Blog do Júlio Gomes

São Paulo impressionou pela personalidade na Vila
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Eram 16 clássicos paulistas seguidos sem vencer fora do Morumbi. Eram mais de sete anos sem vencer o Santos na Vila Belmiro, 11 jogos.

O São Paulo de Rogério Ceni já quebra tabus.

Mais do que isso ou até mesmo que os três pontos, o mais interessante para o torcedor são-paulino foi ver tanta personalidade em campo.

O São Paulo só se acuou quando já vencia por 2 a 1, Dorival fez uma substituição ofensiva (e arriscada) e o Santos pressionou bastante por alguns minutos.

Sidão fez uma grande defesa. Evitou o empate, logo depois ligou o contra ataque e, no primeiro que encaixou, o São Paulo matou o clássico.

Luiz Araújo, que entrou no intervalo, foi muito mais eficiente que Neílton. Fez dois gols e ameaçou o tempo todo. Está claro que vai se firmar como titular.

No primeiro tempo, após levar o 1 a 0, o São Paulo não sentiu o golpe. Colocou a bola no chão, trocou passes, rodou, rodou, rodou. É raro ver o Santos ser empurrado para trás na Vila. Faltava ao São Paulo o passe mais agudo.

O empate saiu em um pênalti infantil de Zeca sobre o Gilberto, anotado por Cueva. O Santos melhorou depois do empate, criou uma chance e chegamos ao intervalo.

No segundo tempo, a tônica foi a mesma. O São Paulo controlou a posse de bola. Mesmo longe da área, era quem ditava o ritmo do jogo. Mas foi em outro lance que nada teve a ver com isso que chegou à virada.

Lucas Lima perdeu bola no meio do campo, Gilberto deu rápido passe para Luiz Araújo, que avançou e marcou. Depois da pressão do Santos em busca do empate, vieram o 3 a 1 e chances para fazer até o quarto.

Ainda é início de temporada. Mas é daqueles jogos importantíssimos para a sequência de um trabalho inicial. O mito já é cada vez mais mito no coração do torcedor.


Bayern humilha e pode ter decretado o fim da era Wenger
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É um dos debates mais quentes da Inglaterra. Arsène Wenger ficará ou não no Arsenal?

Os 5 a 1 sofridos em Munique nesta quarta-feira foram humilhantes. Mais do que o placar, apenas um time jogou. O Bayern teve 70% de posse de bola. Talvez (não tenho como pesquisar esse dado rapidamente) nunca um time de Wenger tenha tido tão pouco a bola.

O Bayern já dominava completamente quando o Arsenal achou o empate em um pênalti bobo. No segundo tempo, foi um atropelamento. Quatro gols, outros tantos perdidos, parecia profissional contra amador.

O francês chegou em 1996 e mudou a história do Arsenal. Transformou um clube perdedor, irrelevante no cenário europeu e que era conhecido por jogar ''feio'' em uma coisa completamente diferente. O Arsenal virou sinônimo de ''futebol bonito''. Em 20 anos, ganhou outro DNA.

Ganhou também títulos. Foram três Premier Leagues logo de cara, em 98, 2002 e 2004 (esta, de forma invicta). A Copa da Inglaterra em 98, 2002, 2003 e 2005. Final europeia em 2006 – aquele gol de Belletti, lembram?

Desde o segundo ano de Wenger no Arsenal, o clube se classificou para TODAS as Ligas dos Campeões da Europa – são 19 participações consecutivas. Isso permitiu à instituição fazer dinheiro, mesmo sem ter recebido aportes bizarros de russos ou árabes. Permitiu ao clube construir um estádio novo e maior, fazer a marca virar mundial.

O Arsenal passou da fase de grupos das últimas 14 Champions. Só que, com os 5 a 1 que levou do Bayern de Munique, é plausível imaginar que o Arsenal será eliminado pela sétima vez consecutiva nas oitavas de final. E lembra aqueles títulos todos que eu citei acima, nos 10 primeiros anos de Wenger? Eles minguaram. Foram duas Copas da Inglaterra, em 2014 e 2015. Dez anos seguidos chegando em terceiro ou quarto na Premier, sem chance de título.

O Arsenal perdeu a graça.

E Wenger, é bem possível, tenha que perder o emprego.


PSG massacra com receita que o próprio Barça ensinou
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Lembra do Barcelona de seis, sete anos atrás? Aquele time mudou o futebol. Mostrou que marcação pressão, controle do jogo através da posse de bola, criação de maiorias, talento ganhando mais peso que o físico… mostrou que essas coisas funcionam. A receita dependia, claro, de jogadores para colocarem em prática. Ao longo dos anos, mais e mais clubes e seleções passaram a jogar desta forma. Com variáveis, claro. Mas com os mesmos conceitos.

O Paris-Saint Germain colocou a receita em prática com perfeição nesta terça-feira. Meteu 4 a 0 no Barcelona, com direito a chocolate, e ficou virtualmente classificado para as quartas de final da Uefa Champions League.

O terceiro gol é emblemático. Bola que sai do campo de defesa, passa de pé em pé diante de um Barça atônito. Até o belo chute de Di María. A receita ensinada ao mundo pelo próprio Barça.

Foi um banho. Verrati, o Iniestinha do PSG, fez o que o Iniesta de verdade sempre fez. Desarmou, armou, brilhou. Draxler e Di María destruíram a defesa do Barcelona pelos lados do campo, além de ajudarem na recomposição defensiva. A marcação avançada matou a saída de bola do Barça. Foi um jogo perfeito.

Ao longo da temporada inteira, o Barcelona sofreu com a transição de jogo. É um time que sente falta de Daniel Alves, de Rakitic (sumiu), de Iniesta (lesões). As individualidades (Messi, Suárez e Neymar são craques) resolveram muitas partidas. Não resolveram em Paris.

Não resolveram porque, com Unai Emery (um técnico de verdade, coisa que Blanc, talvez, não fosse), o PSG ganhou consistência defensiva. E ganhou sangue nos olhos.

Foi um time, ao longo dos 90 minutos, com aquela fome que não tinha nos últimos anos, na hora H da Champions League.

Emery jogara 23 vezes contra o Barcelona na carreira. Havia perdido 16 vezes, ganhado apenas uma. Mas essa freguesia quer dizer pouco. Emery sempre teve nas mãos times piores do que o que tem hoje. Essa freguesia se traduziu em experiência. E o treinador soube exatamente como neutralizar Suárez e Messi (o argentino havia feito 25 gols em 21 jogos contra os times de Emery).

O PSG ganhou todas as divididas, todas as bolas, todas as disputas individuais.

E os gols não demoraram a sair. Di María e Draxler no primeiro tempo, Di María e Cavani no segundo. O argentino, que começou tão mal a temporada, ganhou um chá de banco desde o começo do ano. Reagiu, mostrou incômodo, foi titular no jogo que mais importava. E mostrou por que é um dos grandes jogadores do futebol europeu.

 

A eliminatória está praticamente decidida. Nunca um time reverteu um 4 a 0 sofrido na ida na história da Champions.

O Barcelona vai precisar repensar, especialmente, o modo como tenta fazer a bola chegar aos seus atacantes. Precisa de alternativas melhores. O PSG torna-se um automático candidato ao título. A próxima barreira é, afinal, passar das quartas de final, coisa que não conseguiu nas últimas quatro temporadas.


Barcelona reencontra bom e velho freguês na Champions
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juliogomes

Unai Emery chegou ao Paris-Saint Germain no meio do ano passado para elevar o clube a outro nível. Por isso, leia-se: ganhar de algum gigante, superar a barreira das quartas de final na Liga dos Campeões da Europa. O problema para Emery é que o desafio passa por seus dois maiores pesadelos.

Um tal Barcelona. Um tal Lionel Messi.

O técnico basco se destacou já aos 35 anos de idade, com um campanha magnífica pelo minúsculo Almería (Felipe Melo e o goleiro Diego Alves jogavam lá). Foi para o Valencia, onde ficou quatro temporadas. Em tempos de domínio de recordes de Barça e Real (os anos de Guardiola e Mourinho), Emery levou o Valencia a três terceiros lugares na Espanha. Era o que dava para fazer. Depois de uma rápida e frustrada passagem pelo Spartak Moscou, chegou a Sevilha no meio da temporada 12/13. Em três temporadas e meia, levantou três vezes a taça da Europa League. Um feito.

Durante esses anos todos, Emery enfrentou o Barcelona 23 vezes: ganhou uma, empatou seis, perdeu 16 vezes. Saiu derrotado das 11 visitas que fez ao Camp Nou. Caiu nas finais da Supercopa da Europa (2015) e da Copa do Rei (2016) na prorrogação. Foi conseguir a primeira vitória somente na 21a partida, um Sevilla 2 x 1 Barça, no fim de 2015. Nestes anos todos, levou 25 gols de Messi – que, por sinal, não jogou nessa única vitória de Emery, em Sevilha.

Ufa.

Isso que é freguês de carteirinha!

messi_emery

O que isso quer dizer, no entanto? Adoramos números e identificar quando alguém sempre ganha ou sempre perde em determinada situação. Tendemos a achar que as coisas acontecem sempre da mesma maneira, em looping. No futebol, são assim… até a hora em que não são mais. Como diria o filósofo, tabus estão aí para serem quebrados.

Das quatro eliminações consecutivas do PSG nas quartas, duas foram para o Barça (2013 e 2015). Quando disputaram a final da extinta Recopa, em 97, também deu Barça (Ronaldo, Guardiola, Luis Enrique, Figo, era aquele time contra o de Leonardo e Ricardo Gomes). Chegou a hora de quebrar o tabu?

Emery nunca enfrentou o Barcelona com um time tão bom quanto o que tem em mãos no momento. E, como destacou o próprio técnico rival, Luis Enrique, se toda essa freguesia serviu para algo é o fato de Emery conhecer muito bem o Barça, seus pontos fortes e fracos.

O grande desafio é parar Messi e Suárez. O Barcelona não faz uma temporada brilhante coletivamente. Mas, individualmente, os caras estão resolvendo tudo. Suárez tem 25 gols na temporada, sendo 18 deles em 20 jogos da liga doméstica. A artilharia é dele. Messi fez 17 no Espanhol e nada menos do que 10 gols na fase de grupos da Champions. São 32 gols em 32 jogos na temporada.

Suárez fez gols em 70 dos 128 jogos que fez com a camisa do Barça nestes dois anos e meio. Nestes 70, o time ganhou 65 e empatou 5. Ou seja, se o uruguaio marca, o Barça não perde.

Se não bastassem os dois, ainda tem Neymar. Um coadjuvante de luxo.

O problema do Barça definitivamente não é o ataque. Mas, sim, a dificuldade em fazer a bola chegar lá. Daniel Alves tinha um papel crucial na construção, faz mais falta do que se imaginava. Iniesta ficou machucado a maior parte da temporada e até Busquets perdeu jogos. A fluência foi afetada duramente.

Ainda assim, é difícil imaginar o PSG não levando um gol sequer do Barcelona. Ainda mais com o desfalque de última hora de Thiago Silva.

O que resta fazer? Marcar mais gols.

Para isso, o PSG tem Cavani, 33 gols em 31 jogos na temporada. Um monstro no ataque, que nos faz pensar se o PSG perdeu muito tempo confiando em Ibrahimovic – pode ser craque, gênio, até, mas nunca triunfou na hora da verdade das Champions que disputou.

Com a chegada de Draexler e Lucas Moura se firmando, tem sobrado o banco para Di María. E o argentino tem mostrado poder de reação, se incomodou, vem jogando melhor. O meio de campo é talentoso, apesar da Verrati-dependência.

Unai Emery disse que o jogo será decidido taticamente e nas batalhas individuais.

Ele tem certa razão. Erros grandes demais serão catastróficos para quem cometê-los. E os atacantes do PSG são capazes de expor a defesa do Barça, que não terá Mascherano.

O PSG deve pressionar muito a claudicante saída de bola do Barça, Lucas, Draexler e os meias são ótimos fazendo isso. A chave é não deixar algum lançamento encontrar Messi e/ou Suárez e/ou Neymar em situação de um contra um (ou contra poucos).

O fato é que, com Emery, apesar do início de temporada instável, o PSG é um time mais coeso, mais forte. Mas ainda não mostrou se conseguirá dar o grande salto.

Será que a freguesia vai falar mais alto?

 


Gabriel Jesus brilha de novo e supera início de outros badalados
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A estrela de Gabriel Jesus não para de brilhar. Neste domingo, o brasileiro deu a vitória ao Manchester City sobre o Swansea com um gol aos 47 minutos do segundo tempo.

Gabriel já havia feito o primeiro gol e dado passe de calcanhar para David Silva quase marcar, mas o fraco Swansea empatou e parecia que o City tropeçaria de novo. Guardiola colocou Aguero em campo aos 38min da etapa final, logo após sofrer o gol. Foi a segunda vez com Gabriel e Aguero juntos em campo. O argentino, desbancado de sua posição no comando do ataque, iniciou o lance que culminou no gol da vitória.

Está com pinta de que Sterling vai rodar, e Guardiola usará mais vezes a formação com Gabriel Jesus no ataque e Aguero pela direita.

Depois dos ótimos 8 minutos na estreia contra o Tottenham, quando fez um gol anulado e levou perigo em dois lances, Gabriel Jesus foi titular em três jogos seguidos. Deu assistência nos 3 a 0 sobre o Crystal Palace, pela Copa da Inglaterra, fez um gol e deu outra assistência nos 4 a 0 sobre o West Ham. E, agora, mete dois no jogo apertado contra o Swansea.

Se no início ele fazia aquela cara de choro a cada feito, agora já mostra sorrisos e confiança. Nada como um craque começar sua vida no futebol de mais alto nível deste jeito. Fazendo gols e eliminando as interrogações que pairavam sobre ele. Gabriel é um grande jogador, e que não só ele, mas todos a sua volta, saibam disso, é fundamental.

gabriel_swansea

O impacto de Gabriel Jesus é imediato. Ele está se entrosando rapidamente com David Silva e De Bruyne, os jogadores que devem municiá-lo. Faz bem o pivô, se movimenta bem pelos lados, abre espaços, não se intimida com o jogo mais físico da Inglaterra e subiu o nível do City.

Já 10 pontos atrás do imparável Chelsea, as chances de o City retomar o título inglês são remotíssimas. Mas vem Champions League por aí, com o confronto complicado contra o Monaco nas oitavas de final. O time de Guardiola ganha novo status com os gols trazidos por Gabriel.

O grande PVC comparou a chegada dele ao impacto trazido por Kaká ao Milan em 2003. Para mim, lembra mais a chegada de Pato ao mesmo Milan, estreando no meio da temporada 2007/2008. Assim como Gabriel Jesus, entra no time no meio do campeonato, vira titular imediatamente e faz três gols nos quatro primeiros jogos.

Pato tinha 18 anos quando estreou pelo Milan. Gabriel Jesus tem 19. Kaká tinha 21 quando estreou na Europa, assim como Robinho e Neymar.

Os ex-santistas também viraram titulares rapidamente em Barcelona e Real Madrid, respectivamente. Trouxeram empolgação aos torcedores, mas não necessariamente os gols que Gabriel e Pato entregaram de cara. Talvez Neymar, por chegar a um time já com Messi, tenha sido, entre os atacantes, o que menos tenha chegado com a responsabilidade de ''salvador da pátria''.

Em comum a Kaká, Robinho, Pato e Neymar: nenhum deles conseguiu levar seu clube às finais da Champions League em suas temporadas de estreia. Kaká foi o único a levantar um troféu – o título italiano de 2003/2004 para o Milan.

Tive a felicidade de cobrir as estreias de Robinho e Pato, na época era correspondente da Band. Foi um frenesi danado. Só se falava neles, eram capas e capas de jornal – e um trabalho danado do meu lado, para conseguir entrevistá-los, mesmo que rapidamente. Experiência inesquecível, de ir a porta de hotel, plantões sem ter a certeza de que o objetivo seria alcançado, dezenas de gravações com torcedores empolgadíssimos. Eu mesmo virei ''objeto'' de reportagens, como jornalista brasileiro que poderia falar mais sobre aqueles meninos. Mesmo à distância, consigo ver as semelhanças. A história se repete, só que em outra cidade, outro país.

O início de Gabriel Jesus no City é melhor e ainda mais promissor do que o dos outros brasileiros badalados dos últimos 15 anos. Qual será o fim? Kaká virou melhor do mundo, Neymar ganhou tudo no Barça, Robinho conquistou títulos, mas nunca teve o tamanho que se imaginava. E Pato, que fez tanto barulho quanto Gabriel de cara, não virou muita coisa.

A empolgação é lícita, sem dúvida! Mas é sempre bom ter cautela.

Relembre o início dos outros quatro jogadores badalados nos últimos anos.

Neymar: 

Realizou quatro jogos de pré-temporada, fazendo dois gols. Estreia oficialmente em 18/8/2013, após a campanha de sucesso da seleção brasileira de Scolari na Copa das Confederações. Entra aos 19min do segundo tempo em jogo que o Barça venceu por 7 a 0 sobre o Levante. Não fez gols, ganhou um amarelo no finalzinho. O ataque do time foi formado por Messi, Pedro e Alexis Sanchez.

No segundo jogo, disputa da Supercopa da Espanha contra o Atlético de Madri, entrou aos 14min do segundo tempo e, sete minutos depois, fez o primeiro gol oficial no Barça. O jogo acabou empatado em 1 a 1, e o gol seria definitivo para dar o título da Supercopa ao Barça.

Ainda seria reserva no terceiro jogo. A partir daí, ganharia a posição de titular, relegando Pedro ao banco. Mas só foi marcar o segundo gol um mês e seis partidas (sempre como titular) depois daquele marcado no Calderón.

A primeira temporada de Neymar acabou com 15 gols em 41 jogos. O Barcelona acabou sem títulos – na temporada seguinte, no entanto, ganharia tudo.

Alexandre Pato:

Pato chega ao Milan no meio de 2007 e marca logo na estreia, em amistoso do time campeão europeu contra o Dynamo de Kiev. Só que ele só poderia fazer sua estreia oficial na reabertura do mercado de negociações, com 18 anos completos. Isso aconteceu em janeiro de 2008, após seis meses treinando no clube.

Assim como Gabriel Jesus, Pato chegou trazendo impacto imediato. Logo na estreia oficial, marcou na vitória de 5 a 2 sobre o Napoli. Titular do ataque até o fim daquela temporada, fez três gols nos primeiros quatro jogos. Sua primeira temporada acabou com 9 gols em 21 jogos, sem títulos. O Milan nunca mais voltou a ser o que era nos 10 últimos anos. Pato tampouco.

Robinho:

Assim como Neymar, chega ''tarde'', após a Copa das Confederações de 2005 com a seleção brasileira. O Real Madrid estreia na temporada em Cádiz, no dia 28/8/05, e Luxemburgo coloca Robinho em campo aos 20min do segundo tempo, no lugar do volante Gravesen. Robinho brilha, com direito a chapéu, põe fogo no jogo, e o Real faz o gol da vitória com Raúl no finalzinho.

Já no segundo jogo, Luxemburgo coloca Raúl no banco, e Robinho vira titular. No quarto jogo com a titularidade, o quinto no Real, Robinho faz seu primeiro gol, contra o Athletic Bilbao. A primeira temporada de Robinho foi tumultuada, no entanto, com vários treinadores, presidente renunciando e o Barcelona ganhando Liga e Champions.

Robinho acabou a primeira temporada com 12 gols em 51 jogos. Seria campeão espanhol nos dois anos seguintes, antes de ir para o Manchester City e perder holofotes na Europa.

Kaká:

Chega ao Milan para ser reserva, mas desbanca Rui Costa e vira titular absoluto do time que havia sido campeão da Europa em 2003, comandado por Carlo Ancelotti. Estreia em 1/9/2003 na vitória por 2 a 0 sobre o Ancona, dando passe para gol. No sexto jogo consecutivo como titular, faz seu primeiro gol: justamente no clássico contra a Inter de Milão, vencido pelo Milan por 3 a 1.

Kaká fez 14 gols em 45 jogos na primeira temporada pelo Milan. O clube foi campeão da Série A italiana, mas ficou fora das semis da Champions, sem conseguir defender o título, e perdeu o Mundial Interclubes para o Boca Juniors nos pênaltis. Kaká levaria o Milan à final europeia em 2005, perdendo nos pênaltis para o Liverpool, mas conquistaria, finalmente, a Champions em 2007 – foi seu auge, quando acabaria eleito melhor do mundo.


Chelsea mata o Arsenal e já pode comemorar a Premier League
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juliogomes

É verdade que teve uma ajudinha da arbitragem, mas o Chelsea dominou completamente e venceu o Arsenal por 3 a 1, neste sábado, em clássico londrino. A Premier League está decidida. É azul de novo.

A ajudinha veio no primeiro gol, uma falta claríssima de Alonso, que subiu com o cotovelo no rosto de Bellerín (teve de ser substituído) antes de cabecear. O Arsenal ameaçou empatar no primeiro tempo, mas foi destruído no segundo. O segundo gol do Chelsea, de Hazard, foi uma pintura. O belga é o melhor jogador do campeonato e um dos melhores do mundo.

Não que o Arsenal fosse o maior rival do Chelsea pelo título. Mas o fato é que os jogos desta semana, contra Liverpool e Arsenal, eram fundamentais para reabrir o campeonato. O Chelsea, que havia perdido para ambos no turno, empatou em Liverpool e ganhou bem em casa hoje. Não deixou ninguém abrir brecha alguma.

Na tabela, o Chelsea chega a 59 pontos. São 19 vitórias, 2 empates e 3 derrotas. Dominação total. Os perseguidores: Arsenal com 47, Tottenham com 47, Manchester City, Liverpool com 46, Manchester United com 42 pontos – os últimos quatro ainda jogam na rodada.

Arsenal e Tottenham não foram capazes de ganhar uma liga que ficou para o Leicester ano passado – são times em punch. Faltam muitas coisas. O City de Guardiola deve melhorar na reta final, mas ainda derrapará aqui e ali e o grande objetivo é a Champions League. O Liverpool vive seu pior momento na temporada. O United, além de muito longe na tabela, ainda tem final da Copa da Liga no caminho – para Mourinho, não estaria nada mal um título logo de cara, por menos relevante que seja.

Por falar em Champions League, essa é uma das chaves. Enquanto o Chelsea está fora das competições europeias, pela péssima temporada passada que fez, seus principais concorrentes estão para lá de envolvidos. City e Arsenal enfrentam, respectivamente, Monaco e Bayern de Munique em fevereiro pela Champions. O Tottenham está vivo na Europa League. Não é uma prioridade, mas pode se transformar conforme as fases avancem. O mesmo vale para o United.

O Chelsea tem apenas a Copa da Inglaterra para ser jogada ao mesmo tempo que a Premier. Se precisar poupar jogadores na Copa, não duvidará em fazê-lo.

Desde que Abramovich chegou com aquele caminhão de dinheiro e o Chelsea virou um clube milionário, um grande europeu, foram quatro títulos nacionais: 2005, 06, 10 e 15 – três com Mourinho, um com Ancelotti. Só o United ganhou mais ligas no período: foram cinco ainda com Ferguson, a últimas delas em 2013.

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A verdade é que o trabalho de Antonio Conte, outro italiano brilhando no Chelsea (além de Ancelotti, teve Di Matteo campeão da sonhada Champions em 2012), é maravilhoso.

Fui justamente na derrota por 3 a 0 para o Arsenal, no primeiro turno, que ele revolucionou o sistema do time. Abandonou o 4-2-3-1 dos últimos anos, passou a jogar com três zagueiros e deu total liberdade a Hazard na frente.

Assim como o Leicester do ano passado, o Chelsea prima pela fantástica compactação na defesa e uma velocidade incrível para fazer a transição defesa-ataque.

É pobre rotular esse Chelsea como um time de contra ataque. Sim, é verdade que os contra ataques são mortais com a velocidade de Hazard e Pedro (ou Willian, quando entra) e a grande capacidade de finalização de Diego Costa. Mas o Chelsea mostrou ser mais que isso dominando completamente o segundo tempo contra o Arsenal.

Com Kanté, que era o motorzinho do meio de campo do Leicester e faz o mesmo no Chelsea, o time recupera muitas bolas. Moses e Alonso defendem e atacam pelas laterais. David Luiz, bem posicionado e com a cabeça no lugar, faz uma temporada impecável. Ninguém se aproxima da área e, quando consegue fazê-lo, para nas espetaculares defesas de Courtois, talvez o melhor goleiro do mundo hoje.

Goleiro bom, defesa compacta, meio de campo que rouba muitas bolas e tem capacidade de municiar, triangular e manter a posse com os atacantes – que se mexem por todo o campo.

Conte, em seu primeiro ano na Premier, assim como Guardiola, achou a fórmula ideal. Faltam 14 jogos para o Chelsea. A maioria contra times da parte baixa da tabela. Só em abril haverá confrontos contra os dois times de Manchester – se bobear, a Premier já estará liquidada matematicamente até lá.

Esqueçam o ''ainda é cedo''. O título inglês já é do Chelsea.

 


China e França protagonizam mercado de transferências em janeiro
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juliogomes

Real Madrid e Atlético de Madri nem podiam contratar na janela de transferências do inverno europeu, fechada nesta terça-feira. O Barcelona e o Bayern de Munique não se mexeram. Os ingleses pouco fizeram. Com a sombra da China pairando sobre o continente europeu, surpreendentemente foi a liga da França que realizou as transferências de maior impacto.

O Brasil não sofreu tanto como em outros anos – o que não significa que jogadores brasileiros não tenham sido alguns dos principais envolvidos em negociações.

A maior transferência do mercado foi Oscar, do Chelsea ao Shanghai SIPG, por algo na casa dos 60 milhões de euros. Outro time de Xangai, o Shenhua, não precisou desembolsar tanto para tirar Carlitos Tevez do Boca Juniors, mas pagará ao argentino o maior salário do mundo: 40 milhões de dólares por ano. Que tal, heim, ganhar 2 milhões de reais por semana de trabalho?

O Tianjin pagou 18 milhões de euros ao Villarreal e levou Alexandre Pato. Contratou também o ótimo volante belga Alex Witsel, após cinco longos anos no Zenit. Uma pena, dois jogadores jovens que parecem ter perdido a ambição de buscar espaço nos grandes do futebol europeu.

Gabriel Jesus chegou ao Manchester City agora, mas a negociação havia sido realizada no meio do ano. É o jogador que mais impacto promete trazer à Premier League.

Das cinco negociações no ranking de valores do inverno, depois de Oscar, quatro envolveram clubes franceses.

O PSG trouxe Draxler por 40 milhões de euros, tirando do Wolfsburg o jogador de 23 anos que pode ser titular da Alemanha na próxima Copa. A outra transação foi mais esquisita, chamada de ''um mistério'' pela imprensa em Portugal.

Gonçalo Guedes, atacante de 20 anos do Benfica e que ainda não fez nada demais (nem nas bases), custou 30 milhões de euros ao PSG. Investimento altíssimo. No verão, o PSG havia desembolsado 25 milhões de euros para tirar Jesé do Real Madrid. Não deu certo, e o atacante foi emprestado para o Las Palmas – apresentado nesta terça com pompa e circunstância pelo simpático clube das Ilhas Canárias. Guedes chega para ocupar o espaço de Jesé, mas não poderá atuar na Champions League por já ter jogado com a camisa do Benfica.

Foi apresentado também pelo PSG o meia argentino Giovani Lo Celso, que fez ótima Libertadores com o Rosario e havia sido contratado no meio do ano passado.

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O Olympique de Marselha é uma das histórias que merecem atenção nos próximos anos. O clube foi comprado por um magnata americano e promete fazer estragos no mercado, voltar a ser grande na Europa.

No fim da janela de transferências, o Olympique trouxe de volta o meia Dimitri Payet, do West Ham e da seleção francesa, por aproximados 30 milhões de euros. Repatriou também Evra, que estava na reserva da Juventus, e contratou o promissor meia Sanson, do Montpellier, de 22 anos, que estava na mira de outros clubes, como o Borussia Dortmund.

Até mesmo o Lyon, que não é mais dominador no país, mas segue frequentando o alto da tabela, se mexeu. Contratou o holandês Memphis Depay, do Manchester United, por 16 milhões de euros. Depay, de apenas 22 anos, chegara ao United em 2015 por aproximadamente 30 milhões, trazido por Van Gaal. Não caiu nas graças de Mourinho, perdeu espaço e se mandou para a França.

O Manchester City, que trouxe Gabriel Jesus por 32 milhões de euros, foi atrás de um jovem de 15 anos da base do Valencia, Nabil Touaizi. Projeto de futuro.

O futebol brasileiro sofreu três baixas relevantes – já tivemos janelas piores, convenhamos. O Ajax pagou 15 milhões de euros em David Neres, mas não conseguiu tirar Richarlison, de 19 anos, do Fluminense (teria oferecido 9 milhões de euros) – o atacante é um dos mais assediados do Sul-Americano sub-20, que está sendo disputado no Equador.

Neres também está com a seleção sub-20 e estava nos planos de Rogério Ceni. Um jogador criado na base do São Paulo, que se destacou e passava a aparecer no time de cima.

jorge_monaco

Jorge, lateral revelação do ano passado, deixou o Flamengo para atuar pelo Monaco, que faz grande temporada e disputa o título francês. Walace, de 21 anos, deixou o Grêmio e foi para o Hamburgo por 9 milhões de euros.

Na Alemanha, foram mais de 90 milhões de euros gastos, recorde do país em mercados de inverno. Mas sem qualquer contratação de grande impacto – até porque, como já disse acima, o Bayern não se mexeu.

Se perdeu David Neres, Jorge e Walace, o futebol brasileiro repatriou Elias (Atlético-MG), Lucas Silva (Cruzeiro, emprestado de volta pelo Real Madrid), e Felipe Melo (Palmeiras). Três ótimos volantes. O Flamengo tirou Berrío, e o Palmeiras buscou Guerra no Atlético Nacional, melhor time do continente sul-americano em 2016.

A janela chinesa só fecha em fevereiro, então ainda pode vir bomba por aí. Mas a Europa só volta a incomodar no meio do ano.

 


Que felizes somos por termos visto Roger Federer
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juliogomes

Roger Federer e Rafael Nadal fizeram neste domingo uma espécie de final ''fora do tempo''. Na era de domínio de Djokovic e Murray, os dois veteranos voltaram a se encontrar em uma final.

Foi a nona decisão de Grand Slam entre Federer e Nadal – um recorde. E Federer conseguiu, afinal, derrotar seu grande algoz. Foram 3 sets a 2, com direito a uma virada de 1-3 para 6-3 no quinto e decisivo set.

10 em cada 10 especialistas do planeta consideram Roger Federer o maior tenista da história. Desde que ele não seja espanhol! hehe

E o espanhol que dirá que Nadal foi melhor tem alguns numerinhos interessantes em mãos. Nadal ganhou 23 dos 35 jogos entre eles. 14 das 22 finais (6 de 9 em decisões de Grand Slams). Massacrou no saibro (13 de 15, sendo 5 em Roland Garros). Ganhou final de Wimbledon em cima do suíco em 2008, onde supostamente Federer deveria exercer o mesmo domínio que Rafa no saibro. Havia vencido os três duelos na Austrália, antes da final de hoje.

Como o melhor da história pode ter sido freguês de alguém?

De alguma forma, todos que jogam ou jogaram tênis sabem por que Federer é o maior. Porque tem todos os golpes, porque eles saem naturalmente (como neste backhand aí da foto), porque é plástico, porque ganhou mais do que qualquer um. Porque sempre teve uma atitude fantástica dentro e fora da quadra.

''O tênis é um esporte duro, não há empates. Mas hoje eu ficaria feliz em aceitar um empate e que os dois levássemos o título''.

Foi o que disse Federer a Nadal ao final da partida, ainda na quadra. E é genuíno. É fácil ver nos olhos dele que é genuíno. E isso, além do forehand, do backhand ou do saque ou do troféu, é o que faz de Federer um exemplo. O maior.

E um tal Rafael Nadal foi fundamental para fazer dele melhor ainda. Para ensinar a todos, não só a Federer, mas a todos, que nunca podemos desistir. De nenhuma bola, de nenhum ponto, de nenhum jogo, em nenhum momento.

O último game da final deste domingo na Austrália foi emblemático. Nadal perdeu quatro games seguidos e viu o jogo escorregar. Federer tinha todo o momento e o saque para finalizar o campeonato. Mas o espanhol simplesmente se recusa a perder. Lutou, teve três break points, teve a chance de virar tudo novamente. Até que sucumbiu.

Como é difícil ganhar um ponto de Nadal! E como é difícil torcer contra um sujeito como Federer.

São 7 Wimbledons, 5 US Opens, 5 Australian Opens, 1 Copa Davis, um ouro olímpico em duplas, uma prata em simples. E, de quebra, um Roland Garros – em plena ''era Nadal'', indiscutivelmente o jogador mais dominante da história do saibro.

Os números falam por si. Mas a atitude fala ainda mais. Que sorte tivemos todos nós de ver Roger Federer.

Tags : Tênis


Neymar iguala gols de Ronaldinho no Barça. E isso não quer dizer nada
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Neymar fez um gol contra o Eibar, no fim de semana, e chegou a três gols em três jogos consecutivos, depois de um grande jejum. O Barça vive, talvez, seu melhor momento na temporada. Ganhou da Real Sociedad na Copa do Rei, após dez anos sem vencer em San Sebastián, e está pertinho do Real Madrid no Espanhol.

Neymar, em sua quarta temporada no clube, chegou a 94 gols em 164 jogos. Uma marca impressionante, sem dúvida. Se ficar mais alguns anos no clube, tem tudo para se transformar no brasileiro com mais gols com a camisa do Barça – Rivaldo tem 130 em jogos oficiais.

Ele chega, assim, aos mesmos gols que Ronaldinho Gaúcho conseguiu com a camisa do Barça – em 207 jogos.

Algumas ponderações: Neymar é muito mais atacante, enquanto Ronaldinho era muito mais criador. Ainda que joguem ambos pela esquerda, fazendo as diagonais, o estilo de jogo deles se diferencia a partir do momento em que Neymar é um fantástico finalizador, enquanto Ronaldinho era aquele jogador que tirava passes mágicos da cartola.

É natural que Neymar faça mais gols que Ronaldinho, ainda mais em uma época em que a distancia do Barcelona para os médios e pequenos do país é maior do que era dez anos atrás. O clube faz mais gols, o time é melhor.

No entanto, Neymar terá de remar muito, mas muito mesmo, para ocupar um espaço similar ao de Ronaldinho na história do Barcelona. Não bastarão títulos. É mais fácil alcançar um status maior que o de Rivaldo, mas muito difícil alcançar o Gaúcho.

Ronaldinho é o catalisador da mudança que transforma o Barcelona de um grande europeu para um gigante mundial. Era um momento de depressão do clube, de muitas derrotas, ligas vexatórias e convulsão política, contrastando com um Real Madrid galáctico, campeão da Europa três vezes em cinco anos.

Com seu futebol brilhante, fazendo os companheiros melhores em campo, seu sorriso no rosto o tempo inteiro, sempre de bem com a vida, Ronaldinho deixou a Espanha sem criar inimigos. E fez as pessoas se apaixonarem pelo Barcelona. Mais do que eficiente ou qualquer outra coisa do tipo, seu futebol era mágico. Este é o melhor adjetivo para os anos de Ronaldinho no Barça.

E essa magia, pelo menos por enquanto, Neymar não mostrou.

Seus dribles mais incomodam do que alegram. De alguma maneira, já disse isso aqui outras vezes, Neymar deve fazer seus oponentes se sentirem humilhados em campo. Não à toa, apanha tanto. Ronaldinho não apanhava. Mais sorrisos sinceros em campo, menos irônicos e sarcásticos. Isso, talvez, lhe aproxime do que foi o Gaúcho.

Neymar é, de longe, quem mais dribla e perde bolas na liga espanhola. Ou seja, o drible faz parte de seu jogo, como fazia no de Ronaldinho. Mas ele não desperta paixões. E, em uma época de futebol cada vez mais veloz e jogado em poucos passes, parece pouco produtivo.

Martín Ainstein, jornalista baseado na Espanha e que acompanha o Barça de perto, acompanhou a chegada dos dois jogadores ao clube e opina para o blog:

''Ronaldinho era um bailarino em campo. Seu futebol era o do drible mágico, extrovertido, sorridente. Era alegria sem necessariamente praticidade. O futebol de hoje, dez anos depois, é mais efetivo. Não existem esses risos. Neymar, quando se permite fazer algo fora do roteiro, recebe broncas. O mundo premia mais resultados que alegria e arte. O fato é que Neymar tem menos alegria do que aquele Ronaldinho'', diz Ainstein.

Ronaldinho foi protagonista de uma revolução na história do Barcelona. Revolução que fez, por exemplo, jovens como Neymar sonharem em defender a camisa do Barça. Neymar pode até ser, um dia, protagonista na Catalunha. Leva a carreira de forma profissional e parece valer à pena investir nele para ficar lá por muitos anos. Hoje, ainda é coadjuvante.

94 são muitos gols. Muitos mesmo. Neymar está no caminho certo e nem acho que esteja preocupado com esse tipo de comparações – isso é mais coisa de seu entorno. Mas acredito que não haja caminho para colocá-lo à altura do que foi Ronaldinho para o clube.

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Gabriel Jesus faz estreia promissora pelo City
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juliogomes

Gabriel Jesus jogou apenas 10 minutos. Entrou na fogueira, depois de o placar apontar 2 a 2 em um jogo completamente dominado pelo Manchester City contra o Tottenham. Aquela situação que tantas vezes já vimos. ''Vai lá, garoto. Resolve!''

Gabriel não resolveu o jogo para Guardiola. Mas quase. Foi pouco tempo, mas deixou a impressão de estar pronto para trazer algo para um time que sofre para fazer gols – ainda mais nos jogos grandes

Na primeira vez que tocou na bola, ganhou uma boa jogada pela esquerda, invadiu a área e cruzou. A bola atravessou perigosamente, sem que um pé a metesse para dentro. O segundo toque, pouco depois, foi de cabeça. Após um cruzamento da direita, Gabriel se antecipou e tentou colocar na gaveta, com efeito no cabeceio, surpreendendo o goleiro Lloris. Foi por pouco que a bola saiu.

O terceiro toque foi um gol. Novamente cruzamento da direita, Gabriel se posicionou bem no segundo pau, alcançou a bola e meteu para dentro. Mas ele estava meio metro à frente, talvez tenha escapado um pouquinho antes. Impedimento bem marcado.

Foram três toques na bola, sempre em lances de perigo.

Mais do que isso, foi interessante ver que o brasileiro entrou no ritmo do jogo. Com a mesma pilha dos outros jogadores, entendendo o contexto e atuando de acordo.

Foi um jogaço de futebol. O Manchester City dominou completamente o primeiro tempo e o placar de 0 a 0 no intervalo era quase surreal. O francês Lloris era o nome do jogo. Até que, logo no início do segundo tempo, o goleiro cometeu duas falhas tão graves quanto raras e deu dois gols para o City.

Parecia que viria goleada. Mas o ótimo time do Tottenham, praticamente na primeira vez que chegou ao ataque, marcou. O City não sentiu o golpe, continuou melhor e talvez ali, no meio do segundo tempo, fosse o momento de colocar Gabriel Jesus em campo. Sterling e Sané não faziam uma partida do mesmo nível de Aguero, De Bruyne e Silva. Com espaço e vantagem no placar, o brasileiro poderia ter decidido a parada.

Foi Sterling que, então, recebeu um ótimo lançamento e ficou cara a cara com Lloris. Foi empurrado. Era lance de pênalti. Mas Sterling resolveu tentar se equilibrar e fez uma finalização pífia. Gabriel, não tenho dúvidas, ou teria metido para dentro ou caído e cavado o pênalti e a expulsão. Na jogada seguinte, o Tottenham empatou.

Só então entrou Gabriel. Se há uma crítica a Guardiola é essa, demorar para reagir com substituições nas partidas. Mas o catalão deve estar feliz. Com a chegada de Gabriel Jesus, pode ser resolvido um problema crônico do City na temporada: meter a bola para dentro. A Premier já era, mas tem Champions League logo mais.

No campeonato, o Chelsea ri à toa. Empate de concorrentes diretos City e Tottenham, derrota bizarra do Liverpool em casa para o fraquíssimo Swansea, empate do Manchester United. Mais um sábado ''tudo de bom'' para Conte.

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