Blog do Júlio Gomes

Brasileirão, ato 3: primeiros clássicos estaduais e tabus em jogo
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juliogomes

A terceira rodada do Brasileiro começa neste sábado com os primeiros clássicos estaduais e acaba na segunda-feira da mesma maneira. No sábado, Vasco e Fluminense fazem, às 16h, o primeiro duelo entre cariocas. Logo depois, às 19h, tem São Paulo x Palmeiras no Morumbi. A rodada acaba com o duelo entre os catarinenses, Chapecoense x Avaí.

São muitos tabus em jogo. O Fluminense, um dos líderes do campeonato, não vence o Vasco em São Januário há 44 anos. Foram apenas dez jogos entre eles depois disso, mas o fato é que é uma vantagem considerável para o Vasco jogar em seu campo. O Flu já venceu Santos e Atlético Mineiro e pode começar a sonhar alto se ganhar mais uma.

No Morumbi, o São Paulo não perde do Palmeiras desde 2002 – aquele jogo do golaço de Alex sobre Rogério Ceni. Talvez nunca o Palmeiras tenha tido uma perspectiva tão grande de quebrar o tabu. Mas o São Paulo teve descanso e treino durante a semana, enquanto seu rival jogou pela Libertadores e precisa pensar no jogo de quarta contra o Inter, pela Copa do Brasil. A necessidade da vitória está muito mais do lado do São Paulo.

Outro duelo de tabu relevante é o de domingo, entre Atlético-PR e Flamengo. Será o terceiro confronto entre eles este ano e a estreia de Eduardo Baptista no comando do Furacão. O Flamengo nunca venceu e perdeu 11 dos 15 jogos que fez na Arena da Baixada em Brasileiros.

Aqui vão os prognósticos da terceira rodada.

SÁBADO

16h Vasco 2 x 2 Fluminense
Depois de vencer no Independência, o Flu garante não se assustar com São Januário. Sornoza é desfalque, mas Scarpa volta ao time titular. O Vasco terá a estreia de Breno na zaga, e Nenê continua no banco. Último clássico entre eles em São Januário foi em 2005, decidido por Romário. Em seu estádio, o Vasco não perde do Flu desde 1973 (dez jogos). Jogo promete ser animado e cheio de alternativas.

19h São Paulo 1 x 1 Palmeiras
É um dos tabus mais conhecidos do futebol brasileiro. O São Paulo não perde do Palmeiras no Morumbi desde 2002 (14 vitórias e 9 empates desde então). Depois da suada vitória sobre o Avaí, o São Paulo teve uma semana mais tranquila de trabalho, mas perdeu Thiago Mendes, lesionado. O Palmeiras avançou na Libertadores, mas mostrou vulnerabilidade contra o Tucumán e pode poupar alguns veteranos de olho na Copa do Brasil. Bom lembrar que é jogo de torcida única.

21h Vitória 1 x 1 Coritiba
Duelo direto entre times que jogam para permanecer na elite. O Vitória apresentou Neílton, que ainda não pode jogar, mas terá Kieza de volta ao ataque – boa notícia para um time que fez só um gol em seus últimos cinco jogos. Em momento mais tranquilo, o Coritiba tem uma boa chance de beliscar um bom resultado na Fonte Nova.

DOMINGO

11h Atlético-MG 3 x 1 Ponte Preta
Depois de duas derrotas seguidas, para Fluminense e Paraná (pela Copa do Brasil), o Atlético entra em campo pressionado. Time que quer ser campeão não pode perder pontos em casa contra uma Ponte Preta reformulada em relação ao Paulista e que ainda não pode escalar vários dos seus reforços. O favoritismo do Galo é total.

16h Santos 1 x 1 Cruzeiro
O Cruzeiro é um dos poucos times do Brasil que tem bom retrospecto na Vila Belmiro, onde o Santos perde pouco. Mano Menezes vai para buscar o empate, e pode muito bem conseguir diante de um Santos seguro na Libertadores, mas que penou para vencer o Coritiba pelo Brasileiro e que não terá Lucas Lima.

16h Atlético-GO 0 x 2 Corinthians
O Dragão perdeu do Flamengo no meio de semana e foi eliminado da Copa do Brasil, mesmo com o Fla fazendo jogo horroroso. O time goianiense é candidatíssimo ao rebaixamento, enquanto o Corinthians é forte fora de casa.

16h Atlético-PR 2 x 1 Flamengo
O Atlético promoveu Autuori a diretor e tem a estreia de Eduardo Baptista no comando técnico. Na Arena da Baixada, o Flamengo é freguês histórico do Furacão. Só venceu lá uma vez, em 2011, pela Sul-Americana. Em Brasileiros, 15 jogos, com 11 derrotas e 4 empates. Uma das derrotas foi um mês atrás, na fase de grupos da Libertadores. O Atlético perdeu as duas no Brasileiro, mas recupera lesionados pouco a pouco, enquanto o Flamengo jogou muito mal em Goiânia no meio de semana.

18h Sport 1 x 1 Grêmio (*atualização de palpite sábado, 10h45)
Depois de perder a final da Copa do Nordeste para o Bahia, o Sport mandou Ney Franco embora e será comandado pelo interino Daniel Paulista – que havia começado o ano como técnico, mas deixou o cargo há dois meses para assumir coordenação da base. O time se desgastou mais na final de Salvador, jogando com 10, do que o Grêmio, que passeou contra o Zamora na Libertadores. Grêmio mandará a campo time reserva.

19h Botafogo 2 x 0 Bahia
O Botafogo perdeu para o Estudiantes na Argentina, mas ainda assim passou em primeiro em seu grupo na Libertadores. Já o Bahia ainda comemora o título da Copa do Nordeste. Nenhum dos dois dias teve tempo de treinar para o jogo.

SEGUNDA

20h Chapecoense 1 x 1 Avaí
Os times acabam de se enfrentar na final do Catarinense, com uma vitória para cada lado (ambas fora de casa) e título para a Chape.


Mônaco, 2007. Há 10 anos, nascia a inimizade Hamilton-Alonso
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juliogomes

Enquanto a Fórmula 1 está em Mônaco, Fernando Alonso está em Indianápolis. O que aconteceu com o piloto que era para muitos (ainda é para alguns) o melhor piloto do mundo? Por que Alonso não ganha um título da F-1 desde… 2006?

Depois do bicampeonato com a Renault e a aposentadoria de Michael Schumacher, Alonso era apontado como o próximo piloto dominante da categoria. Ele foi para a McLaren, uma equipe forte e histórica, e tinha como companheiro de equipe um estreante vindo da GP2. Um tal Lewis Hamilton.

Aquela temporada 2007 foi, sem dúvida, uma das mais espetaculares da história da F-1. Eu tive a sorte de ver tudo de perto, cobri todas as corridas para a Rádio Bandeirantes. Havia um equilíbrio muito grande entre Ferrari e McLaren, qualquer um podia ganhar qualquer corrida. As equipes médias conseguiam se colocar entre elas, havia bons talentos surgindo, teve escândalo de espionagem e, claro, a treta master: Alonso versus Hamilton.

Quando a McLaren decidiu colocar o jovem inglês para ser o número dois de Alonso, o espanhol disse a Ron Dennis que talvez isso pudesse comprometer a briga pelo título de Construtores. Estava sabendo bem, o Alonso. Hamilton subiria no pódio nas nove primeiras corridas de sua carreira e só perderia o título porque realmente bobeou no final.

A relação entre eles começou a se deteriorar justamente na quinta corrida, em Mônaco. O GP daquele ano foi disputado em um dia 27 de maio. Hamilton vinha de um terceiro lugar e três segundos. Alonso havia vencido uma, mas ficado atrás do inglês em duas. A coisa já estava esquisita.

Naquele ano, ainda havia aquela coisa de começar a corrida com o combustível que tivesse no carro após a classificação. A McLaren adotava um revezamento, cada corrida um teria uma volta a mais na classificação. Em Monaco, Alonso fez a pole. Mas, na corrida, Hamilton tinha um ritmo muito rápido, apesar de mais combustível. E poderia buscar a vitória na estratégia. Mas a McLaren decidiu que Alonso venceria a corrida.

Tudo normal. Um era o bicampeão do mundo. O outro, um rookie.

Depois da corrida, na entrevista coletiva, um ao lado do outro, Hamilton manda a seguinte declaração, com alta carga de ironia e irritação: ''Está pintado o número dois ali no meu carro. Eu sou o piloto número dois da equipe. O número um está no carro dele''.

Ali, ficava claro que Hamilton não estava para brincadeira. Naquela temporada, fazer uma classificação melhor que o companheiro dava muita vantagem para a corrida. E Hamilton era simplesmente mais rápido que Alonso nas voltas voadoras. Assim como Massa estava pressionando Raikkonen pelos lados da Ferrari por ser melhor nos treinos classificatórios.

Depois das declarações de Hamilton em Mônaco, a imprensa inglesa começou a pressionar muito a McLaren para dar tratamento igualitário a seus pilotos. Hamilton ganhou as duas corridas seguintes, no Canadá e Indianápolis e, após a corrida dos EUA, foi Alonso quem passou a reclamar publicamente. Até chegar ao auge na Hungria, com Alonso parado nos boxes durante a classificação, sem deixar Hamilton trocar pneus e abrir volta rápida. Foi degringolando. Mas a bronca começou mesmo no Principado.

No fim, ficaram empatados em pontos, com um a menos do que Raikkonen, campeão que se beneficiou da briga interna da McLaren.

A meu ver, aquela temporada do mimimi fez Alonso perder o rumo na F-1. Sim, é verdade que ainda foi parar na Ferrari e chegou perto do título duas vezes, perdendo o campeonato para Sebastian Vettel na última corrida em 2010 e 2012. Mas o fato é que a McLaren ainda se manteve competitiva por bons cinco anos após sua saída, tanto que Hamilton foi campeão em 2008. De repente poderia ter sido ele, Alonso, e não Hamilton, que teria feito a mudança para a campioníssima Mercedes na hora certa.

Alonso parece ter sempre tomado as decisões erradas. Sempre a partir de não ter aceitado disputar de igual para igual com um novato na McLaren. E hoje está, quem diria, de novo na McLaren, pelo terceiro ano seguido com uma carroça em mãos.

Dez anos depois das farpas lançadas por Hamilton em Mônaco, lá está ele novamente. Agora em busca do quarto título mundial. Já Alonso precisou ir a Indianápolis para se sentir piloto novamente.

 

Tags : Fórmula1


Futebol europeu vê a quebra de duas hegemonias bizarras
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A Juventus conquistou no último fim de semana o hexacampeonato italiano e muito se ouviu sobre a busca por um ''recorde''. Igualar os sete títulos franceses seguidos conquistados pelo Lyon. O problema é que, para essa série ser um ''recorde'', é necessário separar subjetivamente as ligas europeias entre ''competitivas'' e ''nem tanto''.

Se considerarmos somente as ligas mais poderosas, o hepta do Lyon de Juninho e cia e o hexa da Juventus de Buffon e cia são feitos máximos.

Mas, se considerarmos todos os campeonatos domésticos da Europa, há times que ganharam mais títulos consecutivos. E duas dessas hegemonias foram quebradas justamente no último fim de semana, enquanto os olhos estavam todos voltados para os títulos de Juventus e Real Madrid – que disputarão também o título europeu, no dia 3 de junho.

As duas maiores sequências de títulos domésticos na Europa são do Skonto Riga, da Letônia, e do Lincoln Red Imps, do minúsculo Gibraltar. Ambos ganharam 14 campeonatos seguidos. O Skonto, entre 1991 e 2004, dominando a liga letã após a independência da União Soviética.

O Lincoln Red Imps ganhou o campeonato de Gibraltar entre 2003 e 2016 e perdeu justamente a chance de conquistar o 15o título consecutivo. Gibraltar, para quem não sabe, é um território britânico localizado no sul da Espanha. É basicamente uma cidade de 30 e poucas mil pessoas (vale conhecer, por sinal, é muito bacana). Só tem um estádio de futebol, onde são disputados todos os jogos do campeonato. Não dá para ser mais ''raiz'' que isso. Bem, talvez ''amador'' seja uma definição melhor.

Depois de tropeçar na penúltima rodada contra o corajoso esquadrão do Mons Calpe, o Lincoln perdeu a liderança do campeonato para o bravo Europa Football Club. Que depois venceria seu jogo na última rodada para sagrar-se campeão de Gibraltar pela sétima vez, a primeira desde 1952. Sim, a Liga de Gibraltar existe desde 1895! Tem que respeitar.

Assim, a série de 14 títulos fica igualada entre Lincoln e Skonto. Logo depois, com 13 títulos seguidos, vem o Rosenborg, campeão da Noruega entre 1992 e 2004. Aqui já estamos falando de uma liga maior, de um time que apareceu na Champions League atuando contra os grandes da Europa.

Na sequência, com 11 títulos, vem o Dínamo Zagreb. Desde a independência da Croácia e da criação da liga local (em 1992), sem a competição com outros times da ex-iugoslava, o Dínamo dominou o futebol local. Ganhou 18 títulos contra apenas 6 do Hajduk Split. Vinha sendo campeão desde 2006 e buscava o 12o título seguido.

Mas…..

No último fim de semana, o valente Rijeka conquistou o título croata pela primeira vez em sua história. E com uma rodada de antecipação. Vai receber a taça justamente no próximo sábado, em Zagreb, diante da torcida do Dínamo. Na capital. Com pompa e circunstância.

Rijeka é a terceira maior cidade da linda Croácia, com apenas 130 mil habitantes. O time já havia tido um título literalmente roubado pelo Dínamo em 1999. A festa pela conquista do último fim de semana foi de lavar a alma, como mostram os vídeos nesta notícia do ótimo site Trivela.

Agora, das ligas mais importantes da Europa, temos a Juventus com seis títulos seguidos, o Bayern de Munique, com cinco (também inédito na Alemanha), e o Benfica, com quatro em Portugal.

Das Ligas secundárias, a sequência mais notável é a do Olympiakos, na Grécia, com sete títulos consecutivos (e 19 nos últimos 21 anos). O Basel conquistou o oitavo título seguido na Suíça, também um recorde do país. Na Escócia, o Celtic foi campeão pela sexta vez consecutiva, mas ainda está longe da marca de nove títulos que tanto ele quanto o Rangers conseguiram no passado.

 


José Mourinho, o homem que não perde finais
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José Mourinho disputou 14 finais importantes em jogo único em sua carreira. Ganhou 12. Se finais existem para ser vencidas, como disse o próprio Mourinho, o negócio é chamar o português. O aproveitamento dele chega agora a 85%.

Se considerarmos apenas finais europeias, Mourinho ganhou todas: quatro de quatro (Uefa com o Porto em 2003, Champions em 2004, Champions com a Inter em 2010). É o primeiro título internacional do clube após a era Alex Ferguson.

Com a vitória por 2 a 0 sobre o Ajax, em Estocolmo, o Manchester United conquista o título da Europa League. Um título inédito. E, assim, não apenas salva a temporada, com a classificação direta para a fase de grupos da próxima Liga dos Campeões. Dá para considerar uma temporada de sucesso, a do United.

Foi um jogo que aconteceu do jeito que José Mourinho planejou e queria. O Manchester United fechou o meio de campo com Pogba, Herrera e o contestado Fellaini, que fez ótima partida. Tirou a velocidade do jogo, não permitiu que o jovem time do Ajax imprimisse o ritmo que gostaria. Foi um baile tático.

Jogou melhor no primeiro tempo, fez o gol com Pogba e depois foi só controlando. O gol no comecinho do segundo tempo, com Mkhitaryan, a outra grande contratação para a temporada, praticamente selou a decisão. O Ajax tentou, foi guerreiro, mas não passou nem perto de ameaçar a vitória do Manchester. Uma alegria para a cidade inglesa, após o terrível atentado desta semana.

Claro que ninguém quer perder finais. Mas, para o Ajax, é importante voltar a uma decisão continental após 21 anos, ainda mais com um time jovem e promissor, que trará alegrias ou, pelo menos, dinheiro.

Dinheiro que tanto custou Pogba. Um craque, que fez uma temporada bem mais ou menos pelo valor desembolsado. Mas acaba com gol de título. O melhor Pogba ainda vai aparecer em Manchester.

Em seu primeiro ano com Mourinho, o United foi campeão da Community Shield (a Supercopa da Inglaterra), a Copa da Liga Inglesa e a Europa League. É verdade que acabou a Premier League em sexto lugar (na lanterna entre os seis mais poderosos). Mas, por causa do título de hoje, atingiu o objetivo maior, estar na próxima Champions e ajudar as finanças do clube.

Se o segundo ano de Mourinho costuma ser o melhor, por todos os clubes que passou, é bom ficar de olho neste United na próxima temporada.

A lista de 14 finais disputadas por Mourinho tem jogos de competições longas, domésticas ou europeias. As únicas derrotas vieram em maio de 2004 (Benfica 2 x 1 Porto na prorrogação, Taça de Portugal) e maio de 2013 (Atlético de Madri 2 x 1 Real Madrid, gol de Miranda na prorrogação, Copa do Rei da Espanha). Ou seja, nos 90 minutos, Mourinho nunca perdeu uma decisão.

A lista exclui as Supercopas, aqueles jogos de menor relevância, de pré-temporada praticamente, que abrem as competições oficiais na Europa – entre Supercopas em Portugal, Itália e Inglaterra, Mou ganhou quatro e perdeu quatro (sempre considerando apenas jogos únicos).

Já o Manchester United, por incrível que pareça, conquista um título inédito. Nunca havia conquistado a Copa de Feiras, da Uefa ou a Europa League (tudo a mesma coisa). Torna-se o quinto clube a ganhar, além da Uefa/Europa League, a Copa dos Campeões/Champions e a extinta Recopa (os outros são o próprio Ajax, Juventus, Bayern e Chelsea).


Isco, melhor do Real Madrid, é solução e problema para Zidane
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Cristiano Ronaldo fez 25 gols. Sergio Ramos arrancou muitos pontos nos ''seus'' acréscimos. Marcelo foi enorme. Mas nenhum jogador do Real Madrid foi mais valioso que Isco na campanha do título espanhol, conquistado no domingo com a vitória em Málaga – justamente a região natal do meia.

Não estou falando que Isco é melhor que esses caras. E não estou colocando a Liga dos Campeões da Europa na conta. Isco foi o MVP, o mais importante do Real especificamente na campanha da Liga doméstica.

O título chega após cinco anos da última conquista e havia virado uma obsessão do Real Madrid. Afinal, o todo poderoso clube da capital havia conquistado só uma das oito competições anteriores. O domínio do Barcelona estava incomodando demais, e Zidane sabia que era importante reconquistar a soberania nacional.

Para isso, arriscou. Depois da longa viagem para o Mundial, quando virou o ano e o calendário apertou, com Copa do Rei e mata-mata da Champions, Zidane passou a usar seguidamente a profundidade do elenco. Foram cinco jogos em casa com praticamente só reservas do meio para frente – só não usou reservas na defesa também por causa das lesões.

Isco estava nesse grupo de reservas. Zidane sempre deixou muito claro que não mexeria no tal trio BBC, Bale-Benzema-Cristiano, apesar da pressão da imprensa espanhola. A pressão era mais por causa de Morata, outro dos reservas, que poderia entrar no lugar de Benzema. Isco nunca teve esse lobby todo.

Com os reservas, ele brilhou. O jogo em que o Real passou mais perto de tropeçar foi o de Gijón. E aí Isco fez isso aqui para empatar a partida. E depois isso aqui, aos 45min do segundo tempo, para decidir. Logo depois de os titulares perderem o clássico para o Barcelona, os reservas foram a La Coruña e fizeram 6 a 2 no Deportivo. Jogo-chave em que Isco só não fez chover.

E Bale se machucou. E depois se machucou de novo. Chegou a hora de Isco entre os titulares, justo nessa reta final de campeonato e Champions.

E a presença dele no meio de campo, à frente de Modric e Kroos, formando um losango com Casemiro no vértice oposto, simplesmente arrumou o Real Madrid.

Por mais que os resultados estivessem chegando, o Real Madrid deixava muitas interrogações ao longo da temporada. Talvez, em um campeonato mais competitivo, tipo Inglês ou Alemão, tivesse deixado mais pontos para trás na primeira metade. Conseguiu muitas vitórias no sufoco, nos minutos finais (isso tem mérito, mas por que chegar a esse ponto?) e era um time ultradependente da bola aérea. Parecia só fazer gol assim.

Os times cortavam as linhas de passe de Modric e Kroos e complicavam muito a fluência de jogo do Real Madrid. A presença de Isco no lugar de Bale acerta isso. Os corredores ficam livres para os laterais, Kroos e Modric ganham um parceiro e possibilidades, Benzema e Cristiano Ronaldo passam a receber muito mais bolas limpas na frente.

Isco mandou no jogo contra o Atlético de Madri, no Calderón, com o Real 2 a 0 abaixo e contra a parede (isso pela Champions). Foi dominante na reta final do Espanhol, concluindo com um jogaço contra o Málaga dele na última partida. Saiu aplaudido pelas duas torcidas, algo raro, fez uma assistência maravilhosa, de três dedos, para o primeiro gol (de Cristiano Ronaldo).

Está cada vez mais parecido com Iniesta e tem só 25 anos de idade. Um meia que se mexe muito pelo campo, tem chegada, drible curto. A bola gruda em seus pés, ele limpa as jogadas passando por um ou dois e abre o campo para criar jogadas de perigo. Muito rápido, muito inteligente, muito esperto na tomada de decisões.

E ainda por cima tem gol! Fez dez no campeonato, apenas um a menos que Benzema, cinco a menos que Morata.

Mas então, se Isco foi tão importante assim, por que ele é um problema para Zidane?

Bale está trabalhando para chegar bem à final de Cardiff – por sinal, Cardiff é a capital do País de Gales. A imagem de Bale estará por todos os lados, ele é o grande personagem no local da decisão da Champions.

Zidane já disse mil vezes que ''com o trio BBC não se mexe''.

E agora? E se Bale se recuperar a tempo? Zidane terá coragem de deixar Isco no banco e mexer em um sistema de jogo que está dando tão certo, voltando para um esquema de Cristiano e Bale abertos, com um vão no meio?

Isco não será problema. Se Zidane tiver percebido que ele foi a solução.


Real Madrid e Juventus campeões. Agora só falta saber quem é melhor
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juliogomes

Faz muito tempo que a final da Liga dos Campeões da Europa não é, além da disputa pelo título, um tira-teima. O jogo para determinar quem é, de fato, o melhor do continente. É o caso neste ano.

Neste domingo pela manhã, a Juventus confirmou o hexampeonato italiano com uma vitória sobre o Crotone por 3 a 0. De tarde, o Real Madrid ganhou o Campeonato Espanhol ao fazer 2 a 0 sobre o Málaga.

Quem é melhor? Juventus ou Real Madrid? Para mim, é impossível dizer. Precisamos da final do dia 3 de junho, daqui a dois fins de semana, em Cardiff, para saber. Sinto-me incapaz de apontar um favorito.

Os títulos domésticos deste domingo mostram a força de ambos. A Juventus construiu uma dinastia na Itália. O Real Madrid quebra o incômodo domínio do Barcelona. Pode até ter o melhor ataque do mundo, mas não tem a taça.

Por ser um torneio de mata-mata, nem sempre a Champions League opõe na final os dois melhores times da temporada.

Nos últimos três anos, qualquer final sem o Bayern de Munique não reunia os dois melhores da Europa. Talvez a última vez tenha sido em 2011? Mas o atropelamento do Barcelona de Guardiola na final mostra que aquele Manchester United não estava em um nível tão alto. Possivelmente o segundo melhor time daquele ano era o Real Madrid de Mourinho, eliminado pelo Barça na semi.

Enfim, quanto mais voltamos no tempo, mais vamos chegando a tempos em que equipes não eram super seleções, como hoje. E fica mais difícil achar a situação em que os melhores do ano estavam na final.

No sábado, 20 de maio, foi o aniversário de 19 anos da final de 1998, entre Juve e Real. Aquele Real Madrid acabou em quarto lugar a Liga espanhola, mas venceu por 1 a 0 a decisão contra uma Juve bicampeã italiana e que estava em sua terceira final europeia seguida. Naquela final, havia um favorito. Que perdeu, por sinal.

Mas não falávamos dos dois melhores da Europa, o Real Madrid não era nem o melhor da Espanha.

Hoje, como negar que a final será um tira-teima?

A Juventus construiu um domínio nunca antes visto na Itália. É o primeiro time hexacampeão da história da Série A e o primeiro a ganhar três vezes seguidas a Copa da Itália (conquistada na última quarta, 2 a 0 na final sobre a Lazio). Em casa, a Juve ganhou 18 jogos e empatou 1 no campeonato. Não perde desde setembro de 2015 um jogo em seu estádio.

Tudo isso ancorada com uma base defensiva ultrasólida, jogadores que atuam juntos há muito tempo. Buffon, Chiellini, Bonucci, Barazagli. Ganhou um campeão com Daniel Alves. Outro em Mandzukic. Jogadores de espírito competitivo e história. História que querem construir personagens sedentos e decisivos, como Higuaín e Dybala. É um time equilibrado e que sabe jogar de várias maneiras diferentes.

E o Real Madrid, depois de um título espanhol em oito anos, consegue retomar a hegemonia doméstica. O último título tinha sido em 2012, com Mourinho. É verdade que perdeu para o Barcelona em casa no mês passado. Mas aquilo foi coisa de Messi. Não dá para contestar a campanha madridista.

Zidane teve coragem, colocou times mistos em várias partidas fora de casa e conseguiu ter os titulares inteiros fisicamente para a reta final, quando não havia margem para tropeços. É verdade que em muitos momentos o time parecia não saber bem a que jogava, ganhou muitos pontos na marra, nos minutos finais, nas bolas levantadas na área.

Mas a lesão de Bale e a consequente entrada de Isco no time equilibrou tudo. O Real Madrid passou a depender menos de bolas aéreas, passou a ter mais a bola nos pés, a fazer valer a qualidade de seu meio de campo. O time fez pelo menos um gol em TODOS os jogos da temporada. Já são 64 consecutivos.

A Internazionale, em 2010, foi o único time italiano a conseguir a tríplice coroa na história. A Juventus, campeã da Série A e da Copa, pode repetir o feito. Para isso, precisa quebrar o jejum de 21 anos sem conquistar a Europa.

O Real Madrid nunca conquistou a tríplice coroa. Os 11 títulos europeus só vieram acompanhados de título espanhol duas vezes. Em 1957 e 1958. O time de Zidane tenta quebrar um tabu de 59 anos, portanto. Não é pouca coisa.

Um dos dois fará história com H maiúsculo. Precisamos dessa final para saber quem é o melhor. Chega logo, dia 3!


Notórias despedidas na Europa: Calderón, Wenger, Xabi Alonso e Lahm
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juliogomes

O estádio Vicente Calderón já é história. E que história! À beira do rio Manzanares, com uma avenida passando por baixo das tribunas, com uma vista linda da cidade, com grande ambiente, de estádio de futebol de verdade.

O Atlético se despediu de seu estádio vencendo o Athletic Bilbao por 3 a 1. Dois gols de Fernando Torres, el niño, a grande esperança nos anos de vacas magras e que depois voltou em anos muito melhores – que só não foram perfeitos por causa das quatro derrotas seguidas para o Real Madrid em Champions League.

A festa foi maravilhosa. Com gols, aclamação aos velhos ídolos e ao time feminino, campeão nacional.

O Calderón era um estádio ruim para trabalhar, não vou negar. Chato para chegar. A zona mista, nos meus anos lá, pelo menos, era caótica. Ficar no campo era meio arriscado, já caiu radinho de pilha do meu lado. Na tribuna de imprensa, uma escadaria inacabável, chuva no computador… mas a vista da catedral de Almudena e do Palácio Real compensava tudo.

Vai deixar saudades. O Atlético vai jogar do outro lado da cidade, em uma arena dessas ultramodernas. Tomara que não perca o espírito, cada vez mais em falta no futebol-business.

Arsène Wenger é outro que se despede. Talvez do Arsenal, ainda não sabemos. Mas certamente da Champions League, pelo menos por um ano.

Wenger foi o primeiro homem nascido fora das ilhas britânicas a assumir o comando do Arsenal. Isso aconteceu no meio de 1996, há exatos 21 anos. Em sua primeira temporada, o Arsenal acabou em terceiro lugar, mas naquele ano somente os dois primeiros se classificavam para a Champions League.

No ano seguinte, temporada 97/98, o Arsenal conquistou o primeiro de seus três títulos ingleses com Wenger. Nunca ficou fora do G4 e, consequentemente, se classificou 19 vezes seguidas para a máxima competição europeia. Um feito e tanto, ainda mais considerando que no meio disse tudo o clube construiu um estádio novo e não teve tanto dinheiro para contratar, ainda mais se compararmos com clubes milionários controlados por estrangeiros (Chelsea, Manchester City).

Em 2016/2017, o Arsenal acabou pela primeira vez fora dos quatro primeiros na era Wenger. Ficou em quinto, com 75 pontos, mais que os 71 que renderam o vice-campeonato no ano passado. De nada adiantou bater o Everton por 3 a 1 na última rodada da Premier League, já que o Manchester City e o Liverpool venceram seus jogos e acabaram em terceiro e quarto, respectivamente.

Na vitória do Liverpool por 3 a 0 sobre o Middlesbrough, o brasileiro Lucas Leiva entrou a 10 minutos do final e acabou o jogo com a tarja de capitão no braço. Teve toda a pinta de despedida, após 10 anos no clube. Uma carreira de muito respeito. Se algum time brasileiro conseguir trazê-lo, estará fazendo um enorme negócio.

Também na Inglaterra, John Terry se despediu do Chelsea com mais uma vitória e título inglês. Um jogador que nunca teve esse futebol todo que se fala por lá, mas que inegavelmente é um símbolo da era vencedora do Chelsea.

Outros que se despediram, mas do futebol, foram Xabi Alonso e Phillip Lahm, com o fim da temporada do Bayern de Munique – pentacampeão alemão.

Xabi Alonso é um dos jogadores mais subestimados que vimos ao longo das últimas décadas. Enorme participações, dentro e fora de campo, em times históricos: o Liverpool campeão da Europa em 2005, o Real Madrid da Décima em 2014, a Espanha bicampeã europeia e, claro, campeã do mundo em 2010. Sabe demais de futebol, não tenho dúvida que voltará ao cenário europeu em outro cargo logo logo.

Phillip Lahm, o último homem a levantar uma Copa do Mundo, é outro que merece menção. Desafiou a lógica (um baixinho no futebol alemão!), ocupou muitas posições, triunfou com todos os técnicos. Exemplo de atitude e bola.


Brasileirão, ato 2: Flamengo tem obrigação de vitória. Veja os prognósticos
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juliogomes

É sempre assim. O campeonato mal começou e técnicos balançam, torcedores que, um dia estavam no aeroporto para fazer selfies, no outro estão para jogar pedras. Às vezes não são nem os resultados no próprio campeonato que geram tal pressão.

É o caso do Flamengo. Estava tudo lindo, maravilhoso. De repente, um gol nos acréscimos, derrota para o San Lorenzo, eliminação precoce na Libertadores e muita, muita pressão. A moda vai ser dizer que ''ganhar o Brasileiro é obrigação''. Como se fosse um campeonato fácil de ser vencido.

Mas o fato é que o Flamengo entra na segunda rodada contra a parede. Tem time para vencer o Brasileiro, mas precisa reagir já, imediatamente. Tem um jogo em um estádio em que terá maioria de torcedores, ainda que atue fora de casa, e contra um Atlético-GO com toda a pinta de que subiu para já cair. Se quiser ser campeão, não pode perder pontos em jogos assim.

O São Paulo é outro grande contra a parede. Após as seguidas eliminações em tudo o que disputava, só sobrou o Brasileiro. Na segunda-feira, fechando a rodada, precisa dar uma resposta vencendo o Avaí e tranquilizando um pouco as coisas.

Começamos nossa série de palpites com um acerto em cheio e sete acertos de vitória ou empate na rodada 1. Nesta segunda rodada, a previsão é de que os times da casa não prevaleçam tanto como na inaugural. Será? Palpite você também! É de graça :-)

SÁBADO

16h Santos 3 x 1 Coritiba
O Peixe vem de um enorme esforço físico na Bolívia e já joga de novo pela Libertadores na terça, então vai poupar alguns jogadores. Mas o Coritiba também tem desfalques, principalmente no meio de campo.

19h Chapecoense 1 x 1 Palmeiras
A Chape conseguiu vitória heróica na Argentina, mas pode ficar fora da Libertadores por ter escalado um jogador irregular. Nunca perdeu em casa para o Palmeiras, que vai com time misto (ou mesmo só de reservas) após a vitória sobre o Inter e com jogo pela Libertadores na quarta-feira.

19h Atlético-GO 0 x 2 Flamengo
Os times se enfrentarão duas vezes seguidas, na quarta tem jogo pela Copa do Brasil (0 a 0 na ida). O Atlético troca goleiro após as falhas de Kléver na estreia e o Flamengo chega após eliminação traumática na Libertadores. Mas jogar no Serra Dourada é quase sempre jogar em casa para o Mengo. E agora todo jogo é uma final no Brasileiro.

DOMINGO

11h Vasco 1 x 1 Bahia
Pode ser duro para o torcedor ouvir isso, mas esse é um jogo entre dois times que jogam para ficar na Série A – para onde acabam de voltar. O Bahia não leva Régis ao Rio e vai buscar o empate. O Vasco pode ter Nenê relegado ao banco após o sacode na estreia. O histórico do Bahia no Rio é muito bom contra o Vasco, mais venceu do que perdeu. Não perde lá desde o ano 2000.

16h Atlético-MG 3 x 1 Fluminense
No ano passado, o Flu quebrou um jejum de seis anos sem vencer o Galo no Brasileiro. São raras as vitórias tricolores em BH. Com o trabalho feito na Libertadores, o Atlético pode voltar as atenções ao Brasileiro e não vai poupar titulares. No Horto, são 11 vitórias em 11 jogos neste ano.

16h Vitória 0 x 1 Corinthians
Jogo será na Fonte Nova, não no Barradão. O Vitória quebrou um jejum de 20 anos sem bater o Corinthians ano passado, existe uma freguesia aqui. O time baiano tem muitos desfalques, enquanto o Corinthians teve semana livre para treinar. É o favorito.

16h Atlético-PR 1 x 1 Grêmio
O Atlético chega ao jogo embalado pela heróica classificação na Libertadores. O Grêmio também se deu bem no meio de semana, venceu o Flu pela Copa do Brasil. Jogo promete ser truncado e com pouco espaço.

18h Botafogo 0 x 0 Ponte Preta
Já classificado na Libertadores, mas ainda com chances de ganhar seu grupo (joga na Argentina quinta), o Botafogo pode poupar algum jogador que esteja desgastado. É um jogo perigoso, contra um adversário chato, que não dará o espaço que o Botafogo gosta e que historicamente arranca pontos no Rio.

19h Sport 0 x 2 Cruzeiro
O Sport não vem jogando bem, Ney Franco sofre críticas e tem final da Copa do Nordeste na quarta, portanto alguns jogadores podem ficar fora dessa partida. Já sabemos como são os times de Mano Menezes em pontos corridos, pragmáticos e pescadores de pontos.

SEGUNDA

20h São Paulo 4 x 1 Avaí
Se não ganhar esse jogo, vai ganhar de quem? É a hora para o time de Rogério Ceni afastar a crise e respirar uma semana um pouco mais tranquila.


Tite acerta ao convocar David Luiz e Rodriguinho
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juliogomes

Está difícil achar uma bola fora de Tite. O técnico convocou nesta sexta a seleção para amistosos contra Argentina e Austrália, em junho. E a lista tem algumas justiças.

David Luiz ficou marcado pelos 7 a 1. E é justo que seja assim, que ele seja criticado por uma atuação desastrosa. Mas não gosto quando jogadores recebem um carimbo na testa e punição perpétua por uma má atuação.

A temporada de David Luiz foi enorme. Voltou para o Chelsea e foi importantíssimo na campanha do título, sendo um dos três zagueiros de Conte. Mostrou, mais uma vez, que pode jogar como zagueiro e que, apesar de ter alguns defeitos técnicos, pode compensá-los com elementos ofensivos que poucos zagueiros aportam a um time.

David Luiz pode ou não pode estar no grupo da Copa do Mundo. Há boas justificativas para qualquer que seja a decisão tomada por Tite. O que não dá é para riscá-lo da lista eternamente por causa do 7 a 1. Faz muito bem o técnico em chamá-lo, observá-lo, conhecê-lo.

Ele é um zagueiro especial. Muitas vezes a volúpia em campo lhe faz esquecer do básico da função. É um jogador que foi sendo lapidado durante o voo, não na base. Os técnicos que sabem trabalhar bem isso ganham uma ótima peça para seus times.

Diego Alves, goleiro do Valencia, deveria ser titular da seleção há muito tempo. Creio que seria o goleiro da Copa passada, não tivesse Marin demitindo Mano Menezes para se escorar na dupla Felipão/Parreira. O Brasil tem muitos bons goleiros, mas o nível apresentado por Diego Alves na Espanha, há muito tempo, é bastante alto.

Alex Sandro é titular da Juventus finalista da Champions. Outro que faz ótima temporada e é uma opção que precisa ser vista para a lateral esquerda. Assim como Jemerson, que foi muito bem no Monaco (campeão francês e semifinalista da Champions) e ganha uma chance.

Por fim, chegamos a Rodriguinho. Não acho que Rodriguinho vá chegar até a Copa do Mundo, o próprio Tite deu a entender que, se estivesse bem fisicamente, Diego é que seria convocado.

Mas é muito justo que seja chamado o melhor meia do futebol brasileiro em 2017. Repito. Em 2017.

Na atual temporada do futebol brasileiro, que ainda está muito no comecinho, nenhum outro jogador da posição foi mais determinante que Rodriguinho.

Não acho que seleção brasileira seja ''momento'', como muitos dizem. Acho que seleção brasileira precisa ser uma base de atletas, muitos deles ''à prova de momento''. Não dá para o cara jogar no fio da navalha o tempo todo, ele precisa ter confiança e saber que faz parte dos planos independente de viver uma fase ruim.

E uma ou duas vagas ficam reservadas para quem estiver bem, aí sim, naquele momento da competição. É importante testar Rodriguinho, observá-lo. Vai que o cara carrega o ótimo momento para o ano todo no Corinthians.

Claro que vamos lembrar de um nome aqui, outro ali. Faltou esse, faltou aquele. Não gosto muito de Fágner e Taison na lista, por exemplo. Mas essa é a graça de se falar de seleção.

Por enquanto, Tite segue só dando bolas dentro. Seu único erro é não querer ser presidente da combalida República!


Botafogo faz um favor a todos os brasileiros na Libertadores
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juliogomes

Está cada vez mais difícil imaginar que time pode tirar o título da Libertadores da América de um brasileiro. O Botafogo fez um favor a si mesmo e aos outros ''patrícios'' ao vencer por 1 a 0 e eliminar o Atlético Nacional de Medellín, nesta quinta à noite.

Atual campeão e melhor time da América do Sul no ano passado, o Nacional perdeu muitas peças, mas ainda é um time muito forte e que, se tivesse passado para as oitavas, seria candidato natural ao bi. É o líder disparado na Colômbia, com recorde de pontos. Mas pagou o preço ao começar a Libertadores com três derrotas seguidas.

Quando se ajustou no ano, já era tarde. E, no Engenhão, apesar da maior posse de bola, parou em uma muralha defensiva do Botafogo. O time da casa cedeu pouquíssimas chances reais de gol aos colombianos.

Um time de dedicação louvável, com todos os jogadores trabalhando muito na defesa, fechando espaços e criando ajudas. E saindo de forma extremamente rápida no contra ataque. O Botafogo fez o que o Flamengo, por exemplo, não fez contra o San Lorenzo: nunca abdicou do jogo. Sim, se defendeu, mas contra atacou com dois, três, quatro jogadores. Fez um gol e poderia ter feito mais.

Botafogo, Santos, Atlético-MG e Atlético-PR já estão nas oitavas de final. Grêmio, Palmeiras e Chapecoense têm a faca e o queijo na mão – só ficam fora por catástrofe. Apenas o Flamengo vai sobrar mesmo, o que faz da semana ainda mais perfeita para o botafoguense.

Quem pode tirar o título de um brasileiro?

O torneio avança pelo ano todo. Mas, no momento, parece que só o River Plate e o San Lorenzo teriam condições de fazê-lo. Talvez o Santa Fé, se conseguir vencer o Strongest e se classificar.

O Santa Fé vai ser aquele segundo colocado que ninguém vai querer enfrentar nas oitavas. O Atlético-PR, claro, é também um rival indigesto. O Botafogo precisa brigar para ser primeiro de seu grupo e, para isso, talvez nem precise vencer o Estudiantes na Argentina – duvido muito que o Barcelona não saia derrotado de Medellín na última rodada.

Botafogo e Barcelona têm 10 pontos, mesmo saldo, mas o time carioca fez um gol a menos. O Atlético Nacional ainda pode ir à Sul-Americana se vencer o Barcelona. Um empate pode servir para o Botafogo ser primeiro e para o Estudiantes ser terceiro.

Se for primeiro, o Botafogo evita possíveis confrontos nas oitavas contra Santos, Palmeiras, Galo, Grêmio, San Lorenzo, River…

Deste time, o exterminador de campeões da Libertadores, convém não duvidar.