensava tudo.

Vai deixar saudades. O Atlético vai jogar do outro lado da cidade, em uma arena dessas ultramodernas. Tomara que não perca o espírito, cada vez mais em falta no futebol-business.

Arsène Wenger é outro que se despede. Talvez do Arsenal, ainda não sabemos. Mas certamente da Champions League, pelo menos por um ano.

Wenger foi o primeiro homem nascido fora das ilhas britânicas a assumir o comando do Arsenal. Isso aconteceu no meio de 1996, há exatos 21 anos. Em sua primeira temporada, o Arsenal acabou em terceiro lugar, mas naquele ano somente os dois primeiros se classificavam para a Champions League.

No ano seguinte, temporada 97/98, o Arsenal conquistou o primeiro de seus três títulos ingleses com Wenger. Nunca ficou fora do G4 e, consequentemente, se classificou 19 vezes seguidas para a máxima competição europeia. Um feito e tanto, ainda mais considerando que no meio disse tudo o clube construiu um estádio novo e não teve tanto dinheiro para contratar, ainda mais se compararmos com clubes milionários controlados por estrangeiros (Chelsea, Manchester City).

Em 2016/2017, o Arsenal acabou pela primeira vez fora dos quatro primeiros na era Wenger. Ficou em quinto, com 75 pontos, mais que os 71 que renderam o vice-campeonato no ano passado. De nada adiantou bater o Everton por 3 a 1 na última rodada da Premier League, já que o Manchester City e o Liverpool venceram seus jogos e acabaram em terceiro e quarto, respectivamente.

Na vitória do Liverpool por 3 a 0 sobre o Middlesbrough, o brasileiro Lucas Leiva entrou a 10 minutos do final e acabou o jogo com a tarja de capitão no braço. Teve toda a pinta de despedida, após 10 anos no clube. Uma carreira de muito respeito. Se algum time brasileiro conseguir trazê-lo, estará fazendo um enorme negócio.

Também na Inglaterra, John Terry se despediu do Chelsea com mais uma vitória e título inglês. Um jogador que nunca teve esse futebol todo que se fala por lá, mas que inegavelmente é um símbolo da era vencedora do Chelsea.

Outros que se despediram, mas do futebol, foram Xabi Alonso e Phillip Lahm, com o fim da temporada do Bayern de Munique – pentacampeão alemão.

Xabi Alonso é um dos jogadores mais subestimados que vimos ao longo das últimas décadas. Enorme participações, dentro e fora de campo, em times históricos: o Liverpool campeão da Europa em 2005, o Real Madrid da Décima em 2014, a Espanha bicampeã europeia e, claro, campeã do mundo em 2010. Sabe demais de futebol, não tenho dúvida que voltará ao cenário europeu em outro cargo logo logo.

Phillip Lahm, o último homem a levantar uma Copa do Mundo, é outro que merece menção. Desafiou a lógica (um baixinho no futebol alemão!), ocupou muitas posições, triunfou com todos os técnicos. Exemplo de atitude e bola.


Atlético se despede com dignidade, Real Madrid merece a final
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O Atlético de Madri conseguiu o mais difícil. Aquilo que estava em qualquer roteiro dos sonhos de Simeone ou dos torcedores. Fazer dois gols nos primeiros 15 minutos. Mas, depois, parou.

O Atlético achou que conseguiria jogar com o 2 a 0 e fazer o terceiro naturalmente – ou no abafa nos minutos finais. Mas não existe segurar jogo contra o Real Madrid.

Quando um time está contra as cordas, é necessário continuar batendo até cair. O Real não conseguia trocar dois passes. Por pelo menos mais 5 ou 10 minutos, o Atlético deveria ter continuado com a mesma pegada. Errou. Recuou. Pagou o preço.

Isco começou a tomar conta do jogo. Jogando entre as linhas, botou a bola embaixo do braço e tranquilizou as coisas, trouxe o Real Madrid de volta para a partida – sempre escorado, claro, pelos perfeitos Kroos e Modric. Eles simplesmente não erram!

O gol da classificação sai de uma jogada magnífica de Benzema, recebendo um lateral e passando por três jogadores com um lindo drible a la futsal. Oblak para Kroos, mas não para Isco no rebote. Ali, com 2 a 1, caiu a já esperada ducha de água fria na cabeça do Atlético.

Isco deveria ter recebido um amarelo no primeiro e outro no segundo, assim como Casemiro, Varane e Gabi. O juiz foi muito mal na parte disciplinar. Mas acabou não interferindo no resultado do jogo.

No segundo tempo, o Atlético teve algumas chances de fazer o terceiro. Aos 20min, Navas faz duas ótimas defesas no mesmo lance. O jogo poderia ter sido incendiado ali. Não foi.

O Atlético errou ao ser pouco agressivo no Santiago Bernabéu. E perdeu a chance do milagre ao recuar depois de fazer 2 a 0 nesta quarta.

De todos os modos, o estádio Vicente Calderón se despede de competições europeias com uma noite para ser lembrada e uma vitória do Atlético sobre seu maior rival. Uma despedida muito bonita de um time que é o mais importante da história do clube.

O Real Madrid mereceu a classificação. Transformou a enorme superioridade da ida em resultado. E administrou com consistência a volta, quando poderia ter afundado.

Real e Juventus disputam a final europeia de novo 19 anos depois do duelo de Amsterdã e o gol histórico de Mijatovic. Já haverá tempo de falar sobre isso nas próximas semanas.


Real Madrid volta a lembrar o Atlético: “Nunca serão”
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Foi um muito bom jogo do Real Madrid e, de longe, a pior atuação do Atlético de Madri neste anos todos chegando às fases finais da Liga dos Campeões da Europa. No fim, a diferença foi novamente Cristiano Ronaldo.

O cara tinha dois gols nos oito primeiro jogos da Champions. Fez oito gols nos últimos três – os dois jogos contra o Bayern e o desta terça contra o Atlético. Os 3 a 0 no Santiago Bernabéu deixam o Real Madrid praticamente classificado para sua terceira final europeia em quatro anos.

É um time que faz pelo menos um gol desde um 0 a 0 com o Manchester City em 26 de abril do ano passado. 59 partidas consecutivas marcando. Se fizer um no estádio do Atlético, o rival precisará marcar cinco para se classificar. Em mata-matas, o Real Madrid nunca, na história, desperdiçou uma vantagem de três ou mais gols criada no primeiro jogo.

O fato é que a metamorfose promovida por Simeone nos últimos anos acabou sendo uma armadilha para o Atlético. O time raçudo, duro, defensivo dos primeiros anos foi dando lugar a talento e qualidade técnica. Não perdeu a solidez defensiva e ganhou muitas armas ofensivas.

Mas, contra o Real, ficou no meio do caminho. Não sabia se defendia ou atacava. Com 1 a 0 contra, no segundo tempo, se viu com a bola nos pés. Mas não cortava as linhas de marcação do Real. As substituições de Simeone não deram certo, Griezmann não encostou na bola. Navas não precisou se preocupar nem com chuveirinhos. Modric e Kroos, perfeitos, roubavam e logo acionavam os homens de frente. Foi um banho.

Mesmo sem pressionar, o Atlético cedeu inúmeros contra ataques a um Real Madrid que adora jogar assim. Zidane leu bem o jogo e, no meio do segundo tempo, colocou os rápidos Asensio e Lucas Vázquez no lugar de Isco e Benzema.

Haveria chances. E desta vez não tinha Neuer para operar milagres. Cristiano Ronaldo botou todas para dentro.

Zidane, conservador em substituições, tem um mérito claro na temporada. Usou o time reserva em cinco jogos fora de casa no Campeonato Espanhol. Os caras jogaram bem e trouxeram os pontos para casa. Não caiu na pressão da imprensa e manteve seus titulares para os jogos principais. Consequência: o time está voando fisicamente na reta final da temporada.

O Atlético saiu do Bernabéu humilhado. Depois de ter merecido o título em 2014, ter levado para os pênaltis em 2016 (sofrendo gol irregular, diga-se), o Atlético sai de campo com a sensação que era fortíssima antes da era Simeone, aquela que havia ficado para trás e agora volta com toda força.

A sensação do “nunca seremos”.

 

 

 


Real Madrid, Juventus e Monaco têm ótimo fim de semana antes das semis
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A semana será de semifinais de Liga dos Campeões, com o dérbi entre Real Madrid e Atlético de Madri, na terça, e Monaco x Juventus, na quarta. Mesmo sem entrar em campo neste domingo, Juventus e Monaco viraram virtuais campeões da Itália e da França.

A Juve tenta ser a primeira equipe a ganhar seis vezes seguidas o Italiano. O Monaco, por sua vez, tenta o oitavo título nacional, o primeiro desde o ano 2000. E ficou muito, muito perto com a derrota do Paris Saint-Germain neste domingo.

A temporada europeia vai chegando ao fim, e começam a aparecer os primeiros campeões das grandes ligas. O Bayern de Munique, após as decepcionantes eliminações na Liga dos Campeões da Europa e na Copa da Alemanha, garantiu matematicamente o pentacampeonato alemão ao desencantar e vencer o Wolfsburg por 6 a 0, fora de casa, no sábado.

Com Heynckes, o Bayern da tríplice coroa, em 2013, foi campeão com seis rodadas de antecipação. Com Guardiola, bateu o recorde em 2014 (sete rodadas, título em março). Em 2015, o tri veio com quatro rodadas de antecedência. O tetra, ano passado, na penúltima rodada. Agora, no primeiro ano de Carlo Ancelotti, é campeão com três rodadas para o fim da Bundesliga. Nunca, na história do futebol alemão, um time havia conseguido cinco títulos seguidos.

Na Inglaterra, o Chelsea deu um passo gigantesco rumo ao título ao vencer o Everton, fora de casa, por 3 a 0. É verdade que o Tottenham ganhou o dérbi de Londres contra o Arsenal, e a diferença entre eles segue em quatro pontos. Mas este era o último jogo realmente complicado para o Chelsea na tabela – dos quatro restantes, três são em casa e contra times da parte baixa da tabela.

A briga boa na Inglaterra é mesmo pelas duas vagas restantes no G4, as vagas para a próxima Liga dos Campeões. Liverpool e Manchester City tem os mesmos 66 pontos e os mesmos 28 gols de saldo (primeiro critério de desempate). O Manchester United tem 65 pontos, e o Arsenal tem 60, mas um jogo a menos.

Por falar em Liga dos Campeões, dos quatro semifinalistas, três brigam para serem campeões nacionais. E os três tiveram um fim de semana para sorrir.

O Real Madrid ainda tem os mesmos pontos que o Barcelona na ponta da Espanha, mas conseguiu uma vitória muito mais dramática. Pela enésima vez no campeonato, conseguiu pontos decisivos nos momentos finais. Marcelo foi o herói da vitória sobre o Valencia no sábado, marcando aos 41min do segundo tempo. O Valencia havia arrancado empates em Madri nas quatro das últimas cinco visitas e havia vencido o Real no jogo do turno.

Uma rodada a menos, e o Real Madrid ainda tem direito a empatar um dos quatro jogos restantes. Ao Barça, não basta vencer seus três jogos a fazer.

A Juventus empatou com a Atalanta na sexta-feira, mas depois viu de camarote a Roma perder o dérbi da capital por 3 a 1 para a Lazio, neste domingo de manhã. A vantagem na liderança, que poderia cair, subiu para nove pontos faltando quatro rodadas. A Juventus pode ser campeã na próxima rodada: faz em seu estádio o dérbi contra o Torino no sábado, enquanto a Roma tem um duro clássico contra o Milan, fora de casa, no domingo.

E o grande felizardo do dia foi o Monaco, que viu o PSG perder para o Nice por 3 a 1. Desde os 6 a 1 para o Barcelona, na Champions, o PSG havia vencido todas as nove partidas que havia disputado. Colocou pressão no Monaco, que busca seu primeiro título francês desde o ano 2000. Mas, apesar da maratona e de algumas partidas dramáticas, o time do Principado segurou as pontas.

No sábado, venceu o Toulouse precisando de uma virada no segundo tempo. Com a derrota do PSG em Nice, agora o Monaco tem três pontos de vantagem, muito mais saldo de gols (20 gols a mais), que é o primeiro critério de desempate, e ainda um jogo a menos.

Basta ao Monaco, portanto, ganhar dois dos quatro jogos restantes para ser campeão – pode perder duas vezes que ainda assim levará o caneco, mesmo que o PSG vença seus três jogos restantes. Essa margem de erro, que era pequena e ficou grande, dá um baita respiro para o Monaco focar nos duelos contra a Juventus pela Liga dos Campeões.

Em tempo: o Atlético de Madri, o último semifinalista da Champions, está fora da disputa pelo título espanhol, mas também sorriu. No sábado, meteu 5 a 0 no Las Palmas e recuperou a confiança em Gameiro. O problema é que perdeu Gimenez, machucado, e está sem lateral direito para enfrentar o Real Madrid – um tal Cristiano Ronaldo é quem joga por ali…


Nas casas de apostas, Juventus é tão favorita ao título quanto o Real
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O sorteio das semifinais da Champions League, na manhã desta sexta-feira, colocou a Juventus em uma posição de tão favorita quanto o Real Madrid para ser a campeã europeia. Pelo menos é o que dizem as casas de apostas.

Os “odds” são o retorno oferecido para uma certa aposta, calculados (por computador) em função da probabilidade de certo evento ocorrer. Os odds calculados para título da Juventus caíram após o sorteio, ou seja, a aposta em título da equipe italiana passou a pagar menos do que pagava antes.

No maior site de apostas do mundo (Bet365), o título da Juventus dá um retorno de 2,62 para 1, idêntico ao do Real Madrid. Antes do sorteio, o título da Juve pagava 3 para 1. O mesmo ocorreu em outras casas importantes de apostas.

Na semifinal, a Juventus enfrentará o Monaco, considerado o “azarão” entre os quatro times vivos na competição. Dono de um dos ataques mais positivos da temporada europeia, o Monaco aposta em um futebol ofensivo e revelou neste ano o jovem Mbappé, de 18 anos de idade, que está fazendo uma dupla de ataque mortal com o colombiano Falcao García.

Mas a Juve levou só dois gols em dez jogos na Champions, é um time mais equilibrado nas duas fases e acaba de eliminar o Barcelona sem sofrer um gol sequer. Ainda por cima, a Juventus decide o duelo contra o Monaco em casa, no Juventus Stadium, onde está invicta há um ano e meio (são quatro anos em competições europeias).

O título do Monaco, que antes pagava 7,50 para 1, agora paga 9 paga 1. Ou seja, o time monegasco é considerado mais azarão ainda hoje do que ontem.

Lembrando que o Monaco está em uma disputa ponto a ponto com o PSG pelo título francês, que não conquista desde o ano 2000, e o técnico português Leonardo Jardim já disse que este é o grande objetivo da temporada.

Uma eventual conquista do Atlético de Madri dá um retorno de 5 para 1 para quem quiser apostar nos colchoneros. Eram 4,50 para 1 antes de ser definida a semifinal contra o Real Madrid.

Os odds para título do Real Madrid (2,62 para 1) são os únicos que ficaram iguais após o sorteio. Se o Real for campeão, será o primeiro clube da história a ganhar duas Champions Leagues seguidas (desde que a Copa dos Campeões foi ampliada e ganhou esse nome), nos anos 90.

Real e Atlético se enfrentaram nas últimas três edições da Champions, sempre com vantagem para o primo rico da capital. O Real Madrid venceu o rival nas finais de 2014 (na prorrogação) e 2016 (nos pênaltis) e nas quartas de final de 2015 (empate por 0 a 0 no campo do Atlético, vitória do Real por 1 a 0 em casa). Desta vez, o jogo de volta será no estádio Vicente Calderón, que será desativado ao final da temporada.

Para saber mais sobre o histórico das duas semifinais, leia aqui:

Semis da Champions opões melhores ataques contra as melhores defesas


Semis da Champions opões melhores ataques contra as melhores defesas
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O sorteio desta sexta-feira definiu os dois duelos de semifinais da Liga dos Campeões da Europa. O Real Madrid recebe o Atlético de Madri em mais um grande dérbi, o quarto consecutivo na Europa, com a definição no estádio Vicente Calderón. Na outra semi, Monaco e Juventus, com segundo jogo da Itália.

Os dois duelos opõem dois dos ataques mais positivos da temporada europeia (Real Madrid e Monaco) contra os dois times de melhor defesa, os mais bem organizados e capazes de machucar o adversário de várias formas diferentes (Atlético e Juventus).

A Juventus é clara favorita contra o Monaco. Se por um lado o time francês tem a grande sensação da temporada europeia, o francês Mbappé, de 18 anos, a Juve tem apenas dois gols sofridos em dez partidas na competição. É um muro a ser derrubado – até agora, ninguém conseguiu.

O Monaco está em uma luta acirrada contra o PSG pelo título francês, que não conquista desde o ano 2000, e tem um duelo direto contra o mesmo rival no meio da semana que vem pela semifinal da Copa da França. É uma maratona de jogos pesados, e maratonas costumam deixar “vítimas” pelo caminho (lesionados, jogadores esgotados).

Já a Juventus está com o inédito hexacampeonato italiano em mãos (oito pontos de vantagem para a Roma), e a final da Copa da Itália, contra a Lazio, será só em junho. Pode tranquilamente administrar jogadores e focar totalmente na Champions – o segundo e último título máximo europeu da Juve foi conquistado em 1996, com quatro finais perdidas desde então.

O histórico entre os times tem dois confrontos em mata-mata. A Juventus superou o Monaco nas semifinais de 98 e nas quartas de final de 2015, vencendo em casa e administrando na volta – perderia as duas decisões posteriormente para Real Madrid e Barcelona.

Na temporada inteira, a Juventus tomou 30 gols em 47 jogos oficiais. Com Buffon, Chiellini e Bonucci, tem uma defesa sólida, experiente e entrosada. No ataque, a sensação argentina Dybala e o goleador Higuaín. É um timaço.

O Monaco, por sua vez, sofre muitos gols. Mas marcou 141 em 54 jogos oficiais. Só nas oitavas e quartas da Champions, contra Manchester City e Dortmund, foram 12 gols marcados em 4 jogos (e 9 sofridos). É um time que joga e deixa jogar, completamente diferente da equipe italiana.

A Juventus fará um plano de jogo para conter a agressividade do Monaco e se aproveitar das falhas defensivas. Ela é capaz de fazer isso? Bem, ficou dois jogos sem tomar um gol sequer do Barcelona de Messi, Suárez e Neymar. É plausível acreditar que conseguirá repetir a dose e chegar a mais uma final europeia.

O Real Madrid fez os mesmos 141 gols que o Monaco na temporada, mas em 50 jogos – anotou pelo menos um gol em todos os jogos que fez. O Barcelona fez 143 gols oficiais, 2 a mais que Real e Monaco, mas alternou goleadas com jogos em branco, foi um ataque menos consistente ao longo da temporada.

Curiosamente, o Real Madrid sofreu os mesmos 61 gols que o Monaco – é bastante vazado. Já o Atlético de Madri tem um perfil de gols parecido com o a Juventus, tendo sofrido 38 em 50 jogos.

O Atlético sempre foi o saco de pancadas do Real Madrid. Quando Zidane, hoje técnico, jogava, os dérbis eram favas contadas. Mas tudo mudou com a chegada de Simeone ao Atlético, no final de 2011.

Nos 21 dérbis anteriores a Simeone, foram 16 vitórias do Real e 5 empates. Desde que o argentino assumiu o Atlético, foram 22 dérbis: 8 vitórias do Real, 7 do Atlético e 7 empates. Uma história completamente diferente. No Santiago Bernabéu, onde será o primeiro jogo, Simeone ganhou quatro vezes e perdeu três em dez partidas.

Mas, é bom ressaltar, foi o Real Madrid quem riu por últimos nas últimas três Ligas dos Campeões da Europa. Sempre com equilíbrio e sofrimento.

Na final de 2014, em Lisboa, o Atlético vencia sua primeira Champions até os acréscimos do segundo tempo, quando Sergio Ramos empatou o jogo de cabeça. Na prorrogação, mais inteiro, o Real passou o carro (4 a 1) e conquistou “La Décima”. No ano seguinte, duelo de quartas de final, com 0 a 0 no Calderón e vitória do Real por 1 a 0 no Bernabéu, gol do mexicano Chicharito Hernández aos 43min do segundo tempo. E, no ano passado, final novamente, empate por 1 a 1 e título do Real nos pênaltis.

Cicatrizes são importantes no futebol. As derrotas costumam trazer mais lições do que as vitórias. O Atlético de Madri está babando por este duelo contra o Real Madrid. Não há favorito neste confronto, é 50 a 50.

O Atlético vai precisar conter as bolas aéreas do Real, grande arma do time de Zidane ao longo da temporada. E o Real Madrid vai precisar superar uma eliminatória em que terá a bola e fatalmente ficará exposto em alguns momentos. Os dérbis têm sido encardidos para o Real porque Simeone sabe explorar bem o desconforto do adversário para jogar assim.

O último deles foi pouco tempo atrás, 1 a 1 pela Liga espanhola. E foi isso aqui o que escrevi no blog sobre o jogo.

 


Real Madrid deixa interrogações, Atlético deixa certezas
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juliogomes

O jogo do Real Madrid era para lá de completo. O time tinha uma grande atuação contra um grande adversário. Mas o recuo exagerado nos 15 minutos finais foi punido. O Atlético de Madri buscou o empate, e o dérbi madrilenho acabou em 1 a 1.

O Real Madrid chega a 72 pontos. E a grande sorte que teve no dia veio mais tarde, já que o Barcelona perdeu por 2 a 0 do Málaga e ficou três pontos atrás. O Real ainda tem um jogo a menos, então segue com gordura antes do superclássico do dia 23.

O grande problema para o time de Zidane são as dúvidas que ele deixa no ar. É um time capaz de empurrar, dominar, criar. Mas passa a impressão de só fazer gols de bola parada. E de não ter a mesma intensidade o tempo todo, como fazem times como o Atlético. Zidane não consegue fugir do arroz com feijão nas substituições.

Bale era o pior jogador do time durante toda a partida. Mas o francês tirou Kroos para colocar Isco. A substituição certa era tirar Bale e reforçar um meio de campo que estava sendo atropelado pela intensidade atlética.

O Real, previsível, tem agora dois confrontos “só” contra o Bayern de Munique. Haverá momentos para um lado e para o outro nos dois duelos. Mas será que o Real conseguirá derrubar o mais completo elenco da Europa só com bolas paradas?

O número de gols de bola parada que o Real Madrid fez na temporada é brutal. O amigo Vítor Birner, companheiro blogueiro aqui no UOL, criou um apelido: Zidanebol.

De fato, em muitos jogos da temporada o Real Madrid não fez absolutamente nada e encontrou a vitória depois de uma falta ou escanteio levantados na área. Foi deste jeito que o Real achou o gol no dérbi deste sábado. Para não ser injusto, Zidanebol seria se o Real Madrid fizesse apenas isso. Se levantar bolas na área fosse o recurso único. Não foi o caso contra o Atlético. Ainda assim, foi só desse jeito que saiu o gol.

O Atlético de Madri é um baita time de futebol. Se o Real sai do dérbi com interrogações, o Atlético sai com certezas. Vive seu melhor momento na temporada e tem tudo para passar o carro em cima do Leicester e chegar a mais uma semifinal europeia.

Não dá chutão. Não adianta ser tão bom defensivamente, recuperar bolas e dar uma bicuda para ver o que acontece. Era assim três, quatro anos atrás, ainda com Diego Costa. Ao longo das últimas temporadas, o Atlético foi desenvolvendo esse jogo de bola no chão, passes curtos, saída rápida e com qualidade.

Alterna marcação alta com marcação mais recuada, sempre com incrível sincronia. Sabe sair trocando passes de trás, sabe alongar para a velocidade nas costas dos laterais. O Atlético sabe, enfim, levar partidas de futebol de muitos modos diferentes. É mais imprevisível. Tem mais recursos táticos do que o Real Madrid sob Zidane.

O primeiro tempo neste sábado foi um grandíssimo jogo de futebol, apesar do 0 a 0. O Atlético fechou as linhas de passe para Modric e Kroos, deixando a bola sobrar para Casemiro e os zagueiros. Mesmo assim, o Real Madrid conseguiu mandar no duelo. E foi pelo meio, primeiro após uma tabela, depois com bola roubada por Modric, que o Real quase chegou ao gol. Benzela obrigou Oblak a fazer uma defesaça, e Cristiano Ronaldo teve gol certo salvo em cima da linha por Savic.

Ao Atlético, faltava a conexão final com Griezmann e Torres. O time marcava bem, saía bem da marcação do Real, mas não conseguia conectar com os homens de frente – até porque Saúl fazia péssima partida, errático nos passes, e Carrasco estava muito afastado do campo de ataque.

Ainda assim, Griezmann chegou a obrigar Navas a fazer ótima defesa e algumas bolas paradas levaram perigo.

O segundo tempo começa com mais uma defesaça de Oblak contra Benzema. E, aos 7min, vem a falta infantil de Saúl, colocando a mão na bola em um lance bobo na intermediária. Quem dá bolas paradas de graça para o Real Madrid paga o preço. O cruzamento de Kroos foi na medida para o gol de Pepe.

Neste momento, o Real tinha o jogo a seu dispor. Mas o Atlético é um time tão bom e experiente que não caiu na armadilha. Não foi desesperado para frente, dando o contra ataque que o Real tanto ama.

Numa enfiada pelo meio, Torres ficou cara a cara, e Navas fez ótima defesa. Saíram Saúl e Torres, os piores do Atlético. A entrada de Correa deu mais do que certo. O argentino e Thomas conseguiram trabalhar entre as linhas do Real, sobrecarregando Casemiro. Zidane perdeu Pepe, que levou uma joelhada de Kroos, e tirou o próprio alemão.

O Real Madrid recuou demais na expectativa de contra atacar. Não agrediu. Quis segurar o 1 a 0. E aí o Atlético, que sabe jogar também com a bola nos pés, tomou conta do jogo. Em uma enfiada de Correa, Griezmann, um dos atacantes mais quentes do momento, empatou. Nacho, que entrou no lugar de Pepe, não parece ter a capacidade de ser o zagueiro titular ao lado de Ramos. Mas com Varane e, pelo jeito, Pepe fora de combate, é o que Zidane tem para hoje.

O Real Madrid quis fazer o que não sabe. Não é um time que domina todas as facetas do jogo, como seu rival de hoje.

O Atlético dominou os minutos finais, contra um Real Madrid aturdido em campo. É intensidade demais para um jogo só.

Desde que Simeone chegou ao Atlético, no fim de 2011, foram 22 dérbis: 8 vitórias do Real, 7 do Atlético, 7 empate. São três vitórias atléticas e um empate nos últimos quatro jogos entre eles pela Liga espanhola no Bernabéu.

O Atlético era freguês de carteirinha do maior rival. Hoje, é uma pedra de sapato quase que intransponível.


Pedra no sapato, Atlético é barreira para o Real voltar a ganhar a Liga
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juliogomes

Muitos se espantam e demoram para assimilar esta informação: o Real Madrid ganhou somente uma das últimas oito ligas espanholas.

Precisaríamos voltar à década de 40, no período pós-Guerra Civil espanhola, para encontrar uma seca de títulos domésticos comparável. É por isso que, apesar de o Real Madrid ser o rei da Europa, com 11 títulos máximos continentais, e amar de paixão a Champions League, nesta temporada especificamente muitos considerem mais importante ganhar a Liga.

Para isso, o time de Zidane chega neste fim de semana a um duelo crucial: o dérbi contra o Atlético de Madri (sábado, 11h15 de Brasília). O dérbi eram favas contadas quando Zidane jogava pelo Real. Mas as coisas mudaram um pouquinho depois da chegada de um certo argentino.

O Real tem 71 pontos na tabela, 2 a mais que o Barcelona e com um jogo a menos. Ou seja, está no comando. Mas um tropeço no dérbi deixaria o time sem margem de erros antes do superclássico do dia 23, contra o Barça, em Madri.

O Barcelona vive seu melhor momento na temporada após a virada sobre o PSG e com o crescimento fenomenal de Neymar em março. O Atlético de Madri também vive seu melhor momento na temporada, com cinco vitórias consecutivas no campeonato e o reencontro com a solidez defensiva que marca o time desde a chegada de Simeone, no fim de 2011.

Já o Real Madrid, apesar de também vir de cinco vitórias seguidas e de ter feito gols nos últimos 51 jogos oficiais que realizou, ainda deixa dúvidas. Sofre muitos gols (só deixou de ser vazado em 3 dos últimos 20 jogos) e depende demais da bola cruzada na área para conseguir vitórias na marra. Chega uma hora em que ímpeto e confiança não são suficientes para compensar a falta de volume de jogo, de criação, de alternativas ofensivas.

Zidane, campeão europeu, foi inteligente ao apostar no arroz com feijão. Foi depois da derrota no dérbi para o Atlético, no Bernabéu, em fevereiro de 2016, que ele voltou a colocar Casemiro no time. O problema é que muito arroz com feijão enjoa. E o francês vai cada vez mais dando argumentos aos que desconfiam de sua capacidade de mudar jogos e criar alternativas táticas.

Do outro lado, está “El Cholo” Simeone. Muito já se falou disso, mas é impossível deixar de lembrar. Há um antes e depois de Simeone na história recente dos dérbis madrilenhos.

No início do século, o Atlético vivia o fundo do poço, amargurou dois anos da segunda divisão. Voltou à elite na temporada 2002/2003 e, se fizermos o recorte aqui, veja que dado interessante encontramos.

Nos 21 dérbis após a volta do Atlético, o Real Madrid ganhou 16 e empatou 5 – por todas as competições. Eram sete vitórias consecutivas do Real quando Simeone chegou ao banco do Atlético. Desde então, foram disputados outros 21 dérbis por todas as competições: 7 vitórias do Atlético, 8 do Real e 6 empates.

O aproveitamento de pontos do Atlético nos dérbis subiu de 8% a 43% com Simeone. Alguma coisa, não é mesmo?

É claro que a memória recente das duas finais de Champions League vão nos remeter à imagem dos jogadores do Real Madrid com a “orelhuda” em mãos. Mas o fato é que o Atlético passou a jogar os dérbis de igual para igual, passou a ser uma pedra no sapato do primo rico da cidade.

O Atlético passou a ser um time com escalação conhecida por qualquer pessoa mais atenta. Tem uma espinha dorsal formada por jogadores que não pretendem “subir um degrau”, trocando o Atlético por um clube maior na Europa. Jogadores, muitos deles, campeões da Espanha três anos atrás, finalistas de Champions, que sentem a camisa do clube e que se sentem capazes de tudo. Confiam cegamente no treinador e realizam todas (e mais algumas) tarefas requisitadas.

Juanfran, Godín, Gabi e Koke jogaram, juntos, em 18 dos 21 dérbis sob Simeone. Filipe Luís compôs a linha defensiva em 9 destes 18 jogos (passou uma temporada fora). Atrás, o time é o mesmo há anos. Tem um goleiraço, Oblak, e muita sincronia defensiva. Entrosamento a toda prova.

Na frente, sim, o time foi mudando. Para melhor. Ganhou qualidade, acrescentou jogadores técnicos como Carrasco e Griezmann. No meio, apareceu o ótimo Saúl. Na frente, o resgate de Torres, a chegada de Gameiro. É um Atlético que já há tempos não vive só de se defender, como gostam de falar os críticos de Simeone. Um time sem medo algum de ter a bola, que se adapta e joga o jogo de várias formas diferentes ao longo de 90 minutos.

Simeone comandou o Atlético nove vezes no Bernabéu, ganhou quatro e perdeu três. Os colchoneros ganharam no estádio rival nos últimos três campeonatos, coisa que clube algum havia conseguido na história do futebol espanhol.

 

O Real Madrid sabe que ganhar a Liga passa por quebrar essa pequena escrita e ganhar o dérbi.


Ligas europeias entram na reta final com mês recheado de clássicos
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Passada a última pausa da temporada europeia para jogos de seleções, o “vírus Fifa” deixou os grandes clubes em paz desta vez. Chegamos à reta final dos campeonatos e o mês de abril reservas grandes clássicos em todas as ligas.

Já neste fim de semana, PSG e Monaco decidem a Copa da Liga da França (sábado 15h45). Benfica e Porto se enfrentam pela liderança (e, possivelmente, o título) em Portugal (sábado 16h30). Schalke 04 e Borussia Dortmund fazem o clássico do Vale do Ruhr, nesta que é considerada a maior rivalidade da Alemanha (sábado 10h30). Na Itália, em outro clássico de grande rivalidade, o Napoli recebe a Juventus no domingo (15h45). E a rodada da Premier League tem clássico de Liverpool no sábado (8h30) e o confronto entre os criticados Wenger e Guardiola no domingo (12h).

A Champions League tem quartas de final em 11/12 e 18/19 de abril, com Bayern-Real Madrid, Juventus-Barcelona, Dortmund-Monaco e Atlético de Madri-Leicester.

Veja o que ainda está em jogo nos principais países:

INGLATERRA

O Chelsea chega às 10 rodadas finais com uma enorme vantagem de pontos. São 69 contra 59 do Tottenham, 57 do Manchester City, 56 do Liverpool, 52 do Manchester United, 50 de Arsenal e Everton. O título vai ficar com os “blues”, mas a disputa pelas vagas na próxima Liga dos Campeões promete.

Já neste sábado, tem o “Merseyside Derby”, o clássico de Liverpool. Jogando em seu estádio, o Liverpool não perde para o Everton desde 1999. Depois disso, no entanto, o Liverpool, assim como o Tottenham, tem uma tabela mais tranquila.

Após a decepcionante eliminação nas oitavas de final da Champions, o Manchester City, de Guardiola, vai a Londres enfrentar o Arsenal, domingo, e o Chelsea, na próxima quarta. O Chelsea ainda joga o clássico contra o United, em Manchester, no dia 16. Aliás, o United, de Mourinho, que já ganhou a Copa da Liga Inglesa, ainda está vivo na Liga Europa, onde enfrenta o Anderlecht nas quartas de final e é o grande favorito ao título.

Principais jogos de abril:
1/4 Liverpool-Everton
2/4 Arsenal-Man City
5/4 Chelsea-Man City
16/4 Man United-Chelsea (Mou vs Conte)
22/4 Chelsea-Tottenham (semi Copa da Inglaterra)
23/4 Arsenal-Man City (semi Copa da Inglaterra)
27/4 Man City-Man United (Mou vs Pep)
30/4 Tottenham-Arsenal, Everton-Chelsea

ESPANHA

O Real Madrid tem o controle da Liga, pois soma dois pontos a mais que o Barcelona (65 a 63), tem ainda um jogo a menos e joga o clássico do returno no Santiago Bernabéu. Mas os dois gigantes têm duelos complicadíssimos na Liga dos Campeões logo antes do superclássico e o Campeonato Espanhol está mais equilibrado. Os gigantes já tropeçaram e ainda podem tropeçar mais vezes.

O Atlético de Madri, em quarto, com 55 pontos, está mais focado na Champions, mas adoraria fazer um grande dérbi contra o Real antes dos duelos contra o Leicester. O Sevilla, com 57, tentará se manter entre os quatro e não perder Jorge Sampaoli para a seleção argentina.

Principais jogos de abril:
5/4 Barcelona x Sevilla
8/4 Real Madrid-Atlético de Madri
(11/4 Juventus-Barça, 12/4 Bayern-Real, Atlético-Leicester na Champions)
(18/4 Real-Bayern e Leicester-Atlético, 19/4 Barça-Juventus na Champions)
23/4 Real Madrid-Barcelona
29 ou 30/4 Real Madrid-Valencia, Espanyol-Barcelona

ALEMANHA

O Bayern de Munique conquistará o inédito pentacampeonato, disso ninguém duvida. Tem folga na Bundesliga e poderá até poupar jogadores nos jogos próximos ao duelo contra o Real Madrid pela Liga dos Campeões – ainda que sejam jogos complicados. São 62 pontos na tabela, 13 a mais que o surpreendente RB Leipzig e 16 a mais que o Borussia Dortmund.

Depois de perder o clássico para o Borussia em Dortmund, em novembro, o Bayern engatou 12 vitórias e 2 empates no Alemão. Somando todas as competições, são 19 jogos e quatro meses sem perder. Em abril, o Bayern terá duas oportunidades de se vingar (ou não) de seu maior rival doméstico, que também está vivo na Champions.

Principais jogos de abril:
1/4 Schalke 04-Dortmund
8/4 Bayern-Dortmund
(11/4 Dortmund-Monaco, 12/4 Bayern-Real na Champions, 13/4 Ajax-Schalke na Europa League)
15/4 Bayer Leverkusen-Bayern
(18/4 Real-Bayern, 19/4 Monaco-Dortmund na Champions, 20/4 Schalke-Ajax na Europa League)
26/4 Bayern-Dortmund (semifinal da Copa da Alemanha, jogo único)

ITÁLIA

Assim como Chelsea e Bayern de Munique, a Juventus tem folga na liderança. Será o sexto Scudetto consecutivo, um feito inédito e histórico. Faltando nove rodadas para o final, a Juve lidera com 73 pontos, são 8 a mais que a Roma e 10 a mais que o Napoli. Foram 24 vitórias em 29 jogos até agora.

O mês de abril começa com dois duelos contra o Napoli, um pelo campeonato, outro pela Copa. São jogos de muita rivalidade e tensão entre times e torcidas. É o sul contra o norte, um duelo de muito simbolismo.

Jogando em seu estádio pelo Campeonato Italiano, a Juventus soma 31 vitórias consecutivas, juntando a atual com a temporada passada. Não empata desde um 1 a 1 com o Frosinone, em setembro de 2015. Não perde desde o primeiro jogo da temporada 15/16, 0-1 para a Udinese, em agosto de 2015. Somando todas as competições, são 46 jogos de invencibilidade no Juventus Stadium. Impressionante.

Lazio, com 57, Inter e Atalanta, com 55, e Milan, com 53 pontos, ainda tentam alcançar Roma (65) e Napoli (63) pelas vagas na próxima Champions.

Principais jogos de abril:
2/4 Napoli-Juventus
4/4 Roma-Lazio (semi Coppa Itália, Lazio fez 2-0 na ida)
5/4 Napoli-Juventus (semi Coppa Itália, Juve fez 3-1 na ida)
9/4 Lazio-Napoli
(11/4 Juventus-Barça na Champions)
15/4 Internazionale-Milan
(19/4 Barça-Juventus na Champions)
29 ou 30/4 Roma-Lazio, Internazionale-Napoli

FRANÇA

Depois da virada sofrida na Liga dos Campeões para o Barcelona, restam ao Paris Saint-Germain as competições domésticas. A parada está dura na Ligue 1. Em busca do pentacampeonato, o PSG, com 68 pontos, está 3 atrás do Monaco – dono do melhor ataque da Europa na temporada.

O Monaco, que superou o City de Guardiola e está nas quartas de final da Champions, fez 129 gols em 48 partidas oficias, média de 2,7. É um time super agradável de ver jogar e que vai vender caro o título francês, que não conquista desde o ano 2000.

Logo de cara, neste sábado, PSG e Monaco se enfrentam em Lyon pelo título da Copa da Liga da França. É a competição menos importante da temporada, mas que ganhou peso justamente pelo confronto direto entre as duas forças do país. Nos dois jogos entre eles pela Ligue 1, o Monaco fez 3 a 1 em casa e empatou por 1 a 1 em Paris (com gol nos acréscimos).

Eles também estão vivos na Copa da França e tem jogos relativamente fáceis no meio da semana que vem. Podem se enfrentar nas semifinais ou em uma eventual nova decisão.

O Nice, de Balotelli, ficou para trás na tabela e soma 64 pontos, sete a menos que o Monaco. Mas deve conseguir vaga na Champions, pois tem 14 a mais do que o Lyon, o quarto colocado. O Lyon ainda está vivo na Europa League e enfrenta nos dias 13 e 20 de abril o Besiktas, líder do Campeonato Turco, por uma vaga nas semifinais.

PORTUGAL

Também neste sábado, Benfica e Porto fazem o superclássico em Lisboa. O Benfica lidera o campeonato com 64 pontos, apenas 1 a mais que o Porto – ambos foram eliminados nas oitavas de final da Liga dos Campeões.

Depois do clássico, faltarão sete rodadas para o fim do campeonato. Como Benfica e Porto costumam ganhar praticamente todos os seus jogos em Portugal, o duelo direto é uma verdadeira decisão. Ainda em abril, no dia 22, o Benfica faz o dérbi de Lisboa contra o terceiro colocado, no estádio do Sporting.


Sorteio da Champions: dois superclássicos e 40 finais frente a frente
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juliogomes

Bayern de Munique x Real Madrid e Juventus x Barcelona. As bolinhas do sorteio deixaram as quatro camisas mais pesadas frente a frente nas quartas de final da Liga dos Campeões da Europa.

São dois superclássicos, com 40 finais europeias somados os quatro clubes. São quatro dos cinco que mais chegaram a decisões na história.

O Real Madrid já chegou a 14 finais, com 11 títulos. O Milan, ausente da competição, é o segundo colocado na lista, com 11 finais e 7 títulos. O Bayern de Munique chegou a 10 decisões, com 5 títulos. Mesmos títulos do Barcelona, mas em 8 finais. A Juventus também chegou a 8 decisões, mas com aproveitamento menor de conquistas: 2.

Neste momento da temporada, Bayern de Munique e Juventus são dois times mais equilibrados e consistentes do que Real Madrid e Barcelona. São quatro timaços e quatro camisas pesadas, é impossível apontar qualquer favorito.

A última vez que nem Barcelona nem Real Madrid apareceram nas semifinais da Champions: temporada 2006/2007. A chance disso acontecer de novo dez anos depois é real.

O Barça venceu a Juventus na final de dois anos atrás, em 2015, primeira das três temporadas de Luís Enrique. O time do Barcelona é muito parecido com aquele, o trio Messi-Suárez-Neymar estava em seu primeiro ano junto. Porém, há uma diferença: Daniel Alves, tão importante no sistema tático do Barça ao longo de anos, agora está do outro lado. Veste a camisa da Juve.

Em relação a 2015, a Juventus, que já era treinada por Allegri, tem o mesmo sistema defensivo. Os mesmos nomes, a mesma solidez. Mas, do meio para frente, mudou tudo: saíram Pogba, Pirlo, Vidal, Morata e Tévez. Hoje, a Juve é o time de Dybala, Higuaín e Mandzukic.

Na teoria, são dois times menos fortes hoje do que eram dois anos atrás.

Mas como duvidar do Barcelona depois da virada épica para cima do PSG nas oitavas de final? E como colocar qualquer interrogação na Juventus, invicta há 47 partidas? São 21 jogos de invencibilidade em competições europeias.

Importante: para um time como a Juve, é muito melhor enfrentar o Barcelona em dois jogos do que em um só. Possivelmente adotará um plano de jogo de não sofrer gols em casa. E certamente jogará com muito mais intensidade e inteligência do que o PSG fez no Camp Nou.

O Real Madrid tenta quebrar a escrita de nunca um time ter vencido duas Champions League seguidas. Para isso, o desequilibrado time de Zidane, que sofre muito mais do que deveria nos jogos do Espanhol em 2017 e sobrevive das bolas aéreas e os milagres de Sergio Ramos, enfrenta o elenco mais poderoso e completo da Europa.

O Bayern de Munique é forte demais em todas as linhas e é treinado por Carlo Ancelotti, que foi inexplicavelmente mandado embora pelo Real Madrid ao final da temporada 2014/2015. Ancelotti foi o mentor de Zidane e era o técnico da Décima, quebrando o jejum do Real de 12 anos sem títulos europeus.

Ancelotti conhece de trás para frente as qualidades e defeitos do Real Madrid. Ao contrário do que fez Guardiola com o Bayern na semifinal entre eles, em 2014, não ficará tolamente exposto ao rápido contra ataque madridista.

Se excluirmos os clássicos regionais e nacionais, talvez o duelo Bayern-Real seja o maior da Europa (e do mundo). São duas instituições gigantes, antagônicas e que já se enfrentaram zilhões de vezes em competições europeias.

Eu sempre digo que a grande marca do Real Madrid é acreditar, a autoconfiança monstra, sempre achar que vai ganhar porque é maior que seu rival do outro lado. Só tem um clube europeu que o Real Madrid teme de verdade: o Bayern. O torcedor do Real odeia enfrentar o Bayern e tem motivos para isso.

O Bayern de hoje é mais sólido defensivamente do que nos anos de Guardiola. E o Real Madrid é um time, hoje, que joga pior e mostra menos alternativas de jogo, além de sofrer muitos gols.

Nos outros dois duelos, há dois favoritos claros.

O Atlético de Madri é o grande sortudo ao ficar frente a frente com o Leicester City. Sim, tem o conto de fadas, etc, etc, etc. Mas a diferença entre os times é brutal. E o Leicester é bastante previsível, só tem um jeito de jogar, confia nas bolas aéreas e contra ataques.

Um técnico como Simeone saberá tranquilamente anular as poucas armas do Leicester. Se tem um time que sabe neutralizar bolas aéreas e não fica exposto a contra ataques, porque tem uma incrível sincronia defensiva e joga de forma muito compacta, este é o Atlético de Madri, finalista de duas das últimas três Champions.

E o Monaco também é favorito contra o Borussia Dortmund, em um duelo de times ofensivos e que promete muitos gols. O Monaco é o melhor ataque da Europa, lidera na França e deu uma incrível demonstração de força e personalidade ao reverter a eliminatória contra o Manchester City. O Dortmund é um time instável. Tem tradição, tem um dos estádios mais quentes da Europa, mas terá de decidir a vida fora de casa. Não tem a solidez defensiva para segurar o Monaco, na minha visão.

Meus palpites: passam Bayern, Juventus, Atlético e Monaco. Mas até abril os momentos podem mudar, soluções podem ser encontradas, jogadores podem se machucar. Agora é esperar!