Blog do Júlio Gomes

Mudança da Libertadores é ótima. Falta agora o Brasil inverter calendário
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juliogomes

A Conmebol, quem diria, anunciou uma decisão que considero ótima para o calendário sul-americano. A Copa Libertadores não será mais uma competição de primeiro semestre e, sim, de ano todo. Começa em fevereiro, acaba em novembro.

Times não classificados para as oitavas de final ''caem'' para a Copa Sul-Americana, no estilo ''rebaixamento'' da Champions para a Europa League. Isso melhora o nível da Sul-Americana. E a final da Libertadores será em partida única. Aí é questão de gosto. Acho que o lado esportivo perde, mas gosto de levar grandes clubes do continente para diversos mercados, criar festas internacionais.

O fato é que a Libertadores no ano inteiro cria vários fatos positivos. Um deles é dar ''folga'' no calendário para as competições nacionais. Outra é acabar com aquela bizarra pausa na ''hora H'' em anos de Copa do Mundo e Copa América (dois a cada quatro). Pelo menos a pausa ocorrerá entre fase de grupos e mata-mata, como ocorre na Champions.

Outro fator positivo. Se um time brasileiro ganhar a Libertadores, já parte logo para o Mundial. Não fica aquela palhaçada de abandonar tudo por seis meses por causa do tal Mundial. Aliás, é benéfico para o representante da Conmebol chegar para a disputa na ponta dos cascos – o que não necessariamente se aplica ao campeão europeu.

A janela de meio de ano europeia pode tirar alguns jogadores do mata-mata da Libertadores? Pode, mas é um detalhe menor. Quanto mais os países do continente se fortalecerem, menor impacto terá a janela.

Agora falta o calendário brasileiro se adaptar. E há uma mudança que é simplesmente mandatória: a inversão. O Campeonato Brasileiro precisa começar em janeiro ou fevereiro, empurrando os Estaduais para o fim do ano.

Assim, Brasileiro e Libertadores começam juntos. Fase mais aguda do Brasileiro, reta final, seria em julho e agosto. Consequentemente, times não precisariam em nenhum momento abrir mão do Brasileiro por causa da Libertadores – esse ''abrir mão'', seja no início, seja no final do campeonato de pontos corridos, gera distorções terríveis para a disputa.

O Brasileiro pode ir de janeiro/fevereiro até o final de agosto. Assim, ele e Libertadores não se atrapalham. E as janelas europeias (de janeiro e agosto) têm impacto praticamente zero no decorrer Brasileiro. É possível condensar mais datas no primeiro semestre quando houver algum tipo de pausa (Copas do Mundo e América).

A Copa do Brasil pode ser espalhada pelo ano inteiro, com fases de oitavas de final para frente em setembro, outubro e novembro, ou seja, também sem concorrer com o Brasileiro.

E os Estaduais precisam ocupar o ano inteiro, dando calendário para times pequenos e amadores. Começam em fevereiro e vão até novembro. Sendo que em setembro, outubro e novembro os Estaduais ganham a participação dos clubes envolvidos nos Brasileiros A, B e C até agosto. Clubes menores jogam de fevereiro a agosto seus Estaduais para ganharem o direito de enfrentar os grandes no final.

Clubes grandes que, em setembro, outubro e novembro, estiverem envolvidos em Libertadores ou Copa do Brasil, podem abrir mão dessa fase ''final'' dos Estaduais. Que botem times mistos, reservas, sub-21, o que seja.

Em compensação, clubes importantes que estiverem fora das fases agudas de Libertadores e Copa do Brasil podem se dedicar aos Estaduais para ''salvar o ano''. Desta forma, com três meses para os grandes, os Estaduais teriam muito mais peso e gerariam mais interesse do que com os quatro meses atuais no início do ano.

A notícia sobre a Libertadores é ótima. Agora só falta a CBF e os clubes fazerem a parte deles. Este post não traz nada mirabolante. Apenas, o óbvio. Espero que os dirigentes vejam da mesma maneira.

Calendário ideal:

Pré-temporada – janeiro

Libertadores – fevereiro a novembro (anúncio feito hoje)

Brasileiro (A, B, C, D) – fevereiro a agosto (um mês a mais que atualmente e sem ser afetado por janelas de transferência)

Copa do Brasil – fevereiro e novembro (oitavas a partir de setembro) – de preferência com participação de todos os clubes do país, estilo FA Cup

Estaduais – fevereiro a novembro – até agosto com com clubes que não estejam nas séries do Brasileiro. A partir de setembro, entram na disputa os clubes que estiverem envolvidos em competições nacionais

Férias – dezembro

libertadores


Manchester United massacra. Leicester virou abóbora
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juliogomes

E o Leicester já virou abóbora.

Normal, nenhum problema nisso. Um ano atrás (ou dois ou dez), se o Manchester United fizesse quatro gols no primeiro tempo contra o Leicester em um jogo de sexta rodada, poucos queixos ficariam caídos.

Desta vez, alguns ficaram. Afinal, é o atual campeão inglês contra um clube que ainda não acertou o rumo desde a aposentadoria do lendário técnico Alex Ferguson. Foram três anos fora das três primeiras posições na Premier – após 22 anos consecutivos sempre entre os três.

O jogo deste sábado passou aquela impressão de ''coisas voltando ao devido lugar''. Com Rooney no banco (vem polêmica aí) e dois volantes que são meias e fazem o jogo fluir (Pogba e Ander Herrera), o United de Mourinho mostrou um jogo dinâmico, veloz. Construiu naturalmente a goleada, com alguma contribuição do Leicester nas bolas paradas.

No segundo tempo, com o jogo resolvido pelos quatro gols no primeiro, o United diminuiu a intensidade.

Na atual temporada, além dos 4 a 1 deste sábado, o Leicester já levou 4 a 1 do Liverpool e foi eliminado pelo Chelsea na Copa da Liga (levando quatro). Na pré-temporada, já havia levado quatro do PSG e do Barcelona. Coisas em seus devidos lugares.

Parece claro que o sistema defensivo está sofrendo. Terá sido pela saída do volante Kanté? Nada é tão simples.

Simples foi para Kanté ir para um clube maior, o Chelsea. Seus ex-colegas Vardy e Mahrez foram sondados por grandes da Europa e resolveram ficar, renovaram até 2020. Na minha visão, erro clássico. As histórias de Cinderela não se repetem. Se a vida financeira deles ficou resolvida, a vida esportiva pode ficar em segundo plano. Cada um sabe onde o calo aperta e a real qualidade que tem, mas eles erraram feio se acharam que o Leicester passaria a ser um clube de elite, a disputar títulos todos os anos. Se ficarem mesmo até 2020, possivelmente jogarão quatro temporadas evitando rebaixamentos.

O Leicester lembra muito aquele São Caetano de outrora. Jogadores que não saíram perderam uma grande chance de defender camisas pesadas do futebol brasileiro. Diferente do que fez o São Caetano em 2002, no entanto, o Leicester não chegará à final de ''sua'' Libertadores – até que o grupo fácil deixará o Leicester disputar as oitavas da Champions League atual, mas difícil ir além.

De qualquer forma, por mais doloroso que seja cair na real, o torcedor do Leicester deve encarar tudo sempre com o copo meio cheio. Em vez de ficar lamentando os 4 a 1, basta lembrar que foi neste mesmo Old Trafford, em maio, que um empate por 1 a 1 deixou o Leicester com o título inacreditável nas mãos – ele viria no dia seguinte, após um empate do Tottenham (malditos pontos corridos).

Ser campeão inglês um ano e depois passar a vida no meio da tabela, às vezes amargando algum rebaixamento? Ou chegar todo ano em terceiro ou quarto lugar, nunca perto do título, mas sempre ali indo à Champions?

Para os donos de clube, sem dúvida a segunda opção é a melhor. E para o torcedor de um Leicester City da vida? Eu fico com a primeira. Tenho certeza que eles não trocariam 2016 por 20 Champions Leagues.

A carruagem virou abóbora. Mas os tempos de carruagem são simplesmente inesquecíveis. A história esportiva mais linda e surreal que já vimos acabou.

 


Atlético e Santos têm tudo para fazer semi na Copa do Brasil
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Foram definidas as quartas de final da Copa do Brasil. Todos queriam pegar o Juventude. Com todo respeito ao time que eliminou o São Paulo, segue sendo de terceira divisão (pode subir para segunda se passar do mata-mata que tem contra o Fortaleza na Série C).

E quem se deu bem foi o Galo. Apesar de decidir a vaga em Caxias, o Atlético Mineiro tem tudo para abrir boa vantagem na ida, semana que vem, e encaminhar a classificação para as semifinais. Marcelo Oliveira chegou a quatro das últimas cinco finais de Copa do Brasil – ganhou ano passado com o Palmeiras, perdeu com o Cruzeiro (2014) e duas vezes com o Coritiba (11 e 12).

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É um técnico com histórico muito bom na competição, pois. O sorteio ajudou. O Galo pode até estar ficando para trás no Brasileiro, mas está claro que vai para as cabeças na Copa do Brasil.

Uma semifinal está super desenhada entre Atlético e Santos.

O Santos enfrenta o Internacional. É verdade que o jogo de volta em Porto Alegre, mas isso, na verdade, me parece ser uma boa notícia para o Santos. O Inter vive um momento horroroso, mais um técnico balança, a preocupação é para evitar um rebaixamento que seria inédito. O Santos tem tudo para encaminhar o confronto semana que vem, se ganhar bem na Vila.

Atlético e Santos, pois, têm a faca e o queijo nas mãos para deixar quase garantida a vaga nas semis e poderem focar em buscar os líderes do Brasileiro no próximo mês (os jogos de volta são somente no fim de outubro).

Do outro lado da chave, tudo mais nebuloso. Grêmio e Palmeiras fazem primeiro jogo em Porto Alegre, volta em São Paulo. Corinthians e Cruzeiro abrem as quartas em Itaquera, decidem no Mineirão.

A tabela do Brasileiro, se servir como indicativo, aponta para Palmeiras e Corinthians como favoritos. Mas são duelos muito abertos. O Grêmio, apesar da grande crise, tem técnico novo, faz um jogo em casa meio que para ''salvar o ano'' semana que vem e, quando chegar a partida de volta, o Palmeiras pode estar totalmente focado em conquistar um Brasileiro que não ganha há 22 anos.

Já o Cruzeiro melhorou com Mano Menezes e, daqui a um mês, já deverá ter se afastado da briga contra o rebaixamento. O Corinthians nem saberemos se estará de técnico novo, disputando título ou G4, enfim.

A distância entre os duelos de ida e volta dilui – e muito – o suposto favoritismo de Palmeiras e Corinthians nestes dois duelos.

Palpite do blog: Atlético x Santos. Palmeiras x Cruzeiro. Final mineira. Calma. É apenas palpite. Deixe o teu aqui também.


Mimimi do presidente do Flu é exagero completo
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juliogomes

Quantos times já não saíram de Itaquera ou do Pacaembu reclamando de arbitragem? Ou do Maracanã? Ou do Bernabéu? Ou do Camp Nou? Ou do Delle Alpi?

Amigos, arbitragens caseiras são a notícia mais velha que há no futebol. O torcedor de futebol se sente bem achando que ele faz diferença no estádio. O que sempre fez diferença para time da casa foram as arbitragens. Sempre fizeram e sempre farão. E na esmagadora maioria dos casos os erros vão ajudar o time grande, o mais popular, o mais importante.

Árbitros têm medo de errar contra os grandes. Sabem que suas carreiras podem ser prejudicadas. Essa é uma verdade inexorável no futebol e que nunca será alterada. Vivam com isso.

O Corinthians sempre fez e sempre fará parte do seleto grupo de clubes que foram e serão mais beneficiados que prejudicados por arbitragens. Não estou falando em compra de árbitros nem nada do tipo (pode até ter acontecido no passado, mas hoje em dia acho muito difícil). Estou falando de uma coisa simples: árbitros têm medo de errar contra os grandões, ainda mais em sua casa.

Quando Levir Culpi fala que foram ''seis lances capitais no jogo e o Corinthians ganhou de 6 a 0″, ele está clamando por uma ''divisão'' na hora dos lances duvidosos. Sorry, Levir. Isso nunca acontecerá.

O Corinthians já ganhou jogos com lances muito, mas muito mais polêmicos ou cristalinos que os desta quarta à noite contra o Fluminense.

A chave do jogo não foi a arbitragem. O Flu tinha um plano de jogo. Ser conservador no primeiro tempo e arriscar no segundo. Se levasse um gol, OK, plano seguiria, pois bastaria marcar um para levar a pênaltis. O que não estava nos planos foi a apatia do time carioca após levar o gol de Rodriguinho. O Fluminense não soube manter a frieza e o jogo que estava fazendo. Derreteu em campo, se encolheu, foi engolido.

Foi o gol de Rodriguinho que entrou na cabeça dos atores em campo e fez com que o Corinthians se classificasse.

O Flu teve três gols bem anulados, em lances pouco duvidosos. A expulsão de Marquinho, na minha visão, é ridícula. Não concordo com a atitude do árbitro, muito autoritária. Juízes são xingados o tempo todo, precisam entender a frustração de jogadores, relevar muita coisa. Amarelo bastaria. Mas foi uma expulsão nos minutos finais. Eu nem chamaria de lance capital. O pênalti reclamado em Cícero, para mim, não foi nada. Ombro com ombro.

O de Fágner nos acréscimos é um lance muito duvidoso. O jogador do Flu é acertado, sem dúvida. Mas caiu por isso? Se deixou cair? É pura interpretação. E aí caímos no que eu disse no começo desse post. Na dúvida, será sempre pro da casa ou pro grandão. Não adianta dar murro em ponta de faca. Aliás, eu não daria o pênalti. Concordo com a decisão do árbitro. Richarlison já estava caindo antes de haver o contato com Fágner, que recolhe a perna.

Aí vem o presidente do Fluminense, aquele mesmo do Pequeno Príncipe, dizer que o Corinthians ''sempre joga com 12″ e que foi ''uma vergonha'' o que aconteceu no Itaquerão.

Algum maldoso diria que vergonha é cair para a segunda divisão no campo e ficar na primeira no tribunal. Pessoalmente, acho que dirigentes como Siemsen mais ajudam do que atrapalham o futebol brasileiro.

Mas o choro teve todas as características para ser chamado de ''mimimi''. Um exagero completo. Nunca vemos dirigentes falando com tanto fervor quando arbitragens ajudam seus times, somente quando atrapalham – ou supostamente atrapalham. Por isso, entre outras coisas, eles vão perdendo credibilidade.

O presidente, ou chefe, deveria ouvir a entrevista de seu técnico, o funcionário. Muito mais classe para reclamar. A frustração da eliminação é normal, a frustração por ter todas as decisões difíceis contra si é compreensível. O exagero, além de inútil, é nocivo. Dirigentes e jogadores fazem a vida dos árbitros ser muito mais difícil do que já é.

Siemsen passou completamente do ponto. Jogou para a torcida. Essa história também é velha. Dirigentes falando como torcedores e árbitros apitando lances duvidosos para o time da casa… o mundo gira, mas certas coisas não mudarão nunca.

siemsen


Com Thiago Silva, Tite corrige erro bizarro de Dunga
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juliogomes

A ausência de Thiago Silva da seleção brasileira foi ridícula. Infantil. Inacreditável. Convocando um dos melhores zagueiros do mundo, senão o melhor, Tite corrige um erro bizarro de Dunga.

A antipatia de Dunga por Marcelo era antiga, vinha desde a Olimpíada de Pequim, da primeira passagem. Era compreensível, até. Mas Thiago Silva estava fora da seleção por que mesmo? Um pênalti bobo cometido? Quem nunca… Porque chorou em um jogo de Copa do Mundo? Em casa, com essa pressão de leve que se faz aqui? Quem nunca…

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Não saberemos, porque nunca foi dada uma explicação plausível e transparente.

O Brasil tem bons zagueiros. Nenhum como Thiago Silva. Técnico, com grande senso de posicionamento, inteligente taticamente, líder. Simplesmente não dá para abrir mão.

Mais um gol de Tite. Esse até minha vó faria, como se diz por aí. Mas Dunga, não.


“Noventa minutos no Bernabéu são muito longos”
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juliogomes

Uma falta bobinha, bobinha de Elias em Cristiano Ronaldo nos minutos finais do jogo. Bola no ângulo. Caixa. E o melhor jogador do mundo em 2016 salva o Real Madrid do que seria a maior zebra dos últimos anos na Liga dos Campeões da Europa.

Como o Bernabéu é o palco das viradas históricas, sempre foi e sempre será, Morata, aos 49, de cabeça, ainda virou o jogo.

O Real não perde um jogo de fase de grupos de Champions em casa desde 2009 (contra o Milan, então forte). Nunca perdeu para um time português em casa. Os tabus continuam vivos com o 2 a 1 dramático – e injusto, até – sobre o Sporting.

Mas, muito mais importante do que isso, foi arrumar uma virada que não deixa o Real Madrid contra a parede – o que seria surreal para o atual detentor do título.

No outro jogo do grupo, o Borussia Dortmund venceu o Legia Varsóvia por 6 a 0. Na próxima rodada, o Borussia recebe o Real, o Sporting recebe o Legia. Poderia se desenhar um cenário com portugueses e alemães com seis pontos, o Real com nenhum. Mas não é o caso, graças à genialidade de Cristiano, desamarrando um jogo para lá de amarrado.

Foi um péssimo jogo do Real Madrid. Apático, com um certo desdém pelo adversário, sem movimentação. O Sporting, por outro lado, fez o jogo para lá de correto, um time muito firme desde a chegada de Jorge Jesus ao comando técnico. Com três campeões da Euro entre os titulares, envolveu o Real em alguns momentos, abriu o placar no começo do segundo tempo e chegou a flertar com o segundo gol.

Zidane fez substituições até certo ponto óbvias, mas que deram certo. Entraram Morata, que se não é pelo menos está muito melhor que Benzema, Vázquez e James Rodrígues. Nos últimos 20 minutos, o Sporting recuou demais e o Real Madrid, afinal, acordou. Quando acordou, virou.

É cruel ver um clube como o Sporting, que sofre tanto domesticamente, ter o doce tirado da boca desse jeito. Nem xingar Cristiano Ronaldo o torcedor verde pôde, o cara nem comemorou o golaço de falta que fez, em respeito ao clube que o revelou. Mas o que aconteceu com o Sporting já aconteceu dezenas e dezenas de vezes, com clubes grandes, pequenos, espanhóis ou estrangeiros.

30 anos atrás, Juanito, um jogador histórico do Real Madrid, disse a um rival da Internazionale após derrota de 2 a 0 em um jogo de ida, em Milão, pela Copa dos Campeões. ''Noventa minutos no Bernabéu são muito longos''. Na volta, o Real venceu por 3 a 0. E esses minutos continuam longuíssimos para quem se atreve a incomodar o maior campeão da Europa.

Resto da rodada

Em jogo adiado de ontem, o Manchester City meteu 4 a 0 no Borussia Moenchengladbach, que é um bom time. Foram três gols de Aguero, e o time de Guardiola segue voando no início de temporada.

A Juventus, uma das candidatas a tentar quebrar o domínio de Real, Barça e Bayern na Champions, fez um jogo ruim em casa contra o Sevilla. Foi um 0 a 0 chato, amarrado, com poucas ocasiões de gol. Não gostei da escalação da Juve, muito conservadora. Higuaín acertou uma bola no travessão, mas o empate sem gols retratou bem o que foi o jogo.

O Leicester, campeão inglês, ganhou por 3 a 0 do Brugge na Bélgica. E ainda viu o Porto decepcionar e empatar em casa com o Copenhague. Olha o Leicester aí!

No grupo E, um desses equilibrados e imprevisíveis, o Bayer Leverkusen bobeou em casa e empatou por 2 a 2 com CSKA Moscou. E o Tottenham perdeu em casa por 2 a 1 para o Monaco.

Daqui a duas semanas, temos Atlético de Madri x Bayern de Munique, repetição da semifinal da última temporada. E Borussia x Real Madrid, repeteco da semi de 2013, quando o time de Dortmund passou o carro sobre o maior campeão europeu. Dois jogaços envolvendo espanhóis e alemães.


Novo PSG bobeia, mas é bom ficar de olho nesse time
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Foram três anos com Laurent Blanc. O ''novo rico'' Paris Saint-Germain consolidou seu domínio no futebol doméstico, chegou às quartas de final da Liga dos Campeões, mas, na hora H, falhou. E falhou porque faltaram elementos básicos para quem quer dar um passo a mais na Europa: intensidade e criatividade – não só dos jogadores, mas do comandante.

Toda troca de técnico é complicada no início. E o espanhol Unai Emery, tricampeão da Europa League com o Sevilla, não chegou ao PSG exatamente para deixar as coisas como estavam, mas, sim, mudar.

E mudou. O PSG estreou na Champions League empatando em casa com o Arsenal, 1 a 1, levando um gol de Alexis Sanchez no final. Mas se tem um placar ''mentiroso'' dos jogos que vi ultimamente foi esse aí.

Foi um total banho do PSG no Parque dos Príncipes. Emery, que não tem mais Ibrahimovic, montou o time com Cavani no comando de ataque e um meio de campo bastante diferente e dinâmico. Em vez de abrir dois pontas, como sempre fazia Blanc, Emery optou por colocar o polonês Krychowiak na proteção e avançou Rabiot, Verratti, Di María e Matuidi em um 4-1-4-1. Os laterais se incorporaram o tempo todo.

Foi um time ofensivo, com muitas triangulações e infiltrações, campo espalhado, associações e chances criadas. O dinamismo que o jogo exige hoje e que atrapalha a marcação adversária. Na defesa, a entrada de Marquinhos no lugar de David Luiz melhora demais a zaga.

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Cavani fez 1 a 0 logo no primeiro minuto de jogo. E, a partir daí, o PSG cansou de perder gols e boas oportunidades de contra ataque. Poderia ter goleado.

Arsene Wenger corrigiu um erro de escalação no segundo tempo, colocou Giroud e abriu a posição de Sánchez. Mesmo melhor, o Arsenal ainda não era páreo para o PSG. O grande escritor britânico Simon Kuper resumiu o que se via assim: ''Di María parece ser quatro vezes melhor do que qualquer jogador do Arsenal''.

Só que o futebol é uma coisa linda por sua eterna capacidade de surpreender. E, em um lance fortuito, na reta final, o Arsenal achou o empate. E ainda quase virou no fim.

O início de temporada do PSG está longe de ser perfeito. Mas foi facilmente perceptível um PSG mais leve em campo, com mais opções, mais criativo e mais intenso. Ganhar ou perder, ainda mais neste estágio da temporada, é menos relevante do que a perspectiva criada.

Coloquei o PSG em uma pequena lista de quatro times que podem (difícil, mas podem) tirar o título do trio que domina a Europa (Real Madrid, Barcelona e Bayern de Munique). O jogo desta terça, apesar do empate, mostra que o PSG tem potencial para fazer algo diferente neste ano – a não ser que perca a paciência com Emery. Nunca se sabe o que se passa na cabeça dos donos do dinheiro.

É importante, claro, garantir a primeira colocação do grupo, que tem os fracos Basel e Ludogorets (empataram por 1 a 1). Assim, fugir de um confronto mais complicado nas oitavas. Há tempo para isso e para buscar os pontos perdidos no duelo de Londres contra o Arsenal.

De resto, a primeira rodada da Champions foi aquela de sempre – algo precisa ser feito para a fase de grupos voltar a ser atraente.

O Barcelona meteu 7 a 0 no Celtic escocês, com vários golaços, assistências de Neymar, enésimo hat trick de Messi. O Bayern de Munique fez 5 a 0 no Rostov russo. E o Atlético de Madri, como não, foi à Holanda e ganhou do PSV por 1 a 0. ''A lo suyo'', como dizem na Espanha. Defesa firme, time capaz de ganhar jogos onde for, contra quem for.

No grupo B, um dos únicos equilibrados e imprevisíveis, a ''lei do ex'' falou alto, e Talisca marcou para o Besiktas no finalzinho, empatando contra o Benfica, em Lisboa. Já o Napoli foi a Kiev e ganhou do Dynamo por 2 a 1, de virada. Vitória grande.


Quatro clubes que podem desafiar Real, Barça e Bayern na Champions
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juliogomes

Foi em um distante ano de 2008 que a Liga dos Campeões teve, pela última vez, uma final sem a presença ou do Real Madrid ou do Barcelona ou do Bayern de Munique. Cristiano Ronaldo, por sinal, era a estrela do time campeão, o Manchester United – que derrotou o Chelsea naquela decisão de Moscou.

Já são oito finais seguidas com um dos três clubes mais potentes da Europa – curiosamente, nenhuma entre eles. São sete Ligas consecutivas em que dois ou três deles estiveram na semifinal. Ninguém consegue acompanhar o ritmo do trio.

A fase de grupos da Champions começa nesta terça com Bayern, Barça e Real como os claros favoritos ao título. Assim como aconteceu de forma cristalina nas últimas quatro edições do campeonato de clubes mais importante do mundo. É difícil apontar um favorito entre os três. Mas mais difícil ainda, quase impossível, é apontar um favorito que não seja um dos três.

Para este blog, após as três frustrantes eliminações em semifinais com Guardiola, é a vez do Bayern de Munique. Carlo Ancelotti tem uma estrela que brilha muito na Champions. É um treinador que, além de entender demais de futebol e potencializar o que tem em mãos, sabe muito bem aproveitar ótimos trabalhos deixados por antecessores (sem querer ''mudar tudo'' para impor um estilo) e que gerencia egos e estrelas como poucos.

Mas este post trata de buscar o tal ''impossível''. Como não estamos falando de pontos corridos e, sim, de mata-mata, a competição cria condições para que outros cheguem à final. Quais são os clubes capazes de desbancar um dos três super favoritos?

Aqui vai minha curtíssima lista.

1- Juventus

Depois de chegar à final em 2015, a Juve perdeu Tevez, Pirlo e Vidal. Três peças fundamentais. Levantou-se rapidamente para ganhar o Scudetto de novo, mas já perdeu Pogba e Morata, que havia encaixado tão bem no ataque. Para a atual temporada, no entanto, chegaram Daniel Alves, Benatia, Pjanic e Higuaín, e a Juve já começou voando na Itália. Não deverá ter problemas para conquistar um inédito hexacampeonato nacional e ter o foco todo na Champions no primeiro semestre de 2017.

Tem camisa, história, uma defesa melhor que a dos três poderosos, competitividade, elenco e maturidade. A Juventus é a candidata mais forte a beliscar uma final e, por que não, sair da fila de 20 anos.

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2- Atlético de Madri

Com todo respeito aos outros, não é possível empurrar o Atlético para baixo nessa lista. É um clube que chegou a duas das últimas três finais, que perdeu uma por um gol sofrido nos acréscimos do segundo tempo e outra nos pênaltis. Sabe o que é chegar, como chegar e tem a cicatriz da derrota, o que sempre pode ser um fator para vitórias.

O Atlético melhorou demais seu jogo na temporada passada. Se enganam os que simplificam tudo e consideram apenas um time defensivo e retranqueiro. Além de possuir o melhor sistema defensivo da Europa, com linhas que se ajudam e têm uma capacidade impressionante de sincronização de movimentos, a equipe melhorou demais com a bola e na qualidade ofensiva. Mantém seu grande mentor, Simeone, mantém os titulares todos da temporada passada e ainda acrescenta dois atacantes importantes em Gameiro e Gaitán. Deixou de ser surpresa, não pode ser subestimado.

3- Manchester City

É o time do técnico mais genial do planeta, e isso não é pouca coisa. Mesmo em uma temporada apática, o City conseguiu, afinal, chegar a uma semifinal e quebrar essa importante barreira. Além do impulso natural da chegada de Guardiola, o elenco ficou bastante reforçado em todas as linhas. E ainda chega Gabriel Jesus em janeiro, um garoto desconhecido na Europa e que, se encaixar e se soltar de cara, pode fazer a diferença.

Guardiola tem tempo de sobra para misturar os elementos táticos nos quais acredita com o estilo intenso dos times da Premier League. Tem também a chance de medir forças contra o Barça na fase de grupos e tempo de sobra para pensar no que deu errado para eles nas semifinais das últimas três Champions – e ajustar.

4- Paris Saint-Germain

Ao contrário do City, ainda não conseguiu romper a barreira das quartas de final desde que virou ''novo rico''. No ano passado, pareciam ter uma chance real, mas algo simplesmente não aconteceu. E este blog já disse isso repetidas vezes: talvez esse ''algo'' estivesse no banco. Laurent Blanc deixou a desejar nos momentos cruciais dos jogos cruciais. A chegada de Unai Emery, um técnico que fez trabalhos enormes no Valencia e no Sevilla, é um ganho tremendo para o PSG.

É verdade que Ibrahimovic não está mais, mas isso pode abrir espaço para novas dinâmicas no ataque, que ficava pendente demais do sueco – até hoje, todos que ficaram pendentes de Ibra nas fases agudas da Champions League se deram mal. Todos. O trabalho de Emery eventualmente vai encaixar, e o PSG, assim como Juventus e Bayern de Munique, deve chegar ao mata-mata com a liga doméstica praticamente decidida.


Guardiola supera Mourinho em dérbi eletrizante
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juliogomes

Manchester United e Manchester City, ou José Mourinho e Pep Guardiola, entregaram o que todos esperavam do primeiro dérbi da cidade na temporada. O City venceu por 2 a 1 fora de casa, em um golpe de autoridade na disputa que certamente os dois clubes de Manchester vão travar em busca do título da Premier League.

O City segue com 100% no campeonato, quatro vitórias em quatro jogos. Mourinho perde a primeira no comando do United.

Foi um jogaço, eletrizante, de tirar o fôlego do primeiro ao último minuto. O City foi melhor e mereceu vencer.

No primeiro tempo, foi um banho do time azul de Guardiola. Além de dominar a posse de bola, o City machucou o United com uma postura ofensiva. Pep escalou o time com Fernandinho com único volante (jogou demais) e muita madeira na frente: David Silva e De Bruyne se incorporando, Sterling e Nolito abertos pelas pontas e o jovem Iheanacho substituindo Aguero.

Curiosamente, foi em um chutão para frente que saiu o primeiro gol, um gol típico da Premier League, típico dos times de qualquer técnico, menos Guardiola. Iheanacho escorou o balão de cabeça, Blind falhou, e De Bruyne ficou no mano a mano com De Gea para concluir com perfeição. O belga foi o melhor jogador em campo, não só pelo gol, mas pelas diversas ocasiões em que deixou o United em apuros.

Aos 36min, foi de uma jogada individual de De Bruyne que saiu a finalização na trave e, no rebote, Iheanacho fez o segundo.

O jogo era dominado completamente pelo City, até que a história mudou em um erro bisonho de Claudio Bravo na saída do gol após uma bola parada alçada na área. Ibrahimovic, genial, aproveitou o erro com uma chicotada para diminuir. Eram 42min do primeiro tempo.

A etapa inicial foi um retrato desta disputa histórica que Pep e Mou representam.

Os times de Pep são sempre mais legais de ver. Ofensivos, buscam a bola, o jogo, a vitória de forma mais agressiva. O City valoriza a bola (teve 60% de posse), mas vai muito além disso. Mescla a forma de Guardiola ver o jogo com as características de extrema velocidade do futebol jogado no país. Assim como Guardiola incorporou elementos nos três anos de Bayern, o mesmo vai acontecendo agora.

Os times de Mou especulam mais, buscam a vitória através da destruição primeiro, a construção depois – ambas as facetas de jogo de forma incontestavelmente eficientes. Em um jogo em que seu time foi inferior, ficou a um triz de sair com o empate.

No entanto, Pep ainda vai ter remar muito para alcançar Mourinho no modo como o português ataca o mercado e participa das finanças dos clubes.

A saída do goleiro Hart do City, além de traumática, ocorrida no último dia da janela de transferências, representou perda de dinheiro para o clube. Chegou Bravo, que é bom goleiro. Mas custou bem caro (18 milhões de euros) e falhou feio na estreia. E não só falhou no lance do gol. A grande suposta qualidade aos olhos de Pep, a saída de bola com os pés, quase colocou o City em apuros algumas vezes. Quem aproveitou o erro de Bravo foi Ibra, que chegou de graça ao United para jogar com Mourinho.

No segundo tempo, o jogo mudou completamente. As entradas de Herrera e Rashford no United melhoraram o time, que adiantou as posições de Rooney e Pogba e passou a pressionar demais a saída de bola do City, roubar algumas e rondar a área adversária. O empate parecia próximo, quando foi a vez de Guardiola atuar. Colocou Fernando na contenção para ajudar Fernandinho, estabilizando o sistema defensivo.

Em contra ataques, o City quase chegou ao terceiro gol. Mas, nos acréscimos, foi aquele sufoco em que quase o United empatou. No fim, pelo amplo domínio do City no primeiro tempo e nenhum erro capital do árbitro, foi um resultado justo.

Ao todo, são agora 17 confrontos diretos entre Mourinho e Guardiola. Mou fica com três vitórias, Guardiola chega à oitava – são seis empates.

Em mata-matas, 1 a 1 em Champions League, 1 a 1 em Copas do Rei, 2 a 0 para Pep nas Supercopas que pouco valem. Desequilíbrio no geral, ampliado com a vitória do City neste sábado, mas equilíbrio nos confrontos eliminatórios – e certamente veremos mais deles nesta e nas próximas temporadas.

 


Duas visões: quem é melhor? Mourinho ou Guardiola?
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juliogomes

José Mário dos Santos Mourinho Félix. 53 anos. Português de Setúbal.

Josep Guardiola Sala. 45 anos. Espanhol de Santpedor, Catalunha.

Ou simplesmente Mou e Pep.

Pedindo licença ao ótimo, mas (bastante) menos midiático Carlo Ancelotti, estamos falando dos dois maiores técnicos de futebol do planeta. Os homens que tomaram conta do noticiário e de títulos e mais títulos na Europa nos últimos anos.

Neste sábado, quis os destino que se reunissem em uma cidade cinzenta e sem muita graça. Uma cidade da qual pouco (ou nada) falaríamos, não fosse o futebol. Manchester.

Mou está no United, onde sempre quis estar para trilhar o caminho de Alex Ferguson. Pep está no City, onde sempre quiseram que ele estivesse para fazer do clube não só um grande da Europa, mas amado no mundo todo por um estilo de jogo.

Os dois já se enfrentaram muitas vezes. E não se enganem. Serão eles que vão batalhar pela próxima coroa na Premier League. Manchester vai ficar pequena. A partir do ano que vem, serão os intrusos no domínio recente de Barça, Real e Bayern no continente.

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O blog abre espaço para as palavras de dois dos jornalistas mais respeitados da Europa. Dois amigos. Como bons amigos, conheço bem suas paixões futebolísticas. Um é Guardiolista. O outro é Mourinhista. Quem é o melhor, afinal?

Martín Ainstein, jornalista argentino, vive em Madri e cobre futebol internacional para a ESPN:

''São dois treinadores muito parecidos em termos de mentalidade. Obcecados, com mentalidade ganhadora, estudiosos, não suportam a derrota. Guardiola diz que o importante é o caminho para chegar ao fim. Se equivocam os que pensam que eu não gosto de ganhar, ele diz. Mas procuro ganhar da maneira que sinto que seja a melhor para obter os resultados. E essa maneira de Pep é com posse de bola, encontrar circuitos de jogo, ter jogadores ofensivos, abrir o campo com pontas, goleiro que saiba sair jogando com o pé, defensores que tenham coragem para sair com a bola.

Mourinho tem outro estilo. Para mim, menos eficiente, porque é um estilo onde a especulação é mais importante que propor jogo. Ele trabalha melhor com as linhas fechadas, a defesa, tentar destruir antes de construir.

Estamos falando de dois treinadores que sempre tiveram em mãos elencos de muita qualidade e talão de cheque à disposição. Talvez outros treinadores, com orçamentos mais escassos, tivessem mesmo que trabalhar de forma mais conservadora. Mas Mourinho, assim como Guardiola, sempre pôde construir o tipo de equipe que quisesse. E poderia ter buscado ao longo dos anos jogadores com maior capacidade criativa.''

Duncan Castles, jornalista escocês, é um dos grandes conhecedores dos bastidores dos clubes ingleses:

''São dois grandíssimos treinadores. Mas, se eu tivesse a chance de pegar um para meu time, escolheria Mourinho. Se você comparar a carreira dos dois, verá que Mourinho conseguiu dois feitos que talvez Guardiola nunca consiga. Ele conquistou a Copa da Uefa e a Liga dos Campeões em anos seguidos com o Porto e depois conquistou uma tríplice coroa com a Inter de Milão sem precedentes no futebol italiano. Aquele time da Inter foi estruturado por ele no mercado de transferências, com jogadores baratos. Mourinho é um grande negociador e conseguiu, por exemplo, mandar Ibrahimovic para o Barcelona em troca de Eto’o e ainda uma quantia em dinheiro para montar o time. Talvez Guardiola nunca aceite pegar times com estruturas como as do Porto ou da Inter.

Outro grande fator é a força mental de Mourinho, a durabilidade. É lógico que Guardiola tem muitos méritos, mas precisamos colocar em contexto os times que ele tinha na mão no Barcelona e no Bayern. E ele acabou estressando relações nos dois clubes, pessoas dizem que era uma situação de tensão demais para ele. Talvez o que mostre um pouco desta fragilidade mental de Guardiola, talvez falta de confiança, seja a própria escolha de ir para o City. Ele poderia ter ido para clubes como o United e o Chelsea, onde ganhar a Champions League não seria algo inédito. Ele preferiu ir para um clube onde a pressão é menor, onde chegar à final já será um grande feito, onde ele tem dirigentes conhecidos, amigos dele e que lhe deram carta branca para mexer no elenco como quisesse.

Esse fato nos mostra algo fundamental sobre Guardiola, como as condições precisam ser perfeitas para ele poder desenvolver seu ótimo trabalho. Já Mourinho pega qualquer desafio, não tem medo das dificuldades e assume cada trabalho com a missão de conseguir a vitória da maneira que for.''

E aí, amigos, você concorda com Ainstein ou Castles?

Pep ou Mou? Mou ou Pep?