Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Atlético de Madrid

Sorteio da Champions: dois superclássicos e 40 finais frente a frente
Comentários Comente

juliogomes

Bayern de Munique x Real Madrid e Juventus x Barcelona. As bolinhas do sorteio deixaram as quatro camisas mais pesadas frente a frente nas quartas de final da Liga dos Campeões da Europa.

São dois superclássicos, com 40 finais europeias somados os quatro clubes. São quatro dos cinco que mais chegaram a decisões na história.

O Real Madrid já chegou a 14 finais, com 11 títulos. O Milan, ausente da competição, é o segundo colocado na lista, com 11 finais e 7 títulos. O Bayern de Munique chegou a 10 decisões, com 5 títulos. Mesmos títulos do Barcelona, mas em 8 finais. A Juventus também chegou a 8 decisões, mas com aproveitamento menor de conquistas: 2.

Neste momento da temporada, Bayern de Munique e Juventus são dois times mais equilibrados e consistentes do que Real Madrid e Barcelona. São quatro timaços e quatro camisas pesadas, é impossível apontar qualquer favorito.

A última vez que nem Barcelona nem Real Madrid apareceram nas semifinais da Champions: temporada 2006/2007. A chance disso acontecer de novo dez anos depois é real.

O Barça venceu a Juventus na final de dois anos atrás, em 2015, primeira das três temporadas de Luís Enrique. O time do Barcelona é muito parecido com aquele, o trio Messi-Suárez-Neymar estava em seu primeiro ano junto. Porém, há uma diferença: Daniel Alves, tão importante no sistema tático do Barça ao longo de anos, agora está do outro lado. Veste a camisa da Juve.

Em relação a 2015, a Juventus, que já era treinada por Allegri, tem o mesmo sistema defensivo. Os mesmos nomes, a mesma solidez. Mas, do meio para frente, mudou tudo: saíram Pogba, Pirlo, Vidal, Morata e Tévez. Hoje, a Juve é o time de Dybala, Higuaín e Mandzukic.

Na teoria, são dois times menos fortes hoje do que eram dois anos atrás.

Mas como duvidar do Barcelona depois da virada épica para cima do PSG nas oitavas de final? E como colocar qualquer interrogação na Juventus, invicta há 47 partidas? São 21 jogos de invencibilidade em competições europeias.

Importante: para um time como a Juve, é muito melhor enfrentar o Barcelona em dois jogos do que em um só. Possivelmente adotará um plano de jogo de não sofrer gols em casa. E certamente jogará com muito mais intensidade e inteligência do que o PSG fez no Camp Nou.

O Real Madrid tenta quebrar a escrita de nunca um time ter vencido duas Champions League seguidas. Para isso, o desequilibrado time de Zidane, que sofre muito mais do que deveria nos jogos do Espanhol em 2017 e sobrevive das bolas aéreas e os milagres de Sergio Ramos, enfrenta o elenco mais poderoso e completo da Europa.

O Bayern de Munique é forte demais em todas as linhas e é treinado por Carlo Ancelotti, que foi inexplicavelmente mandado embora pelo Real Madrid ao final da temporada 2014/2015. Ancelotti foi o mentor de Zidane e era o técnico da Décima, quebrando o jejum do Real de 12 anos sem títulos europeus.

Ancelotti conhece de trás para frente as qualidades e defeitos do Real Madrid. Ao contrário do que fez Guardiola com o Bayern na semifinal entre eles, em 2014, não ficará tolamente exposto ao rápido contra ataque madridista.

Se excluirmos os clássicos regionais e nacionais, talvez o duelo Bayern-Real seja o maior da Europa (e do mundo). São duas instituições gigantes, antagônicas e que já se enfrentaram zilhões de vezes em competições europeias.

Eu sempre digo que a grande marca do Real Madrid é acreditar, a autoconfiança monstra, sempre achar que vai ganhar porque é maior que seu rival do outro lado. Só tem um clube europeu que o Real Madrid teme de verdade: o Bayern. O torcedor do Real odeia enfrentar o Bayern e tem motivos para isso.

O Bayern de hoje é mais sólido defensivamente do que nos anos de Guardiola. E o Real Madrid é um time, hoje, que joga pior e mostra menos alternativas de jogo, além de sofrer muitos gols.

Nos outros dois duelos, há dois favoritos claros.

O Atlético de Madri é o grande sortudo ao ficar frente a frente com o Leicester City. Sim, tem o conto de fadas, etc, etc, etc. Mas a diferença entre os times é brutal. E o Leicester é bastante previsível, só tem um jeito de jogar, confia nas bolas aéreas e contra ataques.

Um técnico como Simeone saberá tranquilamente anular as poucas armas do Leicester. Se tem um time que sabe neutralizar bolas aéreas e não fica exposto a contra ataques, porque tem uma incrível sincronia defensiva e joga de forma muito compacta, este é o Atlético de Madri, finalista de duas das últimas três Champions.

E o Monaco também é favorito contra o Borussia Dortmund, em um duelo de times ofensivos e que promete muitos gols. O Monaco é o melhor ataque da Europa, lidera na França e deu uma incrível demonstração de força e personalidade ao reverter a eliminatória contra o Manchester City. O Dortmund é um time instável. Tem tradição, tem um dos estádios mais quentes da Europa, mas terá de decidir a vida fora de casa. Não tem a solidez defensiva para segurar o Monaco, na minha visão.

Meus palpites: passam Bayern, Juventus, Atlético e Monaco. Mas até abril os momentos podem mudar, soluções podem ser encontradas, jogadores podem se machucar. Agora é esperar!


Messi resolve contra a vítima predileta, e Barça renasce
Comentários Comente

juliogomes

Após dias para lá de tumultados, o Barcelona renasceu na temporada com uma importante vitória por 2 a 1 sobre o Atlético de Madri, em pleno estádio Vicente Calderón.

O Barcelona segue um ponto atrás do Real Madrid na tabela, já que o Real virou em Villarreal após estar perdendo por 2 a 0 – haverá muita polêmica na semana, o gol de empate do time madridista saiu de um pênalti absurdamente marcado. A virada veio logo depois.

O futebol do Barça mostrou poucos sinais de melhora. No primeiro tempo, o Atlético dominou completamente a partida, foi muito superior contra um rival apático em campo. As chances do Barcelona vieram em dois contra ataques e uma falta cobrada por Messi.

O goleiro Ter Stegen era o melhor em campo. Com mais vontade nas divididas, mais volume de jogo no meio de campo, mais bola, de fato, o Atlético mandava.

No segundo tempo, o Barcelona melhorou. E chegou ao gol com Rafinha, o filho mais novo de Mazinho, titular no meio de campo e que tentou fazer as vezes de Daniel Alves, jogando bem aberto pela direita – foi a mudança tática do pressionado técnico Luís Enrique para tentar resolver o fluxo de jogo. Rafinha aproveitou um bate rebate na área, com duas bolas espirradas seguidas, para tocar com oportunismo.

O Atlético seguiu melhor, empatou em uma bola parada (Godín, de cabeça) e quase virou. Mas, no finalzinho, Messi definiu. Um Messi sumido em campo. Mas Messi é Messi.

Foi o último jogo entre Atlético e Barça no Calderón, pois o Atlético terá estádio novo na temporada que vem. E Messi fez 13 gols nesse estádio, o lugar onde mais fez gols (fora o Camp Nou, logicamente). Já são 27 gols em 34 partidas contra o Atlético, a vítima preferida do argentino.

Em jogos exclusivamente da Liga espanhola, são 22 gols em 22 partidas contra o Atlético, que se despede do Calderón com um incômodo jejum. Ganhou pela última vez do Barça ali em jogos da Liga em 2010 – logicamente, houve vitórias por outros torneios, como a Liga dos Campeões do ano passado. Mas, pelo Campeonato Espanhol, Simeone segue sem ter vencido o Barcelona.

Para o Atlético, a derrota significa pouco. Jogou muito bem, acabou perdendo, mas já não tinha chances reais de ser campeão espanhol. O negócio para o Atlético é a Champions, com vaga quase certa nas quartas de final e em busca da terceira final em quatro anos.

Para o Barcelona, a vitória pode ser um renascimento. Já que a Inês é morta na Champions, é importantíssimo vencer em um estádio como este e mostrar ao Real Madrid que está vivo e forte na briga pelo título.

O jogo do time continua dependendo de estocadas dos três atacantes. O meio de campo segue inoperante. Mas Messi segue aí. Enquanto há Messi, há vida.

 


Jogo épico expõe ataques maravilhosos e defesas pífias de City e Monaco
Comentários Comente

juliogomes

Sim, épico é um adjetivo justo. Manchester City e Monaco fizeram o melhor jogo da temporada europeia até agora, em um 5 a 3 inesquecível.

Um jogo em que ficaram claros os atributos ofensivos brilhantes dos dois times, mas também ficou clara a falta de consistência defensiva de ambos. Já sabem, para ser campeão de um torneio como a Champions League, equilíbrio é a palavra chave. Portanto, quem passar daí para as quartas de final terá de fazer ajustes.

Enquanto isso, podemos nos divertir falando do jogo de ida e aguardando o da volta.

O Monaco tem 76 gols em 26 jogos no Campeonato Francês. É o melhor ataque da Europa e mostrou toda essa vocação agredindo o City durante 90 minutos, mesmo fora de casa. Em nenhum momento recuou suas linhas. Mostrou coragem, alternativas de jogo e um atacante em momento especial. Radamel Falcao tem 15 gols nos últimos 15 jogos oficiais. Sua carreira em competições europeias aponta o estratosférico número de 44 gols em 48 partidas.

Durante todo o jogo, City e Monaco marcaram pressão e conseguiram sair facilmente da pressão rival. Isso fez com o que o jogo tivesse ritmo alucinante, com pouco meio de campo e muitas chegadas de perigo ao ataque. Defensivamente, ambos fizeram um péssimo trabalho.

O City saiu ganhando em um lindo lance de Sané, concluído por Sterling. Na primeira saída de bola errada de Caballero, o Monaco empatou em lindo cruzamento de Fabinho e cabeceio mais lindo ainda de Falcao.

Aí, houve o lance de pênalti sobre Aguero. Para muitos, não foi. Para mim, foi claríssimo. Ato seguido, o Monaco fez 2 a 1 em uma cobrança de falta para Mbappe, com falha clamorosa da estática dupla de zaga.

O Monaco começa o segundo tempo em cima, apertando, empurrando, com muita coragem. E aí ocorre o segundo pênalti decisivo do jogo. Desta vez marcado pelo árbitro e perdido por Falcao. Caballero começava a se redimir.

Do outro lado, Subasic tomou um frangaço no chute de Aguero – o melhor em campo, mostrando que ficou mordido com a reserva e fazendo a torcida esquecer Gabriel Jesus, pelo menos por enquanto.

Quando parecia que o City iria crescer, bola esticada, Falcao ganha de Stones como quer e dá uma cavadinha. Uma pintura. O Monaco, naquele momento, tinha a classificação nas mãos.

Aí começa o vendaval do City. Foi para o tudo ou nada. Foi tudo. Aguero, Stones e Sané (após assistência de Aguero) viram o jogo para 5 a 3 contra um Monaco atônito.

A eliminatória está para lá de aberta. O Monaco já fez 4 ou mais gols 11 vezes na temporada. Se tem um ataque hoje capaz de furar a defesa (fraca) do City, é a do Monaco. Por isso, acredito que Guardiola montará um meio de campo mais firme e consistente para a volta.

No outro jogo da terça, em Leverkusen, o Atlético de Madri fez 4 a 2 no Bayer. É um time que sofre mais gols na temporada, mas mostra muita criatividade, muito volume, muita capacidade ofensiva. O Atlético é candidatíssimo a chegar à sua terceira final em quatro anos.


Gol sofrido no fim mais ajuda que atrapalha o Real Madrid
Comentários Comente

juliogomes

O Real Madrid levou um gol de Reus aos 43 do segundo tempo, empatou por 2 a 2 com o Borussia Dortmund e acabou ficando em segundo no grupo F da Champions League.

Má notícia? Na minha visão, longe disso. O Real atinge 34 jogos de invencibilidade com Zidane no comando, igualando uma marca história estabelecida em 1988-89, e deve superar o recorde no fim de semana, em casa, contra o La Coruña.

De quebra, ao ser segundo, diminui as chances de enfrentar uma “pedreira” nas oitavas de final. É verdade que decidirá fora de casa a vaga nas quartas, mas isso é muito relativo. Se fizer um bom resultado na ida, no Bernabéu, decidir fora nem é mau negócio.

Sendo segundo colocado no grupo, o Real Madrid será sorteado contra um dos primeiros colocados – não pode, no entanto, enfrentar times do mesmo país ou do mesmo grupo em que jogou a fase inicial.

Portanto, o Real enfrentará nas oitavas um destes cinco times: Arsenal, Juventus, Napoli, Monaco ou Leicester. Se colocarmos Arsenal e Juve na lista de favoritos ao título, o Real tem 40% de chances de pegar uma pedreira, contra 60% de chances de pegar um rival mais fraco. Não digo que Napoli, Monaco e Leicester sejam galinhas mortas, mas é difícil imaginar um destes três eliminando o Real de Zidane na Champions.

Se não tivesse levado o gol do Dortmund no fim, o Real enfrentaria um destes seis: Bayern de Munique, Manchester City, PSG, Benfica, Porto ou Bayer Leverkusen. Ou seja, 50% de chances de enfrentar um favorito ao título. E Bayern, City e PSG, creio, são mais fortes que Arsenal e Juventus.

Não acredito que levar um gol no fim tenha sido estratégia – não foi o que o jogo nos contou, e o Real colocou os titulares em campo. Apenas que há males que vêm para bem.

Como não houve nenhuma grande zebra na fase de grupos, não há nenhuma “baba” nas oitavas. Os segundos colocados como Porto, Benfica, Sevilla ou Napoli são clubes que, se não têm o mesmo orçamento dos gigantes e não devem brigar por título, têm camisa, bons jogadores e podem fazer alguma graça no mata-mata contra algum desavisado.

O Barcelona pode enfrentar Bayern, PSG, Porto, Benfica ou Bayer Leverkusen.

sorteio_champions

Vamos agora aos classificados para as oitavas na Champions e quais os possíveis adversários que podem sair do sorteio de segunda-feira:

Grupo A
Arsenal – Benfica, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Porto, Sevilla
PSG – Napoli, Barcelona, Atlético de Madri, Borussia Dortmund, Leicester, Juventus
*Ludogorets na Liga Europa

Grupo B
Napoli – PSG, Manchester City, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Porto, Sevilla
Benfica – Arsenal, Barcelona, Atlético de Madri, Monaco, Borussia Dortmund, Leicester, Juventus
*Besiktas na Liga Europa

Grupo C
Barcelona – PSG, Benfica, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Porto
Manchester City – Napoli, Atlético de Madri, Monaco, Borussia Dortmund, Juventus
*Borussia Moenchengladbach na Liga Europa

Grupo D
Atlético de Madri – PSG, Benfica, Manchester City, Bayer Leverkusen, Porto
Bayern de Munique – Arsenal, Napoli, Barcelona, Monaco, Leicester, Juventus
*Rostov na Liga Europa

Grupo E
Monaco – Benfica, Manchester City, Bayern de Munique, Real Madrid, Porto, Sevilla
Bayer Leverkusen – Arsenal, Napoli, Barcelona, Atlético de Madri, Leicester, Juventus
*Tottenham na Liga Europa

Grupo F
Borussia Dortmund – PSG, Benfica, Manchester City, Porto, Sevilla
Real Madrid – Arsenal, Napoli, Monaco, Leicester, Juventus
*Legia Varsóvia na Liga Europa

Grupo G
Leicester – PSG, Benfica, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Sevilla
Porto – Arsenal, Napoli, Barcelona, Atlético de Madri, Monaco, Borussia Dortmund, Juventus
*Copenhagen na Liga Europa

Grupo H
Juventus – PSG, Benfica, Manchester City, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Porto
Sevilla – Arsenal, Napoli, Monaco, Borussia Dortmund, Leicester
*Lyon na Liga Europa


Última rodada da Champions: pouco em jogo e Real atrás de marca histórica
Comentários Comente

juliogomes

A Uefa Champions League chega à última rodada da fase de grupos com poucos jogos realmente importantes. Nenhum dos favoritos ao título está contra a parede – pelo contrário, estão todos já classificados para as oitavas de final antecipadamente.

Barcelona e Atlético de Madri (um time finalista de duas das últimas três edições precisa entrar na lista de favoritos) garantiram a primeira posição de seus grupos. Paris Saint-Germain e Juventus precisam apenas de vitórias que devem acontecer sem problemas, sobre Ludogorets (Bulgária) e Dínamo de Zagreb (Croácia), respectivamente.

O Real Madrid é quem ainda depende de uma vitória sobre o bom time do Borussia Dortmund para se garantir em primeiro.

O Manchester City ficou em segundo no grupo do Barça. O Bayern de Munique ficou em segundo no grupo do Atlético. E, se tudo ocorrer normalmente, o Arsenal será o segundo do grupo do PSG.

Para o Real Madrid, portanto, ser primeiro significa uma chance grande de pegar um destes três logo nas oitavas. Já se ficar em segundo, o Real pode pegar Juve ou PSG, é verdade, mas pode também enfrentar Monaco ou Leicester ou o primeiro do grupo de Benfica e Napoli.

Além de decidir o mata-mata das oitavas em casa, ser primeiro muitas vezes é a garantia de fugir de uma pedreira logo na primeira fase eliminatória. Desta vez, não é o caso. Isso se deu pela formatação dos grupos, muitos com duas forças.

Com isso, não quero dizer que o Real poupará jogadores ou atuará com o freio de mão puxado. A história madridista não permite isso. Por falar em história, o Real está a um jogo de chegar a 34 partidas de invencibilidade, igualando a maior marca já estabelecida pelo clube, em 1988-89 (geração de Butragueño e companhia, a “Quinta del Buitre”).

Se não perder na Champions, o Real Madrid terá outro jogo no Santiago Bernabéu, no fim de semana, contra o La Coruña, para chegar a 35 jogos invicto e quebrar o recorde. Este é o assunto principal para a imprensa de Madri nos últimos dias, mais do que a chance de ser primeiro ou segundo no grupo.

Depois do empate na bacia das almas em Barcelona, o Real vive em um mar de rosas. Recupera machucados e Zidane pode ser, em menos de um ano como técnico, campeão europeu e dono de uma marca histórica como esta. Não é qualquer coisa.

Veja o que será jogado em cada grupo da rodada final. Os grupo A, B, C e D têm jogos na terça-feira. Os outros, na quarta.

Grupo A

PSG e Arsenal empatam em pontos, mas o PSG tem a vantagem no critério de desempate (nos confrontos diretos entre eles, fez mais gols fora). Por isso, basta uma vitória sobre os búlgaros. O Arsenal joga na Basileia, e o Basel deve conseguir, com um empate, vaga na Europa League.

Grupo B

Este está embolado. Benfica e Napoli têm 8 pontos, o Besiktas tem 7 e o Dynamo Kiev está eliminado. O Besiktas precisa vencer em Kiev para se classificar. Neste caso, Benfica e Napoli jogam pela vaga em Lisboa – o empate é do Napoli. Quem ganhar, logicamente, fica em primeiro. Empate classifica os dois caso o Besiktas não ganhe. Caso perca ou empate, o Benfica ainda entra se o Besiktas não ganhar. Já o Napoli, se perder, só entra se os turcos também perderem.

Grupo C

Tudo já definido. Barcelona em primeiro, Manchester City em segundo e Borussia Moenchengladbach em terceiro (Europa League). Barça e City (contra o Celtic), em casa, devem ganhar – e também poupar jogadores.

Grupo D

Bayern de Munique x Atlético de Madri, a semifinal do ano passado, tinha tudo para ser um jogaço – só que ele não decide absolutamente nada. O Atlético, mal na Liga espanhola, já garantiu o primeiro lugar do grupo porque ganhou o duelo entre eles em Madri e viu o Bayern tropeçar contra o Rostov, na Rússia. O Bayern de Ancelotti não é firme como o de Guardiola, ainda que o potencial esteja lá. Ganhar é importante para elevar o espírito do clube, dar confiança. PSV Eindhoven e Rostov se enfrentam na Holanda, e os russos jogam pelo empate para ir à Europa League.

Grupo E

Bayer Leverkusen e Monaco se enfrentam na Alemanha, mas já sabemos que o Bayer será segundo e o bom time de Mônaco, o primeiro. O Tottenham, uma decepção desta fase de grupos, recebe o CSKA Moscou e joga pelo empate para pelo menos ir à Europa League – não que clubes ingleses liguem muito para isso.

Grupo F

Real Madrid e Borussia Dortmund, classificados, decidem o primeiro lugar no Bernabéu – o empate é dos alemães. O Sporting de Lisboa precisa de um empate contra o Legia, em Varsóvia, para jogar a Europa League.

Grupo G

O Leicester, mal na Premier, já garantiu o primeiro lugar. O Porto recebe o Leicester precisando ganhar para entrar em segundo. Se não vencer, o Porto será eliminado caso o Copenhagen ganhe do Brugge (que perdeu todas), na Bélgica.

Grupo H

A Juventus depende só de uma vitória contra o eliminado Dínamo de Zagreb para ser primeira. Lyon e Sevilla jogam na França, e o Lyon precisa vencer por dois gols para avançar. Para o Sevilla, voltar para a Europa League não tem muita graça. Seria uma grande decepção ser eliminado pelo Lyon. Se passar, no entanto, é um time que ninguém vai querer enfrentar nas oitavas.

 

 


Bayern pós-Guardiola sofre; Lucas brilha no PSG e bate na porta da seleção
Comentários Comente

juliogomes

Tem gente que cai nesse papinho que nos contam invejosos. “Guardiola é marketing”. “Guardiola só ganhou títulos porque tinha timaços nas mãos”. “Queria ver Guardiola na Série C, no Estadual”. Blá, blá, blá, blá.

Guardiola é um técnico que extrapola o simplismo dos resultados e isso incomoda o status quo. “Ganhou, é gênio. Perdeu, é uma besta”. O simplismo que dita análises e ações em nossa sociedade. O fins justificam os meios de toda nossa vida.

O que me faz (e a muita gente) admirar tanto o trabalho de Guardiola não é o simplismo do tamanho de sua sala de troféus. E, sim, a mensagem que ele manda e que pode ser extrapolada do futebol para a vida: os meios importam. É possível atingir objetivos, chegar lá, sem abrir mão de suas convicções. É importantíssimo fazer as coisas do modo como preferimos, como idealizamos.

É impossível não lembrar de Guardiola quando observamos a semana do Bayern de Munique.

No sábado, perde o clássico para o Borussia Dortmund por 1 a 0. Na quarta, perde do Rostov (!!!) na Rússia por 3 a 2, o que relega o clube à segunda posição no grupo D da Champions League.

Na Bundesliga, o Bayern soma 24 pontos em 11 jogos – ganhou sete, empatou três, perdeu uma. Está em segundo lugar. Na Champions, ganhou três e perdeu duas, está classificado, mas em segundo lugar, atrás do Atlético de Madri, e terá de jogar a partida de volta das oitavas de final fora de casa.

Na temporada 15/16, com Guardiola, o Bayern ganhou as dez primeiras na Bundesliga e só foi tropeçar (empatar) pela primeira vez na rodada 11. Era líder com 31 pontos.Em 14/15, nos 11 primeiros jogos foram oito vitórias e três empates, 27 pontos, 27 gols marcados. Em 13/14, nos 11 primeiros jogos foram nove vitórias e dois empates, 29 pontos. Guardiola foi campeão com 19 pontos de vantagem no primeiro ano, 10 no segundo e 10 no terceiro.

Na Champions League, nos três anos de Guardiola o Bayern ganhou seu grupo com facilidade, sempre com cinco vitórias e uma derrota.

O substituto de Guardiola no Bayern é um dos grandes técnicos da história do futebol europeu, Carlo Ancelotti. Um treinador com três Champions no currículo, incluindo a “Décima” do Real Madrid, quebrando jejum de 12 anos.

O início claudicante do Bayern na temporada, ainda assim com bons números, não fala mal de Ancelotti. Apenas serve para nos lembrar que os feitos de Guardiola no clube bávaro não seriam repetidos “por qualquer um que estivesse ali”, como gostam de falar seus detratores.

Com Pep, o Bayern passou a jogar outro futebol, o futebol que Guardiola considera o mais atraente e eficiente para se chegar à vitória. Uns gostam, outros não gostam. É direto de todos. O que não não para discutir é que o fim não é o único objetivo. O jeito importa. E, do jeito que Pep idealizou, amassou seus adversários na Alemanha, nunca sendo ameaçado. Foi fortíssimo na Champions League e acabou caindo em três semifinais seguidas para times espanhóis.

Contra o Real (14) e o Barça (15), o Bayern de Guardiola foi destruído nos contra ataques. Contra o Atlético (16), o problema foi resolvido. Mas aí Thomas Muller perdeu aquele pênalti…

Guardiola não é perfeito. Ancelotti não é um lixo. Mas o elenco estrelado do Bayern, que está ainda melhor nesta temporada, parece encontrar dificuldades para se des-Guardiolizar e voltar ao “normal”. Acabará se encontrando, sem dúvida. Deve ganhar a Bundesliga. E ainda acho um dos favoritíssimos na Champions League.

Mas o caminho será mais tortuoso. Como Guardiola, tudo foi mais fácil. E mais belo.

O que mais rola na Champions

O grupo do Bayern foi vencido pelo Atlético de Madri, com os 2 a 0 sobre o PSV. O Atlético já ficou para trás na Espanha, mas não se enganem. É um elenco forte, um timaço e com um técnico espetacular. O Atlético, vice em 14 e 16, é candidato novamente. Agora é torcer por um sorteio amigável nas oitavas

No grande jogo da rodada, Arsenal e PSG ficaram no 2 a 2. O gol de empate do PSG, no final, foi de Lucas Moura, que fez uma partida fantástica. Tite deve estar de olho, logo logo Lucas voltará à seleção. Está jogando demais.

Lucas, à priori, joga aberto no PSG. Mas, ao contrário dos tempos de Blanc, se movimenta, cai pelos dois lados, volta para armar, se associar com meio-campistas e municiar Cavani, bate faltas (acertou o travessão antes de fazer o gol de empate), ajuda na marcação. Tem muita concorrência para a seleção, com Philipe Coutinho também brilhando, por exemplo. Mas Lucas faz uma temporada consideravelmente superior às de William (Chelsea) e Douglas Costa (Bayern).

Foi um grande jogo de futebol, destes que só a Champions nos proporciona. Times que tratam bem a bola, buscam a vitória, não praticam antifutebol, não apelam. O PSG pós-Ibra e pós-Blanc parece um time mais solidário, que vai se acertando com Emery e será uma ameaça real a qualquer um no mata-mata. Será que supera a barreira das quartas?

Aos franceses, basta uma vitória por qualquer placar contra o fraco Ludogorets, em casa, para garantir o primeiro lugar do grupo. O Arsenal – novidade – será segundo.

Primeiro lugar que o Barcelona já garantiu com os 2 a 0 sobre o Celtic, na Escócia, com assinatura de Messi. O Manchester City, de Guardiola, empatou com o Borussia Moenchengladbach na Alemanha e está classificado, mas em segundo lugar.

Primeiros colocados já definidos matematicamente: Barcelona, Atlético de Madri, Monaco e Leicester. Serão primeiros também PSG e Juventus.

Segundos colocados já definidos: Manchester City, Bayern de Munique e Bayer Leverkusen. Será segundo também o Arsenal.

O que resta definir na última rodada:

– Real Madrid x Borussia Dortmund. Empate deixa os alemães na primeira posição, Real precisa vencer para não ser segundo.

– Porto precisa vencer em casa o classificado Leicester para entrar em segundo. Se tropeçar, pode perder a vaga para o Copenhagen.

– Lyon x Sevilla decidem em duelo direto a segunda vaga no grupo da Juventus. Franceses precisam vencer por dois ou mais gols de diferença, Sevilla pode empatar ou até perder por um.

– Napoli e Benfica deveriam ter vencido e se classificado nesta quarta, mas ambos bobearam feio. O duelo direto entre eles, na última rodada, em Lisboa, deve definir apenas um classificado. Quem vencer, ganhará o grupo. Empate classifica o Napoli. Ambos podem entrar juntos, caso o Besiktas não vença o eliminado Dynamo, em Kiev. Mas o time turco só depende de uma vitória para entrar.


Quatro clubes que podem desafiar Real, Barça e Bayern na Champions
Comentários Comente

juliogomes

Foi em um distante ano de 2008 que a Liga dos Campeões teve, pela última vez, uma final sem a presença ou do Real Madrid ou do Barcelona ou do Bayern de Munique. Cristiano Ronaldo, por sinal, era a estrela do time campeão, o Manchester United – que derrotou o Chelsea naquela decisão de Moscou.

Já são oito finais seguidas com um dos três clubes mais potentes da Europa – curiosamente, nenhuma entre eles. São sete Ligas consecutivas em que dois ou três deles estiveram na semifinal. Ninguém consegue acompanhar o ritmo do trio.

A fase de grupos da Champions começa nesta terça com Bayern, Barça e Real como os claros favoritos ao título. Assim como aconteceu de forma cristalina nas últimas quatro edições do campeonato de clubes mais importante do mundo. É difícil apontar um favorito entre os três. Mas mais difícil ainda, quase impossível, é apontar um favorito que não seja um dos três.

Para este blog, após as três frustrantes eliminações em semifinais com Guardiola, é a vez do Bayern de Munique. Carlo Ancelotti tem uma estrela que brilha muito na Champions. É um treinador que, além de entender demais de futebol e potencializar o que tem em mãos, sabe muito bem aproveitar ótimos trabalhos deixados por antecessores (sem querer “mudar tudo” para impor um estilo) e que gerencia egos e estrelas como poucos.

Mas este post trata de buscar o tal “impossível”. Como não estamos falando de pontos corridos e, sim, de mata-mata, a competição cria condições para que outros cheguem à final. Quais são os clubes capazes de desbancar um dos três super favoritos?

Aqui vai minha curtíssima lista.

1- Juventus

Depois de chegar à final em 2015, a Juve perdeu Tevez, Pirlo e Vidal. Três peças fundamentais. Levantou-se rapidamente para ganhar o Scudetto de novo, mas já perdeu Pogba e Morata, que havia encaixado tão bem no ataque. Para a atual temporada, no entanto, chegaram Daniel Alves, Benatia, Pjanic e Higuaín, e a Juve já começou voando na Itália. Não deverá ter problemas para conquistar um inédito hexacampeonato nacional e ter o foco todo na Champions no primeiro semestre de 2017.

Tem camisa, história, uma defesa melhor que a dos três poderosos, competitividade, elenco e maturidade. A Juventus é a candidata mais forte a beliscar uma final e, por que não, sair da fila de 20 anos.

higuain_juve

2- Atlético de Madri

Com todo respeito aos outros, não é possível empurrar o Atlético para baixo nessa lista. É um clube que chegou a duas das últimas três finais, que perdeu uma por um gol sofrido nos acréscimos do segundo tempo e outra nos pênaltis. Sabe o que é chegar, como chegar e tem a cicatriz da derrota, o que sempre pode ser um fator para vitórias.

O Atlético melhorou demais seu jogo na temporada passada. Se enganam os que simplificam tudo e consideram apenas um time defensivo e retranqueiro. Além de possuir o melhor sistema defensivo da Europa, com linhas que se ajudam e têm uma capacidade impressionante de sincronização de movimentos, a equipe melhorou demais com a bola e na qualidade ofensiva. Mantém seu grande mentor, Simeone, mantém os titulares todos da temporada passada e ainda acrescenta dois atacantes importantes em Gameiro e Gaitán. Deixou de ser surpresa, não pode ser subestimado.

3- Manchester City

É o time do técnico mais genial do planeta, e isso não é pouca coisa. Mesmo em uma temporada apática, o City conseguiu, afinal, chegar a uma semifinal e quebrar essa importante barreira. Além do impulso natural da chegada de Guardiola, o elenco ficou bastante reforçado em todas as linhas. E ainda chega Gabriel Jesus em janeiro, um garoto desconhecido na Europa e que, se encaixar e se soltar de cara, pode fazer a diferença.

Guardiola tem tempo de sobra para misturar os elementos táticos nos quais acredita com o estilo intenso dos times da Premier League. Tem também a chance de medir forças contra o Barça na fase de grupos e tempo de sobra para pensar no que deu errado para eles nas semifinais das últimas três Champions – e ajustar.

4- Paris Saint-Germain

Ao contrário do City, ainda não conseguiu romper a barreira das quartas de final desde que virou “novo rico”. No ano passado, pareciam ter uma chance real, mas algo simplesmente não aconteceu. E este blog já disse isso repetidas vezes: talvez esse “algo” estivesse no banco. Laurent Blanc deixou a desejar nos momentos cruciais dos jogos cruciais. A chegada de Unai Emery, um técnico que fez trabalhos enormes no Valencia e no Sevilla, é um ganho tremendo para o PSG.

É verdade que Ibrahimovic não está mais, mas isso pode abrir espaço para novas dinâmicas no ataque, que ficava pendente demais do sueco – até hoje, todos que ficaram pendentes de Ibra nas fases agudas da Champions League se deram mal. Todos. O trabalho de Emery eventualmente vai encaixar, e o PSG, assim como Juventus e Bayern de Munique, deve chegar ao mata-mata com a liga doméstica praticamente decidida.


Janela europeia: ingleses no ataque, Real Madrid quietinho
Comentários Comente

juliogomes

Foi-se a Olimpíada, voltamos ao futebol (não comemoro, acho uma pena, mas as coisas são como são). Um dos meus sonhos era ver o Brasileirão ser disputado de janeiro a agosto. Assim, as janelas europeias seriam muito menos dramáticas para nosso principal campeonato.

A de janeiro ainda pegaria o início de temporada. E a que se fecha em agosto pegaria o campeonato acabando. Mas, claro, os dirigentes que tomam conta disso devem estar preocupados com coisas muito mais importantes, não é mesmo?

Até que, no fim, a janela de verão europeu não foi assim tão destruidora para o futebol brasileiro. Sim, peças importantes saíram. O Santos perdeu Gabigol para a Inter de Milão, o Corinthians deu sequência ao desmanche perdendo Elias para o Sporting, o São Paulo já havia perdido Ganso para o Sevilla, o Grêmio havia cedido Giuliano ao Zenit, agora o Atlético Mineiro perde Douglas Santos para o Hamburgo.

 

O Palmeiras, líder do campeonato, consegue segurar Gabriel Jesus até o fim do ano. E, convenhamos, nenhuma das perdas fará um time deixar de ser campeão. Ninguém foi retalhado nos momentos derradeiros da janela de transferências.

E na Europa? O que vimos?

Barcelona e, principalmente, o Real Madrid estiveram tímidos no mercado. É fato que é difícil melhorar elencos como os dos dois superpoderosos, e o mesmo se aplica ao Bayern de Munique. São as três forças destacadas dos últimos anos e continuam sendo nesta temporada.

Me surpreendeu a calma do Real Madrid, dado que o clube ainda corre o risco de ser proibido pela Fifa de atuar nas duas próximas janelas. Trouxe Morata de volta, o que dá sangue novo para o ataque, competição para Benzema e opções de jogo. Recuperou o jovem meia Asensio, que estava emprestado. Mas acabou não monetizando com um (supostamente) insatisfeito James Rodríguez e não conseguiu trazer um meia defensivo para competir com Casemiro. O sonho era Pogba. Não rolou.

Por mais que tenha conquistado a Champions, não vejo o Real Madrid tão completo assim em todas as linhas. Vai ter de remar para recuperar a liga do Barcelona.

Barça, por sua vez, que engordou o elenco, coisa que estava havia tempos precisando fazer. Trouxe o atacante Alcácer e o meia André Gomes do Valencia, o bom volante Suárez, do Villarreal, o lateral Digne, do PSG, e o jovem zagueiro Umtiti, do Lyon. Perdeu Daniel Alves, a baixa mais relevante. Perdeu Bravo, mas confesso que sempre achei Ter Stegen, no mínimo, do mesmo nível do goleiro chileno. E ainda veio o arqueiro Cilesen, do Ajax.

Considerando ainda que Arda Turan estará em sua primeira temporada inteira com o clube e é quase um reforço, o Barça dá mais peso ao elenco para lidar com eventuais imprevistos.

O Atlético de Madri, que na temporada passada foi à final da Champions e deu calor nos grandões na Liga, é um ganhador da janela. Evitou o desmanche, convenceu Simeone a continuar e ainda trouxe o atacante francês Gameiro, uma garantia de gols que chega do Sevilla, o extremo argentino Gaitán, do Benfica, e o lateral croata Vrsaljko. Podemos todos colocar o Atlético como uma força em todas as competições – de novo.

Ainda na Espanha, o Sevilla, que está na Champions e trouxe Jorge Sampaoli, tem um time interessante. Perdeu Gameiro e os meias Banega, para a Inter, e Krychowiak, para o PSG, mas trouxe o francês Nasri por empréstimo do City, Ganso, os bons argentinos Vietto e Kranevitter do Atlético de Madri, entre outros nomes de menos expressão. O Sevilla sempre monta bons times, dentro do seu escopo.

Antes de falarmos dos ingleses, que foram os que mais atacaram o mercado, precisamos passar por três grandes clubes que devem ganhar suas ligas com tranquilidade e, assim, focar as atenções na Champions League.

Unai Emery, muito, muito, muito bom técnico, foi do Sevilla para o PSG. É uma grande notícia para o PSG, que teve, com Laurent Blanc, sucesso doméstico e decisões equivocadas na hora H do torneio continental. É verdade que Ibrahimovic foi embora. Mas o ataque tem gente como Di María, Cavani, Lucas, Pastore, Lavezzi…

O PSG não fez estragos na janela, mas trouxe reforços pontuais, jogadores da “classe média” e que podem ajudar a dar consistência ao elenco. O volante polonês Krychowiak, do Sevilla, o lateral belga Meunier, os atacantes Ben Arfa e Jesé, aquele mesmo do Real Madrid. O ótimo meia Lo Celso, do Rosario Central, chega no meio da temporada. É um PSG fortíssimo.

Como forte é o Bayern de Munique. Aliás, na opinião deste blog, o mais forte. O Bayern trouxe Hummels, um zagueiro espetacular, e Renato Sanches, a joia do Benfica que passou a valer bem mais que os 35 milhões de euros pagos pelo clube alemão depois da campanha vitoriosa de Portugal na Eurocopa. A perda de Gotze, que voltou a Dortmund, não é tão relevante.

Guardiola se foi. Mas chega Carlo Ancelotti, um homem que sabe como poucos conduzir elencos estrelados a títulos europeus. Além de ótimo treinador e gerenciador de pessoas, tem uma estrela de dar inveja. O Bayern fará estragos com Ancelotti e o elenco que tem.

Que o Borussia Dortmund ofereça competição na Bundesliga é algo que só ajudará o Bayern. Além de Gotze e Rode do próprio Bayern, chegaram Schurrle, o lateral português Guerreiro, o zagueiro ex-Barça Bartrá, o atacante Dembélé, do Rennes. Saíram Hummels, Gundogan e Mkhitaryan. Não é pouca coisa, mas será um Borussia forte mesmo assim.

A Juventus movimentou somas incríveis com a venda de Pogba ao Manchester United por 105 milhões de euros e a chegada de Higuaín por outros 90 milhões – as duas maiores transferências do ano. Higuaín substitui Morata à altura. Pjanic veio da Roma para reforçar o meio de campo. O colombiano Cuadrado segue no clube, o zagueiro Benatia chega do Bayern e Daniel Alves veio de graça do Barcelona. Reforço de peso. Se Allegri encaixar as novas peças e com a tranquilidade para ser hexa na Itália, a Juve é outra força europeia de relevância.

Por fim, chegamos aos ingleses. Na Premier League, estão os técnicos mais badalados. Mourinho no United, Guardiola no City, Antonio Conte chegando no Chelsea, além de Klopp, que já estava no Liverpool. Importante lembrar, no entanto, que destes todos somente o Manchester City está na Champions League – Leicester, Tottenham e Arsenal são os outros ingleses na principal competição europeia.

O United de Mou trouxe Pogba, Mkhitaryan, o zagueiro marfinense Bailly, do Villarreal, e, claro, Ibra. Não deve ser um time brilhante ao longo do ano, mas pragmático e vencedor, como sempre acontece quando Mourinho está no comando.

ibra_pogba

Guardiola experimenta vida nova em uma liga competitiva como ele nunca viveu. Já tem até polêmica, com a saída de Hart, goleiro histórico do clube, para o Torino por empréstimo. Para Guardiola, ele não sabe jogar com os pés. Veio Bravo, o chileno ex-Barça. Foi o clube que mais gastou. Chegam o zagueiro Stones, do Everton, por 56 milhões de euros, Gundogan e o extremo Sané do futebol alemão, o espanhol Nolito, que fez ótima temporada pelo Celta e foi titular na Eurocopa, além, claro, de Gabriel Jesus em janeiro.

O Chelsea de Conte fez a compra de maior impacto do último dia de janela, repatriando David Luiz. Tem coisas nessa vida que são difíceis de entender. Conseguiu arrancar Kanté, o motorzinho do meio de campo do campeão Leicester, trouxe o lateral espanhol Alonso, ex-Fiorentina, e ainda gastou para trazer o jovem atacante belga Batschuayi, do Olympique de Marselha. Não foi normal a temporada passada para o Chelsea, é time para brigar pelo título inglês.

Do time que fez uma das coisas mais incríveis que já vimos, o Leicester só perdeu Kanté de muito importante. Incorporou Mendy, do Lille, e dois atacantes interessantes: o nigeriano Musa, que era do CSKA, e o argelino Slimani, do Sporting. O Arsenal gastou muito para comprar o suíço Xhaka e o zagueiro alemão Mustafi. Não acredito que estes dois e o Tottenham, que fechou a janela trazendo o francês Sissoko, sejam capazes de interferir na briga pelo título, que ficará restrita a Chelsea e os times de Manchester.

Quem ganhou? Quem perdeu? Aí deixo para vocês opinarem aqui no blog.


Zidane e o sucesso do arroz com feijão
Comentários Comente

juliogomes

Não foi uma grande final de Champions League.

O Atlético de Madri talvez tenha sentido o peso de não ser um “azarão” antes da partida. Não entrou em campo no primeiro tempo. Faltava tudo: linhas compactas, atenção nas bolas aéreas, bons passes e, o principal, a marca do time: intensidade.

O Real Madrid chegou ao gol em uma bola na área, com Sergio Ramos em impedimento. Mas já havia quase marcado com Casemiro e fatalmente marcaria de outro jeito. O Real fez o que costuma fazer. Adiantou linhas, usou Modric e Kroos livres para armar com a segurança de Casemiro atrás dele. Foi empurrando o adversário, conseguindo faltas e escanteios que sempre levavam perigo. O que surpreendeu foi a facilidade com o que o meio de campo do Real conseguiu se mover contra o Atlético.

O segundo tempo começa com um pênalti (mal marcado) de Pepe que poderia ter mudado tudo. Era um achado para o Atlético, tudo o que precisava. E aí Griezmann perde o pênalti, assim como Muller havia perdido para o Bayern, contra o Atlético, em lance que teria mudado a semifinal.

A partir do pênalti perdido, o Atlético desapareceu de vez do campo. E foi o Real Madrid que decepcionou. Não apertou, não empurrou. Sentou no 1 a 0, em vez de dar o golpe fatal a um adversário abatido e perdido em campo. Levou o castigo, o empate a 10 minutos do final. E deu sorte, pois Sergio Ramos deveria ter sido expulso nos minutos finais do tempo normal ao parar um contra ataque de três contra um com uma voadora.

Na prorrogação, ninguém quis nada. Estava na cara desde o primeiro minuto do tempo extra que aquilo acabaria em pênaltis. Faltou ao Atlético, superior fisicamente naquele momento, a vontade de ganhar. E aí como falar em loteria? O Real Madrid foi lá e meteu os cinco para dentro, todos com qualidade. Contribuiu o fato de Oblak não saltar em uma bola sequer – vai entender. Quis cair de pé, talvez.

A final foi o contrário da de 2014.

Dois anos atrás, o Atlético fez um jogo completo, com intensidade e concentração. O Real Madrid apertou, criou muitas chances e recebeu o prêmio com o gol nos acréscimos. Na prorrogação, contra um Atlético destruído fisicamente, goleou. Já em Milão, no sábado, nenhum dos times fez um bom jogo. Foram dois 1 a 1 (no tempo normal) completamente distintos. E o Atlético não fez, na prorrogação, o que o Real fizera em Lisboa.

Foram 10 anos, os últimos, em que o Barcelona foi o clube a ser batido na Europa. Ainda assim, no mesmo período, o Real Madrid conseguiu tirar da cartola duas Champions League (contra quatro do maior rival). É um poder impressionante. São 11 títulos europeus, léguas de distância para o segundo maior vencedor. Mais que o dobro do Barça.

zinedine-zidane-champions

A temporada começou péssima para o Real Madrid.

O presidente Florentino Pérez fez a inexplicável burrada de dispensar o ótimo (e adorado pelo grupo) Carlo Ancelotti para contratar um contestado Rafael Benítez. Após mais uma humilhação caseira diante do Barcelona, corrigiu o erro de forma populista, jogando para a torcida. Colocou no cargo um dos maiores ídolos da história do clube, alguém que não poderia ser massacrado por torcida e imprensa. Colocou um muro entre o erro dele, por ter trazido Benítez, e as críticas.

Zinedine Zidane não tinha histórico como treinador, era um novato. Mas alguém que conhece bem como as coisas funcionam no Real Madrid.

E ele provou, mais uma vez, que o arroz com feijão é a receita infalível nos grandes clubes, com elencos recheados, cheios de egos e estrelas, imprensa em cima, torcida exigente. O melhor é não arriscar mesmo. É fazer o básico.

Por básico, entende-se: tratar os jogadores como eles gostam, misturando autoridade e amizade. Fazer o lógico taticamente, deixando a coisa fluir mais do que tentar inventar moda. Respeitar o estilo de jogo que agrade a torcida. Dar liberdade para seu melhor jogador se sentir útil, importante e prestigiado.

Ancelotti, em 2014, e mesmo Benítez, em seu curto período no clube, perceberam que era necessário ter um homem de corte defensivo no meio de campo para trazer equilíbrio ao time. Modric e Kroos tinham que fazer parte do sistema defensivo, mas também eram fundamentais para a construção de jogo. Precisavam de alguma liberdade para isso. Zidane “inventou moda” no começo. Quis usar Isco, James. Abriu mão de Casemiro.

Mas foi sábio suficiente para fazer o que muitos técnicos não fazem: corrigir o erro. E rapidamente. Deixou o orgulho de lado e, após uma derrota para o Atlético na liga espanhola, em pleno Bernabéu, voltou atrás. Talvez tenha se lembrado de como era importante Makelele naquele time do Real Madrid em que ele foi campeão europeu. Dispensado por Florentino, assim como Vicente del Bosque, outro grande exemplo de técnico que triunfa com o arroz com feijão.

Zidane se lembrou de Del Bosque. De Ancelotti. Do fracasso da era “galáctica”, sem carregadores de piano. E fez o básico. Menos é mais, já diria o outro.

Na final contra o Atlético, o Real Madrid jogou um futebol básico. Correu riscos pela falta de “punch” no segundo tempo. Mas saiu com a taça.

O que será de Zidane? Não sabemos. O que será de Simeone e do cholismo? Terá o Atlético desperdiçado, pela segunda vez, a chance de uma vida? Veremos nas próximas semanas.

Com Casemiro segurando as pontas e Cristiano Ronaldo resolvendo na frente (menos na final), o Real Madrid chega à décima primeira Copa da Europa. Deu sorte no caminho rumo à decisão. Foi nos pênaltis. Foi com gol impedido e o melhor em campo não deveria mais estar em campo. Não é a mais inesquecível das 11, enfim.

Mas a taça está no Bernabéu mais uma vez. O resto da Europa que se vire para alcançar. O museu do Real Madrid vai arrumar um espacinho para mais uma. E nas ruas de Madri já se fala da “Duodécima”. Porque esse clube vive disso: ser o maior da Europa.


Como o Atlético de Madri mudou de 2014 para cá
Comentários Comente

juliogomes

O Atlético de Madri deveria ter sido campeão da Champions League em 2014. Pelo jogo que fez em Lisboa, a coragem, a torcida, a campanha. Mas não foi. Levou gol nos acréscimos, apagou na prorrogação e parecia ter perdido ali uma chance que só viria 40 anos depois.

Eu já vi muita torcida derrotada após uma final. Cada uma reage de um jeito. Naquele dia, em Portugal, os atléticos tinham estampada na testa a tristeza estilo “nunca mais teremos essa chance”.

Só que ela veio dois anos depois.

O novo duelo contra o maior rival, o Real Madrid, é a ocasião que todos os atléticos pediram após a tragédia de Lisboa. “Nenhum torcedor do Atlético trocaria o rival da decisão”, declarou Fernando Torres. “É o jogo das nossas vidas. O futebol nos deu outra oportunidade”, falou Juanfran. Eles dão o tom do tamanho do sentimento de revanche.

Não apenas pela revanche. Mas pela tal nova oportunidade. Coisas que poucos têm na vida, em qualquer esporte ou setor.

Três fatores fazem deste Atlético 2016 um time diferente (e melhor). Físico, técnico e psicológico.

Fisicamente inteiro

Fisicamente, aquele time de 2014 estava esgotado. Havia sido uma temporada de desgaste anormal para o grupo de jogadores, pouco habituados à maratona pela qual o Atlético havia sido submetido.

O time havia sido campeão espanhol somente uma semana antes da final da Champions, sem tempo de descanso. Um título que não vinha havia 18 anos e que exigiu que todos os titulares jogassem todos os minutos possíveis de todos os jogos. Arda Turan não pôde jogar a final de Lisboa, Diego Costa saiu com 8 minutos de jogo, Juanfran atuou a prorrogação lesionado.

Nas últimas três rodadas do Espanhol, o Atlético perdeu para o Levante e empatou com o Malága, dando claros sinais de estafa física. Ainda assim chegou líder à última rodada e ficou com o título com o empate contra o Barcelona.

A final contra o Real Madrid foi, logicamente, para lá de intensa. Quando Sergio Ramos empata, nos acréscimos, todos sabiam que não haveria jogo na prorrogação. O Atlético não tinha mais pernas nem oxigênio.

Desta vez, o cenário é diferente. Foram duas semanas de intervalo entre a última rodada da liga doméstica e a final. E o time não dá os mesmos sinais de cansaço, até porque se habituou a jogar mais partidas ao longo da temporada e fez algumas necessárias rotações. Fisicamente, o Atlético está mais inteiro.

koke_griezmann

Qualidade técnica

O segundo fator de diferença é o técnico. O atual time do Atlético tem mais qualidade do que o de 2014, uma mudança conceitual buscada por Simeone ao perceber que, para ir além (ganhar a Champions), uma defesa ultrasólida não seria suficiente.

O time que jogou a final de 2014 tinha a defesa formada por Courtois, Juanfran, Godín, Miranda e Filipe Luís. À frente deles, Koke e Gabi no meio de campo. Esta coluna vertebral se mantém. Oblak é um goleiraço, não muito abaixo de Courtois. Giménez e Savic (há uma dúvida aqui sobre quem estará ao lado de Godín) não têm a mesma bagagem de Miranda. É uma perda. Mas minimizada pelo fato de os outros jogadores serem todos os mesmos.

Não são os nomes, mas o sistema. É por ele, somado ao espírito e à capacidade de concentração durante 100% do tempo, que o Atlético é o time que leva menos gols na Europa.

Do meio para frente, no entanto, os nomes mudaram. E o estilo mudou.

O ataque de 2014 era formado por Diego Costa e Villa. O de 2016, por Griezmann e Fernando Torres. Villa já vivia os momentos finais de carreira. não tinha a velocidade de antes. O Griezmann de hoje é um atacante muito mais perigoso, fundamental nas tarefas defensivas e no primeiro combate, muito rápido, capaz de criar problemas pelos lados do campo e com faro de gol. Torres vivia um final de carreira deprimente, mas renasceu este ano. É um centroavante mais técnico, inteligente e experiente do que Diego Costa e mesmo Mandzukic, que foi o titular na temporada passada.

Na campanha de 2014, Arda Turán era um nome importante da articulação. Mas ele não jogou a final. Tiago e Raúl García acompanhavam Koke e Gabi no meio de campo, dando uma característica defensiva e de pegada ao time. Hoje, o meio do Atlético tem Saúl e Carrasco, dois jogadores técnicos, de velocidade e ótima qualidade de passe. Saúl cresce a cada jogo e foi o autor da pintura contra o Bayern no jogo de ida das semifinais, enquanto Carrasco mudou a dinâmica do jogo da classificação, em Munique.

Talvez Simeone opte por Augusto Fernández ou até o recuperado Tiago, e não Carrasco, desde o início. Isso vai mostrar bem as intenções do Atlético no jogo. Fernández é um jogador mais defensivo e de proteção. Está nas prévias como o provável titular. Mas, antes de se machucar, Carrasco havia sido titular, por exemplo, na partida de ida contra o Barcelona, nas quartas de final.

Independente de quem jogue e com o crescimento de Koke, o fato é que o Atlético se sente muito mais confortável hoje com a bola do que dois anos atrás. Em 2014, o jogo defensivo era sólido, mas o ofensivo vivia mais de bolas paradas ou esticadas para Diego Costa brigar sozinho contra o mundo. Hoje, é um time que usa menos o recurso da bola longa. Joga de pé em pé, mesmo quando está pressionado no campo defensivo.

Se saísse atrás em 2014, dificilmente o Atlético teria chances de reagir contra aquele Real Madrid. Se sair atrás na final de sábado, em Milão, o Atlético é perfeitamente capaz de construir jogo e machucar o rival de outra forma que não seja contra atacando. Muito se falou em Fábregas, Thiago Alcântara. Mas o verdadeiro herdeiro de Xavi no futebol espanhol chama-se Koke. Olho nele.

Cicatrizes

Por fim, o fator psicológico. Um ano antes da final de 2014, um gol de Miranda havia dado a Copa do Rei ao Atlético sobre o Real, quebrando um tabu de 14 anos sem uma vitória sequer sobre o rival. Uma freguesia do tamanho do Parque do Retiro.

Não se sabia se era um repique, apenas. O Atlético, ali, já era um time com a mentalidade de Simeone, muito mais competitivo e sem medo. As derrotas na final de 2014 e nas quartas da Champions do ano passado, quando o Real avançou com um gol nos minutos finais de Chicharito Hernández, criaram duas cicatrizes profundas neste grupo de jogadores do Atlético.

São derrotas doídas que forjam vitórias futuras. A dor, a tristeza, são coisas pelas quais os caras não querem passar de novo. Geralmente, times campeões nascem de tragédias passadas. Ganham corpo, caráter e motivação extra.

A competitividade, a mentalidade e a capacidade de acreditar em si são as mesmas de dois anos atrás. Mas o Atlético de Madri que chega a Milão tem marcas de guerra que não tinha em 2014. E isso pode fazer toda a diferença.