Blog do Júlio Gomes

Encontrar logo novo técnico é chave para renovação de Messi
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juliogomes

O anúncio da saída de Luís Enrique do comando técnico do Barcelona ao final da temporada foi surpreendente pela forma e pelo momento, logo após uma goleada e logo antes de tentar a difícil tarefa de sobreviver na Liga dos Campeões da Europa. Mas não foi surpreendente pela saída em si.

O clima estava ficando cada vez mais pesado, com críticas dos jogadores nas entrelinhas às formações táticas, entrevistas coletivas curtas e pouco amigáveis, imprensa catalã detonando o treinador. Era difícil imaginar que Luís Enrique renovasse.

Como o próprio presidente Josep Maria Bartomeu disse, a notícia acaba com as especulações sobre ''se renova ou não''. E ajuda o time a estar totalmente focado, sem distrações, no campeonato.

Agora resta a imprensa e torcedores especularem quem será o novo técnico. De cara, dois nomes parecem ter mais força: Jorge Sampaoli, atualmente no Sevilla, e Ernesto Valverde, no Athletic Bilbao. Mas esse debate, a priori, não invadirá nem atrapalhará o vestiário.

Exceto para um tal Messi.

O gênio argentino tem contrato com o Barcelona até o meio de 2018 e ainda não assinou a renovação. Segundo a imprensa local, Messi aguarda para saber qual será o projeto esportivo do Barça a partir do ano que vem – leia-se, influenciar ou decidir.

Só que, a cada dia que passa, ele se aproxima do fim do contrato atual. Imaginem Messi livre para negociar com outro clube. Saindo de graça!

Pensando na temporada atual, não haveria razão para pressa na escolha de um novo técnico. Mas, pensando na renovação de Messi, essa escolha é para ontem. Ele quer saber como serão os próximos anos antes de assinar um novo contrato.

A atual diretoria do Barça já se mostrou pouco competente para contratar jogadores. Vamos aguardar para saber se acertará a mão na hora de trazer um novo técnico, que saiba não só explorar o magnífico trio de frente, mas construir uma equipe equilibrada em todas as linhas.

Messi também está esperando. O relógio é o inimigo.

 


Real arruma mais um ponto milagroso; Barça arruma tranquilidade
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O Campeonato Espanhol ferve. Depois de um fim de semana em que o Barcelona ganhou sabe-se lá como do Atlético de Madri e o Real Madrid precisou de uma ajudaça da arbitragem para virar um jogo em Villarreal, a rodada de meio de semana acabou representando mais gasolina na fogueira.

Em um espaço de poucos minutos, Luís Enrique anunciou que não será mais técnico do Barcelona ao final da temporada. Bale foi expulso por perder a cabeça. O Real Madrid perdia em pleno Santiago Bernabéu para o modestíssimo Las Palmas. E arrumou mais um empate com DOIS GOLS nos minutos finais.

É incrível como é difícil ganhar do Real Madrid. Não existe clube no mundo com um espírito tão competitivo. Para jogar no Real Madrid, a primeira credencial de qualquer atleta é nunca achar que não dá. Para o Real Madrid, sempre dá.

Com 0-2 em Villarreal, um pênalti bizarro significou o 2-2, logo depois veio o 3-2. Com 1-3 contra o Las Palmas, mais um pênalti bem duvidoso representou o segundo gol – para ser justo com o juiz, pênalti tão duvidoso quanto o dado para o Las Palmas fazer o segundo dele. Eu daria ambos.

O Las Palmas é um time de meio de tabela, que vinha de quatro derrotas seguidas, em seu pior momento. Havia visitado o Bernabéu 32 vezes na história do campeonato, tinha ido embora 28 vezes derrotado e outras 4 com um empate. Perde a chance de ouro de ganhar lá pela primeira vez.

No Bernabéu, o Real não perde um jogo de Liga espanhola há exatamente um ano – o 1 a 0 para o Atlético de Madri que colocou interrogações no trabalho de Zidane – interrogações que pairam como nunca. Foram 15 vitórias e 3 empates no período.

Todos esses dados apenas nos fazem ver o quão improvável seria uma vitória do Las Palmas em Madri nesta quarta-feira.

E servem para expor também um Real Madrid que não consegue mais resultados sem criar jogo. É um time que depende demais de chuveirinhos, que alterna boas partidas com outras horrorosas. Os dois gols do empate milagroso saíram de cruzamentos na área. Um resultou em pênalti, o outro, de um escanteio também duvidoso, acabou em gol de cabeça de Cristiano Ronaldo.

Um Real que passou a temporada inteira tomando gols demais – primeiro, colocavam a culpa nos desfalques defensivos. Agora, difícil não apontar o dedo para Zidane. Casemiro não jogou contra o Las Palmas. Não é possível um time como o Real Madrid depender tanto de Casemiro para ter algum equilíbrio defensivo. Com todo respeito ao ótimo volante, estamos falando do clube mais vencedor e mais rico da Europa.

Por outro lado, o Barcelona vai conseguindo afastar seus fantasmas.

Depois da debacle europeia em Paris e as fortes críticas a Luís Enrique, tanto por seu trabalho e a falta de jogo do time quanto por sua má educação no trato com a imprensa, o Barça reencontrou um caminho.

A vitória sobre o Atlético em Madri e a goleada tranquila sobre o Sporting Gijón, nesta quarta, mostram que o time encontrou certa tranquilidade no campo. A construção de jogo é problemática, mas, com Messi, Suárez e Neymar, é possível imaginar que o Barcelona fará muitos gols e terá raros tropeços na Liga.

O anúncio da saída de Luís Enrique também ajuda. É melhor a imprensa passar semanas especulando quem será o próximo técnico do que ficar debatendo se Luís Enrique fica ou não fica.

Já falou, vai sair, acabou a novela.

De alguma forma, dentro da bomba que é o anúncio de Luís Enrique, o Barcelona ganha certa paz para a reta final da Liga. O técnico sai dos holofotes.

Quer queira quer não, o Barça é o líder, um ponto na frente do Real Madrid. É verdade que o Real ainda tem um jogo a menos. Mas, no atual momento, não dá mais para garantir que o Real ganhe jogo algum.


Messi resolve contra a vítima predileta, e Barça renasce
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Após dias para lá de tumultados, o Barcelona renasceu na temporada com uma importante vitória por 2 a 1 sobre o Atlético de Madri, em pleno estádio Vicente Calderón.

O Barcelona segue um ponto atrás do Real Madrid na tabela, já que o Real virou em Villarreal após estar perdendo por 2 a 0 – haverá muita polêmica na semana, o gol de empate do time madridista saiu de um pênalti absurdamente marcado. A virada veio logo depois.

O futebol do Barça mostrou poucos sinais de melhora. No primeiro tempo, o Atlético dominou completamente a partida, foi muito superior contra um rival apático em campo. As chances do Barcelona vieram em dois contra ataques e uma falta cobrada por Messi.

O goleiro Ter Stegen era o melhor em campo. Com mais vontade nas divididas, mais volume de jogo no meio de campo, mais bola, de fato, o Atlético mandava.

No segundo tempo, o Barcelona melhorou. E chegou ao gol com Rafinha, o filho mais novo de Mazinho, titular no meio de campo e que tentou fazer as vezes de Daniel Alves, jogando bem aberto pela direita – foi a mudança tática do pressionado técnico Luís Enrique para tentar resolver o fluxo de jogo. Rafinha aproveitou um bate rebate na área, com duas bolas espirradas seguidas, para tocar com oportunismo.

O Atlético seguiu melhor, empatou em uma bola parada (Godín, de cabeça) e quase virou. Mas, no finalzinho, Messi definiu. Um Messi sumido em campo. Mas Messi é Messi.

Foi o último jogo entre Atlético e Barça no Calderón, pois o Atlético terá estádio novo na temporada que vem. E Messi fez 13 gols nesse estádio, o lugar onde mais fez gols (fora o Camp Nou, logicamente). Já são 27 gols em 34 partidas contra o Atlético, a vítima preferida do argentino.

Em jogos exclusivamente da Liga espanhola, são 22 gols em 22 partidas contra o Atlético, que se despede do Calderón com um incômodo jejum. Ganhou pela última vez do Barça ali em jogos da Liga em 2010 – logicamente, houve vitórias por outros torneios, como a Liga dos Campeões do ano passado. Mas, pelo Campeonato Espanhol, Simeone segue sem ter vencido o Barcelona.

Para o Atlético, a derrota significa pouco. Jogou muito bem, acabou perdendo, mas já não tinha chances reais de ser campeão espanhol. O negócio para o Atlético é a Champions, com vaga quase certa nas quartas de final e em busca da terceira final em quatro anos.

Para o Barcelona, a vitória pode ser um renascimento. Já que a Inês é morta na Champions, é importantíssimo vencer em um estádio como este e mostrar ao Real Madrid que está vivo e forte na briga pelo título.

O jogo do time continua dependendo de estocadas dos três atacantes. O meio de campo segue inoperante. Mas Messi segue aí. Enquanto há Messi, há vida.

 


Chegou a hora de o Barcelona vender Messi?
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Foi um tablóide inglês, em novembro, que “noticiou” que o Manchester City estaria disposto a pagar 100 milhões de libras ao Barcelona por Messi – mais ou menos 385 milhões de reais. Este, por sua vez, receberia um salário de 100 milhões de reais por cada uma das quatro temporadas de contrato.

Messi passaria a ter um salário parecido com o de Tevez, que foi para a China ganhar um pouco mais de 100 milhões por duas temporadas e ser o jogador mais bem pago do mundo.

Eu usei aspas ali acima no primeiro parágrafo porque esse tipo de notícia sempre aparece em tempos de renovação de contrato. Empresários passam para frente o que quiserem e jornais publicam sem checar. É o jeito de pressionar, através, da mídia, para conseguir melhores contratos. É o jeito também de mandar recados.

O contrato de Messi com o Barcelona acaba no meio de 2018, ao final da próxima temporada. No fim de 2017, qualquer clube pode negociar com Messi sem nem perguntar ao Barça. Imaginem o maior jogador da história do clube, talvez de todos os clubes, saindo de graça? Ou seja, já passou da hora de renovar, o risco aumenta a cada dia.

Mas será que este é o movimento correto para o clube?

Ou será que chegou a hora de vender Messi?

O Barcelona vive uma crise esportiva importante. Aposentadorias (como a de Xavi), saídas (como a de Daniel Alves), lesões (como a de Mascherano), envelhecimento (como o de Iniesta), más contratações (como a de André Gomes). Vários fatores fizeram com que, de repente, o time se visse com o melhor ataque do mundo e… nada mais.

Em seu primeiro ano como técnico do Barcelona, Luís Enrique ganhou tudo – Champions League, Mundial, Liga, Copa do Rei. No segundo ano, doblete com a Liga e a Copa. Mas a eliminação para o Atlético de Madri na Champions 15/16 e o derretimento na reta final que quase jogou no lixo o título espanhol geraram interrogações. Tudo isso ocorreu de um ano para cá.

Vieram, então, as más contratações. Muito dinheiro gasto em jogadores de nível médio. E uma terceira temporada em que o Barcelona não consegue jogar bem. Ainda está na disputa pelo título espanhol e na final de outra Copa do Rei, mas os humilhantes 4 a 0 sofridos diante do PSG não só devem significar a eliminação na Champions, mas também um marco.

Luís Enrique só tem contrato até o fim da atual temporada e cada vez fica mais difícil imaginar a continuidade do treinador. Explosivo, está em litígio com parte da imprensa catalã. E, o principal, não encontra soluções para os problemas do time.

O Barcelona não cria nada, sofre na defesa e só ganha jogos porque Messi, Suárez e Neymar, alternadamente e não necessariamente nesta ordem, têm conseguido resolver algumas coisas. É um Barça sem identidade, dependendo de contra ataques e genialidades.

Enquanto não é definida a situação de Luís Enrique, Messi não acerta a renovação. Ele não vai assinar enquanto o projeto esportivo do clube para os próximos anos não estiver claro. Enquanto isso não acontece, fica mais perto do fim do contrato e o mundo do futebol fica mais e mais ouriçado.

Quem teria bala para contratar Messi? Possivelmente, apenas Real Madrid, Manchester City, Manchester United, Chelsea, Bayern de Munique e PSG. Quem, realisticamente, pagaria mais de 100 milhões de euros por Messi: City e PSG seriam os candidatos únicos.

Neymar e Suárez já renovaram até 2021. O Barça tem problemas em todos os setores, exceto o ataque. Nas laterais, na zaga, no meio de campo, no banco de reservas.

E se vender Messi significasse conseguir um time novo?

Será que o City e Guardiola não aceitariam colocar na mesa nomes de jovens como De Bruyne, Sané, Gabriel Jesus…? Será que o PSG não aceitaria colocar na mesa nomes como Thiago Silva, Marquinhos, Verratti…?

Além, logicamente, de muita grana, que poderia ser bem usada nas mãos de alguém que saiba mais de mercado do que Luís Enrique e os diretores atuais.

Messi é o maior jogador da história do Barcelona. Pegou o bastão de Ronaldinho e entrou para o olimpo do esporte. É um cara de 500 gols com a camisa do clube, quatro Champions, três Mundiais, oito Ligas, cinco prêmios de melhor do mundo.

Mas é inegável que o auge já passou. Messi já está em declínio. Já faz jogos ruins com alguma frequência, como foi no 4 a 0 de Paris. Já mostra, às vezes, falta de ambição em campo. Já deixou de ser decisivo em todos os jogos grandes da temporada.

Na atual, por exemplo, os poucos jogos em que passou em branco foram justamente os mais importantes: o de Paris, o clássico contra o Real, duelos contra o Atlético…

Claro, estamos falando de um dos três maiores da história, senão o maior. O declínio dele significa 34 gols em 34 jogos na temporada atual. Mas quem viu Messi na plenitude, entre 2008 e 2015, consegue notar que ele não é o mesmo. Quanto tempo vai demorar para aparecerem lesões que o afastem por mais tempo? Quantos anos mais Messi manterá uma média de um gol por jogo? Dois? Será?

Por outro lado, Messi não parece respeitar as regras ''naturais'' escritas ao longo de décadas. É capaz que se motive com novos desafios, que fique aí mais cinco anos em nível estratosférico, que leve o Barça a muitos mais títulos. Vai saber.

Por mais que o futebol seja cada vez mais um negócio, existe um componente intangível. O significado de Messi para o clube, para os torcedores, para a cidade, para a região. Isso não se mede em dinheiro. O coração de todas as pessoas envolvidas dirá: que se dane se Messi cair de produção nos próximos anos. Que se dane o resto do time. Esse cara não pode vestir outra camisa na vida.

Mas, racionalmente, será que tem sentido renovar seu contrato e gastar milhões em vez de ganhar milhões e construir um novo time, agora com Neymar e Suárez como protagonistas?

Aliás, quanto tempo mais Neymar aguentará ser coadjuvante? Não estaria o clube correndo o risco de perder os dois ao mesmo tempo? Neymar, que é cinco anos mais jovem, para algum rival. Messi, para o tempo.

O tempo chega para todos.

Eu duvido que algum dirigente tenha coragem de tomar essa atitude. Duvido que algum cartola tope vender Messi e assuma a bronca. Na prática, creio que isso só acontecerá se ele, Messi, quiser sair. Talvez nunca exista a hora para vender Messi.

Mas e0 você? Teria coragem? O que acha que o Barcelona deveria fazer? Renovar ou vender?


Rodada de oitavas têm recorde de gols na Champions League
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juliogomes

O mata-mata da Champions League, o principal torneio interclubes do mundo, começou com tudo em 2017. Agora espalhadas entre duas semanas, as partidas de ida das oitavas de final tiveram 34 gols marcados, uma incrível média de 4,25 gols por jogo.

Destaques para os alucinantes 5 a 3 do Manchester City sobre o Monaco, os 4 a 2 do Atlético de Madri sobre o Bayer Leverkusen, ambos jogos de terça-feira, e os 5 a 1 do Bayern sobre o Arsenal e os 4 a 0 do PSG sobre o Barcelona, na semana passada.

Também na semana passada, o Real Madrid fez 3 a 1 no Napoli e o Benfica ganhou por 1 a 0 do Borussia Dortmund. Ontem, quarta-feira, as partidas de ida foram finalizadas com os 2 a 0 da Juventus no Porto e os 2 a 1 do Sevilla sobre o Leicester. Não houve empates nos oito jogos.

Bayern, PSG, Juventus e Atlético de Madri encaminharam classificação para as quartas de final. Real Madrid e Manchester City podem perder por um gol de diferença em Nápoles e Mônaco, mas estes são duelos que prometem muitos gols na volta. Benfica e Sevilla jogarão por empates fora de casa após vitórias por diferença mínima na ida.

Desde a criação da Champions, na temporada 92/93, nunca as partidas de ida das oitavas de final tinham registrado tantos gols. Jogos de ida de mata-mata costumam mostrar times mais cautelosos, tentando evitar uma goleada – que representaria uma espécie de eliminação precoce antes da volta.

A marca anterior era de 26 gols, nos jogos de ida das oitavas de final de 2013/2014. Foram 30% a mais de gols neste ano.

Se considerarmos os jogos de volta de oitavas de final, a marca de 34 gols em 8 partidas igualou o recorde estabelecido na temporada 2011/2012 – naquela ocasião, Barcelona e Bayern de Munique fizeram sete gols em seus rivais.

O primeiro ano oficial da competição com o nome Champions League foi na temporada 92/93. Somente a partir da temporada 97/98 começaram a participar da competição também times que não eram os campeões nacionais de seus países. A regra mudada 20 anos atrás fez com que a competição englobasse sempre quase todos os grandes clubes  da Europa e se tornasse na melhor do mundo.

Entre 1955 e 1992, a competição era chamada de Copa dos Campeões da Europa. Jogavam só os campeões domésticos e não havia fase de grupos. Era mata-mata desde o início. Nas primeiras edições, a disputa já começava nas oitavas de final. Depois, por muitas décadas, a segunda fase eliminatória era a equivalente às oitavas. Foi assim até 93/94. Entre 94/95 e 2002/2003, foram realizadas uma ou duas fases de grupos até o mata-mata, que já começava nas quartas de final. Desde 2003/2004, o formato é igual ao de hoje, com uma fase de grupos seguida de oitavas de final.

Se considerarmos o período de Copa dos Campeões da Europa, antes da criação da Champions, somente três pernas de oitavas de final tiveram mais gols do que a que vimos neste mês de fevereiro.

Em 63/64, 39 gols foram marcados nas partidas de volta das oitavas. Em 55/56 e 56/57, nas duas primeiras edições do torneio, foram marcados 37 e 38 gols, respectivamente, nos jogos de ida das oitavas (que eram a primeira fase e reuniam times de níveis muito distintos). Além, claro, de estarmos falando de uma época em que mais gols eram marcados.

 


Palmeirenses tinham obrigação de avisar o juiz do erro ao expulsar Gabriel
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juliogomes


O árbitro Thiago Duarte Peixoto fazia uma bela partida em Itaquera. Era o melhor em campo, até. Em um horroroso Corinthians x Palmeiras, que não honrou toda a ação que os clubes fizeram antes da partida, com vídeos bonitos, times perfilados de forma intercalada para o hino nacional, etc.

O jogo começou violento. Com atletas pouco preocupados em jogar bola, mais preocupados em jogar para a torcida (única). Carrinhos e mais carrinhos. Incrível a necessidade de mostrar ''raça'' hoje em dia.

E o árbitro conseguiu controlar o ímpeto violento inicial. Não contemporizou. Amarelo para Felipe Melo, amarelo para Raphael Veiga, amarelo para Gabriel (com uma jogada de atraso, mas OK, foi dado). Segurou o jogo. A partir daí, a violência diminuiu. Continuamos sem ver bola, porque aí já é pedir demais no nosso futebol. Mas o árbitro controlou a coisa.

Infelizmente, no finalzinho do primeiro tempo, cometeu um erro. Um erro que certamente terá grandes consequências para ele na carreira.

Quando Keno avançou no campo de ataque palmeirense, foi seguro por Maycon. Era amarelo para Maycon e segue o jogo.

Mas, no momento em que apita a falta, o árbitro Thiago Duarte Peixoto olha para o lado esquerdo. Quando olha para a jogada de novo, Maycon havia saído de cena e Gabriel estava no lugar em que Maycon estaria, não tivesse continuado correndo.

Não quero aqui minimizar o erro. Mas os caras são até parecidos no porte físico, tem uma barbicha parecida. O juiz obviamente não olhou o número 30 às costas de Maycon no momento da falta. Ele se confundiu, nada mais do que isso. E expulsou Gabriel.

Os jogadores do Corinthians tentaram desesperadamente avisá-lo do erro.

O que mais me incomodou no lance foi ver todo o banco palmeirense e também alguns jogadores tentando evitar que alguém passasse a informação correta para o árbitro ou para o quarto árbitro. Tentando evitar a tal ''interferência externa''.

O que é pior? A irregularidade da interferência externa para ajudar o árbitro em um lance em que não há margem para dúvida? Ou a irregularidade de expulsar um jogador que não merecia ser expulso?

Oras.

Na boa? Podem me chamar de exagerado. Mas é por essas coisas que temos a sociedade que temos.

O que é certo é certo, oras. Keno até pode ser perdoado, estava de costas no momento em que sofre a falta. Mas ninguém mais viu que foi Maycon, e não Gabriel, até outro dia companheiro desses palmeirenses todos, que fez a falta? Dudu, por exemplo, estava de frente para o lance.

Será sonhar demais esperar pelo dia em que o banco do Palmeiras será o primeiro a avisar o juiz de seu erro?

A lisura não é mais importante do que a vitória? O que é certo não é certo e ponto final?

Não, não estou dizendo que ''se fosse ao contrário'' o banco do Corinthians faria de outra forma. Acho até que não. Mas isso pouco importa. É infantil ficar usando o argumento do ''se fosse ao contrário''. Assim como é infantil comparar com um lance de pênalti em que o árbitro é ''enganado'' pelo atacante. São naturezas bem diversas. O futebol é um jogo de engano mesmo, mas não esse tipo de engano.

Será que nunca vamos entender que fazer as coisas certas é o mais importante nessa vida? Que ganhar não é tudo?

O juiz errou feio. Por mais que seja ''ao vivo'', tudo muito rápido, etc, ele é treinado e tem técnicas para não cometer esse tipo de erro. Mas errou, oras. Como todos nós erramos. Uma imagem da Globo que permitiu leitura labial mostrou que o quarto árbitro avisou: ''não foi o Gabriel!''. Errou de novo ao não confiar no colega (se é que ouviu o colega).

No fim, foi salvo pelo resultado. O Palmeiras achou que ganharia a qualquer momento, perdeu chances no segundo tempo e, no único bom contra ataque do Corinthians, após um erro grotesco de Guerra, Jô fez o gol da vitória. O Corinthians mereceu por ter mostrado mais vontade em campo.

Mas, pior que o erro do árbitro, foi o erro de quem não ajudou a consertar.

Em um jogo sem a menor importância para o campeonato, convenhamos.

Imaginem que linda seria a cena de alguém do Palmeiras avisando o árbitro do erro? Iria rodar o mundo, seria um exemplo de fair play. Quem estava vestido de verde, percebeu o erro e não falou nada perdeu uma grande chance na vida.


Alex Telles e Juventus matam o Porto
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juliogomes

Era a metade do primeiro tempo quando Alex Telles, ex-lateral do Grêmio, hoje no Porto, fez uma falta para cartão amarelo. No minuto seguinte, fez outra. O que se passa na cabeça do jogador? Ele acha mesmo que será perdoado pelo juiz, pelos companheiros, pelos deuses?

Talvez a Juventus ganharia do Porto do mesmo jeito. Talvez. Mas o fato é que a expulsão do brasileiro determinou todo o andamento do jogo pelas oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa. E a Juve praticamente definiu a eliminatória ganhando por 2 a 0 no estádio do Dragão.

O Porto, uma das melhores defesas da Europa, ficou o jogo inteiro dentro da área tentando se sair com um 0 a 0, para depois buscar algo na Itália. Não deu.

No primeiro tempo, a Juve abusou dos chuveirinhos. No segundo tempo, passou a tentar mais infiltrações e trocas de passes. Foi com os substitutos, no entanto, que finalmente furou Casillas. Pjaca marcou aos 27min, cinco depois de sua entrada. Daniel Alves, que entrou aos 28min, marcou um minuto depois.

A Juventus, assim como o Atlético de Madri, o PSG e o Bayern de Munique, está praticamente garantida nas quartas de final. As outras eliminatórias estão mais abertas.

Inclusive Sevilla x Leicester. Apesar de o Sevilla de Sampaoli viver bom momento e, o Leicester, uma fase horrorosa.

O Sevilla massacrou durante praticamente o jogo todo. Perdeu pênalti e um caminhão de chances. Acabou levando o castigo. Um gol de Vardy no contra ataque deixou o marcador final em 2 a 1. O Leicester está vivo na eliminatória, nunca se sabe se os momentos mudarão até o meio de março.

O Sevilla perdeu a incrível chance de golear e deixar a eliminatória morta. Agora, vai ter que ser mais, digamos, responsável na Inglaterra.


Jogo épico expõe ataques maravilhosos e defesas pífias de City e Monaco
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juliogomes

Sim, épico é um adjetivo justo. Manchester City e Monaco fizeram o melhor jogo da temporada europeia até agora, em um 5 a 3 inesquecível.

Um jogo em que ficaram claros os atributos ofensivos brilhantes dos dois times, mas também ficou clara a falta de consistência defensiva de ambos. Já sabem, para ser campeão de um torneio como a Champions League, equilíbrio é a palavra chave. Portanto, quem passar daí para as quartas de final terá de fazer ajustes.

Enquanto isso, podemos nos divertir falando do jogo de ida e aguardando o da volta.

O Monaco tem 76 gols em 26 jogos no Campeonato Francês. É o melhor ataque da Europa e mostrou toda essa vocação agredindo o City durante 90 minutos, mesmo fora de casa. Em nenhum momento recuou suas linhas. Mostrou coragem, alternativas de jogo e um atacante em momento especial. Radamel Falcao tem 15 gols nos últimos 15 jogos oficiais. Sua carreira em competições europeias aponta o estratosférico número de 44 gols em 48 partidas.

Durante todo o jogo, City e Monaco marcaram pressão e conseguiram sair facilmente da pressão rival. Isso fez com o que o jogo tivesse ritmo alucinante, com pouco meio de campo e muitas chegadas de perigo ao ataque. Defensivamente, ambos fizeram um péssimo trabalho.

O City saiu ganhando em um lindo lance de Sané, concluído por Sterling. Na primeira saída de bola errada de Caballero, o Monaco empatou em lindo cruzamento de Fabinho e cabeceio mais lindo ainda de Falcao.

Aí, houve o lance de pênalti sobre Aguero. Para muitos, não foi. Para mim, foi claríssimo. Ato seguido, o Monaco fez 2 a 1 em uma cobrança de falta para Mbappe, com falha clamorosa da estática dupla de zaga.

O Monaco começa o segundo tempo em cima, apertando, empurrando, com muita coragem. E aí ocorre o segundo pênalti decisivo do jogo. Desta vez marcado pelo árbitro e perdido por Falcao. Caballero começava a se redimir.

Do outro lado, Subasic tomou um frangaço no chute de Aguero – o melhor em campo, mostrando que ficou mordido com a reserva e fazendo a torcida esquecer Gabriel Jesus, pelo menos por enquanto.

Quando parecia que o City iria crescer, bola esticada, Falcao ganha de Stones como quer e dá uma cavadinha. Uma pintura. O Monaco, naquele momento, tinha a classificação nas mãos.

Aí começa o vendaval do City. Foi para o tudo ou nada. Foi tudo. Aguero, Stones e Sané (após assistência de Aguero) viram o jogo para 5 a 3 contra um Monaco atônito.

A eliminatória está para lá de aberta. O Monaco já fez 4 ou mais gols 11 vezes na temporada. Se tem um ataque hoje capaz de furar a defesa (fraca) do City, é a do Monaco. Por isso, acredito que Guardiola montará um meio de campo mais firme e consistente para a volta.

No outro jogo da terça, em Leverkusen, o Atlético de Madri fez 4 a 2 no Bayer. É um time que sofre mais gols na temporada, mas mostra muita criatividade, muito volume, muita capacidade ofensiva. O Atlético é candidatíssimo a chegar à sua terceira final em quatro anos.


Pênalti em Neymar salva Barcelona do tropeço, mas não do vexame
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juliogomes


Com 3 minutos de jogo, já estava 1 a 0. Era Barcelona, o todo poderoso Barcelona, contra o Leganés, time minúsculo, pela primeira vez em sua história na primeira divisão espanhola, pela primeira vez jogando no Camp Nou.

4 a 0? 5 a 0? 6 a 0? Qual seria o resultado final da partida?

Pois é. Foi 2 a 1. Com um gol de pênalti de Messi aos 44min do segundo tempo.

Pênalti cavado por Neymar, que jogou bem o tempo inteiro.

No Camp Nou, o Barcelona já havia perdido para o Alavés e empatado com o Málaga na temporada. Não havia conseguido superar os rivais Real e Atlético de Madri. Já são 9 pontos perdidos em casa. O Barça escapou de serem mais, mas não escapou das justas (e raras) vaias.

Seria surreal um tropeço neste domingo, porque o jogo era contra um debutante em péssima fase. Apenas dois pontos acima da zona de rebaixamento, sem vencer uma partida sequer desde novembro, o pior ataque do campeonato, que havia passado cinco dos últimos seis jogos sem fazer um golzinho.

Se o Barça não ganhasse do Leganés, ia ganhar de quem?

Tudo isso apenas cinco dias depois da humilhação de Paris, a derrota por 4 a 0 para o PSG que deixou o Barcelona praticamente eliminado nas oitavas de final da Champions League – fato que não acontece desde 2007.

O Barça começou o jogo com raiva. Querendo dar uma resposta após a goleada de terça-feira. Fez 1 a 0, martelou, realmente parecia que chegaria à goleada. Mas foi perdendo velocidade, ímpeto, caindo de novo na dinâmica de jogo que não encanta ninguém.

Mais do que falta de vontade, o Barcelona sofre de falta de jogo.

Neste domingo, Messi, Suárez e Neymar fizeram uma partida para lá de digna. Todos tentaram, participaram, se movimentaram. Mas jogam sozinhos. Os adversários sabem disso, dobram ou triplicam a marcação nos atacantes e deixam os meias e laterais livres.

Sergi Roberto definitivamente não é a resposta à sentida ausência de Daniel Alves. Foi ele, aliás, que perdeu uma bola boba, que acabaria no empate do Leganés – antes disso, diga-se a verdade, o Leganés já havia criado três boas chances em contra ataques. E ainda teve uma bola raspando a trave nos acréscimos.

Digne, o francês que jogou pela esquerda, fez uma má partida. Não ajudou Neymar em nada. André Gomes é um meio campista fraco e está virando o símbolo desta fase de futebol medonho do clube. É o rosto da crise.

Iniesta e Busquets fazem muita falta. Como também fazem Mascherano e Piqué. Como faz Rakitic (jogou, mas por onde andará aquele Rakicitc?). O Barcelona não consegue sair com a bola. Não há fluxo de jogo, triangulação, diagonais. O meio de campo culé não cria nada, apenas entrega a bola aos atacantes com uma mensagem de papel: ''se vire aí''.

Luís Enrique foi massacrado ao longo da semana, até porque deu uma resposta extremamente grosseira a um repórter catalão após a goleada em Paris. Será mais uma semana tensa e de especulações. O técnico só tem contrato até o final da temporada e vai parecendo cada vez mais claro que não continuará. Quando isso fica claro, sobra tentar adivinhar quem chegará para seu lugar.

Quem tem Messi, Suárez e Neymar no time, nenhum deles machucado, precisa fazer algo melhor do que Luís Enrique vem fazendo.

O Barcelona está virtualmente eliminado da Champions. Na Liga espanhola, está um ponto atrás do Real Madrid – mas podem ser sete, porque o Real tem dois jogos a menos, e o duelo entre eles no segundo turno será em Madri. Sobra a Copa do Rei, com final contra o também pequenino Alavés.

Se a final fosse domingo que vem, capaz que desse Alavés. Mas domingo que vem o Barcelona tem que ir a Madri enfrentar o Atlético. Só isso.

O pênalti sofrido por Neymar, em uma jogada individual e nada coletiva, salvou o Barcelona de um tropeço surreal. Mas não salvou do vexame.

 


São Paulo impressionou pela personalidade na Vila
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Eram 16 clássicos paulistas seguidos sem vencer fora do Morumbi. Eram mais de sete anos sem vencer o Santos na Vila Belmiro, 11 jogos.

O São Paulo de Rogério Ceni já quebra tabus.

Mais do que isso ou até mesmo que os três pontos, o mais interessante para o torcedor são-paulino foi ver tanta personalidade em campo.

O São Paulo só se acuou quando já vencia por 2 a 1, Dorival fez uma substituição ofensiva (e arriscada) e o Santos pressionou bastante por alguns minutos.

Sidão fez uma grande defesa. Evitou o empate, logo depois ligou o contra ataque e, no primeiro que encaixou, o São Paulo matou o clássico.

Luiz Araújo, que entrou no intervalo, foi muito mais eficiente que Neílton. Fez dois gols e ameaçou o tempo todo. Está claro que vai se firmar como titular.

No primeiro tempo, após levar o 1 a 0, o São Paulo não sentiu o golpe. Colocou a bola no chão, trocou passes, rodou, rodou, rodou. É raro ver o Santos ser empurrado para trás na Vila. Faltava ao São Paulo o passe mais agudo.

O empate saiu em um pênalti infantil de Zeca sobre o Gilberto, anotado por Cueva. O Santos melhorou depois do empate, criou uma chance e chegamos ao intervalo.

No segundo tempo, a tônica foi a mesma. O São Paulo controlou a posse de bola. Mesmo longe da área, era quem ditava o ritmo do jogo. Mas foi em outro lance que nada teve a ver com isso que chegou à virada.

Lucas Lima perdeu bola no meio do campo, Gilberto deu rápido passe para Luiz Araújo, que avançou e marcou. Depois da pressão do Santos em busca do empate, vieram o 3 a 1 e chances para fazer até o quarto.

Ainda é início de temporada. Mas é daqueles jogos importantíssimos para a sequência de um trabalho inicial. O mito já é cada vez mais mito no coração do torcedor.